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Filme funde gêneros do cinema para contar a história do Sepultura

Sepultura - Endurance mostra que a estrada não é tão glamorosa quanto pode parecer

por Marcos Lauro em 14/06/2017

Em 1975, o AC/DC avisou, por meio da música “It's a Long Way to the Top (If You Wanna Rock 'n' Roll)”, que o caminho seria longo para quem quisesse chegar ao topo por meio do rock and roll. Agora, em 2017, um documentário brasileiro chega para corroborar essa tese, o Sepultura – Endurance.

O longa, dirigido por Otavio Juliano, faz uma mistura de gêneros e o início não é tão didático – quem não é fã do Sepultura e não conhece o contexto daquele momento, pode levar alguns minutos para saber o que está acontecendo. Endurance começa como um road movie e mostra o drama de Jean Dolabella, baterista que entrou na banda com a responsabilidade de substituir Iggor Cavalera e que não suportou mais de cinco anos no ritmo alucinante de turnês do Sepultura. Não era incomum a banda passar até cinco meses longe do Brasil fazendo shows em lugares improváveis para uma banda brasileira como a Tailândia e a saudade de casa fez Jean optar pela saída – hoje ele é baterista do elogiadíssimo Ego Kill Talent. Há uma cena de uma conversa entre Jean e Andreas, com a presença de Paulo Xisto e Derrick Green, sobre essa questão e que é importante para entendermos os dois lados dessa realidade: a do músico que não suporta mais viver longe de casa e a do músico que já se acostumou a essa situação e sabe que depende disso justamente para sustentar a família de que tanto sente falta. Em outra cena, num dia das mães, qualquer, Andreas mostra pra câmera a foto da esposa e dos filhos – todos no Brasil, enquanto ele viaja com o Sepultura pelos Estados Unidos.

Depois dessa parte menos didática, o filme se transforma num documentário mais clássico, com a história do grupo em ordem cronológica depois de uma entrevista com Jairo Guedes, guitarrista da primeira formação de fato profissional do Sepultura – ele organizou a banda, sonora e artisticamente, e abriu caminho para a entrada do Andreas Kisser. E o resto é a história que conhecemos hoje, com o Sepultura sendo, ainda, um dos nomes mais internacionais da música brasileira.

Claro que é impossível contar a história do Sepultura sem os irmãos Max e Iggor Cavalera. Iggor aceitou falar para o documentário, mas condicionou isso à presença do irmão, que não topou. Com isso, os Cavalera aparecem apenas em imagens de arquivo e o espectador tem a história contada apenas por Andreas Kisser e a atual formação da banda.

IN-EDIT BRASIL TRAZ HOMENAGEM AO PUNK E ESTREIA DO SEPULTURA

“Todo mundo fala que a minha entrada mudou a banda. Mas, na real, todo mundo que entrou nessa banda mudou tudo. Somos abertos a novas ideias”, diz Kisser num trecho. E o documentário deixa isso bem claro quando pontua a entrada e a saída de cada integrante ligada a mudanças na sonoridade ou na postura do grupo. O longa deixa claro também a frustração na época da saída do Max: “Tivemos que nos reeguer do zero”, pontua Kisser. “Nesse momento, a banda poderia chegar ao patamar do Metallica e até ultrapassar”, diz um jornalista especializado em heavy metal.

SEPULTURA, 30 ANOS: SEM RESSENTIMENTOS COM O PASSADO E DE OLHO NO FUTURO

As histórias são pontuadas com imagens do show que comemorou os 30 anos da banda, na Audio, em São Paulo, em 2015. Sepultura – Endurance conta com depoimentos de estrelas do metal como Lars Ulrich (Metallica), David Ellefson (Megadeth), Phil Campbell (Motörhead), Scott Ian (Anthrax), Corey Taylor (Slipknot) e Phil Anselmo (Pantera/Down). Há também falas gravadas por telefone, que podem soar um tanto estranhas no cinema, mas que auxiliam no conteúdo e na compreensão da história.

11 SONS PARA CONHECER (OU GOSTAR MAIS AINDA DE) SEPULTURA

Sim, o AC/DC tinha razão. Se o objetivo do músico for o sucesso, a distância da família é só um dos obstáculos a ser vencido. E o Sepultura vem vencendo todos os obstáculos com muito profissionalismo e o respeito dos fãs e dos colegas do metal.

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Em 1975, o AC/DC avisou, por meio da música “It's a Long Way to the Top (If You Wanna Rock 'n' Roll)”, que o caminho seria longo para quem quisesse chegar ao topo por meio do rock and roll. Agora, em 2017, um documentário brasileiro chega para corroborar essa tese, o Sepultura – Endurance.

O longa, dirigido por Otavio Juliano, faz uma mistura de gêneros e o início não é tão didático – quem não é fã do Sepultura e não conhece o contexto daquele momento, pode levar alguns minutos para saber o que está acontecendo. Endurance começa como um road movie e mostra o drama de Jean Dolabella, baterista que entrou na banda com a responsabilidade de substituir Iggor Cavalera e que não suportou mais de cinco anos no ritmo alucinante de turnês do Sepultura. Não era incomum a banda passar até cinco meses longe do Brasil fazendo shows em lugares improváveis para uma banda brasileira como a Tailândia e a saudade de casa fez Jean optar pela saída – hoje ele é baterista do elogiadíssimo Ego Kill Talent. Há uma cena de uma conversa entre Jean e Andreas, com a presença de Paulo Xisto e Derrick Green, sobre essa questão e que é importante para entendermos os dois lados dessa realidade: a do músico que não suporta mais viver longe de casa e a do músico que já se acostumou a essa situação e sabe que depende disso justamente para sustentar a família de que tanto sente falta. Em outra cena, num dia das mães, qualquer, Andreas mostra pra câmera a foto da esposa e dos filhos – todos no Brasil, enquanto ele viaja com o Sepultura pelos Estados Unidos.

Depois dessa parte menos didática, o filme se transforma num documentário mais clássico, com a história do grupo em ordem cronológica depois de uma entrevista com Jairo Guedes, guitarrista da primeira formação de fato profissional do Sepultura – ele organizou a banda, sonora e artisticamente, e abriu caminho para a entrada do Andreas Kisser. E o resto é a história que conhecemos hoje, com o Sepultura sendo, ainda, um dos nomes mais internacionais da música brasileira.

Claro que é impossível contar a história do Sepultura sem os irmãos Max e Iggor Cavalera. Iggor aceitou falar para o documentário, mas condicionou isso à presença do irmão, que não topou. Com isso, os Cavalera aparecem apenas em imagens de arquivo e o espectador tem a história contada apenas por Andreas Kisser e a atual formação da banda.

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“Todo mundo fala que a minha entrada mudou a banda. Mas, na real, todo mundo que entrou nessa banda mudou tudo. Somos abertos a novas ideias”, diz Kisser num trecho. E o documentário deixa isso bem claro quando pontua a entrada e a saída de cada integrante ligada a mudanças na sonoridade ou na postura do grupo. O longa deixa claro também a frustração na época da saída do Max: “Tivemos que nos reeguer do zero”, pontua Kisser. “Nesse momento, a banda poderia chegar ao patamar do Metallica e até ultrapassar”, diz um jornalista especializado em heavy metal.

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As histórias são pontuadas com imagens do show que comemorou os 30 anos da banda, na Audio, em São Paulo, em 2015. Sepultura – Endurance conta com depoimentos de estrelas do metal como Lars Ulrich (Metallica), David Ellefson (Megadeth), Phil Campbell (Motörhead), Scott Ian (Anthrax), Corey Taylor (Slipknot) e Phil Anselmo (Pantera/Down). Há também falas gravadas por telefone, que podem soar um tanto estranhas no cinema, mas que auxiliam no conteúdo e na compreensão da história.

11 SONS PARA CONHECER (OU GOSTAR MAIS AINDA DE) SEPULTURA

Sim, o AC/DC tinha razão. Se o objetivo do músico for o sucesso, a distância da família é só um dos obstáculos a ser vencido. E o Sepultura vem vencendo todos os obstáculos com muito profissionalismo e o respeito dos fãs e dos colegas do metal.