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Fagner reflete sobre carreira, mercado e política em entrevista exclusiva

por em 10/01/2015
ong>Por Lucas Borges Teixeira Fagner teve um 2014 agitado. Depois de cinco anos sem lançar um disco, o cearense fechou dezembro com um álbum de inéditas, Pássaros Urbanos, e outro ao vivo, em parceria com Zé Ramalho. Além disso, foi um dos principais apoiares de Aécio Neves em sua campanha presidencial. Em entrevista à Billboard Brasil, o músico contou sobre a criação dos dois álbuns, refletiu sobre sua obra, reclamou da pressa das gravadoras, falou sobre política, maconha, os problemas que o país enfrenta atualmente e explicou ainda por que, apesar de ter apoiado o mineiro, ficou feliz por ele não ter ganhado. Leia abaixo: Como surgiu a ideia de lançar um disco ao vivo com o Zé Ramalho? Nós somos amigos há muitos anos. Desde que eu estava na CBS, ele foi um dos artistas a começar a carreira por lá, como Elba [Ramalho] e Amelinha. Com o tempo, a gente começou a compor, ele me deu um grande sucesso, “Eternas Ondas”. Por conta desse histórico, ele veio aqui em casa [ambos moram no mesmo prédio, no Rio de Janeiro] para refletir sobre o que já fizemos e falou “Pô, vamos fazer um disco para concluir essa parceria”. É uma interação da obra de um com o outro: a reunião de dois caras que estão resistindo esse tempo todo, que têm discografias fortes, públicos muito grandes. É a coisa nordestina, de uma geração inteira. Li que houve um desentendimento entre vocês no final da gravação do show. Isso aconteceu de fato? O que houve? Aconteceu, aconteceu. Olha, cada um é cada qual. O Zé tem o jeito dele. Eu sou uma pessoa que gosta do improviso, talvez ele seja mais programado. Nós ficamos três dias gravando, com o repertório definido: um sem plateia, outro com convidados e o terceiro com público. Como a fatura estava liquidada, no último momento eu vi pessoas pedindo músicas diferentes do roteiro e achei que aquela era uma hora em que a gente poderia brincar. Incentivei o Zé a cantar uma música dele, “Avôhai”, e atendi a uma pessoa que pedia para eu cantar “Borbulhas De Amor”. Tenho essa flexibilidade. Se ele não tem, é coisa dele. Eu quis ser generoso com a plateia que estava nos prestigiando. Isso trouxe algum problema para a relação de vocês? Tem problema nenhum. Ele tá querendo fazer show... Mas aí ele precisa estar preparado para alguma imprevisibilidade. A gente vai subir ao palco em algum momento. Por enquanto, deixa esse disco rodar de boca em boca. Acho que vai ser o disco dos barzinhos. Hoje, o Brasil está infestado desses DVDs. Eu quero chegar primeiro nos barzinhos, depois a gente vai para os estádios. Você não lançava um álbum de inéditas desde 2009, com Uma Canção No Rádio. E, em 2014, lançou dois: Pássaros Urbanos e o ao vivo. Por quê? Na realidade, o com o Zé, para mim, era pra 2015. Isso é um atropelo da Sony. Eu não queria estar terminando um disco com outro. Eles deviam estar sem disco para o Natal e apostaram no nosso. Mas o Pássaros Urbanos ainda está no meio do processo de divulgação. Pra falar a verdade, não tá legal para mim. Colocaram o carro na frente dos bois. Eu estava fazendo show e já veio um fã pedindo para eu assinar o disco com o Zé e eu nem sabia que ele já tinha sido lançado. Eles lançaram sem eu saber. Vamos falar do Pássaros Urbanos. Nele, tem composições novas com parceiros antigos, como o Fausto Nilo, Zeca Baleiro, tem regravação de “Paralelas”, do Belchior... Esse disco foi bem pensado. No mercado, antigamente, todo ano a gente lançava disco. Então você cria, para o público, essa dependência. O anterior eu havia lançado pela Som Livre e acho que eles não trabalharam bem, já estavam entre o sertanejo e a oração... Aí fiquei cinco anos sem gravar – e o público me cobrando. Porque eles não estão interessados em saber se mudou o sistema, eles querem ouvir as músicas. Então, busquei meus parceiros e comecei a gravar em Fortaleza. Nos anos 70, você lançava um álbum por ano. Com o passar do tempo, essa média diminuiu, especialmente na última década. É uma coisa recorrente na carreira de muitos artistas. Por que você acha que isso acontece? Antes havia a pressão de um mercado em que você fazia um contrato de cinco anos, envolvendo muita grana, e tinha de lançar um disco por ano. A música tinha de estourar logo, ir para as novelas. A gente era um pouco aprisionado por esse compromisso. Tem alguns discos que, sinceramente, hoje eu não faria. Quando você estava começando a curtir um, já tinha que lançar outro. Isso atrapalhava? Não, porque o mercado assimilava tudo isso. Mas você não tinha a liberdade que nem hoje de só lançar o disco quando estivesse feliz com aquelas músicas. Não tem essa pressão. Aí você pode ficar mais seletivo. Meu disco novo traz um pouco disso. Eu fiz, banquei e depois passei para a gravadora. Quando ela viu, já estava pronto. Esse tem o tal do DNA, então não dá para comparar quando o mercado era outro e tinha a escravatura do contrato. Como você vê a música nordestina contemporânea? Não só a nordestina, mas a brasileira. É chato e antiético fazer comparação, mas eu acho que a nossa geração trouxe uma música de referência, até por causa da época. Hoje, é uma música mais descartável. Claro, tem casos isolados que têm novidades. Em 2014, você foi um dos principais nomes do meio artístico a não só apoiar como fazer campanha para o Aécio Neves. Por que esse engajamento todo? Sou amigo do Aécio há mais de 30 anos. Conheci antes de ele subir no palanque e ser político. Eu tenho uma ligação histórica com o PSDB, já fui filiado. No Ceará, a geração Tasso [Jereissati] era contra os coronéis e eu me engajei nisso. Viajei fazendo campanha, coloquei Tom Cavalcante no palco. Fiz amizade com muitos nomes do PSDB, entre eles o mais garoto era o Aécio. Então, fui como amigo e, com o estrago que está o PT hoje, tinha por obrigação apoiá-lo. Muita gente não entendeu. No aeroporto, me falaram “você é muito corajoso”, já outros que sabiam que eu sou nordestino me criticavam. Eu passei um mês no meio dessa briga dividida. Como você vê essa crítica ao nordestino? Eu fico na minha porque essa eleição foi tão baixo nível que pode suscitar qualquer tipo de interpretação, inclusive as mais radicais. O país estava testando sua democracia, então você escuta qualquer tipo de opinião: de gente que não conhece a história do Brasil, de quem está vivendo só o momento, daqueles que estão inventando o momento... O meu apoio ao Aécio foi nesse sentido, mas gostei de ele não ter ganhado. Por quê? Porque ele ia ficar na mão dos paulistas, já que perdeu na terra dele e ganhou em São Paulo. Ainda vai ter de conviver com esse problema, vai ter de ver onde errou em Minas. Em uma entrevista à Folha de S. Paulo, em agosto de 2013, você falou que não tinha mais espaço para uma política do PSDB que não tem contato com a massa. Você acha que o Aécio conseguiu ter esse contato? Não, não conseguiu. Ele vai ter de correr atrás disso. Não é por falta de conselho. Como amigo, já falei 200 vezes. É um engessamento da maneira do PSDB de fazer política, de colarinho. Ele tem de desamarrar essa gravata imediatamente e ir para o povo. Eles vão para o Nordeste para ficar na sombra. Levei ele para a feira de São Cristóvão, porque ele não conhecia o Nordeste.  Aí dá vez ao Lula e ao PT. O que você espera do país nos próximos quatro anos? Caramba, eu espero que a gente resolva esse monte de problema que estamos vivendo agora. Mas ainda vai vir muito problema estrutural. Espero que suportemos essa avalanche que está sendo desvendada. Você acha que o governo Dilma está preparado? Pelo visto, não. Pelo povo brasileiro, torço para que as coisas caminhem em umas águas mais serenas. Juro por Deus, não torço contra. Mas, pelo andar da carruagem, ainda vai feder muita coisa. Um dos temas mais debatidos atualmente é a legalização da maconha. O que você acha? A vida é livre. Essas coisas de droga, eu não sou muito por dentro. Mas, vendo a violência do tráfico, acho que temos de achar outro caminho que não o da repressão. Tem muita gente presa por pouca coisa e muita gente solta por muita coisa. É praticamente um caos institucional que bate em todos os tipos de entendimento social. Temos de resolver de outra forma. Isso deveria entrar na pauta. Só não sei se há boa vontade política ou qualidade institucional para resolver isso. E quanto à adoção de crianças por casais homossexuais? Você vai deixar uma criança abandonada? Temos de amparar. Quais os seus planos para 2015? Olha, 2014 foi um ano muito legal, com muitos shows, plateias incríveis. Uma peregrinação por todo o país. Independentemente de mídia, de televisão. Tive a oportunidade de lançar um disco de inéditas. Agora, em 2015, quero um descanso, mas, fora os shows normais, tenho o projeto de um disco de seresta com o Guinga e estou voltando às origens do meu pai, no Líbano. Penso em um disco intercultural, como fiz com a Espanha no Traduzir-se (1981). Vou entrar nesse universo, é uma música para cima, envolvente.
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  • HOT 100
    EUA
1
Eu Vou Te Buscar (Cha La La La La) (part. Hungria Hip Hop)
Gusttavo LIma
2
Amor Da Sua Cama
Felipe Araújo
3
Saudade
Eduardo Costa
4
Bengala E Crochê
Maiara & Maraisa
5
De Quem É A Culpa?
Marília Mendonça
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Fagner reflete sobre carreira, mercado e política em entrevista exclusiva

por em 10/01/2015
ong>Por Lucas Borges Teixeira Fagner teve um 2014 agitado. Depois de cinco anos sem lançar um disco, o cearense fechou dezembro com um álbum de inéditas, Pássaros Urbanos, e outro ao vivo, em parceria com Zé Ramalho. Além disso, foi um dos principais apoiares de Aécio Neves em sua campanha presidencial. Em entrevista à Billboard Brasil, o músico contou sobre a criação dos dois álbuns, refletiu sobre sua obra, reclamou da pressa das gravadoras, falou sobre política, maconha, os problemas que o país enfrenta atualmente e explicou ainda por que, apesar de ter apoiado o mineiro, ficou feliz por ele não ter ganhado. Leia abaixo: Como surgiu a ideia de lançar um disco ao vivo com o Zé Ramalho? Nós somos amigos há muitos anos. Desde que eu estava na CBS, ele foi um dos artistas a começar a carreira por lá, como Elba [Ramalho] e Amelinha. Com o tempo, a gente começou a compor, ele me deu um grande sucesso, “Eternas Ondas”. Por conta desse histórico, ele veio aqui em casa [ambos moram no mesmo prédio, no Rio de Janeiro] para refletir sobre o que já fizemos e falou “Pô, vamos fazer um disco para concluir essa parceria”. É uma interação da obra de um com o outro: a reunião de dois caras que estão resistindo esse tempo todo, que têm discografias fortes, públicos muito grandes. É a coisa nordestina, de uma geração inteira. Li que houve um desentendimento entre vocês no final da gravação do show. Isso aconteceu de fato? O que houve? Aconteceu, aconteceu. Olha, cada um é cada qual. O Zé tem o jeito dele. Eu sou uma pessoa que gosta do improviso, talvez ele seja mais programado. Nós ficamos três dias gravando, com o repertório definido: um sem plateia, outro com convidados e o terceiro com público. Como a fatura estava liquidada, no último momento eu vi pessoas pedindo músicas diferentes do roteiro e achei que aquela era uma hora em que a gente poderia brincar. Incentivei o Zé a cantar uma música dele, “Avôhai”, e atendi a uma pessoa que pedia para eu cantar “Borbulhas De Amor”. Tenho essa flexibilidade. Se ele não tem, é coisa dele. Eu quis ser generoso com a plateia que estava nos prestigiando. Isso trouxe algum problema para a relação de vocês? Tem problema nenhum. Ele tá querendo fazer show... Mas aí ele precisa estar preparado para alguma imprevisibilidade. A gente vai subir ao palco em algum momento. Por enquanto, deixa esse disco rodar de boca em boca. Acho que vai ser o disco dos barzinhos. Hoje, o Brasil está infestado desses DVDs. Eu quero chegar primeiro nos barzinhos, depois a gente vai para os estádios. Você não lançava um álbum de inéditas desde 2009, com Uma Canção No Rádio. E, em 2014, lançou dois: Pássaros Urbanos e o ao vivo. Por quê? Na realidade, o com o Zé, para mim, era pra 2015. Isso é um atropelo da Sony. Eu não queria estar terminando um disco com outro. Eles deviam estar sem disco para o Natal e apostaram no nosso. Mas o Pássaros Urbanos ainda está no meio do processo de divulgação. Pra falar a verdade, não tá legal para mim. Colocaram o carro na frente dos bois. Eu estava fazendo show e já veio um fã pedindo para eu assinar o disco com o Zé e eu nem sabia que ele já tinha sido lançado. Eles lançaram sem eu saber. Vamos falar do Pássaros Urbanos. Nele, tem composições novas com parceiros antigos, como o Fausto Nilo, Zeca Baleiro, tem regravação de “Paralelas”, do Belchior... Esse disco foi bem pensado. No mercado, antigamente, todo ano a gente lançava disco. Então você cria, para o público, essa dependência. O anterior eu havia lançado pela Som Livre e acho que eles não trabalharam bem, já estavam entre o sertanejo e a oração... Aí fiquei cinco anos sem gravar – e o público me cobrando. Porque eles não estão interessados em saber se mudou o sistema, eles querem ouvir as músicas. Então, busquei meus parceiros e comecei a gravar em Fortaleza. Nos anos 70, você lançava um álbum por ano. Com o passar do tempo, essa média diminuiu, especialmente na última década. É uma coisa recorrente na carreira de muitos artistas. Por que você acha que isso acontece? Antes havia a pressão de um mercado em que você fazia um contrato de cinco anos, envolvendo muita grana, e tinha de lançar um disco por ano. A música tinha de estourar logo, ir para as novelas. A gente era um pouco aprisionado por esse compromisso. Tem alguns discos que, sinceramente, hoje eu não faria. Quando você estava começando a curtir um, já tinha que lançar outro. Isso atrapalhava? Não, porque o mercado assimilava tudo isso. Mas você não tinha a liberdade que nem hoje de só lançar o disco quando estivesse feliz com aquelas músicas. Não tem essa pressão. Aí você pode ficar mais seletivo. Meu disco novo traz um pouco disso. Eu fiz, banquei e depois passei para a gravadora. Quando ela viu, já estava pronto. Esse tem o tal do DNA, então não dá para comparar quando o mercado era outro e tinha a escravatura do contrato. Como você vê a música nordestina contemporânea? Não só a nordestina, mas a brasileira. É chato e antiético fazer comparação, mas eu acho que a nossa geração trouxe uma música de referência, até por causa da época. Hoje, é uma música mais descartável. Claro, tem casos isolados que têm novidades. Em 2014, você foi um dos principais nomes do meio artístico a não só apoiar como fazer campanha para o Aécio Neves. Por que esse engajamento todo? Sou amigo do Aécio há mais de 30 anos. Conheci antes de ele subir no palanque e ser político. Eu tenho uma ligação histórica com o PSDB, já fui filiado. No Ceará, a geração Tasso [Jereissati] era contra os coronéis e eu me engajei nisso. Viajei fazendo campanha, coloquei Tom Cavalcante no palco. Fiz amizade com muitos nomes do PSDB, entre eles o mais garoto era o Aécio. Então, fui como amigo e, com o estrago que está o PT hoje, tinha por obrigação apoiá-lo. Muita gente não entendeu. No aeroporto, me falaram “você é muito corajoso”, já outros que sabiam que eu sou nordestino me criticavam. Eu passei um mês no meio dessa briga dividida. Como você vê essa crítica ao nordestino? Eu fico na minha porque essa eleição foi tão baixo nível que pode suscitar qualquer tipo de interpretação, inclusive as mais radicais. O país estava testando sua democracia, então você escuta qualquer tipo de opinião: de gente que não conhece a história do Brasil, de quem está vivendo só o momento, daqueles que estão inventando o momento... O meu apoio ao Aécio foi nesse sentido, mas gostei de ele não ter ganhado. Por quê? Porque ele ia ficar na mão dos paulistas, já que perdeu na terra dele e ganhou em São Paulo. Ainda vai ter de conviver com esse problema, vai ter de ver onde errou em Minas. Em uma entrevista à Folha de S. Paulo, em agosto de 2013, você falou que não tinha mais espaço para uma política do PSDB que não tem contato com a massa. Você acha que o Aécio conseguiu ter esse contato? Não, não conseguiu. Ele vai ter de correr atrás disso. Não é por falta de conselho. Como amigo, já falei 200 vezes. É um engessamento da maneira do PSDB de fazer política, de colarinho. Ele tem de desamarrar essa gravata imediatamente e ir para o povo. Eles vão para o Nordeste para ficar na sombra. Levei ele para a feira de São Cristóvão, porque ele não conhecia o Nordeste.  Aí dá vez ao Lula e ao PT. O que você espera do país nos próximos quatro anos? Caramba, eu espero que a gente resolva esse monte de problema que estamos vivendo agora. Mas ainda vai vir muito problema estrutural. Espero que suportemos essa avalanche que está sendo desvendada. Você acha que o governo Dilma está preparado? Pelo visto, não. Pelo povo brasileiro, torço para que as coisas caminhem em umas águas mais serenas. Juro por Deus, não torço contra. Mas, pelo andar da carruagem, ainda vai feder muita coisa. Um dos temas mais debatidos atualmente é a legalização da maconha. O que você acha? A vida é livre. Essas coisas de droga, eu não sou muito por dentro. Mas, vendo a violência do tráfico, acho que temos de achar outro caminho que não o da repressão. Tem muita gente presa por pouca coisa e muita gente solta por muita coisa. É praticamente um caos institucional que bate em todos os tipos de entendimento social. Temos de resolver de outra forma. Isso deveria entrar na pauta. Só não sei se há boa vontade política ou qualidade institucional para resolver isso. E quanto à adoção de crianças por casais homossexuais? Você vai deixar uma criança abandonada? Temos de amparar. Quais os seus planos para 2015? Olha, 2014 foi um ano muito legal, com muitos shows, plateias incríveis. Uma peregrinação por todo o país. Independentemente de mídia, de televisão. Tive a oportunidade de lançar um disco de inéditas. Agora, em 2015, quero um descanso, mas, fora os shows normais, tenho o projeto de um disco de seresta com o Guinga e estou voltando às origens do meu pai, no Líbano. Penso em um disco intercultural, como fiz com a Espanha no Traduzir-se (1981). Vou entrar nesse universo, é uma música para cima, envolvente.