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Heróis de Kurt Cobain, The Sonics chegam ao Brasil e explicam seu rock demencial

por em 04/03/2015

Por Sérgio Barbo

Banda obscura mais importante da década de 1960, The Sonics está no Brasil para uma única apresentação em São Paulo, na quinta-feira, 5/3. Mesmo desconhecida do grande público, sua importância se faz medir pelo fato de fazer punk rock antes do termo existir, antecipando estilos como hard rock, psychobilly, grunge e o próprio punk, claro. Entre seus admiradores e seguidores estão nomes como Bruce Springteen, White Stripes e Kurt Cobain.

Banda de garagem por excelência, o Sonics surgiu no começo dos anos 1960 em Tacoma, no estado de Washington, próximo a Seattle – uma região que nos legou The Ventures, Jimi Hendrix e Nirvana. Com sua formação mais conhecida – os irmãos Larry (guitarra) e Andy Parypa (baixo), Jerry Roslie (vocal e teclados), Rob Lind (saxofone) e Bob Bennett (bateria) –, o grupo lançou em 1964 o primeiro single, “The Witch”, que obteve grande repercussão local, apesar de sua letra incomum dizer algo como “uma bruxa vai te pegar e fazer coçar”. Por sinal, enquanto os Beatles cantavam “She Loves You”, os Sonics cantavam sobre distúrbios mentais (“Psycho”), veneno (“Strychnine”) e até sobre Satã (“He's Waitin'”), mas sempre com humor.

https://www.youtube.com/watch?v=0-kxUPbo5E4

Eles lançaram dois álbuns pela Etiquette Records, Here Are The Sonics (1965) e Boom (1966), hoje considerados clássicos do garage rock. O som, um rock'n'roll cru, rústico e pesado, foi gravado em apenas dois canais, utilizando recursos inventivos como perfurar o amplificador com um picador de gelo ou rasgar a forração acústica do estúdio, tudo para se aproximar do som ao vivo. Apenas com sucesso regional, optaram por lançar o álbum seguinte, Introducing The Sonics, por uma gravadora supostamente maior, a Jerden, que acabou diluindo a explosiva sonoridade da banda e precipitando sua separação, por volta de 1968.

Após breves reuniões nas décadas de 1970 e 1980, três integrantes originais, Jerry, Larry e Rob, retornaram em meados dos anos 2000 para realizar uma série de shows. Em 2010, voltaram ao estúdio para gravar um EP, chamado 8, produzido por Jack Endino, conhecido produtor de Nirvana e Soundgarden e dos brasileiros Titãs. Depois de quase 50 anos, finalmente gravaram um novo álbum, This Is The Sonics, que será lançado logo após o show em São Paulo. A inusitada apresentação acontece, a propósito, para o relançamento de um tradicional modelo de calça da marca Levi's.

Batemos um papo com o saxofonista Rob Lind, que conta um pouco sobre a história e importância do The Sonics.

Qual a principal razão para o retorno da banda em 2007?

A banda se reorganizou alguns anos antes de 2007, porque continuávamos a receber ofertas para uma performance em Nova Iorque. Declinamos várias vezes, mas então decidimos nos reunir para ver se ainda poderíamos tocar as músicas. Sentimos que poderíamos ter um bom desempenho, por isso concordamos em fazê-lo.

Como foi voltar ao estúdio para gravar o EP 8, em 2010? Jack Endino teve alguma interferência?

8 foi apenas um projeto para ter alguma diversão gravando. As canções não tinham necessariamente a intenção de soar como as músicas antigas dos Sonics. Não nos esforçamos muito para distribuir o álbum. Endino teorizou que as músicas de 8 eram talvez como poderíamos ter soado na década de 1970, se os Sonics não tivessem se separado.

E como foi o processo para gravar o novo álbum, This Is The Sonics?

O novo álbum foi abordado como fazíamos na década de 1960. Gravamos 14 músicas em quatro dias. Quando fomos para o estúdio, tínhamos somente sete ou oito músicas. O restante escrevemos ou fizemos covers enquanto estávamos no estúdio. Não gastamos muito tempo nas sessões... É por isso que soa tão rústico.

Vocês são considerados um dos pioneiros do garage rock e precursores do punk e do grunge. Qual a motivação para criar aquele novo estilo de som?

Na década de 1960, nós não planejamos soar daquele jeito. Simplesmente aconteceu. Acho que tudo o que queríamos era dar uma abordagem crua para o rock, não necessariamente como músicos talentosos. Queríamos bateria alta e guitarra agressiva servindo de base para os gritos de Jerry. Nós só tocamos do único jeito que sabíamos.

Quando vocês tiveram consciência de que foram influentes para uma série de artistas?

Nos anos 1980, começamos a ouvir outras bandas tocando e gravando nossas músicas. Até então, pensávamos que ninguém realmente se importava. Aí descobrimos que havia ainda mais interesse na nossa música fora dos Estados Unidos. Não tínhamos ideia de que iríamos reformar a banda e começar a excursionar como músicos de rock com 70 anos de idade.

Qual a expectativa para o show no Brasil?

A gente não vê a hora de tocar em São Paulo. Nós soamos muito parecidos como fizemos há 50 anos, então espero que o público goste do que vai ouvir.

[caption id="attachment_28087" align="aligncenter" width="640"]THE SONICS: a banda, que já está em São Paulo, sai da loja Levi's na Oscar Freire cheia de produtos THE SONICS: a banda, que já está em São Paulo, sai da loja Levi's na Oscar Freire cheia de produtos[/caption]
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Heróis de Kurt Cobain, The Sonics chegam ao Brasil e explicam seu rock demencial

por em 04/03/2015

Por Sérgio Barbo

Banda obscura mais importante da década de 1960, The Sonics está no Brasil para uma única apresentação em São Paulo, na quinta-feira, 5/3. Mesmo desconhecida do grande público, sua importância se faz medir pelo fato de fazer punk rock antes do termo existir, antecipando estilos como hard rock, psychobilly, grunge e o próprio punk, claro. Entre seus admiradores e seguidores estão nomes como Bruce Springteen, White Stripes e Kurt Cobain.

Banda de garagem por excelência, o Sonics surgiu no começo dos anos 1960 em Tacoma, no estado de Washington, próximo a Seattle – uma região que nos legou The Ventures, Jimi Hendrix e Nirvana. Com sua formação mais conhecida – os irmãos Larry (guitarra) e Andy Parypa (baixo), Jerry Roslie (vocal e teclados), Rob Lind (saxofone) e Bob Bennett (bateria) –, o grupo lançou em 1964 o primeiro single, “The Witch”, que obteve grande repercussão local, apesar de sua letra incomum dizer algo como “uma bruxa vai te pegar e fazer coçar”. Por sinal, enquanto os Beatles cantavam “She Loves You”, os Sonics cantavam sobre distúrbios mentais (“Psycho”), veneno (“Strychnine”) e até sobre Satã (“He's Waitin'”), mas sempre com humor.

https://www.youtube.com/watch?v=0-kxUPbo5E4

Eles lançaram dois álbuns pela Etiquette Records, Here Are The Sonics (1965) e Boom (1966), hoje considerados clássicos do garage rock. O som, um rock'n'roll cru, rústico e pesado, foi gravado em apenas dois canais, utilizando recursos inventivos como perfurar o amplificador com um picador de gelo ou rasgar a forração acústica do estúdio, tudo para se aproximar do som ao vivo. Apenas com sucesso regional, optaram por lançar o álbum seguinte, Introducing The Sonics, por uma gravadora supostamente maior, a Jerden, que acabou diluindo a explosiva sonoridade da banda e precipitando sua separação, por volta de 1968.

Após breves reuniões nas décadas de 1970 e 1980, três integrantes originais, Jerry, Larry e Rob, retornaram em meados dos anos 2000 para realizar uma série de shows. Em 2010, voltaram ao estúdio para gravar um EP, chamado 8, produzido por Jack Endino, conhecido produtor de Nirvana e Soundgarden e dos brasileiros Titãs. Depois de quase 50 anos, finalmente gravaram um novo álbum, This Is The Sonics, que será lançado logo após o show em São Paulo. A inusitada apresentação acontece, a propósito, para o relançamento de um tradicional modelo de calça da marca Levi's.

Batemos um papo com o saxofonista Rob Lind, que conta um pouco sobre a história e importância do The Sonics.

Qual a principal razão para o retorno da banda em 2007?

A banda se reorganizou alguns anos antes de 2007, porque continuávamos a receber ofertas para uma performance em Nova Iorque. Declinamos várias vezes, mas então decidimos nos reunir para ver se ainda poderíamos tocar as músicas. Sentimos que poderíamos ter um bom desempenho, por isso concordamos em fazê-lo.

Como foi voltar ao estúdio para gravar o EP 8, em 2010? Jack Endino teve alguma interferência?

8 foi apenas um projeto para ter alguma diversão gravando. As canções não tinham necessariamente a intenção de soar como as músicas antigas dos Sonics. Não nos esforçamos muito para distribuir o álbum. Endino teorizou que as músicas de 8 eram talvez como poderíamos ter soado na década de 1970, se os Sonics não tivessem se separado.

E como foi o processo para gravar o novo álbum, This Is The Sonics?

O novo álbum foi abordado como fazíamos na década de 1960. Gravamos 14 músicas em quatro dias. Quando fomos para o estúdio, tínhamos somente sete ou oito músicas. O restante escrevemos ou fizemos covers enquanto estávamos no estúdio. Não gastamos muito tempo nas sessões... É por isso que soa tão rústico.

Vocês são considerados um dos pioneiros do garage rock e precursores do punk e do grunge. Qual a motivação para criar aquele novo estilo de som?

Na década de 1960, nós não planejamos soar daquele jeito. Simplesmente aconteceu. Acho que tudo o que queríamos era dar uma abordagem crua para o rock, não necessariamente como músicos talentosos. Queríamos bateria alta e guitarra agressiva servindo de base para os gritos de Jerry. Nós só tocamos do único jeito que sabíamos.

Quando vocês tiveram consciência de que foram influentes para uma série de artistas?

Nos anos 1980, começamos a ouvir outras bandas tocando e gravando nossas músicas. Até então, pensávamos que ninguém realmente se importava. Aí descobrimos que havia ainda mais interesse na nossa música fora dos Estados Unidos. Não tínhamos ideia de que iríamos reformar a banda e começar a excursionar como músicos de rock com 70 anos de idade.

Qual a expectativa para o show no Brasil?

A gente não vê a hora de tocar em São Paulo. Nós soamos muito parecidos como fizemos há 50 anos, então espero que o público goste do que vai ouvir.

[caption id="attachment_28087" align="aligncenter" width="640"]THE SONICS: a banda, que já está em São Paulo, sai da loja Levi's na Oscar Freire cheia de produtos THE SONICS: a banda, que já está em São Paulo, sai da loja Levi's na Oscar Freire cheia de produtos[/caption]