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“Fui para os EUA levar uma lavagem cerebral.” Leia entrevista com Alceu Valença

por em 23/02/2012
Imagem: Divulgação

Grande homenageado do carnaval de Recife deste ano, o pernambucano Alceu Valença comemora em 2012 quatro décadas do lançamento de seu primeiro disco, em parceria com seu conterrâneo Geraldo Azevedo.

Para celebrar sua obra, a prefeitura de Recife dedicou o evento ao compositor de “Morena Tropicana” e convidou artistas da nova e da velha guarda para homenageá-lo na última sexta-feira, dia 18, no Polo Multicultural do Marco Zero, no centro da cidade.

“É uma grande honra, uma satisfação e uma alegria ser homenageado, porque a minha música vem sobretudo desse meu estado”, declarou Alceu em entrevista à Billboard Brasil. O cantor destacou que não se considera uma “pessoa tradicionalista”, mas que “ama a tradição” de seu estado. “Eu cultuo essa tradição e gosto de fazer essa festa que tem um cheiro de Pernambuco”, completou.

Alceu Valença lembrou aspectos da cultura nordestina que o influenciaram durante sua infância em São Bento do Una, sua cidade natal. Apesar de relembrar influências, Alceu destacou que “não tem ídolos” e que sua inspiração vem “de dentro do coração”.

“Eu tenho meu lado Armorial. Esse nome vem de um movimento de Ariano Suassuna que foi o resgate de coisas que existiam dentro da cultura popular nordestina, e que eu por acaso vivenciei em São Bento Do Una. Lá têm canções, músicas que influenciaram muito Luíz Gonzaga. Ele era o produto desse meio, e eu fui o produto desse meio mais ele”.

Formado no curso de Direito em 1969, Alceu Paiva Valença trabalhou ainda como jornalista no Jornal do Brasil antes de decidir seguir exclusivamente carreira musical. Ainda jovem, viajou aos Estados Unidos para fazer um curso em Harvard, onde teve contato com a contracultura do país.

“Eu pegava meu violão e tocava nas praças de Boston com os hippies. Eu estava nos Estados Unidos pra levar uma lavagem cerebral naquele momento, porque eu tinha uma tendência muito acentuada para o lado da esquerda, por causa da ditadura. Eu não suportava a ditadura, e esse lado entrou muito na minha música.”

Alceu também relembrou de quando se mudou para o Rio de Janeiro, em 1970, e as dificuldades sofridas pelos nordestinos que migravam para o Sudeste na época.

“Naquele momento o Brasil era muito preconceituoso. Ridicularizavam nosso sotaque, depois passou. Inclusive com pessoas que tinham vindo de outras terras, como Caetano, Gil. Ali começaram a respeitar a gente do Nordeste.”

Com clássicos como “Coração Bobo”, “Anunciação” e “Bicho Maluco Beleza” na bagagem, Alceu Valença atinge 40 anos de carreira acumulando a experiência de um compositor consolidado e a irreverência de um garoto. O segredo do sucesso? Ele parece não ter receio de revelar: “A beleza da arte está na sinceridade, o que é uma coisa muito bacana”.

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1
Bengala E Crochê
Maiara & Maraisa
2
Eu Vou Te Buscar (Cha La La La La) (part. Hungria Hip Hop)
Gusttavo LIma
3
Saudade
Eduardo Costa
4
Amor Da Sua Cama
Felipe Araújo
5
De Quem É A Culpa?
Marília Mendonça
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“Fui para os EUA levar uma lavagem cerebral.” Leia entrevista com Alceu Valença

por em 23/02/2012
Imagem: Divulgação

Grande homenageado do carnaval de Recife deste ano, o pernambucano Alceu Valença comemora em 2012 quatro décadas do lançamento de seu primeiro disco, em parceria com seu conterrâneo Geraldo Azevedo.

Para celebrar sua obra, a prefeitura de Recife dedicou o evento ao compositor de “Morena Tropicana” e convidou artistas da nova e da velha guarda para homenageá-lo na última sexta-feira, dia 18, no Polo Multicultural do Marco Zero, no centro da cidade.

“É uma grande honra, uma satisfação e uma alegria ser homenageado, porque a minha música vem sobretudo desse meu estado”, declarou Alceu em entrevista à Billboard Brasil. O cantor destacou que não se considera uma “pessoa tradicionalista”, mas que “ama a tradição” de seu estado. “Eu cultuo essa tradição e gosto de fazer essa festa que tem um cheiro de Pernambuco”, completou.

Alceu Valença lembrou aspectos da cultura nordestina que o influenciaram durante sua infância em São Bento do Una, sua cidade natal. Apesar de relembrar influências, Alceu destacou que “não tem ídolos” e que sua inspiração vem “de dentro do coração”.

“Eu tenho meu lado Armorial. Esse nome vem de um movimento de Ariano Suassuna que foi o resgate de coisas que existiam dentro da cultura popular nordestina, e que eu por acaso vivenciei em São Bento Do Una. Lá têm canções, músicas que influenciaram muito Luíz Gonzaga. Ele era o produto desse meio, e eu fui o produto desse meio mais ele”.

Formado no curso de Direito em 1969, Alceu Paiva Valença trabalhou ainda como jornalista no Jornal do Brasil antes de decidir seguir exclusivamente carreira musical. Ainda jovem, viajou aos Estados Unidos para fazer um curso em Harvard, onde teve contato com a contracultura do país.

“Eu pegava meu violão e tocava nas praças de Boston com os hippies. Eu estava nos Estados Unidos pra levar uma lavagem cerebral naquele momento, porque eu tinha uma tendência muito acentuada para o lado da esquerda, por causa da ditadura. Eu não suportava a ditadura, e esse lado entrou muito na minha música.”

Alceu também relembrou de quando se mudou para o Rio de Janeiro, em 1970, e as dificuldades sofridas pelos nordestinos que migravam para o Sudeste na época.

“Naquele momento o Brasil era muito preconceituoso. Ridicularizavam nosso sotaque, depois passou. Inclusive com pessoas que tinham vindo de outras terras, como Caetano, Gil. Ali começaram a respeitar a gente do Nordeste.”

Com clássicos como “Coração Bobo”, “Anunciação” e “Bicho Maluco Beleza” na bagagem, Alceu Valença atinge 40 anos de carreira acumulando a experiência de um compositor consolidado e a irreverência de um garoto. O segredo do sucesso? Ele parece não ter receio de revelar: “A beleza da arte está na sinceridade, o que é uma coisa muito bacana”.