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Fenômeno do pop angolano, Anselmo Ralph divulga novo álbum no Brasil

Cantor já fez parcerias com Anitta, Banda Calypso e Paula Fernandes, entre outros artistas brasileiros

por Marcos Lauro em 05/04/2017

Anselmo Ralph é um dos grandes nomes do pop angolano e há cerca de três anos conseguiu expandir o seu alcance para Portugal – foi técnico nas três edições mais recentes do The Voice local. Depois de fazer shows em pequenas casas, hoje, depois de lançar Amor é Cego (2016), já lota grandes salas e arenas para 20 mil pessoas.

Amor é Cego é um álbum temático, que conta a história de uma casal. “Há algumas histórias que são pessoais, mas não posso dizer se não minha mulher me mata [risos]”, brinco o cantor em entrevista à Billboard Brasil.

Quem acompanha o pop brasileiro já ouviu falar de Ralph. O angolano já dividiu palco ou estúdio com gente como Anitta, Paula Fernandes, Luan Santana, Banda Calypso e Daniela Mercury.

Ouça o novo álbum e leia a entrevista a seguir:

Numa entrevista à RTP no ano passado, você se mostrava surpreso por estrear a turnê em Lisboa numa grande casa de shows. Você não tinha ideia do tamanho da sua carreira ou do alcance das suas músicas?
Naquele momento, não. Eu comecei a cantar em Portugal mais ou menos em 2012 e a gente fazia apenas discotecas, casas pequenas. E eu não estava à espera disso, estava a pensar que iria atrair mais angolanos e africanos do que portugueses. Mas em três anos conseguimos fazer nas salas maiores, arenas e tudo mais... shows pra 20 mil pessoas. Por ser africano, sempre pensei ser impossível.

Amor é Cego é um disco temático, sobre um casal. Como surgiu a ideia?
Eu já tenho a ideia há muito tempo, sempre quis fazer uma história. Quem ouve só as faixas separadas não percebe, mas especialmente no álbum físico dá pra perceber isso.

Tem muitas coisas pessoais no disco?
Sim, mas há algumas que eu não posso dizer se não minha mulher me mata [risos].

Você saiu de Angola, mas atualmente mora lá novamente. Como é sua relação com o país?
Sim, hoje eu vivo em Angola. Saí, fui pra Espanha, depois Estados Unidos... mas quando lancei meu primeiro disco [Histórias de Amor, 2006] eu já estava de volta a Angola. E aí em 2011, 2012, eu comecei a fazer sucesso em Portugal.

E quais as diferenças entre um show em Angola e um em Portugal? O que você sente?
O público de Angola é mais direto. Se ele não gosta, não vai vibrar. Já os portugueses, mesmo se não gostam, aplaudem... eles curtem a noite. Mas os angolanos, assim como os brasileiros, demonstram mais energia.

Brasil e Angola têm uma ligação centenária. Você nota muitas coisas parecidas?
Sim, sim, muita coisa. O calor humano é muito parecido. Principalmente na Bahia... o modo angolano está na Bahia.

Pedimos algumas perguntas para seus fãs no Twitter. O Felipe Rodrigues pergunta o que você ouve de artistas brasileiros e como foi cantar com Paula Fernandes?
Ah, eu escuto Luan Santana, gosto de Tim Maia – não tenho ouvido muito agora, mas gosto. Gosto da Anitta, conheci Wesley Safadão em Portugal e gostei muito. E agora ouço também Leo Santana, gosto muito. E com a Paula Fernandes correu muito bem, foi em Portugal... cantamos “Pássaro de Fogo” e foi ótimo.

Anselmo-Ralph5

Outro fã: Thai pergunta o que te inspira para escrever e o que o fez ir para o pop?
O que me inspira é a minha vida e a vida dos outros. É uma bênção. Às vezes é só botar pra fora aquilo que se tem dentro. E o pop é por causa da essência do hip-hop. Em 1992, 1993, fiquei entre a Espanha e Angola e a essa altura começou a febre do hip-hop. Comecei, com 12 anos, nessa época, a fazer rap em Angola. Em 1997 fui pros Estados Unidos e conheci o R&B e a soul music.

E pediram pra eu te perguntar o motivo de você estar sempre de óculos escuros...
[risos] Ah, é uma história muito longa. Dei uma entrevista para o programa Alta Definição [do canal SIC] e tem toda a história lá.

Claro que fomos investigar. Ralph não tira os óculos escuros porque, desde os cinco anos de idade, tem o diagnóstico de miastenia gravis, uma doença autoimune rara, ainda incurável, que paralisa os músculos. A doença é progressiva, tem muitos níveis diferentes de agressividade e atua, em cada indivíduo, de uma forma – como ela atinge os músculos, algumas pessoas apresentam problemas respiratórios, outros, cansaço, outros, problemas cardíacos. No caso de Ralph, a miastenia paralisou suas pálpebras e seus músculos óticos. Então, ele tem dificuldade para abrir os olhos quando está sem a medicação e tem os olhos fixos – se ele tiver que olhar para os lados, tem que virar a cabeça. “Ainda não me sinto tão à vontade para falar sobre isso porque sofri bullying quando era criança... eu não conseguia abrir os olhos e tinha que andar com o nariz empinado para poder enxergar. Eu era diferente”, diz Ralph na entrevista à TV portuguesa.

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Cantor já fez parcerias com Anitta, Banda Calypso e Paula Fernandes, entre outros artistas brasileiros

por Marcos Lauro em 05/04/2017

Anselmo Ralph é um dos grandes nomes do pop angolano e há cerca de três anos conseguiu expandir o seu alcance para Portugal – foi técnico nas três edições mais recentes do The Voice local. Depois de fazer shows em pequenas casas, hoje, depois de lançar Amor é Cego (2016), já lota grandes salas e arenas para 20 mil pessoas.

Amor é Cego é um álbum temático, que conta a história de uma casal. “Há algumas histórias que são pessoais, mas não posso dizer se não minha mulher me mata [risos]”, brinco o cantor em entrevista à Billboard Brasil.

Quem acompanha o pop brasileiro já ouviu falar de Ralph. O angolano já dividiu palco ou estúdio com gente como Anitta, Paula Fernandes, Luan Santana, Banda Calypso e Daniela Mercury.

Ouça o novo álbum e leia a entrevista a seguir:

Numa entrevista à RTP no ano passado, você se mostrava surpreso por estrear a turnê em Lisboa numa grande casa de shows. Você não tinha ideia do tamanho da sua carreira ou do alcance das suas músicas?
Naquele momento, não. Eu comecei a cantar em Portugal mais ou menos em 2012 e a gente fazia apenas discotecas, casas pequenas. E eu não estava à espera disso, estava a pensar que iria atrair mais angolanos e africanos do que portugueses. Mas em três anos conseguimos fazer nas salas maiores, arenas e tudo mais... shows pra 20 mil pessoas. Por ser africano, sempre pensei ser impossível.

Amor é Cego é um disco temático, sobre um casal. Como surgiu a ideia?
Eu já tenho a ideia há muito tempo, sempre quis fazer uma história. Quem ouve só as faixas separadas não percebe, mas especialmente no álbum físico dá pra perceber isso.

Tem muitas coisas pessoais no disco?
Sim, mas há algumas que eu não posso dizer se não minha mulher me mata [risos].

Você saiu de Angola, mas atualmente mora lá novamente. Como é sua relação com o país?
Sim, hoje eu vivo em Angola. Saí, fui pra Espanha, depois Estados Unidos... mas quando lancei meu primeiro disco [Histórias de Amor, 2006] eu já estava de volta a Angola. E aí em 2011, 2012, eu comecei a fazer sucesso em Portugal.

E quais as diferenças entre um show em Angola e um em Portugal? O que você sente?
O público de Angola é mais direto. Se ele não gosta, não vai vibrar. Já os portugueses, mesmo se não gostam, aplaudem... eles curtem a noite. Mas os angolanos, assim como os brasileiros, demonstram mais energia.

Brasil e Angola têm uma ligação centenária. Você nota muitas coisas parecidas?
Sim, sim, muita coisa. O calor humano é muito parecido. Principalmente na Bahia... o modo angolano está na Bahia.

Pedimos algumas perguntas para seus fãs no Twitter. O Felipe Rodrigues pergunta o que você ouve de artistas brasileiros e como foi cantar com Paula Fernandes?
Ah, eu escuto Luan Santana, gosto de Tim Maia – não tenho ouvido muito agora, mas gosto. Gosto da Anitta, conheci Wesley Safadão em Portugal e gostei muito. E agora ouço também Leo Santana, gosto muito. E com a Paula Fernandes correu muito bem, foi em Portugal... cantamos “Pássaro de Fogo” e foi ótimo.

Anselmo-Ralph5

Outro fã: Thai pergunta o que te inspira para escrever e o que o fez ir para o pop?
O que me inspira é a minha vida e a vida dos outros. É uma bênção. Às vezes é só botar pra fora aquilo que se tem dentro. E o pop é por causa da essência do hip-hop. Em 1992, 1993, fiquei entre a Espanha e Angola e a essa altura começou a febre do hip-hop. Comecei, com 12 anos, nessa época, a fazer rap em Angola. Em 1997 fui pros Estados Unidos e conheci o R&B e a soul music.

E pediram pra eu te perguntar o motivo de você estar sempre de óculos escuros...
[risos] Ah, é uma história muito longa. Dei uma entrevista para o programa Alta Definição [do canal SIC] e tem toda a história lá.

Claro que fomos investigar. Ralph não tira os óculos escuros porque, desde os cinco anos de idade, tem o diagnóstico de miastenia gravis, uma doença autoimune rara, ainda incurável, que paralisa os músculos. A doença é progressiva, tem muitos níveis diferentes de agressividade e atua, em cada indivíduo, de uma forma – como ela atinge os músculos, algumas pessoas apresentam problemas respiratórios, outros, cansaço, outros, problemas cardíacos. No caso de Ralph, a miastenia paralisou suas pálpebras e seus músculos óticos. Então, ele tem dificuldade para abrir os olhos quando está sem a medicação e tem os olhos fixos – se ele tiver que olhar para os lados, tem que virar a cabeça. “Ainda não me sinto tão à vontade para falar sobre isso porque sofri bullying quando era criança... eu não conseguia abrir os olhos e tinha que andar com o nariz empinado para poder enxergar. Eu era diferente”, diz Ralph na entrevista à TV portuguesa.