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Grammy consagra e, ao mesmo tempo, prejudica Adele ao vivo – de novo

Já a apresentação hipnotizante de Beyonce roubou as atenções da noite

por Marcos Lauro em 13/02/2017

Na noite desse domingo (12/02), vimos a 59ª edição do Grammy, a premiação que representa as vontades e as opiniões da indústria fonográfica norte-americana. O pop domina e o rap segue de perto, enquanto o country aparece em segundo plano e tem até cota-blues - preenchida nesse ano por Dave Clark Jr.

ADELE É A GRANDE GANHADORA DO GRAMMY 2017; VEJA A LISTA DOS VENCEDORES

Antes mesmo do apresentador oficial da noite, James Corden, aparecer, Adele chega com sua "Hello", que concorria à Música e Gravação do ano (ganhou os dois). Mas mais uma vez, o palco do Grammy não foi bom para Adele e a cantora desafinou em sua apresentação. Mais tarde ela voltaria ao palco para cantar "Fastlove" no tributo a George Michael – música escolhida pela própria quando foi convidada pela organização. Uma falha no som fez com que ela parasse a música e recomeçasse – algo que ela prometeu que faria, ainda no ano passado, depois da falha no Grammy 2016. O climão passou e a noite pareceu incompleta para Adele no quesito “Grammy ao vivo”. Ela vai ter que esperar mais um ano para se apresentar numa premiação dessa importância sem falhas e interrupções. Uma pena.

A aparição mais esperada era da grávida Beyoncé. E o termo "aparição" não poderia ser mais apropriado. Como uma santa, com direito a manto e devoção da plateia e da audiência nas redes sociais, a cantora apareceu no palco para cantar duas músicas de Lemonade (que concorreu a Álbum do Ano). A performance foi tocante por conta dos elementos já citados e tecnicamente sem falhas. Ainda no quesito técnico, a apresentação de Bruno Mars foi igualmente boa e um pouco superior nos quesitos carisma e voz – Mars não sai do tom em nenhum momento e tem uma extensão vocal impressionante.

Chance The Rapper foi um dos destaques da noite. No ano passado, ele liderou um protesto para que o Grammy aceitasse inscrições de álbuns digitais – Coloring Book não foi lançado fisicamente, assim como diversas mixtapes de rappers e novos artistas de R&B. Ele não só conseguiu as inscrições, como levou os prêmios de Artista Revelação, Melhor Performance Rap e Melhor Álbum de Rap – batendo os fenômenos Drake e Kanye West, entre outros.

A política, que anda conturbada nos Estados Unidos, apareceu pouco na premiação – diferente das festas do cinema, que trouxeram o debate para o púlpito. Beyoncé e Katy Perry foram subjetivas, mas tocaram no assunto. A Tribe Called Quest e Anderson .Paak foram mais diretos. O rapper Busta Rhymes chegou a chamar Trump de "agent orange", em alusão à cor da pele do presidente norte-americano. De resto, a música foi o centro das atenções durante a noite.

Poucos dias depois da arrebatadora apresentação no intervalo do Super Bowl, Lady Gaga surpreendeu com um show de heavy metal junto com seus amigos do Metallica. O microfone de James Hetfiled falhou feio e tirou o brilho da apresentação – os dois tiveram que dividir o mesmo microfone por algum tempo até que o de Hetfield voltasse a funcionar. O vocalista do Metallica ficou visivelmente nervoso com a situação, mas a performance não foi interrompida e seguiu até o final.

adele-grammy2017Adele com os prêmios da noite. Foto: Reuters

Adele fez 25, o álbum que praticamente levantou a indústria fonográfica em 2015 e 2016 e conseguiu números impressionantes mesmo sem dar a mínima para as plataformas de streaming (o disco foi aparecer no Spotify e afins apenas sete meses depois do lançamento). E se o Grammy traduz o que pensa a indústria, nada mais justo do que premiar a cantora nas principais categorias: Música, Gravação e Álbum do Ano. É a consagração de uma das grandes vozes da nova geração, que alcança as mais variadas idades e tipos de público. Esses troféus são o agradecimento da indústria pelo seu trabalho. Lemonade, de Beyoncé, parecia ser o preferido do público para Álbum do Ano – e da própria Adele, que só faltou entregar o troféu nas mãos de Beyoncé durante os agradecimentos. "A artista da minha vida é Beyoncé e esse álbum, Lemonade, e monumental", disse adele.

Se nas apresentações ao vivo, o Grammy é cruel com Adele (que até soltou um palavrão quando interrompeu "Fastlove", algo imperdoável na TV norte-americana), na hora de premiar é justo dentro da sua lógica de mercado.

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ADELE É A GRANDE GANHADORA DO GRAMMY 2017; VEJA A LISTA DOS VENCEDORES

Antes mesmo do apresentador oficial da noite, James Corden, aparecer, Adele chega com sua "Hello", que concorria à Música e Gravação do ano (ganhou os dois). Mas mais uma vez, o palco do Grammy não foi bom para Adele e a cantora desafinou em sua apresentação. Mais tarde ela voltaria ao palco para cantar "Fastlove" no tributo a George Michael – música escolhida pela própria quando foi convidada pela organização. Uma falha no som fez com que ela parasse a música e recomeçasse – algo que ela prometeu que faria, ainda no ano passado, depois da falha no Grammy 2016. O climão passou e a noite pareceu incompleta para Adele no quesito “Grammy ao vivo”. Ela vai ter que esperar mais um ano para se apresentar numa premiação dessa importância sem falhas e interrupções. Uma pena.

A aparição mais esperada era da grávida Beyoncé. E o termo "aparição" não poderia ser mais apropriado. Como uma santa, com direito a manto e devoção da plateia e da audiência nas redes sociais, a cantora apareceu no palco para cantar duas músicas de Lemonade (que concorreu a Álbum do Ano). A performance foi tocante por conta dos elementos já citados e tecnicamente sem falhas. Ainda no quesito técnico, a apresentação de Bruno Mars foi igualmente boa e um pouco superior nos quesitos carisma e voz – Mars não sai do tom em nenhum momento e tem uma extensão vocal impressionante.

Chance The Rapper foi um dos destaques da noite. No ano passado, ele liderou um protesto para que o Grammy aceitasse inscrições de álbuns digitais – Coloring Book não foi lançado fisicamente, assim como diversas mixtapes de rappers e novos artistas de R&B. Ele não só conseguiu as inscrições, como levou os prêmios de Artista Revelação, Melhor Performance Rap e Melhor Álbum de Rap – batendo os fenômenos Drake e Kanye West, entre outros.

A política, que anda conturbada nos Estados Unidos, apareceu pouco na premiação – diferente das festas do cinema, que trouxeram o debate para o púlpito. Beyoncé e Katy Perry foram subjetivas, mas tocaram no assunto. A Tribe Called Quest e Anderson .Paak foram mais diretos. O rapper Busta Rhymes chegou a chamar Trump de "agent orange", em alusão à cor da pele do presidente norte-americano. De resto, a música foi o centro das atenções durante a noite.

Poucos dias depois da arrebatadora apresentação no intervalo do Super Bowl, Lady Gaga surpreendeu com um show de heavy metal junto com seus amigos do Metallica. O microfone de James Hetfiled falhou feio e tirou o brilho da apresentação – os dois tiveram que dividir o mesmo microfone por algum tempo até que o de Hetfield voltasse a funcionar. O vocalista do Metallica ficou visivelmente nervoso com a situação, mas a performance não foi interrompida e seguiu até o final.

adele-grammy2017Adele com os prêmios da noite. Foto: Reuters

Adele fez 25, o álbum que praticamente levantou a indústria fonográfica em 2015 e 2016 e conseguiu números impressionantes mesmo sem dar a mínima para as plataformas de streaming (o disco foi aparecer no Spotify e afins apenas sete meses depois do lançamento). E se o Grammy traduz o que pensa a indústria, nada mais justo do que premiar a cantora nas principais categorias: Música, Gravação e Álbum do Ano. É a consagração de uma das grandes vozes da nova geração, que alcança as mais variadas idades e tipos de público. Esses troféus são o agradecimento da indústria pelo seu trabalho. Lemonade, de Beyoncé, parecia ser o preferido do público para Álbum do Ano – e da própria Adele, que só faltou entregar o troféu nas mãos de Beyoncé durante os agradecimentos. "A artista da minha vida é Beyoncé e esse álbum, Lemonade, e monumental", disse adele.

Se nas apresentações ao vivo, o Grammy é cruel com Adele (que até soltou um palavrão quando interrompeu "Fastlove", algo imperdoável na TV norte-americana), na hora de premiar é justo dentro da sua lógica de mercado.