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Karina Buhr na Argentina

por em 19/09/2012
Imagem: Divulgação/Diego Ciarlariello

A cantora brasileira Karina Buhr se apresenta nesta quinta-feira, 21 de setembro, pela primeira vez na Argentina, no Niceto Club, como parte da programação da Buenos Aires International Music Fair. Depois de ter levado sua mistura personalíssima de pop, rock, reggae y otras cositas mais a diversos públicos nacionais e também a plateias da Dinamarca (Womex, em Copenhague, e festival de Roskilde), a baiana com forte identidade pernambucana (estado onde foi morar aos oito anos) e radicada em São Paulo desde 2003 conquista novos espaços.

Seu disco Eu Menti Pra Você está sendo lançado na Argentina pelo selo Sonoamérica Música, e, na conversa que se segue, ela se mostra bastante empolgada com a nova etapa internacional da carreira. As expectativas são altas, afinal o jornalista Luís Paz, do Página 12, que a viu ao vivo em Belo Horizonte e a entrevistou, definiu Karina como “una bestia performática” (“monstro performático”).

Que tipo de retorno você teve da Argentina antes deste show e do interesse do selo Sonoamérica? Alguma coisa via redes sociais, contato direto com fãs?

Esse tipo de ligação com pessoas de lá que gostam do meu som acontece há um tempo e minha vontade sempre foi grande de tocar lá. Não só lá, como por toda América do Sul. Normalmente é mais fácil tocar num festival na Europa do que fazer um show nos países vizinhos. Tô muito feliz com esse começo de relação com a vizinhança.

O que espera ao mostrar suas canções para um público acostumado há décadas a ter mulheres no poder (Evita, Isabelita, Cristina Kirchner), mas sem tantas vozes femininas de destaque no pop/rock?

Espero o que espero de todo show, tocar com muita vontade e me divertir muito fazendo isso, pra um público que também queira muito fazer o mesmo. Eu não acho que as mulheres fazem parte de um grupo especial, separado dos homens, não me vejo então como uma artista "feminina". Acho que tá todo mundo junto. Acho natural uma mulher no palco ou no poder. No Brasil ou na Argentina.

Que músicos, cantores ou grupos argentinos você curte?

Assim que li a pergunta me veio à cabeça o filme Tangos, o exílio de Gardel, que vi há muito, muito, tempo atrás e que me botou no caminho Gardel e Piazzolla. Mercedes Sosa é uma deusa! Ouvi muito quando era pequena e vou tratar de escutar nesse momento, pois faz muito tempo que não faço isso.

Gosto também de Los Fabulosos Cadillacs e não conheço muito mais, fico com vergonha inclusive, queria conhecer mais coisas do que se faz de música hoje na Argentina. Essa vontade de ir tocar lá também tem a ver com isso, com a vontade não só de fazer meu som chegar, mas também de conhecer o que se faz de música na Argentina hoje. Por sinal, aceito dicas preciosas.

Em que situação/situações já constatou, citando Manuel Bandeira, “só nos resta tocar uma tango argentino”?

Quando vejo que em São Paulo, além de Geraldo Alckmin governador, provavelmente teremos também Russomanno prefeito, sendo que já temos há algum um tempo Kassab prefeito.

Considerando que o release do show usa referências como Patti Smith e Rita Lee, como você se sente ao ser chamada de “roqueira”?

Não fico muito ligada se as pessoas estão me chamando disso ou daquilo.

Escrevo as letras e faço as músicas que sinto, quero que meu som se espalhe e chegue perto de quem ele possa tocar de alguma forma, mesmo que seja causando estranhamento.

Esse release a que você se refere foi feito pelo Niceto, usando citações que eles encontraram, como no site da MTV americana, que fala que sou algo como "Patti Smith, com lápis preto no olho e toda uma cultura brasileira a seu dispor" (risos) e também matérias que fazem referências a Rita Lee, pra falar sobre meu trabalho.

Fico lisonjeada, claro, com isso, mas ao mesmo tempo acho meio chato alguém ir pro show com bula. Prefiro que ouçam, vejam e sintam e não que vão pro show numas de "vamo ver se é isso tudo mesmo" (risos).

Se falar que meu show é um show rock and roll eu me sinto bem, porque gosto muito de rock and roll.

Minhas músicas, meus shows, têm um peso, uma lado mais sujo, mais punk, mas também não é o tempo todo. Tem músicas mais tranquilas, lentas, tem umas com um toque de reggae ou de baladona mesmo.

Não tenho uma preocupação em tentar passar imagem alguma. Não me coloco numa obrigação de me comportar ou de fazer músicas desse ou daquele jeito pra caber dentro de nenhum perfil estabelecido. Nem mesmo dentro do rock and roll, que tanto gosto.

O que conhece da cultura rock da Argentina, notoriamente mais presente do que no Brasil?

Pra mim não é notoriamente mais presente, porque não conheço quase nada de rock argentino. Pra não dizer que não conheço nada, já ouvi Los Redonditos de Ricota. Na minha vida o rock brasileiro sempre foi muito presente e muito importante. Adoraria dar outra resposta, falar que conheço muito bem o rock argentino, mas a resposta sincera é essa. Ou poderia falar de Diego Maradona, que é o argentino mais rock and roll que eu conheço e sou fã!

Já esteve no Uruguai, país da América Latina, com legislação sobre drogas mais avançada e tolerante?

Nunca estive, mas quero muito estar. Mujica (José Pepe Mujica, presidente uruguaio) é meu ídolo!

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Karina Buhr na Argentina

por em 19/09/2012
Imagem: Divulgação/Diego Ciarlariello

A cantora brasileira Karina Buhr se apresenta nesta quinta-feira, 21 de setembro, pela primeira vez na Argentina, no Niceto Club, como parte da programação da Buenos Aires International Music Fair. Depois de ter levado sua mistura personalíssima de pop, rock, reggae y otras cositas mais a diversos públicos nacionais e também a plateias da Dinamarca (Womex, em Copenhague, e festival de Roskilde), a baiana com forte identidade pernambucana (estado onde foi morar aos oito anos) e radicada em São Paulo desde 2003 conquista novos espaços.

Seu disco Eu Menti Pra Você está sendo lançado na Argentina pelo selo Sonoamérica Música, e, na conversa que se segue, ela se mostra bastante empolgada com a nova etapa internacional da carreira. As expectativas são altas, afinal o jornalista Luís Paz, do Página 12, que a viu ao vivo em Belo Horizonte e a entrevistou, definiu Karina como “una bestia performática” (“monstro performático”).

Que tipo de retorno você teve da Argentina antes deste show e do interesse do selo Sonoamérica? Alguma coisa via redes sociais, contato direto com fãs?

Esse tipo de ligação com pessoas de lá que gostam do meu som acontece há um tempo e minha vontade sempre foi grande de tocar lá. Não só lá, como por toda América do Sul. Normalmente é mais fácil tocar num festival na Europa do que fazer um show nos países vizinhos. Tô muito feliz com esse começo de relação com a vizinhança.

O que espera ao mostrar suas canções para um público acostumado há décadas a ter mulheres no poder (Evita, Isabelita, Cristina Kirchner), mas sem tantas vozes femininas de destaque no pop/rock?

Espero o que espero de todo show, tocar com muita vontade e me divertir muito fazendo isso, pra um público que também queira muito fazer o mesmo. Eu não acho que as mulheres fazem parte de um grupo especial, separado dos homens, não me vejo então como uma artista "feminina". Acho que tá todo mundo junto. Acho natural uma mulher no palco ou no poder. No Brasil ou na Argentina.

Que músicos, cantores ou grupos argentinos você curte?

Assim que li a pergunta me veio à cabeça o filme Tangos, o exílio de Gardel, que vi há muito, muito, tempo atrás e que me botou no caminho Gardel e Piazzolla. Mercedes Sosa é uma deusa! Ouvi muito quando era pequena e vou tratar de escutar nesse momento, pois faz muito tempo que não faço isso.

Gosto também de Los Fabulosos Cadillacs e não conheço muito mais, fico com vergonha inclusive, queria conhecer mais coisas do que se faz de música hoje na Argentina. Essa vontade de ir tocar lá também tem a ver com isso, com a vontade não só de fazer meu som chegar, mas também de conhecer o que se faz de música na Argentina hoje. Por sinal, aceito dicas preciosas.

Em que situação/situações já constatou, citando Manuel Bandeira, “só nos resta tocar uma tango argentino”?

Quando vejo que em São Paulo, além de Geraldo Alckmin governador, provavelmente teremos também Russomanno prefeito, sendo que já temos há algum um tempo Kassab prefeito.

Considerando que o release do show usa referências como Patti Smith e Rita Lee, como você se sente ao ser chamada de “roqueira”?

Não fico muito ligada se as pessoas estão me chamando disso ou daquilo.

Escrevo as letras e faço as músicas que sinto, quero que meu som se espalhe e chegue perto de quem ele possa tocar de alguma forma, mesmo que seja causando estranhamento.

Esse release a que você se refere foi feito pelo Niceto, usando citações que eles encontraram, como no site da MTV americana, que fala que sou algo como "Patti Smith, com lápis preto no olho e toda uma cultura brasileira a seu dispor" (risos) e também matérias que fazem referências a Rita Lee, pra falar sobre meu trabalho.

Fico lisonjeada, claro, com isso, mas ao mesmo tempo acho meio chato alguém ir pro show com bula. Prefiro que ouçam, vejam e sintam e não que vão pro show numas de "vamo ver se é isso tudo mesmo" (risos).

Se falar que meu show é um show rock and roll eu me sinto bem, porque gosto muito de rock and roll.

Minhas músicas, meus shows, têm um peso, uma lado mais sujo, mais punk, mas também não é o tempo todo. Tem músicas mais tranquilas, lentas, tem umas com um toque de reggae ou de baladona mesmo.

Não tenho uma preocupação em tentar passar imagem alguma. Não me coloco numa obrigação de me comportar ou de fazer músicas desse ou daquele jeito pra caber dentro de nenhum perfil estabelecido. Nem mesmo dentro do rock and roll, que tanto gosto.

O que conhece da cultura rock da Argentina, notoriamente mais presente do que no Brasil?

Pra mim não é notoriamente mais presente, porque não conheço quase nada de rock argentino. Pra não dizer que não conheço nada, já ouvi Los Redonditos de Ricota. Na minha vida o rock brasileiro sempre foi muito presente e muito importante. Adoraria dar outra resposta, falar que conheço muito bem o rock argentino, mas a resposta sincera é essa. Ou poderia falar de Diego Maradona, que é o argentino mais rock and roll que eu conheço e sou fã!

Já esteve no Uruguai, país da América Latina, com legislação sobre drogas mais avançada e tolerante?

Nunca estive, mas quero muito estar. Mujica (José Pepe Mujica, presidente uruguaio) é meu ídolo!