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Grandmaster Flash: “O que eu fiz acabou criando o rap”

DJ pioneiro em diversas técnicas usadas em larga escala no hip hop vem ao Brasil para duas apresentações, em São Paulo e no Rock in Rio

por Marcos Lauro em 29/08/2017

Sem pensar muito, sem planejar nada, apenas vivendo o momento. Assim, Grandmaster Flash, nascido em Barbados e criado no Bronx, em Nova York, deu os primeiros passos do que seria hoje uma cultura diversa e multimilionária, a do hip hop.

No começo dos anos 1970, ele desenvolveu pelo menos duas técnicas amplamente usadas por DJs até hoje. A primeira foi o back to back, quando se marca e isola o trecho instrumental de uma faixa e, com dois vinis (na época!) iguais, se repete o trecho isolado para criar uma única faixa. A segunda, e não menos importante, foi o scratch, que é o ato de tocar o vinil com as mãos e “risca-lo”, alterando e interrompendo sua rotação – o scratch já existia, mas Flash passou a usar ao vivo nas primeiras festas do que seria chamado anos depois de rap. Essa história pode ser vista de perto na série The Get Down (da qual Flash é produtor associado) e no documentário Hip-Hop Evolution, ambos disponíveis na Netflix.

A Billboard Brasil conversou com o DJ de 59 anos, por telefone, antes das duas apresentações no país em setembro: no dia 15, em São Paulo, no MAC festival e no dia 16 no palco de música eletrônica do Rock in Rio. Pedimos também para três DJs brasileiros fazerem uma pergunta cada: DJ Hum, KL Jay e DJ Caique.

Leia abaixo:

Estamos em um momento em que as pessoas estão contando as histórias do hip hop, com The Get Down, Hip Hop Evolution etc. Você acha que ainda falta alguma coisa? O que ainda precisa ser contado?
Eu me preocupo mais com que as pessoas precisam saber sobre a figura do DJ e o que ele fez. Antes de virar um negócio, antes do rapper falar, alguém precisava gerar a música e daí surgiu o break, daí que ele vem. E eu estou indo para o Brasil levar minha produção e minha coleção de discos para mostrar para vocês o que não foi contado. Acho que é muito importante para a história que as pessoas conheçam as origens. Por exemplo: minha família ouvia jazz quando cresci, Miles Davis. Então tenho que ter a certeza de que vocês conheçam Miles, saibam quem foi e como ele entra no contexto do hip hop. Porque os DJs fizeram essa mistura ao tocar de tudo: pop, rock, funk, disco, R&B... nós tocamos tudo isso por que era isso o que a gente tinha.

A série The Get Down foi fiel aos acontecimentos ou teve muito espaço para criações no roteiro?
A série é basicamente uma ficção em que a história foi incluída. Então ele não tem essa missão de ser um documentário. Se me fosse pedido para fazer um documentário, eu saberia como fazê-lo... mas não foi o caso.

[O ator] Mamoudou Athie foi um bom Grandmaster Flash?
[risos] Sim, sim, ele foi ótimo. Quando eles foram montar o personagem, disseram que iam procurar alguém parecido comigo. Eu falei: “Ok, boa sorte!” [risos]. Depois de um mês, ele apareceu no set. Olhei pro cara, achei ele muito parecido comigo e me achei muito parecido com ele. Aí comecei a treina-lo como um DJ, processo que durou alguns meses. E foi ótimo. Muito bom!

O hip hop se tornou uma indústria cultural multimilionária. Lá no começo dava pra ter noção de que isso aconteceria?
Não! E nem tinha como. Estávamos ali vivendo o momento, eu estava tocando, fazendo as pessoas felizes [nas festas], experimentando... minhas mãos controlavam tudo aquilo. Anos depois, tudo se transformou... mas ali, não, não tinha como saber.

Você vai tocar no Rock in Rio, um dos grandes festivais d o mundo. O que você programou para essa apresentação?
Oh! Essa vai ser a minha primeira vez no Rock in Rio. Me sinto bem em tocar lá, mas é o que sempre faço. Eu conduzo o público com música o tempo todo. Vai ser da maneira como sempre faço, uma grande festa. Vai ser ótimo!

Você conhece música brasileira?
Ah, nem me pergunte! Estou aprendendo sobre música brasileira, é maravilhosa, incrível. Me pergunto se não incluo algo no meu set nesse próximo ano... mas estou aprendendo ainda, não posso falar.

grandmaster-flash2Foto: Divulgação

DJ Caique: Hoje em dia, com o trap, vemos poucos scratches nas músicas. O que você acha dessa modernização do rap?
É o jeito de fazer as coisas hoje em dia, não sei exatamente o porquê. As coisas mudam e agora são assim. Muita gente me pergunta isso, até... mas eu amo trap, acho incrível.

DJ Hum: Quais músicas não podem faltar num set do Grandmaster Flash?
Eu não tenho como te dizer o que vou tocar. Só posso dizer que vou tocar coisas maravilhosas. O que não é maravilhoso eu nem toco, como você vai poder ver [risos].

KL Jay: Não tenho exatamente uma pergunta. Tenho um agradecimento em nome de todos os DJs do Brasil por ele ter feito os toca-discos e o mixer serem vistos como instrumentos musicais e não como aparelhos eletrônicos. Sou muito grato.
Ah, eu não diria isso... porque quando eu inventei, eu só estava vivendo o momento, não estava pensando ou planejando nada. Assim como agora eu só estou vivendo o momento também. Muitos DJs me agradecem sim, porque o que eu fiz acabou criando o rap e o break.

Serviço:
MAC Festival – Grandmaster Flash, The Gaslamp Killer, Black Alien e Rincon Sapiência
Nos Trilhos – São Paulo/SP
15/9 – 22h
Ingressos: R$ 60 pelo site Ticket 360.

Rock in Rio – Palco Eletrônica
Cidade do Rock – Rio de Janeiro/RJ
16/9 – 22h
Ingressos: R$ 455 pelo site oficial.

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Grandmaster Flash: “O que eu fiz acabou criando o rap”

DJ pioneiro em diversas técnicas usadas em larga escala no hip hop vem ao Brasil para duas apresentações, em São Paulo e no Rock in Rio

por Marcos Lauro em 29/08/2017

Sem pensar muito, sem planejar nada, apenas vivendo o momento. Assim, Grandmaster Flash, nascido em Barbados e criado no Bronx, em Nova York, deu os primeiros passos do que seria hoje uma cultura diversa e multimilionária, a do hip hop.

No começo dos anos 1970, ele desenvolveu pelo menos duas técnicas amplamente usadas por DJs até hoje. A primeira foi o back to back, quando se marca e isola o trecho instrumental de uma faixa e, com dois vinis (na época!) iguais, se repete o trecho isolado para criar uma única faixa. A segunda, e não menos importante, foi o scratch, que é o ato de tocar o vinil com as mãos e “risca-lo”, alterando e interrompendo sua rotação – o scratch já existia, mas Flash passou a usar ao vivo nas primeiras festas do que seria chamado anos depois de rap. Essa história pode ser vista de perto na série The Get Down (da qual Flash é produtor associado) e no documentário Hip-Hop Evolution, ambos disponíveis na Netflix.

A Billboard Brasil conversou com o DJ de 59 anos, por telefone, antes das duas apresentações no país em setembro: no dia 15, em São Paulo, no MAC festival e no dia 16 no palco de música eletrônica do Rock in Rio. Pedimos também para três DJs brasileiros fazerem uma pergunta cada: DJ Hum, KL Jay e DJ Caique.

Leia abaixo:

Estamos em um momento em que as pessoas estão contando as histórias do hip hop, com The Get Down, Hip Hop Evolution etc. Você acha que ainda falta alguma coisa? O que ainda precisa ser contado?
Eu me preocupo mais com que as pessoas precisam saber sobre a figura do DJ e o que ele fez. Antes de virar um negócio, antes do rapper falar, alguém precisava gerar a música e daí surgiu o break, daí que ele vem. E eu estou indo para o Brasil levar minha produção e minha coleção de discos para mostrar para vocês o que não foi contado. Acho que é muito importante para a história que as pessoas conheçam as origens. Por exemplo: minha família ouvia jazz quando cresci, Miles Davis. Então tenho que ter a certeza de que vocês conheçam Miles, saibam quem foi e como ele entra no contexto do hip hop. Porque os DJs fizeram essa mistura ao tocar de tudo: pop, rock, funk, disco, R&B... nós tocamos tudo isso por que era isso o que a gente tinha.

A série The Get Down foi fiel aos acontecimentos ou teve muito espaço para criações no roteiro?
A série é basicamente uma ficção em que a história foi incluída. Então ele não tem essa missão de ser um documentário. Se me fosse pedido para fazer um documentário, eu saberia como fazê-lo... mas não foi o caso.

[O ator] Mamoudou Athie foi um bom Grandmaster Flash?
[risos] Sim, sim, ele foi ótimo. Quando eles foram montar o personagem, disseram que iam procurar alguém parecido comigo. Eu falei: “Ok, boa sorte!” [risos]. Depois de um mês, ele apareceu no set. Olhei pro cara, achei ele muito parecido comigo e me achei muito parecido com ele. Aí comecei a treina-lo como um DJ, processo que durou alguns meses. E foi ótimo. Muito bom!

O hip hop se tornou uma indústria cultural multimilionária. Lá no começo dava pra ter noção de que isso aconteceria?
Não! E nem tinha como. Estávamos ali vivendo o momento, eu estava tocando, fazendo as pessoas felizes [nas festas], experimentando... minhas mãos controlavam tudo aquilo. Anos depois, tudo se transformou... mas ali, não, não tinha como saber.

Você vai tocar no Rock in Rio, um dos grandes festivais d o mundo. O que você programou para essa apresentação?
Oh! Essa vai ser a minha primeira vez no Rock in Rio. Me sinto bem em tocar lá, mas é o que sempre faço. Eu conduzo o público com música o tempo todo. Vai ser da maneira como sempre faço, uma grande festa. Vai ser ótimo!

Você conhece música brasileira?
Ah, nem me pergunte! Estou aprendendo sobre música brasileira, é maravilhosa, incrível. Me pergunto se não incluo algo no meu set nesse próximo ano... mas estou aprendendo ainda, não posso falar.

grandmaster-flash2Foto: Divulgação

DJ Caique: Hoje em dia, com o trap, vemos poucos scratches nas músicas. O que você acha dessa modernização do rap?
É o jeito de fazer as coisas hoje em dia, não sei exatamente o porquê. As coisas mudam e agora são assim. Muita gente me pergunta isso, até... mas eu amo trap, acho incrível.

DJ Hum: Quais músicas não podem faltar num set do Grandmaster Flash?
Eu não tenho como te dizer o que vou tocar. Só posso dizer que vou tocar coisas maravilhosas. O que não é maravilhoso eu nem toco, como você vai poder ver [risos].

KL Jay: Não tenho exatamente uma pergunta. Tenho um agradecimento em nome de todos os DJs do Brasil por ele ter feito os toca-discos e o mixer serem vistos como instrumentos musicais e não como aparelhos eletrônicos. Sou muito grato.
Ah, eu não diria isso... porque quando eu inventei, eu só estava vivendo o momento, não estava pensando ou planejando nada. Assim como agora eu só estou vivendo o momento também. Muitos DJs me agradecem sim, porque o que eu fiz acabou criando o rap e o break.

Serviço:
MAC Festival – Grandmaster Flash, The Gaslamp Killer, Black Alien e Rincon Sapiência
Nos Trilhos – São Paulo/SP
15/9 – 22h
Ingressos: R$ 60 pelo site Ticket 360.

Rock in Rio – Palco Eletrônica
Cidade do Rock – Rio de Janeiro/RJ
16/9 – 22h
Ingressos: R$ 455 pelo site oficial.