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Há 50 anos, os Beatles decidiram: o céu era o limite

Sgt. Pepper's Lonely Hearts Club Band completa 50 anos nesse primeiro de junho

por Marcos Lauro em 01/06/2017

“Estamos fartos de fazer música suave para pessoas suaves e estamos fartos de tocar para eles também. Mas essa é a oportunidade de um novo começo, entende?”. Essa é a fala de John Lennon para um atônito George Martin, que não acredita muito no que está ouvindo. Paul McCartney reforça: “Nós não podemos nos ouvir no palco com todos aqueles gritos! Nós tentamos tocar ao vivo algumas músicas do último álbum, mas há tantos overdubs complicados que não podemos fazer justiça a eles. Agora podemos gravar qualquer coisa que desejarmos. E o que nós queremos é elevar um pouco o nível, fazer o nosso melhor álbum”.

Esse diálogo aconteceu no final de 1966 no estúdio Abbey Road, está reproduzido por Geoff Emerick, engenheiro de som dos Beatles, no livro Here, There and Everywhere – Minha Vida Gravando os Beatles e serviu para duas coisas: anunciar o fim das apresentações ao vivo do grupo e dizer que, a partir daquele momento, o céu era o limite dentro do estúdio. A partir disso, durante os quatro meses e meio seguintes, John e Paul se esforçaram para criar uma das obras mais completas (e complexas) da história da cultura pop.

DOCUMENTÁRIO RELEMBRA MOMENTOS DOS BEATLES NOS PALCOS

Já que não iam ter que reproduzir ao vivo mesmo, valia de tudo: overdubs, efeitos, técnicas de gravação inovadoras e, claro, pirações mil. Nesse contexto nasceu o álbum Sgt. Pepper’s Lonely Hearts Club Band.

O conceito do disco só surgiu no fim do processo, já quase na mixagem final. O primeiro som foi "Strawberry Fields Forever", de Lennon, que acabou não entrando no corte final do disco. Mesmo assim, a partida já começava com uma jogada brilhante da equipe de Liverpool. Nessa época, os Beatles trabalhavam por dias numa única faixa, refazendo takes e criando sons. O perfeccionismo estava a mil. Só para essa faixa foram 30 horas de estúdio – e ela foi aproveitada no disco seguinte do grupo, Magical Mistery Tour.

"When I’m Sixty-Four" foi a seguinte. "Penny Lane" foi registrada logo depois, mas teve o mesmo fim de "Strawberry Fields…": virou um single, fora do disco. Na sequência das gravações viria a última música do disco e que se tornou um hino do pop: "A Day in the Life". No livro, Geoff leva pelo menos 20 páginas para detalhar todos os aspectos da gravação dessa faixa: de músicos clássicos e tradicionais atônitos por terem que tocar de improviso (“cada um vai subindo a nota do seu instrumento até o limite, em 24 compassos”) até a frase que encerra o disco (que eu sempre pensei que fosse uma voz feminina).

CARTA DE JOHN LENNON APÓS TÉRMINO DOS BEATLES É LEILOADA POR US$ 30 MIL

John e Paul resolveram criar um happening dentro do estúdio pois queriam finalizar o disco com alguma frase ou brincadeira. Então, os quatro andavam, corriam e falavam coisas sem sentido nos microfones do Abbey Road até que saísse algo. O que ouvimos no disco é Paul McCartney, com voz acelerada, dizendo: “Never neeeded any other way”, algo como, “nunca precisei de que fosse de outra forma”. O conceito surgiu depois de todas as faixas já gravadas e isso funcionou perfeitamente: a banda fictícia do “Sargento Pimenta” é que sairia tocando pelo disco, com as músicas sem intervalos. Para isso, já que tudo estava pronto, algumas músicas tiveram trechos regravados para que casassem com a abertura da próxima ou o encerramento da anterior. E Geoff, como engenheiro de som, adicionou efeitos e ruídos em outras.

Sgt. Pepper’s Lonely Hearts Club Band foi o último grande disco dos Beatles. Logo depois dele, os quatro foram para Índia e voltaram totalmente diferentes daqueles caras que levavam o seu trabalho a sério mas que viviam fazendo brincadeiras pelo estúdio. Tudo ficou mais serio e a tensão foi reforçada com o fiasco do disco seguinte, Magical Mistery Tour, que vendeu menos do que a média e, como trilha sonora do filme de mesmo nome, foi uma tragédia junto a crítica.

Os Beatles alcançaram o céu. Mas até pra eles, Sgt. Pepper’s Lonely Hearts Club Band foi um voo muito alto.

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Eduardo Costa
4
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“Estamos fartos de fazer música suave para pessoas suaves e estamos fartos de tocar para eles também. Mas essa é a oportunidade de um novo começo, entende?”. Essa é a fala de John Lennon para um atônito George Martin, que não acredita muito no que está ouvindo. Paul McCartney reforça: “Nós não podemos nos ouvir no palco com todos aqueles gritos! Nós tentamos tocar ao vivo algumas músicas do último álbum, mas há tantos overdubs complicados que não podemos fazer justiça a eles. Agora podemos gravar qualquer coisa que desejarmos. E o que nós queremos é elevar um pouco o nível, fazer o nosso melhor álbum”.

Esse diálogo aconteceu no final de 1966 no estúdio Abbey Road, está reproduzido por Geoff Emerick, engenheiro de som dos Beatles, no livro Here, There and Everywhere – Minha Vida Gravando os Beatles e serviu para duas coisas: anunciar o fim das apresentações ao vivo do grupo e dizer que, a partir daquele momento, o céu era o limite dentro do estúdio. A partir disso, durante os quatro meses e meio seguintes, John e Paul se esforçaram para criar uma das obras mais completas (e complexas) da história da cultura pop.

DOCUMENTÁRIO RELEMBRA MOMENTOS DOS BEATLES NOS PALCOS

Já que não iam ter que reproduzir ao vivo mesmo, valia de tudo: overdubs, efeitos, técnicas de gravação inovadoras e, claro, pirações mil. Nesse contexto nasceu o álbum Sgt. Pepper’s Lonely Hearts Club Band.

O conceito do disco só surgiu no fim do processo, já quase na mixagem final. O primeiro som foi "Strawberry Fields Forever", de Lennon, que acabou não entrando no corte final do disco. Mesmo assim, a partida já começava com uma jogada brilhante da equipe de Liverpool. Nessa época, os Beatles trabalhavam por dias numa única faixa, refazendo takes e criando sons. O perfeccionismo estava a mil. Só para essa faixa foram 30 horas de estúdio – e ela foi aproveitada no disco seguinte do grupo, Magical Mistery Tour.

"When I’m Sixty-Four" foi a seguinte. "Penny Lane" foi registrada logo depois, mas teve o mesmo fim de "Strawberry Fields…": virou um single, fora do disco. Na sequência das gravações viria a última música do disco e que se tornou um hino do pop: "A Day in the Life". No livro, Geoff leva pelo menos 20 páginas para detalhar todos os aspectos da gravação dessa faixa: de músicos clássicos e tradicionais atônitos por terem que tocar de improviso (“cada um vai subindo a nota do seu instrumento até o limite, em 24 compassos”) até a frase que encerra o disco (que eu sempre pensei que fosse uma voz feminina).

CARTA DE JOHN LENNON APÓS TÉRMINO DOS BEATLES É LEILOADA POR US$ 30 MIL

John e Paul resolveram criar um happening dentro do estúdio pois queriam finalizar o disco com alguma frase ou brincadeira. Então, os quatro andavam, corriam e falavam coisas sem sentido nos microfones do Abbey Road até que saísse algo. O que ouvimos no disco é Paul McCartney, com voz acelerada, dizendo: “Never neeeded any other way”, algo como, “nunca precisei de que fosse de outra forma”. O conceito surgiu depois de todas as faixas já gravadas e isso funcionou perfeitamente: a banda fictícia do “Sargento Pimenta” é que sairia tocando pelo disco, com as músicas sem intervalos. Para isso, já que tudo estava pronto, algumas músicas tiveram trechos regravados para que casassem com a abertura da próxima ou o encerramento da anterior. E Geoff, como engenheiro de som, adicionou efeitos e ruídos em outras.

Sgt. Pepper’s Lonely Hearts Club Band foi o último grande disco dos Beatles. Logo depois dele, os quatro foram para Índia e voltaram totalmente diferentes daqueles caras que levavam o seu trabalho a sério mas que viviam fazendo brincadeiras pelo estúdio. Tudo ficou mais serio e a tensão foi reforçada com o fiasco do disco seguinte, Magical Mistery Tour, que vendeu menos do que a média e, como trilha sonora do filme de mesmo nome, foi uma tragédia junto a crítica.

Os Beatles alcançaram o céu. Mas até pra eles, Sgt. Pepper’s Lonely Hearts Club Band foi um voo muito alto.

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