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KondZilla: “Eu não faço clipe, eu faço cinema pra música de favela”

A Billboard Brasil conversou com um dos principais diretores de vídeos do funk em evento do YouTube

por Marcos Lauro em 06/10/2016

Há cerca de cinco anos, Konrad Cunha Dantas, nascido no Guarujá, litoral sul de São Paulo, percebeu que havia um espaço no mercado de clipes. O funk paulista, ostentação, já havia dominado as pistas, mas os artistas não utilizavam o recurso – pelo menos não de forma profissional. Ele, então, entrou no ramo e pouco tempo depois tornou-se uma grife: KondZilla.

Com o sucesso e o aumento da demanda, KondZilla teve que abrir uma produtora e treinar uma equipe de diretores que, junto com ele, dão conta de atender MC Rodolfinho, Nego do Borel, Melody, MC KS, Pikeno, MC Lon e dezenas de outros funkeiros que somam os mais de 200 vídeos do canal. “São oito clipes por semana”, conta. O canal ultrapassou os seis milhões de inscritos e dois bilhões de visualizações.

O clipe mais recente, até a publicação dessa entrevista, é de MC Rodolfinho. Em pouco mais de 15 horas após a publicação, o vídeo, gravado em Los Angeles, já soma quase 500 mil visualizações.

Como é estar num evento oficial do YouTube?
Se levarmos em conta o trabalho que a gente realizou ao longo dos últimos cinco anos, eu fico feliz em ser chamado. No ano passado a gente já era gigante e não fomos convidados. Segundo o SocialBlade [site que analisa a relevância e a audiência de conteúdos online], somos o maior do Brasil. E, segundo eles também, somos o 20º maior canal de música do mundo. São números significativos.

E o que mudou com todos esses números?
Mudou o fato de eu ter que virar empresário, né? Nunca quis, mas tive que aprender na marra. Hoje nós temos outros realizadores dentro da companhia e o nosso conteúdo é dirigido por vários outros artistas do audiovisual. O nosso nome ficou muito forte – às vezes vinha antes do nome do artista. Então vi que tinha que ampliar isso, já que eu não  estava dando conta do mercado e ia abrir espaço pra concorrência. Aí comecei a treinar pessoas pra assumir o trabalho. Hoje são várias equipes operando simultaneamente.

Isso diminuiu a fila? Quanto tempo um artista demora pra fazer um clipe com você?
Depende, cara. Se o artista quiser fazer com o KondZilla, só em janeiro. Se ele quiser fazer com a equipe do KondZilla, acho que pro final de novembro.

Ah, até que está bom o prazo...
Ah, tá bom [risos]. Pra quem faz oito clipes por semana, tá bom.

Você procura MCs pra parcerias ou são eles que te procuram?
Sempre foram os MCs que me procuraram, eu nunca saí pra vender trabalho nenhum. Não tenho equipe de prospecção, o atendimento é receptivo. A gente procura manter isso e a preocupação foi sempre essa, de trabalhar muito até ficar bom. E quando fica bom, as pessoas vêm atrás de mim.

Você ainda tem alguma meta?
Tenho. Tenho [pensativo]. Mostrar que a cultura de periferia, de favela e a nossa parcela da indústria fonográfica, que sofre muito preconceito mas é independente e undergroud, consegue sustentar muitas famílias e ter a audiência que muito gênero com grana não consegue. Eu não faço clipes, eu faço cinema pra música da favela.

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Eu Vou Te Buscar (Cha La La La La) (part. Hungria Hip Hop)
Gusttavo LIma
3
Saudade
Eduardo Costa
4
Amor Da Sua Cama
Felipe Araújo
5
De Quem É A Culpa?
Marília Mendonça
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A Billboard Brasil conversou com um dos principais diretores de vídeos do funk em evento do YouTube

por Marcos Lauro em 06/10/2016

Há cerca de cinco anos, Konrad Cunha Dantas, nascido no Guarujá, litoral sul de São Paulo, percebeu que havia um espaço no mercado de clipes. O funk paulista, ostentação, já havia dominado as pistas, mas os artistas não utilizavam o recurso – pelo menos não de forma profissional. Ele, então, entrou no ramo e pouco tempo depois tornou-se uma grife: KondZilla.

Com o sucesso e o aumento da demanda, KondZilla teve que abrir uma produtora e treinar uma equipe de diretores que, junto com ele, dão conta de atender MC Rodolfinho, Nego do Borel, Melody, MC KS, Pikeno, MC Lon e dezenas de outros funkeiros que somam os mais de 200 vídeos do canal. “São oito clipes por semana”, conta. O canal ultrapassou os seis milhões de inscritos e dois bilhões de visualizações.

O clipe mais recente, até a publicação dessa entrevista, é de MC Rodolfinho. Em pouco mais de 15 horas após a publicação, o vídeo, gravado em Los Angeles, já soma quase 500 mil visualizações.

Como é estar num evento oficial do YouTube?
Se levarmos em conta o trabalho que a gente realizou ao longo dos últimos cinco anos, eu fico feliz em ser chamado. No ano passado a gente já era gigante e não fomos convidados. Segundo o SocialBlade [site que analisa a relevância e a audiência de conteúdos online], somos o maior do Brasil. E, segundo eles também, somos o 20º maior canal de música do mundo. São números significativos.

E o que mudou com todos esses números?
Mudou o fato de eu ter que virar empresário, né? Nunca quis, mas tive que aprender na marra. Hoje nós temos outros realizadores dentro da companhia e o nosso conteúdo é dirigido por vários outros artistas do audiovisual. O nosso nome ficou muito forte – às vezes vinha antes do nome do artista. Então vi que tinha que ampliar isso, já que eu não  estava dando conta do mercado e ia abrir espaço pra concorrência. Aí comecei a treinar pessoas pra assumir o trabalho. Hoje são várias equipes operando simultaneamente.

Isso diminuiu a fila? Quanto tempo um artista demora pra fazer um clipe com você?
Depende, cara. Se o artista quiser fazer com o KondZilla, só em janeiro. Se ele quiser fazer com a equipe do KondZilla, acho que pro final de novembro.

Ah, até que está bom o prazo...
Ah, tá bom [risos]. Pra quem faz oito clipes por semana, tá bom.

Você procura MCs pra parcerias ou são eles que te procuram?
Sempre foram os MCs que me procuraram, eu nunca saí pra vender trabalho nenhum. Não tenho equipe de prospecção, o atendimento é receptivo. A gente procura manter isso e a preocupação foi sempre essa, de trabalhar muito até ficar bom. E quando fica bom, as pessoas vêm atrás de mim.

Você ainda tem alguma meta?
Tenho. Tenho [pensativo]. Mostrar que a cultura de periferia, de favela e a nossa parcela da indústria fonográfica, que sofre muito preconceito mas é independente e undergroud, consegue sustentar muitas famílias e ter a audiência que muito gênero com grana não consegue. Eu não faço clipes, eu faço cinema pra música da favela.