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“Já protestamos em São Paulo”, lembra baterista do Midnight Oil

Australianos começam nova turnê pelo Brasil

por Marcos Lauro em 26/04/2017

É impossível dissociar política e meio ambiente do Midnight Oil. A clássica banda australiana, que está no Brasil com sua turnê The Great Circle 2017, tem o protesto no seu DNA e, em conversa com a Billboard Brasil, o baterista Rob Hirst lembra até que já causaram pelas ruas de São Paulo.

“Nós temos ótimas memórias de São Paulo. Fizemos um pequeno protesto numa esquina movimentada [risos]. Falamos sobre a baixa qualidade do ar na cidade e vamos ver se a situação melhorou agora, quando voltarmos”, lembra o músico. Esse protesto foi feito em parceria com o Greenpeace em maio de 1997, quando a banda passou pelo Brasil no auge da invasão do rock australiano no país.

Já o vocalista, Peter Garrett, levou o lado político mais a sério e atuou como ministro na Austrália por mais de dez anos – hoje, ele retornou ao ativismo e à música.

Leia abaixo o papo com Rob. Ele fala sobre a Backsliders, sua banda paralela ao Midnight Oil, e explica o fenômeno do rock australiano no Brasil nos anos 1990. Tudo por causa dos surfistas brasileiros:

Depois de tanto tempo, ainda sente um frio na barriga na hora de começar uma turnê?
[risos] Sim, sim, eu sinto. A banda tocou por 26 anos [antes da pausa em 2002] e o clima entre nós é muito bom. Estamos prontos para uma longa turnê e, claro, pra voltar ao Brasil.

Tenho algumas perguntas sobre a turnê, mas antes gostaria de falar sobre algumas coisas além do Midnight Oil, como o Backsliders. Você continua na banda? O som é mais blues rock, bem diferente do Midnight. Quais as influências?
Sim, a banda continua. Já tocamos há pouco mais de 20 anos e eu chamo o som de “blues espacial”. Tocamos muito pela Austrália e damos ênfase ao blues, mas temos influências australianas também. Tem sido realmente uma grande experiência pra mim e eu gosto muito.

Também ouvi “The Truth Walks Slowly”, da dupla O’Shea, e é uma balada incrível. Como a história dessa música?
Eu escrevi essa música, originalmente, para um disco solo e o som era bem parecido com o Midnight Oil. Minha filha, Jay O’Shea, que mora em Nashville, ouviu o som e pediu para refazer o arranjo com seu esposo, Mark. E o som ficou bem “Nashville”. A música é sobre um fazendeiro australiano chamado George Bender, que foi morto após uma disputa por terras com uma empresa de gás. Aqui na Austrália há uma briga entre essas empresas e pequenos fazendeiros.

Agora sobre a turnê: algum motivo especial para começar pelo Brasil?
Sabemos que temos um público grande aí. Mas tem também a questão da logística de uma turnê. É mais lógico ir pro Brasil, depois Europa, África e voltar para a Austrália.

São Paulo é a terceira cidade que mais ouve Midnight Oil no Spotify. Essa informação te espanta ou é esperada?
[risos] Uau, isso é incrível. Nós temos ótimas memórias de São Paulo. Fizemos um pequeno protesto numa esquina movimentada de São Paulo [risos]. Falamos sobre a baixa qualidade do ar na cidade e vamos ver se a situação melhorou agora, quando voltarmos.

O rock australiano teve um grande sucesso no Brasil nos anos 1990, várias bandas apareceram em programas de TV de sucesso. Você consegue entender e explicar esse fenômeno?
Sei que muitos surfistas brasileiros vêm a Sidney para pegar ondas. Nessa época, eles começaram a ouvir as músicas no rádio, que valorizava muito as bandas locais. Muitos desses surfistas ouviam esses programas de rádio. E quando eles voltavam pro Brasil, os promotores de shows conheceram esses sons, se interessaram e começaram a contratar as bandas australianas.

O Midnight Oil tem um lado político muito forte nas letras. Isso vem desde a origem da banda?
Sim, isso vem desde a nossa primeira composição, chamada “Powderworks” [do primeiro álbum, homônimo à banda, de 1978]. Nesse momento, já falávamos da indústria armamentista, dos políticos, dos povos originais da Austrália. E quanto mais viajávamos pelo país para fazer shows, acho que mais abríamos os olhos para outros problemas. E isso ia refletindo cada vez mais no nosso som e nos shows a cada noite.

E o Peter Garret é tão bom político quanto cantor?
[risos] Ele é bom nas duas coisas [risos].

A banda já se apresentou em Porto Alegre e passa por mais quatro cidades.

Serviço:
Midnight Oil - The Great Circle 2017
Teatro Positivo/Curitiba
27/04 – 21h15
Ingressos: de R$ 180 a R$ 760 nas bilheterias ou no site.

Espaço das Américas/São Paulo
29/04 – 22h
Ingressos: de R$ 120 a R$ 460 nas bilheterias ou no site.

Vivo Rio/Rio de Janeiro
30/04 – 20h30
Ingressos: de R$ 110 a R$ 370 nas bilheterias ou no site.

NET Live/Brasília
02/05 – 21h30
Ingressos: de R$ 100 a R$ 460 nas bilheterias ou no site.

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Australianos começam nova turnê pelo Brasil

por Marcos Lauro em 26/04/2017

É impossível dissociar política e meio ambiente do Midnight Oil. A clássica banda australiana, que está no Brasil com sua turnê The Great Circle 2017, tem o protesto no seu DNA e, em conversa com a Billboard Brasil, o baterista Rob Hirst lembra até que já causaram pelas ruas de São Paulo.

“Nós temos ótimas memórias de São Paulo. Fizemos um pequeno protesto numa esquina movimentada [risos]. Falamos sobre a baixa qualidade do ar na cidade e vamos ver se a situação melhorou agora, quando voltarmos”, lembra o músico. Esse protesto foi feito em parceria com o Greenpeace em maio de 1997, quando a banda passou pelo Brasil no auge da invasão do rock australiano no país.

Já o vocalista, Peter Garrett, levou o lado político mais a sério e atuou como ministro na Austrália por mais de dez anos – hoje, ele retornou ao ativismo e à música.

Leia abaixo o papo com Rob. Ele fala sobre a Backsliders, sua banda paralela ao Midnight Oil, e explica o fenômeno do rock australiano no Brasil nos anos 1990. Tudo por causa dos surfistas brasileiros:

Depois de tanto tempo, ainda sente um frio na barriga na hora de começar uma turnê?
[risos] Sim, sim, eu sinto. A banda tocou por 26 anos [antes da pausa em 2002] e o clima entre nós é muito bom. Estamos prontos para uma longa turnê e, claro, pra voltar ao Brasil.

Tenho algumas perguntas sobre a turnê, mas antes gostaria de falar sobre algumas coisas além do Midnight Oil, como o Backsliders. Você continua na banda? O som é mais blues rock, bem diferente do Midnight. Quais as influências?
Sim, a banda continua. Já tocamos há pouco mais de 20 anos e eu chamo o som de “blues espacial”. Tocamos muito pela Austrália e damos ênfase ao blues, mas temos influências australianas também. Tem sido realmente uma grande experiência pra mim e eu gosto muito.

Também ouvi “The Truth Walks Slowly”, da dupla O’Shea, e é uma balada incrível. Como a história dessa música?
Eu escrevi essa música, originalmente, para um disco solo e o som era bem parecido com o Midnight Oil. Minha filha, Jay O’Shea, que mora em Nashville, ouviu o som e pediu para refazer o arranjo com seu esposo, Mark. E o som ficou bem “Nashville”. A música é sobre um fazendeiro australiano chamado George Bender, que foi morto após uma disputa por terras com uma empresa de gás. Aqui na Austrália há uma briga entre essas empresas e pequenos fazendeiros.

Agora sobre a turnê: algum motivo especial para começar pelo Brasil?
Sabemos que temos um público grande aí. Mas tem também a questão da logística de uma turnê. É mais lógico ir pro Brasil, depois Europa, África e voltar para a Austrália.

São Paulo é a terceira cidade que mais ouve Midnight Oil no Spotify. Essa informação te espanta ou é esperada?
[risos] Uau, isso é incrível. Nós temos ótimas memórias de São Paulo. Fizemos um pequeno protesto numa esquina movimentada de São Paulo [risos]. Falamos sobre a baixa qualidade do ar na cidade e vamos ver se a situação melhorou agora, quando voltarmos.

O rock australiano teve um grande sucesso no Brasil nos anos 1990, várias bandas apareceram em programas de TV de sucesso. Você consegue entender e explicar esse fenômeno?
Sei que muitos surfistas brasileiros vêm a Sidney para pegar ondas. Nessa época, eles começaram a ouvir as músicas no rádio, que valorizava muito as bandas locais. Muitos desses surfistas ouviam esses programas de rádio. E quando eles voltavam pro Brasil, os promotores de shows conheceram esses sons, se interessaram e começaram a contratar as bandas australianas.

O Midnight Oil tem um lado político muito forte nas letras. Isso vem desde a origem da banda?
Sim, isso vem desde a nossa primeira composição, chamada “Powderworks” [do primeiro álbum, homônimo à banda, de 1978]. Nesse momento, já falávamos da indústria armamentista, dos políticos, dos povos originais da Austrália. E quanto mais viajávamos pelo país para fazer shows, acho que mais abríamos os olhos para outros problemas. E isso ia refletindo cada vez mais no nosso som e nos shows a cada noite.

E o Peter Garret é tão bom político quanto cantor?
[risos] Ele é bom nas duas coisas [risos].

A banda já se apresentou em Porto Alegre e passa por mais quatro cidades.

Serviço:
Midnight Oil - The Great Circle 2017
Teatro Positivo/Curitiba
27/04 – 21h15
Ingressos: de R$ 180 a R$ 760 nas bilheterias ou no site.

Espaço das Américas/São Paulo
29/04 – 22h
Ingressos: de R$ 120 a R$ 460 nas bilheterias ou no site.

Vivo Rio/Rio de Janeiro
30/04 – 20h30
Ingressos: de R$ 110 a R$ 370 nas bilheterias ou no site.

NET Live/Brasília
02/05 – 21h30
Ingressos: de R$ 100 a R$ 460 nas bilheterias ou no site.