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Johnny Cash 80 anos: oito músicas marcantes do “Homem de Preto”

por em 24/02/2012
Imagem: Divulgação

Nascido na cidade de Kingsland, Arkansas, em 26 de fevereiro de 1932, John Ray Cash passou sua infância trabalhando em um campo de algodão de uma fazenda de Dyess, no mesmo estado. Filho de um pai alcoólatra e abusivo, John teria ainda outro forte trauma em sua infância. Em 1944, seu irmão Jack falece após sofrer um grave acidente em uma serra de madeira. O incidente marcaria John para o resto de sua vida, que frequentemente passaria a citar citar o desejo de reencontrá-lo no paraíso.

O garoto que costumava cantar músicas gospel e tocar violão quando criança desistiu da vida do campo e se arriscou no meio musical. Depois de voltar da Alemanha em 1954, onde serviu à Força Aérea americana, John Ray Cash se casou com Vivian Liberto, com quem teve quatro filhos. Na mesma época, formou ao lado do guitarrista Luther Perkins e do baixista Marshall Grant um novo grupo de música country.

Em 1955, Johnny Cash – nome pelo qual ficou conhecido pelo resto de sua vida – assinou um contrato com a gravadora Sun Records, a mesma de Elvis Presley e outros grandes nomes do country e do rock and roll, pela qual iniciou sua influente carreira musical.

Dali em diante, Cash acumularia sucessos que ajudariam a transformá-lo em um dos maiores expoentes da música country. Do vício em anfetaminas e barbitúricos, passando pelas lendárias apresentações nos presídios de San Quentin e Folsom Prison até a arrebatadora paixão por sua esposa June Carter - que inspirou o filme Johnny & June, de 2005 – Johnny Cash marcaria para sempre seu nome na história da música moderna.

Se estivesse vivo, o “Homem de Preto” completaria 80 anos no próximo domingo, dia 26. Para celebrar seu legado, a Billboard Brasil separou oito das músicas mais marcantes de seu extenso repertório. Confira abaixo em nosso especial Johnny Cash 80 anos.


“Folsom Prison Blues”

Uma de suas marcas registradas, a música “Folsom Prison Blues” foi composta quando Johnny Cash servia à Força Aérea americana na Alemanha. Inspirado pelo filme Inside The Walls Of Folsom Prison (1951), Cash escreveu a canção imaginando-se na pele de um prisioneiro que ouve o passar de um trem próximo de sua cela e imagina a vida das pessoas livres. A música se tornou um de seus maiores sucessos e figurou em seu repertório durante a maior parte de sua carreira, tornando-se a canção favorita de seus entusiastas.

Em 13 de janeiro de 1968, Johnny Cash visitou o presídio de Folsom State Prison, na Califórnia, onde gravou seu álbum ao vivo At Folsom Prison. A memorável performance se tornou uma das mais executadas gravações de Cash e consagrou a frase introdutória do cantor: “Hello, I’m Johnny Cash”, seguida de palmas efusivas dos animados presidiários, personagens retratados e identificados com a canção.


“Cry Cry Cry”

Composta em 1955, “Cry, Cry, Cry” foi lançada como lado-B de “Hey, Porter”, primeiro single da carreira de Johnny Cash. O registro vendeu mais de cem mil cópias apenas nos estados sulistas dos Estados Unidos e abriu caminho para o sucesso do cantor, que passou a excursionar com o grande astro da época, Elvis Presley. Típica canção country sobre desilusões amorosas, “Cry, Cry, Cry” se tornou um de seus mais importantes hits e figurou em seu primeiro álbum, Johnny Cash And His Hot And Blue Guitar, lançado em 1957. Sua letra ressentida e sua levada galopante sinalizavam os caminhos que o jovem músico seguiria e que o ajudariam a consagrá-lo como um dos grandes compositores de seu tempo.


“I Walk The Line”

Outro dos grandes sucessos da carreira de Johnny Cash, “I Walk The Line” foi lançada como single em 1956 e se tornou a primeira música do cantor a figurar no 1º lugar do Billboard Hot Country Singles. A música também atingiu o 17º lugar do Hot 100 da Billboard, até então a melhor colocação de Johnny Cash entre as músicas mais tocadas dos Estados Unidos.

Na época casado com Vivian Liberto, Cash prometia “andar na linha” e se comportar, mesmo com todas as tentações existentes. Infelizmente, a promessa da música não se confirmou e alguns anos depois Cash enfrentou a maior batalha da sua vida: o vício contra anfetaminas e barbitúricos.


“Don’t Take Your Guns To Town”

Após trocar a gravadora Sun pela Columbia, Cash lançou seu single “Don’t Take Your Guns To Town”, em 1958. A canção se tornou sua quinta música a atingir a primeira posição do Billboard Hot Country Singles e se notabilizou como uma de suas composições mais relembradas. Ao melhor estilo country, Cash conta a história de um cowboy que não segue os conselhos de sua mãe e parte armado para a cidade, onde acaba morto em um bar. Em 2001, a banda irlandesa U2 gravou uma versão da música como lado b do single “Elevation”.


“Ring Of Fire”

Afundado no vício em metanfetaminas, Johnny Cash conhece sua futura esposa, June Carter, por quem se apaixona perdidamente. Composta por June, “Ring Of Fire” teve seu arranjo de trompete criado por Cash, que afirmou tê-lo ouvido durante um sonho. A canção se tornou o maior sucesso de Cash, atingindo o 17º lugar do Hot 100 da Billboard e permanecendo por sete semanas consecutivas no primeiro lugar do ranking Hot Country Singles.  

Gravada originalmente pela irmã de June, Anita Carter, “Ring Of Fire” se popularizou na voz de Cash, que se casaria com June quatro anos depois do lançamento do single, divulgado em 1963. Em entrevista dada ao jornal Tennessean em 2003, Rosanne Cash, filha de Johnny com Vivian Liberto, falou sobre a música: "A canção é sobre o poder transformador do amor e é isso que sempre significou para mim e o que sempre vai significar para as crianças de Cash".


“Girl From The North Country”

Originalmente composta e lançada por Bob Dylan em seu álbum The Freewhellin Bob Dylan, de 1963, “Girl From The North Country” foi regravada por Dylan e por Johnny Cash em 1969 para o álbum Nashville Skyline, de Dylan. A bela música mostra um encontro de dois dos grandes músicos do século XX contrastando suas marcantes vozes. A nova repaginação deu um tom menos folk e mais country à canção, que se consolidou como uma das mais famosas parcerias da história da música pop.


“Man In Black”

Após superar o vício e se consolidar como um dos mais respeitados e admirados músicos da época, Johnny Cash desfrutou de sua maior popularidade durante 1969 e 1971, período em que estrelou um programa televisivo para a rede ABC.  Trajando sempre calças, camisas e botas pretas, Cash ganhou o apelido de “Homem de Preto” e resolveu fazer jus compondo uma nova canção com o nome. 

Escrita como uma canção de protesto, “Man In Black” explicita a identificação de Cash com os trabalhadores pobres e os prisioneiros encarcerados, como canta no trecho: “Eu visto o preto pelo pobre e oprimido / Vivendo no lado faminto e sem esperança da cidade / Eu o visto pelo preso que há muito tempo já pagou pelo seu crime / Mas está lá porque ele é uma vítima dos tempos.”


“Hurt”

Diagnosticado com problemas no sistema nervoso provenientes de diabetes em 1999, Johnny Cash vislumbrava a possibilidade da morte e se mostrava reflexivo e sereno em seu último álbum lançado em vida. American IV: The Man Comes Around reunia músicas de Cash e covers, como “Hurt”, originalmente lançada pela banda Nine Inch Nails no álbum The Downward Spiral, de 1994. 

A tocante versão de Johnny Cash ganhou um igualmente belo videoclipe, que mesclava cenas do cantor no final de sua vida com filmagens antigas. O clipe ganhou o prêmio de “Melhor Fotografia” do VMA de 2002 e o de “Melhor Videoclipe” do Grammy de 2004. 

Com arranjos suaves e canto introspectivo, “Hurt” é constantemente lembrada como uma das grandes interpretações de Johnny Cash e acabou se tornando a música que marcou o seu adeus em grande e emocionante estilo.

Em 15 de maio de 2003, sua esposa June Carter falecia vítima de complicações de uma cirurgia de coração. Menos de quatro meses depois, no dia 12 de setembro de 2003, Johnny Cash também sucumbia, vítima de diabetes. 

  • HOT 100
    BRASIL
  • BILLBOARD
    200
  • HOT 100
    EUA
1
Pegada que Desgrama
Naiara Azevedo
2
Rapariga Não (Part. Simone & Simaria)
João Neto & Frederico
3
Dona Maria (Part. Jorge)
Thiago Brava
4
Apelido Carinhoso
Gusttavo Lima
5
Amor Da Sua Cama
Felipe Araújo
RANKING COMPLETO
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Johnny Cash 80 anos: oito músicas marcantes do “Homem de Preto”

por em 24/02/2012
Imagem: Divulgação

Nascido na cidade de Kingsland, Arkansas, em 26 de fevereiro de 1932, John Ray Cash passou sua infância trabalhando em um campo de algodão de uma fazenda de Dyess, no mesmo estado. Filho de um pai alcoólatra e abusivo, John teria ainda outro forte trauma em sua infância. Em 1944, seu irmão Jack falece após sofrer um grave acidente em uma serra de madeira. O incidente marcaria John para o resto de sua vida, que frequentemente passaria a citar citar o desejo de reencontrá-lo no paraíso.

O garoto que costumava cantar músicas gospel e tocar violão quando criança desistiu da vida do campo e se arriscou no meio musical. Depois de voltar da Alemanha em 1954, onde serviu à Força Aérea americana, John Ray Cash se casou com Vivian Liberto, com quem teve quatro filhos. Na mesma época, formou ao lado do guitarrista Luther Perkins e do baixista Marshall Grant um novo grupo de música country.

Em 1955, Johnny Cash – nome pelo qual ficou conhecido pelo resto de sua vida – assinou um contrato com a gravadora Sun Records, a mesma de Elvis Presley e outros grandes nomes do country e do rock and roll, pela qual iniciou sua influente carreira musical.

Dali em diante, Cash acumularia sucessos que ajudariam a transformá-lo em um dos maiores expoentes da música country. Do vício em anfetaminas e barbitúricos, passando pelas lendárias apresentações nos presídios de San Quentin e Folsom Prison até a arrebatadora paixão por sua esposa June Carter - que inspirou o filme Johnny & June, de 2005 – Johnny Cash marcaria para sempre seu nome na história da música moderna.

Se estivesse vivo, o “Homem de Preto” completaria 80 anos no próximo domingo, dia 26. Para celebrar seu legado, a Billboard Brasil separou oito das músicas mais marcantes de seu extenso repertório. Confira abaixo em nosso especial Johnny Cash 80 anos.


“Folsom Prison Blues”

Uma de suas marcas registradas, a música “Folsom Prison Blues” foi composta quando Johnny Cash servia à Força Aérea americana na Alemanha. Inspirado pelo filme Inside The Walls Of Folsom Prison (1951), Cash escreveu a canção imaginando-se na pele de um prisioneiro que ouve o passar de um trem próximo de sua cela e imagina a vida das pessoas livres. A música se tornou um de seus maiores sucessos e figurou em seu repertório durante a maior parte de sua carreira, tornando-se a canção favorita de seus entusiastas.

Em 13 de janeiro de 1968, Johnny Cash visitou o presídio de Folsom State Prison, na Califórnia, onde gravou seu álbum ao vivo At Folsom Prison. A memorável performance se tornou uma das mais executadas gravações de Cash e consagrou a frase introdutória do cantor: “Hello, I’m Johnny Cash”, seguida de palmas efusivas dos animados presidiários, personagens retratados e identificados com a canção.


“Cry Cry Cry”

Composta em 1955, “Cry, Cry, Cry” foi lançada como lado-B de “Hey, Porter”, primeiro single da carreira de Johnny Cash. O registro vendeu mais de cem mil cópias apenas nos estados sulistas dos Estados Unidos e abriu caminho para o sucesso do cantor, que passou a excursionar com o grande astro da época, Elvis Presley. Típica canção country sobre desilusões amorosas, “Cry, Cry, Cry” se tornou um de seus mais importantes hits e figurou em seu primeiro álbum, Johnny Cash And His Hot And Blue Guitar, lançado em 1957. Sua letra ressentida e sua levada galopante sinalizavam os caminhos que o jovem músico seguiria e que o ajudariam a consagrá-lo como um dos grandes compositores de seu tempo.


“I Walk The Line”

Outro dos grandes sucessos da carreira de Johnny Cash, “I Walk The Line” foi lançada como single em 1956 e se tornou a primeira música do cantor a figurar no 1º lugar do Billboard Hot Country Singles. A música também atingiu o 17º lugar do Hot 100 da Billboard, até então a melhor colocação de Johnny Cash entre as músicas mais tocadas dos Estados Unidos.

Na época casado com Vivian Liberto, Cash prometia “andar na linha” e se comportar, mesmo com todas as tentações existentes. Infelizmente, a promessa da música não se confirmou e alguns anos depois Cash enfrentou a maior batalha da sua vida: o vício contra anfetaminas e barbitúricos.


“Don’t Take Your Guns To Town”

Após trocar a gravadora Sun pela Columbia, Cash lançou seu single “Don’t Take Your Guns To Town”, em 1958. A canção se tornou sua quinta música a atingir a primeira posição do Billboard Hot Country Singles e se notabilizou como uma de suas composições mais relembradas. Ao melhor estilo country, Cash conta a história de um cowboy que não segue os conselhos de sua mãe e parte armado para a cidade, onde acaba morto em um bar. Em 2001, a banda irlandesa U2 gravou uma versão da música como lado b do single “Elevation”.


“Ring Of Fire”

Afundado no vício em metanfetaminas, Johnny Cash conhece sua futura esposa, June Carter, por quem se apaixona perdidamente. Composta por June, “Ring Of Fire” teve seu arranjo de trompete criado por Cash, que afirmou tê-lo ouvido durante um sonho. A canção se tornou o maior sucesso de Cash, atingindo o 17º lugar do Hot 100 da Billboard e permanecendo por sete semanas consecutivas no primeiro lugar do ranking Hot Country Singles.  

Gravada originalmente pela irmã de June, Anita Carter, “Ring Of Fire” se popularizou na voz de Cash, que se casaria com June quatro anos depois do lançamento do single, divulgado em 1963. Em entrevista dada ao jornal Tennessean em 2003, Rosanne Cash, filha de Johnny com Vivian Liberto, falou sobre a música: "A canção é sobre o poder transformador do amor e é isso que sempre significou para mim e o que sempre vai significar para as crianças de Cash".


“Girl From The North Country”

Originalmente composta e lançada por Bob Dylan em seu álbum The Freewhellin Bob Dylan, de 1963, “Girl From The North Country” foi regravada por Dylan e por Johnny Cash em 1969 para o álbum Nashville Skyline, de Dylan. A bela música mostra um encontro de dois dos grandes músicos do século XX contrastando suas marcantes vozes. A nova repaginação deu um tom menos folk e mais country à canção, que se consolidou como uma das mais famosas parcerias da história da música pop.


“Man In Black”

Após superar o vício e se consolidar como um dos mais respeitados e admirados músicos da época, Johnny Cash desfrutou de sua maior popularidade durante 1969 e 1971, período em que estrelou um programa televisivo para a rede ABC.  Trajando sempre calças, camisas e botas pretas, Cash ganhou o apelido de “Homem de Preto” e resolveu fazer jus compondo uma nova canção com o nome. 

Escrita como uma canção de protesto, “Man In Black” explicita a identificação de Cash com os trabalhadores pobres e os prisioneiros encarcerados, como canta no trecho: “Eu visto o preto pelo pobre e oprimido / Vivendo no lado faminto e sem esperança da cidade / Eu o visto pelo preso que há muito tempo já pagou pelo seu crime / Mas está lá porque ele é uma vítima dos tempos.”


“Hurt”

Diagnosticado com problemas no sistema nervoso provenientes de diabetes em 1999, Johnny Cash vislumbrava a possibilidade da morte e se mostrava reflexivo e sereno em seu último álbum lançado em vida. American IV: The Man Comes Around reunia músicas de Cash e covers, como “Hurt”, originalmente lançada pela banda Nine Inch Nails no álbum The Downward Spiral, de 1994. 

A tocante versão de Johnny Cash ganhou um igualmente belo videoclipe, que mesclava cenas do cantor no final de sua vida com filmagens antigas. O clipe ganhou o prêmio de “Melhor Fotografia” do VMA de 2002 e o de “Melhor Videoclipe” do Grammy de 2004. 

Com arranjos suaves e canto introspectivo, “Hurt” é constantemente lembrada como uma das grandes interpretações de Johnny Cash e acabou se tornando a música que marcou o seu adeus em grande e emocionante estilo.

Em 15 de maio de 2003, sua esposa June Carter falecia vítima de complicações de uma cirurgia de coração. Menos de quatro meses depois, no dia 12 de setembro de 2003, Johnny Cash também sucumbia, vítima de diabetes.