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Jorge Drexler dá novo perfume a seus clássicos

por em 11/11/2015
Jorg
e Drexler – 10 de novembro – Audio Club/São Paulo Por Lurdete Ertel O uruguaio Jorge Drexler é um fazedor de hits discretos, assim como ele. E sua nova turnê, Perfume, que chegou ao Brasil nesta semana, confirma que ao longo de 20 anos de carreira o cantor uruguaio colecionou um número considerável de canções antológicas, que o público fiel acompanha com o coro afinado e, sobretudo, com devoção. Perfume é um slide show do que Drexler produziu de melhor ao longo dos últimos anos. Em uma apresentação minimalista e quase acústica, que teve sua primeira parada no Brasil nesta terça (10/11), no Audio Club, em São Paulo, o músico desfila 20 de suas canções mais emblemáticas, mas cada qual com uma roupagem nova. Rio de Janeiro e Porto Alegre são as próximas cidades a receber o show. Para dar o tom renovado, o uruguaio conta com a ajuda do músico francês Luciano Supervielle – mais conhecido por sua atuação no grupo de tango eletrônico Bajofondo – e o suporte de Carlos Campón no baixo e programação. O bem-casado das letras de Drexler com a sonoridade de Supervielle é, na verdade, um reencontro: os dois trabalharam juntos entre 1999 e 2006, nos álbuns Frontera, Sea, Eco e 12 Segundos de Oscuridad. E o nome da turnê, Perfume, vem da primeira canção conjunta que ambos fizeram para o Bajofondo. Em mais de duas horas de espetáculo, Drexler e Supervielle se mostram velhos camaradas, fazendo brincadeiras sonoras que servem de tapete para algumas das canções mais marcantes do uruguaio, como “Sanar”, “Fusión”, “Sea”, “Polvo de Estrellas” e “Se Vá, Se Vá, Se Fue”. Supervielle lança mão até do piano clássico, intercalando no teclado solos de Chopin e Felisberto Hernández com a música eletrônica que fez sua fama. Mas, como de praxe, o ponto alto do espetáculo são os acústicos de Drexler. Depois de uma performance dançante em sua última passagem pelo Brasil em março, na turnê do disco Bailar en La Cueva, o cantor retoma seu formato mais consagrado, de microfone e violão. Ou mesmo sem o violão. Sozinho no palco, com pouca luz, Drexler puxa o coro do público e emociona com “Guitarra y Vos”, “Edad del Cielo” (parceria com o brasileiro Paulinho Moska que, segundo Drexler, “abriu as portas no Brasil”) e “Al Otro Lado del Río”. Primeira música em espanhol a faturar um Oscar de Melhor Canção Original, “Al Outro Lado del Río” é apresentada à capela, apenas com a voz de Drexler, como foi na cerimônia de entrega da estatueta. “Gostei tanto daquela inesperada versão que ficou assim pra sempre”, brinca o músico, ao preparar o público para o canção que deu uma remada forte na sua carreira internacional. Como o improviso também é uma marca registrada de Drexler, o uruguaio driblou a playlist e arranhou o português de “A Rita”, de Chico Buarque, e “Rosa Morena”, de João Gilberto, de quem o cantor é fã declarado e a quem fez lembrar ao reclamar de ruídos. Também engatou “When I´m Sixty-Four”, dos Beatles, alegando ser uma homenagem aos tempos em que era um anônimo cantor de bar que tocava músicas alheias. O tom introspectivo é quebrado no encerramento, quando Drexler faz uma homenagem à cúmbia, estilo musical que define como “língua comum da América Latina”. “Vou fazer uma campanha para introduzir o ritmo aqui”, brinca, antes de colocar a plateia a dançar com “La Luna de Rasqui”, “Bailar em La Cueva” e “Bolivia”. Até o clássico “Deseo” é convertido em uma alegre cúmbia. No bis, Drexler se despede citando a Lei de Lavoisier, antes de cantar com a plateia “Todo se Transforma” – título perfeito para definir a capacidade do músico de recriar seus clássicos, ainda que seja apenas mudando o perfume.
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Jorge Drexler dá novo perfume a seus clássicos

por em 11/11/2015
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e Drexler – 10 de novembro – Audio Club/São Paulo Por Lurdete Ertel O uruguaio Jorge Drexler é um fazedor de hits discretos, assim como ele. E sua nova turnê, Perfume, que chegou ao Brasil nesta semana, confirma que ao longo de 20 anos de carreira o cantor uruguaio colecionou um número considerável de canções antológicas, que o público fiel acompanha com o coro afinado e, sobretudo, com devoção. Perfume é um slide show do que Drexler produziu de melhor ao longo dos últimos anos. Em uma apresentação minimalista e quase acústica, que teve sua primeira parada no Brasil nesta terça (10/11), no Audio Club, em São Paulo, o músico desfila 20 de suas canções mais emblemáticas, mas cada qual com uma roupagem nova. Rio de Janeiro e Porto Alegre são as próximas cidades a receber o show. Para dar o tom renovado, o uruguaio conta com a ajuda do músico francês Luciano Supervielle – mais conhecido por sua atuação no grupo de tango eletrônico Bajofondo – e o suporte de Carlos Campón no baixo e programação. O bem-casado das letras de Drexler com a sonoridade de Supervielle é, na verdade, um reencontro: os dois trabalharam juntos entre 1999 e 2006, nos álbuns Frontera, Sea, Eco e 12 Segundos de Oscuridad. E o nome da turnê, Perfume, vem da primeira canção conjunta que ambos fizeram para o Bajofondo. Em mais de duas horas de espetáculo, Drexler e Supervielle se mostram velhos camaradas, fazendo brincadeiras sonoras que servem de tapete para algumas das canções mais marcantes do uruguaio, como “Sanar”, “Fusión”, “Sea”, “Polvo de Estrellas” e “Se Vá, Se Vá, Se Fue”. Supervielle lança mão até do piano clássico, intercalando no teclado solos de Chopin e Felisberto Hernández com a música eletrônica que fez sua fama. Mas, como de praxe, o ponto alto do espetáculo são os acústicos de Drexler. Depois de uma performance dançante em sua última passagem pelo Brasil em março, na turnê do disco Bailar en La Cueva, o cantor retoma seu formato mais consagrado, de microfone e violão. Ou mesmo sem o violão. Sozinho no palco, com pouca luz, Drexler puxa o coro do público e emociona com “Guitarra y Vos”, “Edad del Cielo” (parceria com o brasileiro Paulinho Moska que, segundo Drexler, “abriu as portas no Brasil”) e “Al Otro Lado del Río”. Primeira música em espanhol a faturar um Oscar de Melhor Canção Original, “Al Outro Lado del Río” é apresentada à capela, apenas com a voz de Drexler, como foi na cerimônia de entrega da estatueta. “Gostei tanto daquela inesperada versão que ficou assim pra sempre”, brinca o músico, ao preparar o público para o canção que deu uma remada forte na sua carreira internacional. Como o improviso também é uma marca registrada de Drexler, o uruguaio driblou a playlist e arranhou o português de “A Rita”, de Chico Buarque, e “Rosa Morena”, de João Gilberto, de quem o cantor é fã declarado e a quem fez lembrar ao reclamar de ruídos. Também engatou “When I´m Sixty-Four”, dos Beatles, alegando ser uma homenagem aos tempos em que era um anônimo cantor de bar que tocava músicas alheias. O tom introspectivo é quebrado no encerramento, quando Drexler faz uma homenagem à cúmbia, estilo musical que define como “língua comum da América Latina”. “Vou fazer uma campanha para introduzir o ritmo aqui”, brinca, antes de colocar a plateia a dançar com “La Luna de Rasqui”, “Bailar em La Cueva” e “Bolivia”. Até o clássico “Deseo” é convertido em uma alegre cúmbia. No bis, Drexler se despede citando a Lei de Lavoisier, antes de cantar com a plateia “Todo se Transforma” – título perfeito para definir a capacidade do músico de recriar seus clássicos, ainda que seja apenas mudando o perfume.