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Jaloo: “Quero que meu trabalho fale por mim”

Artista flerta com o eletrônico e o experimental, marcando presença na nova safra da música nacional

por Rebecca Silva em 13/06/2017

O visual jovem, andrógeno e pronto para a internet, mas com um discurso maduro e consciente, pode assustar os mais desavisados, mas Jaloo veio para mostrar que é possível cantar o cotidiano de forma poética com uma sonoridade experimental, com produção eletrônica e um toque suave e irresistível de tecnobrega, como apresentado no seu disco #1, lançado em 2015.

Parte da nova safra da música nacional que trata naturalmente sobre a sexualidade, Jaloo é uma das atrações do Milkshake Festival, nesta sexta-feira (16/06).

A Billboard Brasil conversou com o artista sobre o início na música e suas inspirações:

Como começou na música?

Tem muito a ver com autodidatismo. Percebi na faculdade que aprendia muita coisa sozinho, inclusive a Produção Musical. Fui ganhando experiência, aprendendo e aperfeiçoando aos poucos.

Como era o cenário onde nasceu e sua influência na música?

Sou do interior do Pará, de uma cidade chamada Castanhal, uma hora de Belém, então tive um contato grande com a capital. Isso teve influência na música por causa da introspecção. Sou bastante introspectivo, gosto de preservar isso e quero que respeitem. Minha mãe era professora primária, meu pai, vigia noturno. Não tinha muita grana. Mas fui ensinado de que o maior tesouro que eu tinha era a educação e que precisava correr atrás disso. Guardei isso para a vida. O autodidatismo aflorou sem limites.

Como foi lidar com a mudança para São Paulo? Serviu de inspiração?

Depois de formado, trabalhei por seis meses e recebi convite de trabalho em São Paulo. Foram dois anos na periferia da Zona Leste com artistas que não tinham condições financeiras. Foi aí que comecei a me envolver com o funk paulista. Já são cinco anos em São Paulo. Tenho uma relação de amor e ódio. Ganhei muito, mas minha memória é colocada à prova sempre, aqui conheço muitas pessoas e elas esperam que eu lembre delas, acabo me punindo. No meio desse trabalho na periferia, Jaloo começou a dar certo. Digo que já virou marca. Falo na terceira pessoa porque pessoas dependem desse trabalho para viver. Em São Paulo, vivi muitas histórias em pouco tempo, lá no Pará demoraria anos para ter as experiências que aqui tive em meses.

Podemos dizer que a música veio tarde para você, não foi algo de berço. Como foi descobrir o teu som em uma etapa mais madura da vida?

Sempre admirei artistas que faziam música eletrônica. Eu queria fazer um som autoral e carinhoso. Quero que o público esteja feliz, que seja positivo. Tento dar o melhor de mim, é isso que me inspira.

Encontrou resistência por causa do som mais experimental? A sonoridade não costuma ter tanto espaço no Brasil

O pessoal que tinha banda no Pará tinha ranço com o meu trabalho porque eu não usava instrumentos, só computador. Não toco nenhum instrumento, mas eu crio. É sobre sentimento. Hoje eles entendem e apoiam.

Como foi o processo de produção do teu primeiro disco?

Quis enaltecer a música autoral e produzir cada detalhe. Acho importante dizer que o Miranda acompanhou todo o processo de produção, mixagem, foi o diretor musical, mas a produção do disco é minha. Ele me deixou confortável. Fora as autorais, “Ah!Deus” é uma música de um maestro lá do Pará, acho que tem quase 100 anos e quis trazer para o álbum em versão minha. “Chuva” já foi gravada pela Gaby Amarantos, fiz regravação. “A Cidade” foi um presente de uma compositora que conheci naquele projeto na periferia de São Paulo.

O disco traz várias sonoridades diferentes, mas ainda assim soa coeso e faz sentido como obra. Como foi a escolha das músicas?

Tinha medo de explorar muitos caminhos em um disco, mas percebi que a unidade está na timbragem que é minha, mas trabalhada em ritmos diferentes. 

Como é fazer parte deste momento na música para artistas LGBT? Acredita que a mudança na mentalidade das pessoas garante o aumento do espaço para esse nicho?

É um conjunto de fatores. Está se tornando uma discussão necessária. A juventude de hoje é menos hipócrita, não ligamos mais para isso. Quando eu me senti confortável com a minha família quanto a minha natureza, porque isso não é escolha, escolha é corte de cabelo, não me importava mais com nada e ninguém. É sobre não se importar mais. Quero que meu trabalho fale por mim, não com quem eu durmo. Nós, colocados nesse nicho, chamamos isso de boom de pauta [risos]. Os que desafiaram os gêneros e quebram padrões. Mas meu disco, por exemplo, nem tem militância. Não falo disso. Só queria imprimir a minha verdade, com sofrência e felicidade, talvez no próximo trabalho eu fale de política, quem sabe? Mas é uma discussão importante.

O que pode adiantar sobre teu show no Milkshake Festival?

Como em todos os meus shows, são pessoas em torno de um propósito. Que o dia seja muito especial para todos. Será um show bem preparado, cheio de nuances. 

Serviço:
Milkshake Festival
16/06 - das 16h às 0h
Local: Av. Francisco Matarazzo, 678, Barra Funda 
Ingressos: R$ 75 (meia-entrada); R$ 150 (inteira) no site 

 

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  • HOT 100
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Eu Vou Te Buscar (Cha La La La La) (part. Hungria Hip Hop)
Gusttavo LIma
2
Amor Da Sua Cama
Felipe Araújo
3
Saudade
Eduardo Costa
4
Bengala E Crochê
Maiara & Maraisa
5
De Quem É A Culpa?
Marília Mendonça
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Jaloo: “Quero que meu trabalho fale por mim”

Artista flerta com o eletrônico e o experimental, marcando presença na nova safra da música nacional

por Rebecca Silva em 13/06/2017

O visual jovem, andrógeno e pronto para a internet, mas com um discurso maduro e consciente, pode assustar os mais desavisados, mas Jaloo veio para mostrar que é possível cantar o cotidiano de forma poética com uma sonoridade experimental, com produção eletrônica e um toque suave e irresistível de tecnobrega, como apresentado no seu disco #1, lançado em 2015.

Parte da nova safra da música nacional que trata naturalmente sobre a sexualidade, Jaloo é uma das atrações do Milkshake Festival, nesta sexta-feira (16/06).

A Billboard Brasil conversou com o artista sobre o início na música e suas inspirações:

Como começou na música?

Tem muito a ver com autodidatismo. Percebi na faculdade que aprendia muita coisa sozinho, inclusive a Produção Musical. Fui ganhando experiência, aprendendo e aperfeiçoando aos poucos.

Como era o cenário onde nasceu e sua influência na música?

Sou do interior do Pará, de uma cidade chamada Castanhal, uma hora de Belém, então tive um contato grande com a capital. Isso teve influência na música por causa da introspecção. Sou bastante introspectivo, gosto de preservar isso e quero que respeitem. Minha mãe era professora primária, meu pai, vigia noturno. Não tinha muita grana. Mas fui ensinado de que o maior tesouro que eu tinha era a educação e que precisava correr atrás disso. Guardei isso para a vida. O autodidatismo aflorou sem limites.

Como foi lidar com a mudança para São Paulo? Serviu de inspiração?

Depois de formado, trabalhei por seis meses e recebi convite de trabalho em São Paulo. Foram dois anos na periferia da Zona Leste com artistas que não tinham condições financeiras. Foi aí que comecei a me envolver com o funk paulista. Já são cinco anos em São Paulo. Tenho uma relação de amor e ódio. Ganhei muito, mas minha memória é colocada à prova sempre, aqui conheço muitas pessoas e elas esperam que eu lembre delas, acabo me punindo. No meio desse trabalho na periferia, Jaloo começou a dar certo. Digo que já virou marca. Falo na terceira pessoa porque pessoas dependem desse trabalho para viver. Em São Paulo, vivi muitas histórias em pouco tempo, lá no Pará demoraria anos para ter as experiências que aqui tive em meses.

Podemos dizer que a música veio tarde para você, não foi algo de berço. Como foi descobrir o teu som em uma etapa mais madura da vida?

Sempre admirei artistas que faziam música eletrônica. Eu queria fazer um som autoral e carinhoso. Quero que o público esteja feliz, que seja positivo. Tento dar o melhor de mim, é isso que me inspira.

Encontrou resistência por causa do som mais experimental? A sonoridade não costuma ter tanto espaço no Brasil

O pessoal que tinha banda no Pará tinha ranço com o meu trabalho porque eu não usava instrumentos, só computador. Não toco nenhum instrumento, mas eu crio. É sobre sentimento. Hoje eles entendem e apoiam.

Como foi o processo de produção do teu primeiro disco?

Quis enaltecer a música autoral e produzir cada detalhe. Acho importante dizer que o Miranda acompanhou todo o processo de produção, mixagem, foi o diretor musical, mas a produção do disco é minha. Ele me deixou confortável. Fora as autorais, “Ah!Deus” é uma música de um maestro lá do Pará, acho que tem quase 100 anos e quis trazer para o álbum em versão minha. “Chuva” já foi gravada pela Gaby Amarantos, fiz regravação. “A Cidade” foi um presente de uma compositora que conheci naquele projeto na periferia de São Paulo.

O disco traz várias sonoridades diferentes, mas ainda assim soa coeso e faz sentido como obra. Como foi a escolha das músicas?

Tinha medo de explorar muitos caminhos em um disco, mas percebi que a unidade está na timbragem que é minha, mas trabalhada em ritmos diferentes. 

Como é fazer parte deste momento na música para artistas LGBT? Acredita que a mudança na mentalidade das pessoas garante o aumento do espaço para esse nicho?

É um conjunto de fatores. Está se tornando uma discussão necessária. A juventude de hoje é menos hipócrita, não ligamos mais para isso. Quando eu me senti confortável com a minha família quanto a minha natureza, porque isso não é escolha, escolha é corte de cabelo, não me importava mais com nada e ninguém. É sobre não se importar mais. Quero que meu trabalho fale por mim, não com quem eu durmo. Nós, colocados nesse nicho, chamamos isso de boom de pauta [risos]. Os que desafiaram os gêneros e quebram padrões. Mas meu disco, por exemplo, nem tem militância. Não falo disso. Só queria imprimir a minha verdade, com sofrência e felicidade, talvez no próximo trabalho eu fale de política, quem sabe? Mas é uma discussão importante.

O que pode adiantar sobre teu show no Milkshake Festival?

Como em todos os meus shows, são pessoas em torno de um propósito. Que o dia seja muito especial para todos. Será um show bem preparado, cheio de nuances. 

Serviço:
Milkshake Festival
16/06 - das 16h às 0h
Local: Av. Francisco Matarazzo, 678, Barra Funda 
Ingressos: R$ 75 (meia-entrada); R$ 150 (inteira) no site