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Herbie Hancock relembra vício em crack em livro

por em 25/10/2014
Em u
m trecho de seu novo livro de memórias, Herbie Hancock: Possibilities, lançado noa Estados Unidos na última quinta-feira (23/10), o lendário tecladista de jazz (livre das drogas há 14 anos) relembra a noite em que sua mulher e sua filha realizaram uma intervenção. Desde a primeira vez que fumei crack, eu tentava parar, sem sucesso. Consegui manter o vício sob controle por muitos anos, às vezes passando meses sem fumar. Mas então, [minha esposa] Gigi saía para a cidade e eu pensava “eu tenho alguns dias, só vou fazer mais uma vez”. No final de 1999, as coisas estavam saindo do controle. Eu estava fumando muito e agindo de forma que nunca agira antes. Um dia em novembro, Gigi teve um ataque de asma, mas ao invés de cuidar ele ou leva-la para o médico, eu saí de casa. Eu não conseguia lidar com aquilo. Em seguida, veio a gota d’água. Eu estava fora da cidade, voando para o aeroporto de Burbank, na Califórnia. Quando entrei no carro que me esperava, pedi ao motorista que me levasse a uma casa em particular. Eu queria me drogar. Eu fumei, como havia tantas vezes antes, e as horas passavam. Quando eu estava drogado, eu não tinha noção real do temo e realmente não me importava. Por volta das 7h da manhã, o motorista cansou-se de esperar, então ele decidiu telefonar para [minha] casa. Gigi atendeu e ele disse: “Herbie me pediu para deixa-lo em um lugar e ele nunca saiu”. Ela ligou para o meu celular, mas eu estava tão drogado e tão paranoico que, obviamente, eu não atendi. Eu não queria falar com ela até que pudesse ficar sóbrio o suficiente para falar normalmente. Finalmente, eu atendi, Gigi me disse que ela havia telefonado para a polícia – então era melhor eu sair de lá naquele momento. Ela não tinha ligado, mas eu não sabia disso. Chamei para um taxi e me apressei para fora do prédio, com medo, mas finalmente perdendo o efeito da droga. Quando cheguei em casa, ouvi Gigi me chamar. Eu abri a porta e vi minha mulher, [minha filha] Jessica e dois de nossos melhores amigos sentados ali. Essas eram as pessoas com as quais eu mais me importava no mundo, as pessoas de quem eu mais sentia vergonha por verem o estado em que eu estava. Eles sabiam. E eu me senti tão triste, tão terrivelmente arrependido por ter desapontado essas pessoas que eu amava e que me amava. Tudo isso só desabou em cima de mim naquele momento e eu caí no choro. Os olhos de Gigi estavam vermelho de tanto chorar. “Herbie, eu não vou assistir você morrer”, ela disse. “Se você continuar dessa forma, você terá que se mudar”. Eu apenas olhei para ela, meu coração doendo. “Eu fiz algumas ligações e aqui estão os números de algumas clínicas de reabilitação. Mas eu não irei força-lo. Você mesmo terá que fazer isso”. “Eu sinto muito”, eu disse a Gigi e aos outros na sala. Eu não sabia o que mais dizer. Isso foi uma intervenção e eu estava muito envergonhado, mas havia também outro sentimento: alívio. Eu estava lutando contra esse hábito e esse segredo por muito tempo. Eu olhei para a minha filha e chorei, me perguntando como eu havia chegado a esse ponto, mas agradecido que ele finalmente iria acabar.
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Herbie Hancock relembra vício em crack em livro

por em 25/10/2014
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