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King Diamond comemora 30 anos de disco clássico em São Paulo

Abigail ganha performance ao vivo com o verdadeiro rock horror show do artista

por Edianez Parente em 19/06/2017

Três décadas depois de lançar Abigail – aquela que nasceu morta no dia 7 do 7 de 1777 –, um dos álbuns mais significativos de toda sua carreira, o performático vocalista de heavy metal King Diamond revisita a história de terror. Ele traz para o público brasileiro o show completo desta celebração que agitou os palcos de grandes festivais europeus e no qual também interpreta faixas de outros álbuns antológicos de sua carreira, como Conspiracy e Them. O cantor se apresenta com sua banda como headliner do Liberation Fest, marcado para o dia 25 de junho no Espaço das Américas, em São Paulo.

Pouco antes de se apresentar na Cidade do México – único país que ele visitou antes do Brasil nesta parte latino-americana de sua turnê –, o vocalista ícone da vertente metal teatral de terror conversou com a reportagem diretamente de sua atual residência, em Dallas/Texas.

É lá também que está sendo preparada a edição em DVD dos shows desta turnê, que desde 2015 inebria os fãs do vocalista com seu indefectível falsete por todos os países onde passa. King Diamond contou que tão logo passe essa etapa de concertos, ele entrará em estúdio para um novo álbum, que como todos os demais contará uma única história. No entanto, ele ainda faz mistério sobre qual será o nome, que já está escolhido.

king-02Foto: Pati Patah

King Diamond (ou Kim Bendix Petersen), natural da Dinamarca, se diz de fôlego renovado. Há sete anos, ele sofreu um infarto e, desde então, mudou os hábitos, parou de fumar e se dedicou à busca de uma vida mais saudável. Deu resultado: ele conta que isso se refletiu na melhora da voz e no seu desempenho de palco. Hoje com 60 anos – ele terá 61 quando se apresentar na cidade –, King Diamond se diz em melhor forma do que quando esteve naquela vinda ao Brasil 21 anos atrás. Na ocasião, ele se apresentou no Monsters of Rock, em São Paulo, e ainda fez um show fora do festival com o Mercyful Fate, da qual era também vocalista. A título de curiosidade: o local deste show menor foi o espaço de um antigo cinema de rua da Av. Jabaquara e que hoje abriga uma igreja evangélica.

A seguir, um resumo da conversa, na qual ele falou dos shows, de si mesmo, de histórias de terror, religião, Deus, bruxas e, claro, de satanismo:

São 30 anos desde o lançamento de Abigail. O que mudou de lá pra cá no jeito que você se apresenta e canta o álbum e o que mudou no seu público?
Bem, esta é a melhor época para ambos: pra quem toca e pra quem ouve a banda, qualquer uma das músicas. São as mesmas pessoas na banda esse tempo todo. Pra mim mesmo soa até estranho. Desde que eu tive meu problema no coração, eu estou numa forma muito melhor agora do que eu talvez estivesse à época. Meu vocal se tornou mais claro do que nunca, ficou mais fácil pra mim agora cantar as faixas de Abigail do que era antes. E é uma experiência incrível. Eu as canto muito melhor. Estou mais relaxado no palco, eu curto o que está acontecendo e a banda também. Mantivemos a equipe antiga e também somamos um time maior e mais profissional. Sabe, todas aquelas coisas técnicas; não temos mais problemas no palco com o som, luzes etc. Então, podemos aproveitar mais e trabalhar melhor nossa performance. Sem nos preocupar com detalhes. Apenas fazemos aquilo de um jeito natural e é ótimo.

Como é o show que virá ao Brasil?
Neste show levamos o show universal, é a produção completa que levamos durante o último verão na turnê, nos grandes festivais como Hells Fest, Graspop, Sweden... Está tudo lá, uma produção da história completa, num palco de dois andares. Eu posso pessoalmente garantir que quem assistir jamais esquecerá. É tão especial, tão único!

Fale de sua recuperação após o infarto. Como se sente agora, quais os seus novos hábitos?
Da última vez que me apresentei no Brasil – e faz tanto tempo – não se podia falar comigo após eu sair do palco, eu precisava tomar fôlego.  Isso não acontece mais agora, apesar dessa produção em dois níveis do palco; eu subo e desço e isso não ocorre mais. É uma mudança agradável.  Eu transpiro bastante porque tem o figurino pesado, mas não é mais daquela forma. Uma coisa que mudou muito é o jeito de eu tratar o próprio corpo [Diamond parou de fumar]. É uma mudança grande.

O show é o mesmo?
Será exatamente o mesmo. Está tudo a caminho. Está vindo tudo de navio, pois de avião sairia muito mais caro. Estamos trabalhando em um DVD para Blue Ray, com dois shows, que vai ser lançado este ano. Também estou trabalhando em estúdio próprio aqui em Dallas para preparar o novo álbum, e isto é ótimo porque posso trabalhar nisso em tempo integral dia e noite. É muito inspirador, podemos fazer tudo. Não precisamos ficar correndo até os estúdios quando temos as ideias. Posso ficar à vontade dois dias trabalhando até acertar o tom da voz se eu quiser. Eu não tinha isso antes, ninguém vai chegar e me dizer: “ei, o relógio está correndo, não teremos tempo para fazer isso”. Sabe, agora podemos fazer o que quisermos, será muito interessante como as novas coisas serão colocadas num novo álbum de King Diamond.

king-01Foto: Pati Patah

Fale mais sobre a volta de Abigail.
Abigail está voltando. Agora que tocamos em tantos shows, para tantos públicos, eu me sinto muito bem e os caras da banda também. Estamos revivendo tudo que sentimos quando fizemos Abigail e esse sentimento agora está sendo muito bom para colocar no novo álbum. Ainda temos contato e conversamos com o antigo produtor que esteve envolvido em Abigail e vamos usar muitas coisas de voz que usamos à época. Andy [La Rocque, guitarrista e arranjador e parceiro de Diamond nas composições] conseguiu com ele muitas anotações de estúdio da época e vamos agora incorporar muitas coisas. Vamos usar muitos desses conhecimentos no novo álbum. Quando entrarmos no estúdio, estaremos apenas fazendo isso – então não faremos mais shows. Não vamos mais sair em turnê, apenas alguns shows. Em agosto, iremos para Las Vegas e talvez haja um ou outro.  A verdade é que o sentimento de Abigail percorre todo o setlist do show. Da próxima vez que houver um novo show, já será sobre o novo álbum. É um desafio, não posso contar muito, porque não posso dar detalhes.

Você é um dos grandes "storytellers" do heay metal - se não o maior deles. Onde se inspirou para suas histórias?
Muito das histórias de todos os trabalhos é baseado em fatos reais. Quando fiz House of God [álbum de 2000], eu tinha um lobo chamado Angel, que tinha sido um presente mas não fazia sentido eu mantê-lo em casa, pois crescia muito rapidamente e teve de ser enviado de volta para o parque de onde veio [o álbum tem a faixa "Follow the Wolf", Siga o Lobo]. Tudo deu certo, ele voltou pro lugar, mas no dia que ele foi embora fiquei muito triste e eu fiz a canção "Goodbye".  Muitas coisas eu troco as circunstâncias de acontecimentos reais para se encaixar na história. Li também muito sobre histórias de bruxas, Inquisição, fogueiras...

E sobre suas crenças?
Eu não acredito em Deus; nunca acreditei. Mas nunca disse que há ou não há, eu não sei isso. Este é o grande problema das religiões: ninguém sabe nada com certeza. As pessoas deviam saber para elas mesmas, para o que acreditam e aceitar o que o outro pensa.  Você não pode provar, as pessoas não podem ter uma prova real. Se pudesse ser provado, todos acreditariam na mesma coisa. Mas há tantas religiões diferentes. Porém, uma coisa que se perdeu foi o respeito pelo outro. Deveria ser OK que as pessoas acreditassem em coisas diferentes, mas por que eles têm de matar as outras pessoas que não acreditam na mesma coisa que você? Eu acredito que há tanta maldade nas religiões devido a isso. Eu poderia dizer que há uma flor amarela no meu jardim que fala comigo: “Eu sou Deus e você tem de matar quem não acreditar em mim”. É uma loucura. As pessoas acreditam que por terem fé em algo que está num livro elas têm o direito de sair por aí matando outras pessoas. Eu respeito as pessoas que acreditam em seus deuses, em suas religiões. Nunca disse que havia um Deus, nunca disse que não haviam deuses. Eu não sei quem está certo. Eu nunca tive a prova. Então, não existe, na minha opinião. Está tudo bem desde que cada um respeite os que pensam diferente. Quem não me respeita, não tenho a ver com isso, nem quero me envolver nem perder meu tempo. Nunca tive prova de nada. Ainda assim, sou muito espiritualizado, e isso faz todo sentido pra mim. Eu acredito que vou encontrar os meus pais novamente lá do lado de lá. Não sei se em forma de luz, mas acredito que vou encontrá-los de alguma forma. Não importa, algum dia vou reconhecer a presença deles.

king-03Foto: Pati Patah

Você não acredita em Deus. Mas acredita em bruxas?
Bem, sobre isso há testemunhas, há o registro da História.  Tive a experiência com o satanismo de La Vey [Anton La Vey, autor da "Bílbia Satânica"], nos anos 80. Eu encontrei a filha dele recentemente. Quando me apresentei em San Francisco, em 2015, ela veio ao show e fomos conversar, foi um grande encontro! O satanismo pra mim é uma filosofia, não é uma crença.

Vocalista é Fã de futebol

King Diamond não é apenas metal, satanismo e histórias de terror. Ele é fã de futebol e se diz seguidor dos principais campeonatos, como aPremiére League inglesa, os da Alemanha, França, Itália e Espanha. Ao ser indagado sobre para qual time torce, para não contrariar ninguém, ele prefere não falar, mas ressalta que gosta mesmo de assistir a boas partidas.  Aprecia ver Messi jogar, mesmo quando é contra times que ele torce, pois o acha "brilhante". "É bom vê-lo arrasar os adversários", afirma.

Serviço:
Liberation Festival 2017 com King Diamond
, Lamb of God, Carcass, Heaven Shall Burn e Test
Espaço das Américas – São Paulo
25/6 – 16h
Ingresso: de R$ 150 a R$ 500 nas bilheterias ou pelo site.

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por Edianez Parente em 19/06/2017

Três décadas depois de lançar Abigail – aquela que nasceu morta no dia 7 do 7 de 1777 –, um dos álbuns mais significativos de toda sua carreira, o performático vocalista de heavy metal King Diamond revisita a história de terror. Ele traz para o público brasileiro o show completo desta celebração que agitou os palcos de grandes festivais europeus e no qual também interpreta faixas de outros álbuns antológicos de sua carreira, como Conspiracy e Them. O cantor se apresenta com sua banda como headliner do Liberation Fest, marcado para o dia 25 de junho no Espaço das Américas, em São Paulo.

Pouco antes de se apresentar na Cidade do México – único país que ele visitou antes do Brasil nesta parte latino-americana de sua turnê –, o vocalista ícone da vertente metal teatral de terror conversou com a reportagem diretamente de sua atual residência, em Dallas/Texas.

É lá também que está sendo preparada a edição em DVD dos shows desta turnê, que desde 2015 inebria os fãs do vocalista com seu indefectível falsete por todos os países onde passa. King Diamond contou que tão logo passe essa etapa de concertos, ele entrará em estúdio para um novo álbum, que como todos os demais contará uma única história. No entanto, ele ainda faz mistério sobre qual será o nome, que já está escolhido.

king-02Foto: Pati Patah

King Diamond (ou Kim Bendix Petersen), natural da Dinamarca, se diz de fôlego renovado. Há sete anos, ele sofreu um infarto e, desde então, mudou os hábitos, parou de fumar e se dedicou à busca de uma vida mais saudável. Deu resultado: ele conta que isso se refletiu na melhora da voz e no seu desempenho de palco. Hoje com 60 anos – ele terá 61 quando se apresentar na cidade –, King Diamond se diz em melhor forma do que quando esteve naquela vinda ao Brasil 21 anos atrás. Na ocasião, ele se apresentou no Monsters of Rock, em São Paulo, e ainda fez um show fora do festival com o Mercyful Fate, da qual era também vocalista. A título de curiosidade: o local deste show menor foi o espaço de um antigo cinema de rua da Av. Jabaquara e que hoje abriga uma igreja evangélica.

A seguir, um resumo da conversa, na qual ele falou dos shows, de si mesmo, de histórias de terror, religião, Deus, bruxas e, claro, de satanismo:

São 30 anos desde o lançamento de Abigail. O que mudou de lá pra cá no jeito que você se apresenta e canta o álbum e o que mudou no seu público?
Bem, esta é a melhor época para ambos: pra quem toca e pra quem ouve a banda, qualquer uma das músicas. São as mesmas pessoas na banda esse tempo todo. Pra mim mesmo soa até estranho. Desde que eu tive meu problema no coração, eu estou numa forma muito melhor agora do que eu talvez estivesse à época. Meu vocal se tornou mais claro do que nunca, ficou mais fácil pra mim agora cantar as faixas de Abigail do que era antes. E é uma experiência incrível. Eu as canto muito melhor. Estou mais relaxado no palco, eu curto o que está acontecendo e a banda também. Mantivemos a equipe antiga e também somamos um time maior e mais profissional. Sabe, todas aquelas coisas técnicas; não temos mais problemas no palco com o som, luzes etc. Então, podemos aproveitar mais e trabalhar melhor nossa performance. Sem nos preocupar com detalhes. Apenas fazemos aquilo de um jeito natural e é ótimo.

Como é o show que virá ao Brasil?
Neste show levamos o show universal, é a produção completa que levamos durante o último verão na turnê, nos grandes festivais como Hells Fest, Graspop, Sweden... Está tudo lá, uma produção da história completa, num palco de dois andares. Eu posso pessoalmente garantir que quem assistir jamais esquecerá. É tão especial, tão único!

Fale de sua recuperação após o infarto. Como se sente agora, quais os seus novos hábitos?
Da última vez que me apresentei no Brasil – e faz tanto tempo – não se podia falar comigo após eu sair do palco, eu precisava tomar fôlego.  Isso não acontece mais agora, apesar dessa produção em dois níveis do palco; eu subo e desço e isso não ocorre mais. É uma mudança agradável.  Eu transpiro bastante porque tem o figurino pesado, mas não é mais daquela forma. Uma coisa que mudou muito é o jeito de eu tratar o próprio corpo [Diamond parou de fumar]. É uma mudança grande.

O show é o mesmo?
Será exatamente o mesmo. Está tudo a caminho. Está vindo tudo de navio, pois de avião sairia muito mais caro. Estamos trabalhando em um DVD para Blue Ray, com dois shows, que vai ser lançado este ano. Também estou trabalhando em estúdio próprio aqui em Dallas para preparar o novo álbum, e isto é ótimo porque posso trabalhar nisso em tempo integral dia e noite. É muito inspirador, podemos fazer tudo. Não precisamos ficar correndo até os estúdios quando temos as ideias. Posso ficar à vontade dois dias trabalhando até acertar o tom da voz se eu quiser. Eu não tinha isso antes, ninguém vai chegar e me dizer: “ei, o relógio está correndo, não teremos tempo para fazer isso”. Sabe, agora podemos fazer o que quisermos, será muito interessante como as novas coisas serão colocadas num novo álbum de King Diamond.

king-01Foto: Pati Patah

Fale mais sobre a volta de Abigail.
Abigail está voltando. Agora que tocamos em tantos shows, para tantos públicos, eu me sinto muito bem e os caras da banda também. Estamos revivendo tudo que sentimos quando fizemos Abigail e esse sentimento agora está sendo muito bom para colocar no novo álbum. Ainda temos contato e conversamos com o antigo produtor que esteve envolvido em Abigail e vamos usar muitas coisas de voz que usamos à época. Andy [La Rocque, guitarrista e arranjador e parceiro de Diamond nas composições] conseguiu com ele muitas anotações de estúdio da época e vamos agora incorporar muitas coisas. Vamos usar muitos desses conhecimentos no novo álbum. Quando entrarmos no estúdio, estaremos apenas fazendo isso – então não faremos mais shows. Não vamos mais sair em turnê, apenas alguns shows. Em agosto, iremos para Las Vegas e talvez haja um ou outro.  A verdade é que o sentimento de Abigail percorre todo o setlist do show. Da próxima vez que houver um novo show, já será sobre o novo álbum. É um desafio, não posso contar muito, porque não posso dar detalhes.

Você é um dos grandes "storytellers" do heay metal - se não o maior deles. Onde se inspirou para suas histórias?
Muito das histórias de todos os trabalhos é baseado em fatos reais. Quando fiz House of God [álbum de 2000], eu tinha um lobo chamado Angel, que tinha sido um presente mas não fazia sentido eu mantê-lo em casa, pois crescia muito rapidamente e teve de ser enviado de volta para o parque de onde veio [o álbum tem a faixa "Follow the Wolf", Siga o Lobo]. Tudo deu certo, ele voltou pro lugar, mas no dia que ele foi embora fiquei muito triste e eu fiz a canção "Goodbye".  Muitas coisas eu troco as circunstâncias de acontecimentos reais para se encaixar na história. Li também muito sobre histórias de bruxas, Inquisição, fogueiras...

E sobre suas crenças?
Eu não acredito em Deus; nunca acreditei. Mas nunca disse que há ou não há, eu não sei isso. Este é o grande problema das religiões: ninguém sabe nada com certeza. As pessoas deviam saber para elas mesmas, para o que acreditam e aceitar o que o outro pensa.  Você não pode provar, as pessoas não podem ter uma prova real. Se pudesse ser provado, todos acreditariam na mesma coisa. Mas há tantas religiões diferentes. Porém, uma coisa que se perdeu foi o respeito pelo outro. Deveria ser OK que as pessoas acreditassem em coisas diferentes, mas por que eles têm de matar as outras pessoas que não acreditam na mesma coisa que você? Eu acredito que há tanta maldade nas religiões devido a isso. Eu poderia dizer que há uma flor amarela no meu jardim que fala comigo: “Eu sou Deus e você tem de matar quem não acreditar em mim”. É uma loucura. As pessoas acreditam que por terem fé em algo que está num livro elas têm o direito de sair por aí matando outras pessoas. Eu respeito as pessoas que acreditam em seus deuses, em suas religiões. Nunca disse que havia um Deus, nunca disse que não haviam deuses. Eu não sei quem está certo. Eu nunca tive a prova. Então, não existe, na minha opinião. Está tudo bem desde que cada um respeite os que pensam diferente. Quem não me respeita, não tenho a ver com isso, nem quero me envolver nem perder meu tempo. Nunca tive prova de nada. Ainda assim, sou muito espiritualizado, e isso faz todo sentido pra mim. Eu acredito que vou encontrar os meus pais novamente lá do lado de lá. Não sei se em forma de luz, mas acredito que vou encontrá-los de alguma forma. Não importa, algum dia vou reconhecer a presença deles.

king-03Foto: Pati Patah

Você não acredita em Deus. Mas acredita em bruxas?
Bem, sobre isso há testemunhas, há o registro da História.  Tive a experiência com o satanismo de La Vey [Anton La Vey, autor da "Bílbia Satânica"], nos anos 80. Eu encontrei a filha dele recentemente. Quando me apresentei em San Francisco, em 2015, ela veio ao show e fomos conversar, foi um grande encontro! O satanismo pra mim é uma filosofia, não é uma crença.

Vocalista é Fã de futebol

King Diamond não é apenas metal, satanismo e histórias de terror. Ele é fã de futebol e se diz seguidor dos principais campeonatos, como aPremiére League inglesa, os da Alemanha, França, Itália e Espanha. Ao ser indagado sobre para qual time torce, para não contrariar ninguém, ele prefere não falar, mas ressalta que gosta mesmo de assistir a boas partidas.  Aprecia ver Messi jogar, mesmo quando é contra times que ele torce, pois o acha "brilhante". "É bom vê-lo arrasar os adversários", afirma.

Serviço:
Liberation Festival 2017 com King Diamond
, Lamb of God, Carcass, Heaven Shall Burn e Test
Espaço das Américas – São Paulo
25/6 – 16h
Ingresso: de R$ 150 a R$ 500 nas bilheterias ou pelo site.