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João Barone lança docs sobre o Brasil na Segunda Guerra

por em 09/10/2015
Por Lucas Borges Teixeira Em 1942, plena Segunda Guerra Mundial, uma série de navios mercantes brasileiros foi atacada por submarinos alemães. Até então, o governo Getúlio Vargas, pressionado pelos dois lados, dizia-se neutro quanto ao conflito. Só em 31 de agosto é que o Brasil declarou oficialmente guerra ao Eixo, depois que essas seis embarcações foram abatidas próximas à costa nacional, o que resultou em mais de 600 mortes. Os pracinhas, como eram chamados os combatentes, aportariam em território italiano em julho de 1944. Estava formada a participação do país no maior conflito bélico já registrado até então. Você, no entanto, deve saber muito pouco sobre isso. "A gente tem um problema sério no Brasil de não valorizar nossa própria história", afirma João Barone, baterista dos Paralamas do Sucesso e diretor da série 1942 – O Brasil e Sua Guerra Quase Desconhecida, que estreou nesta semana no canal pago Philos. Apesar de ser um dos episódios mais marcantes para o país na primeira metade do século passado, esta participação é muito pouco lembrada atualmente. "Esse assunto ficou um pouco na ressaca daquele patriotismo que era empurrado goela abaixo em todo mundo durante a Ditadura". Bi Ribeiro e os 30 e poucos anos dos Paralamas do Sucesso Em quatro episódios, a série resgata de forma cronológica os diversos aspectos que rodeiam a participação brasileira na guerra. "Tem histórias interessantíssimas que ninguém sabe", explica Barone. "Essa é uma boa maneira de quebrar esses mitos e reconstruir essas noções de civismo." O documentário é uma decorrência do segundo livro do músico, homônimo, lançado em 2013. “Eu topei fazer um compêndio das coisas mais elementares que todo mundo deveria saber e não sabe sobre a participação do Brasil na guerra”. O livro está na quarta edição e já vendeu mais de 20 mil cópias, um bom número no mercado editorial brasileiro, principalmente levando-se o tema em consideração. Filho de ex-combatente, João Barone convive com o assunto desde pequeno. "O assunto era muito debatido em casa, mas, em algum momento, os Beatles me salvaram disso. Eu comecei a ouvir os discos no final dos anos 60 e fui reencontrar o tema décadas depois", conta.  Foi só no final dos anos 1990 que o assunto voltou ao seu cotidiano ao comprar um jipe original do combate para restaurar. Em 2004, ele levou seu modelo para percorrer as praias da Normandia, no aniversário de 60 anos da data histórica, em que cerca de 100 mil soldados desembarcaram no litoral da França. Cinco anos depois, ele lançou o documentário Um Brasileiro no Dia D, que codirigiu com Victor Lopes, seu primeiro projeto audiovisual sobre o tema. “Era uma coisa um pouco ingênua e aí, quando eu vi, já estou no meu segundo livro e terceiro documentário”. Playlist Lulu Santos x Herbert Vianna Com gravações na Itália, a série resgata desde o flerte do governo Vargas com o fascismo antes da decisão de apoiar os Aliados, em 1942, até o bombardeio na costa nacional e às vitórias da Força Expedicionária Brasileira (FEB) na Itália, no final da guerra. "Tem algumas histórias que precisam ser mais bem contadas, como é fato de o Brasil ter mandado tropas pra lutar e nós, naquela época, acreditamos que isso significava um passaporte pra sentar do lado das grandes nações no mundo pós-guerra. Aí, quando a gente vê, continuamos correndo atrás do próprio rabo". Mas, mais do que documental, o baterista explica que o objetivo da série é mostrar relatos humanos de quem esteve lá. "As entrevistas dos ex-combatentes são uma coisa assim... Eu vou pedir pra botar uma legenda antes para que as pessoas assistam com uma caixa de lenços", brinca. "São histórias muito emocionantes." A série tem ainda relatos dos jornalistas Pedro Bial, Arthur Dapieve, William Waack, do escritor Luiz Fernando Veríssimo, do diplomata Jorge Carlos Ribeiro, pai de Bi Ribeiro, baixista dos Paralamas, que morava em Berlim quando o Brasil rompeu com a Alemanha, entre outros. Os quatro episódios de 1942 – O Brasil e Sua Guerra Quase Desconhecida já estão disponíveis no Philos, canal on demand especializado em arte e história.
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por em 09/10/2015
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