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“Eu vejo avôs, pais e filhos curtindo as músicas”, diz Daniel

Depois de cinco anos sem inéditas, sertanejo lança álbum homônimo

por Marcos Lauro em 21/10/2016

Daniel passou cerca de cinco anos se dedicando a álbuns ao vivo e homenagens a outros artistas, além de programas e quadros de TV. A pausa em sua discografia chegou ao fim em setembro com o lançamento de um álbum homônimo que já conseguiu colocar “Inevitavelmente” no Hot 100 – na 23ª posição nessa semana.

A Billboard Brasil conversou com o cantor sertanejo sobre o álbum, os reality shows musicais e a figura do artista como influenciador dos fãs:

Depois de cinco anos sem inéditas, qual foi o norte para esse novo trabalho?
Tem uma canção com um foco mais tradicional, que tem parceria com o Luan Santana. Ela abre o disco. Mas ele é bastante atual e o repertório é bem variado. O que fala mais alto é o romantismo e tem batidão, tem uma música do Peninha que é mais pop... Então, quando você ouve, você lembra da época de João Paulo e Daniel, mas também percebe informações mais atuais. Tem uma pancada de gente acontecendo no sertanejo e isso é bom, movimenta a cena.

E você tem observado bastante a cena atual? O que acha do sucesso das mulheres?
Era difícil a mulher fazer sucesso no meio, mas agora elas estão dominando. Marília Mendonça compõe super bem, canta legal, tem uma proposta diferente. Nas rádios de hoje em dia tem uma mistura muito grande. Eu ouço muito rádio e percebo isso. Tem pouco rock, que eu sinto falta até, e mais mistura. Tem poucas rádios segmentadas, que vestem a camisa de um só gênero musical.

O romantismo é uma grande marca no seu trabalho. Pensou em deixá-lo de lado para ter um som mais diferente?
O romantismo é uma marca desde a época com o João Paulo. Mas um diferencial pra mim nesse disco foi gravar ao vivo no estúdio. Eu nunca tinha feito isso. Na fase de mixagem é que eu senti falta de mais vozes, e aí eu convidei outros artistas pra participar. E captamos as imagens da gravação, que a Universal vai lançar já, já. A gente usou bateria, baixo, violão e teclado, pouca coisa, pouca informação, e ficou interessante. Acabou ficando grandioso.

E como foi essa pausa na sua discografia? Quando sentiu vontade de fazer o disco?
Eu vim me encaminhando pra soltar um disco de inéditas. Eu vim do Daniel 30 Anos O Musical, que tinha só uma música inédita. Depois veio Daniel In Concert... Então eu estava querendo mesmo me dedicar a um disco com coisas novas. Pesquisamos as composições, chamei compositores para fazer parcerias e foi tudo natural. E o lance de ter gravado ao vivo eu achei demais, é outra energia.

Você se dedica à TV já há algum tempo, mas passou por três temporadas de The Voice, algo que toma muito tempo. Como foi a experiência?
Eu venho dosando essa coisa de TV. Depois de tanto tempo de estrada é difícil se manter, né? Então é superimportante esse tempo, dar uma pausa, entrar em histórias diferentes... Dá um up, renova, dá vontade de continuar. O importante é fazer sempre de um jeito diferente, tem um leque de oportunidades. O The Voice foi um super presente, uma etapa importante e um grande aprendizado. Curti demais porque eu me via no lugar daquelas pessoas, eu fui avaliado muitas vezes... Comecei minha carreira em festivais.

Aqui no Brasil a gente não tem muitos exemplos de participantes que realmente se tornam sucesso. Porque você acha que isso acontece?
Existe essa cobrança por parte do público e a gente conversava lá, com o Carlinhos Brown, com o Lulu Santos, que a nossa parte estava feita. Dali por diante era com o público. E existe um paralelo atualmente. Eu tenho contato com muitos que passaram por ali. Lia Soares, por exemplo. Eles sabem o que querem pra eles, sabe? Então o The Voice acaba sendo uma porta de entrada. Eles têm as vidas deles, normal, mas estão se realizando, fazendo música. Podem não estar tão expostos na mídia, mas trabalham.

Qual é a sua meta hoje?
Eu sou da década de 1980, né? E tive mais reconhecimento nos anos 1990. É uma responsabilidade muito grande falar pra várias gerações de uma mesma família. A gente vê avôs, pais e filhos curtindo a música e a gente tem que fazer com que essas várias gerações se adaptem ao streaming, ao digital. Mas, ao mesmo tempo, eu não posso me esquecer que estou lidando com arte, então eu quero continuar a produzir algo palpável, um CD, com encarte legal. Eu sou assim. Até pouco tempo eu tinha uma agendinha pra anotar telefone [risos]. Então a gente tem que usar essa tecnologia de forma responsável. O que a gente fala muita gente vê e assimila... Tem que ter um cuidado muito grande com tudo. Esses dias estava com a minha mãe e a gente conseguiu colocar um iPad na mão dela. Com 77 anos ela veio me falar de um show que fiz em Curitiba. Eu perguntei: “Como assim, mãe?”. Ela: “Ah, vi no Facebook” [risos].

Então qual a sua opinião sobre esse momento delicado do país, em que até os artistas estão sendo bastante cobrados sobre o que dizem em redes sociais?
A gente tem que estar preocupado e atento a tudo. Quando eu fui votar [nas eleições municipais], postei uma foto na urna e falei sobre essa responsabilidade. A gente sabe o que é correto e o que não é. Precisamos ver esse país ser conduzido da maneira correta. Eu ouço música do Tião Carreiro e Pardinho dos anos 1960, que fala sobre problemas do Brasil, que ainda é atual. Já que a gente é uma figura pública, tem que fazer a nossa parte. Então temos que colocar pessoas corretas no poder, gente em quem a gente acredita. A questão tecnológica, na verdade, ajuda. As coisas nunca foram tão expostas. E eu acredito na transformação, acredito na limpeza que estão fazendo, acredito no Brasil. Já conheci muitos países e sei que é difícil encontrar país igual ao Brasil. Cada um tem que fazer a sua parte, não ficar só reclamando.

  • HOT 100
    BRASIL
  • BILLBOARD
    200
  • HOT 100
    EUA
1
Eu Vou Te Buscar (Cha La La La La) (part. Hungria Hip Hop)
Gusttavo LIma
2
Saudade
Eduardo Costa
3
Amor Da Sua Cama
Felipe Araújo
4
Dona Maria (Part. Jorge)
Thiago Brava
5
Não Era Você
João Bosco & Vinicius
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“Eu vejo avôs, pais e filhos curtindo as músicas”, diz Daniel

Depois de cinco anos sem inéditas, sertanejo lança álbum homônimo

por Marcos Lauro em 21/10/2016

Daniel passou cerca de cinco anos se dedicando a álbuns ao vivo e homenagens a outros artistas, além de programas e quadros de TV. A pausa em sua discografia chegou ao fim em setembro com o lançamento de um álbum homônimo que já conseguiu colocar “Inevitavelmente” no Hot 100 – na 23ª posição nessa semana.

A Billboard Brasil conversou com o cantor sertanejo sobre o álbum, os reality shows musicais e a figura do artista como influenciador dos fãs:

Depois de cinco anos sem inéditas, qual foi o norte para esse novo trabalho?
Tem uma canção com um foco mais tradicional, que tem parceria com o Luan Santana. Ela abre o disco. Mas ele é bastante atual e o repertório é bem variado. O que fala mais alto é o romantismo e tem batidão, tem uma música do Peninha que é mais pop... Então, quando você ouve, você lembra da época de João Paulo e Daniel, mas também percebe informações mais atuais. Tem uma pancada de gente acontecendo no sertanejo e isso é bom, movimenta a cena.

E você tem observado bastante a cena atual? O que acha do sucesso das mulheres?
Era difícil a mulher fazer sucesso no meio, mas agora elas estão dominando. Marília Mendonça compõe super bem, canta legal, tem uma proposta diferente. Nas rádios de hoje em dia tem uma mistura muito grande. Eu ouço muito rádio e percebo isso. Tem pouco rock, que eu sinto falta até, e mais mistura. Tem poucas rádios segmentadas, que vestem a camisa de um só gênero musical.

O romantismo é uma grande marca no seu trabalho. Pensou em deixá-lo de lado para ter um som mais diferente?
O romantismo é uma marca desde a época com o João Paulo. Mas um diferencial pra mim nesse disco foi gravar ao vivo no estúdio. Eu nunca tinha feito isso. Na fase de mixagem é que eu senti falta de mais vozes, e aí eu convidei outros artistas pra participar. E captamos as imagens da gravação, que a Universal vai lançar já, já. A gente usou bateria, baixo, violão e teclado, pouca coisa, pouca informação, e ficou interessante. Acabou ficando grandioso.

E como foi essa pausa na sua discografia? Quando sentiu vontade de fazer o disco?
Eu vim me encaminhando pra soltar um disco de inéditas. Eu vim do Daniel 30 Anos O Musical, que tinha só uma música inédita. Depois veio Daniel In Concert... Então eu estava querendo mesmo me dedicar a um disco com coisas novas. Pesquisamos as composições, chamei compositores para fazer parcerias e foi tudo natural. E o lance de ter gravado ao vivo eu achei demais, é outra energia.

Você se dedica à TV já há algum tempo, mas passou por três temporadas de The Voice, algo que toma muito tempo. Como foi a experiência?
Eu venho dosando essa coisa de TV. Depois de tanto tempo de estrada é difícil se manter, né? Então é superimportante esse tempo, dar uma pausa, entrar em histórias diferentes... Dá um up, renova, dá vontade de continuar. O importante é fazer sempre de um jeito diferente, tem um leque de oportunidades. O The Voice foi um super presente, uma etapa importante e um grande aprendizado. Curti demais porque eu me via no lugar daquelas pessoas, eu fui avaliado muitas vezes... Comecei minha carreira em festivais.

Aqui no Brasil a gente não tem muitos exemplos de participantes que realmente se tornam sucesso. Porque você acha que isso acontece?
Existe essa cobrança por parte do público e a gente conversava lá, com o Carlinhos Brown, com o Lulu Santos, que a nossa parte estava feita. Dali por diante era com o público. E existe um paralelo atualmente. Eu tenho contato com muitos que passaram por ali. Lia Soares, por exemplo. Eles sabem o que querem pra eles, sabe? Então o The Voice acaba sendo uma porta de entrada. Eles têm as vidas deles, normal, mas estão se realizando, fazendo música. Podem não estar tão expostos na mídia, mas trabalham.

Qual é a sua meta hoje?
Eu sou da década de 1980, né? E tive mais reconhecimento nos anos 1990. É uma responsabilidade muito grande falar pra várias gerações de uma mesma família. A gente vê avôs, pais e filhos curtindo a música e a gente tem que fazer com que essas várias gerações se adaptem ao streaming, ao digital. Mas, ao mesmo tempo, eu não posso me esquecer que estou lidando com arte, então eu quero continuar a produzir algo palpável, um CD, com encarte legal. Eu sou assim. Até pouco tempo eu tinha uma agendinha pra anotar telefone [risos]. Então a gente tem que usar essa tecnologia de forma responsável. O que a gente fala muita gente vê e assimila... Tem que ter um cuidado muito grande com tudo. Esses dias estava com a minha mãe e a gente conseguiu colocar um iPad na mão dela. Com 77 anos ela veio me falar de um show que fiz em Curitiba. Eu perguntei: “Como assim, mãe?”. Ela: “Ah, vi no Facebook” [risos].

Então qual a sua opinião sobre esse momento delicado do país, em que até os artistas estão sendo bastante cobrados sobre o que dizem em redes sociais?
A gente tem que estar preocupado e atento a tudo. Quando eu fui votar [nas eleições municipais], postei uma foto na urna e falei sobre essa responsabilidade. A gente sabe o que é correto e o que não é. Precisamos ver esse país ser conduzido da maneira correta. Eu ouço música do Tião Carreiro e Pardinho dos anos 1960, que fala sobre problemas do Brasil, que ainda é atual. Já que a gente é uma figura pública, tem que fazer a nossa parte. Então temos que colocar pessoas corretas no poder, gente em quem a gente acredita. A questão tecnológica, na verdade, ajuda. As coisas nunca foram tão expostas. E eu acredito na transformação, acredito na limpeza que estão fazendo, acredito no Brasil. Já conheci muitos países e sei que é difícil encontrar país igual ao Brasil. Cada um tem que fazer a sua parte, não ficar só reclamando.