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Lázaro Ramos nos ajuda a entender Mister Brau

Ator está na TV interpretando cantor milionário

por Marcos Lauro em 22/09/2015

A partir desta terça-feira (22/09), vamos conhecer um dos maiores artistas brasileiros de todos os tempos. Com faturamento mensal de R$ 14 milhões, Mister Brau mistura elementos brasileiros e africanos para criar um som único no pop nacional. Mister Brau é o máximo! Mas é ficção.

A série que leva o seu nome vai criar o universo do artista, vivido por Lázaro Ramos. Brau é casado com Michele, sua dançarina e empresária, vivida por Taís Araujo – esposa de Lázaro Ramos também na vida real. A série Mister Brau estreia hoje, 22h47. A Billboard Brasil conversou com Lázaro sobre Mister Brau e o envolvimento do ator com a música.

Como você define Mister Brau?
Ele é de Madureira e já está com a carreira estabelecida, mora na Barra da Tijuca. E apesar de Madureira ser o berço do samba, ele resolveu fazer um mash up. Ele está atento a tudo e quer usufruir de tudo pra criar. Tem uma origem popular, mas faz uma música que mistura ritmos africanos e dialoga com o mundo.

Tem paralelo com alguma história real da música ou é puramente ficcional?
A gente resolveu ir pra ficção. Porque na criação a gente se perguntou: “Qual artista brasileiro já tem dinheiro na quantidade que ele tem? Em tese, ele ganha R$ 14 milhões por mês. Quando você vai olhar isso, o artista geralmente faz parte de algum nicho, né... sertanejo, axé etc. O nosso personagem é uma criação, então conseguimos misturar de tudo. No visual tem inspiração no Fela Kuti, roupas com tecidos africanos, moda europeia. Essa liberdade serve pra inventar esse cara mesmo. Talvez daqui um tempo a gente tenha um brasileiro nesse nível.

Lázaro Ramos

Você tem uma ligação muito forte com música. Desde o começo?
Minha origem é no Bando de Teatro Olodum, que era a parte de teatro do Olodum. Então desde 1994 a música está presente nos nossos espetáculos. No começo eram só músicas do Olodum, mas depois a pesquisa foi indo pra outras coisas. Eu gosto muito de descobrir e ouvir novos artistas. Mas é uma coisa mais pessoal.

E o que você tem ouvido?
Voltei a ouvir Nina Simone por causa do documentário. Nessa semana eu tava procurando o disco do Di Melo, que eu não tinha. Ganhei o CD do Dream Team do Passinho que eu achei demais. Pra festa não tem nada melhor [risos]! O mais recente do Criolo eu achei sensacional também. Mas na semana que vem eu já vou ouvir outras coisas.

E você já pensou em ir pra música profissionalmente em algum momento?
Não, nunca pensei. Mesmo porque eu só fico tranquilo em trabalhar com música me colocando na posição de ator. Quando eu vou pro estúdio gravar, eu tô gravando uma história. Sem pretensão de CD, DVD, carreira, turnê etc. E isso possibilita a minha cara de pau de fazer personagens que trabalham com música. Porque se eu for pensar na responsabilidade de tudo isso, eu vou ficar muito nervoso e nem vou conseguir gravar.

Foi no [filme] Ó Paí Ó em que você cantou Olodum, né?
Sim, gravamos 15 músicas também, foi divertidíssimo.

Você já contracenou com a Taís Araújo antes. Qual é o diferencial dessa vez?
É um tipo de comédia que a gente ainda não tinha feito e é a primeira vez em que a gente faz um casal. Teve uma novela em que eu era apaixonado por ela, mas ela não gostava de mim. Numa outra peça de teatro a gente disputava a mesma vaga de emprego. E agora é um casal. E é divertido brincar, porque os códigos são completamente diferentes dos nossos em casa.

São 13 episódios nessa primeira temporada. Já existe alguma ideia em prolongar isso ou é muito cedo?
Ah, eu prefiro entrar no trabalho pensando em dar o meu melhor, entregar tudo e formar essa relação com o público pra depois dar continuidade. Hoje em dia é tão difícil conquistar o público que é melhor entrar pianinho, de mansinho, sem muita pretensão e tentar contar a história da melhor forma possível. Nosso diretor [Mauricio Farias] definiu novos passos pras séries no Brasil e até a gente tá descobrindo ainda como fazer. Normalmente se faz um capítulo em quatro dias. Nós fazemos em seis, sendo que somente um em estúdio. Ou seja, a gente passa a maior parte do tempo em externa, o que já dá uma estética diferente. Além disso, temos menos câmeras do que o usual, um elenco mais reduzido e um formato de comédia com mais ritmo. Então, estamos descobrindo esse formato que o Mauricio está impondo. Quando ele começou lá atrás com A Grande Família, ele trouxe uma inovação para os seriados. Só que aí a novela também trouxe. Se você viu Avenida Brasil, aquilo tinha uma estética e um modelo de produção que já era além do que as novelas faziam. E agora ele quer dar outro passo pensando em algo que a novela não ofereça ainda.

Lázaro Ramos

Essa vontade de fazer algo novo e diferente é essencial, né?
Sim! Agora que já passou A Grande Família, a gente não lembra bem. Mas ele foi o primeiro cara a fazer um seriado com cidade cenográfica e cenários com quatro paredes. Isso há 15 anos! Ele tá sempre atento...

E como você tem visto a “concorrência” do Netflix e dos canais a cabo?
Ah, sempre é bom porque é mais emprego e mais opções pro público. E pra gente, que está em TV aberta, é mais um desafio pra se renovar, descobrir caminhos. Sempre é importante.

Você falou sobre o Criolo há pouco e tem aquela entrevista sua com ele que até virou meme. Lázaro, nos ajude a entender.
[risos] Cara, o meme rolou um ano e um mês depois da entrevista, eu nem me lembrava mais [risos]. Mas ao contrário do que muita gente fala e dá risada, eu saquei qual era a ideia dele. Só que ele não é um antropólogo, um sociólogo, ele fala como artista que ele é. Ele faz quase uma composição musical ali. Ele aproveitou isso, transformou em música. Eu saquei. E o meu programa acabou sendo beneficiado [risos]. O Espelho existe há dez anos e nunca tinha sido tão falado, as pessoas foram ver outras entrevistas. Tem uma com o Tom Zé, de 2005, que é bem parecida nesse sentido. Dava um bom meme. Eu ia gravar com ele e não consegui formar plateia. Então tive a ideia de pegar a van do programa e pegar as pessoas na rua. “Ah, cê quer entrevistar o Tom Zé?”. Foi uma senhora que tava saindo da igreja, um casal de lésbicas, um vendedor de biscoito, uma estudante e uma professora. Botei todo mundo na van e levei pra uma casa pra entrevistar o Tom Zé comigo. E teve um momento em que o vendedor fez uma pergunta que talvez eu nunca fizesse por ser óbvia: “O que é Tropicalismo mesmo?”. É algo que um jornalista não faz geralmente, né? E a resposta do Tom Zé é uma das coisas mais lindas que eu já ouvi. Porque ele fala no lugar do poeta. Pra alguns não vai fazer o menor sentido. Mas, pra outros, vai tocar numa sensibilidade que eu acho que se assemelha a essa do Criolo.

E é uma baita experiência pra você, como ator, presenciar tudo isso.
Ah, é minha alegria. Como eu dirijo e apresento, o que eu faço é cortar as minhas perguntas e deixar o entrevistado falar o máximo de tempo possível.

E deve ter dado pena de editar o Tom Zé, né? Como editar um cara como ele?
[risos] Ah, eu consegui colocar em dois programas. Rendeu duas horas de gravação [risos].

E além do Espelho e da série, ainda dá tempo de mais alguma coisa pra 2015?
Por um acaso eu estou num outro projeto de música. É um filme chamado Tudo Que Aprendemos Juntos, no qual eu faço um professor de violino. A história é baseada na Orquestra de Heliópolis, em São Paulo. Estreia em novembro e tem direção do Sergio Machado. E são dois estilos diferentes de música. Eu me sinto muito feliz por passar um ano envolvido com música.

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Ator está na TV interpretando cantor milionário

por Marcos Lauro em 22/09/2015

A partir desta terça-feira (22/09), vamos conhecer um dos maiores artistas brasileiros de todos os tempos. Com faturamento mensal de R$ 14 milhões, Mister Brau mistura elementos brasileiros e africanos para criar um som único no pop nacional. Mister Brau é o máximo! Mas é ficção.

A série que leva o seu nome vai criar o universo do artista, vivido por Lázaro Ramos. Brau é casado com Michele, sua dançarina e empresária, vivida por Taís Araujo – esposa de Lázaro Ramos também na vida real. A série Mister Brau estreia hoje, 22h47. A Billboard Brasil conversou com Lázaro sobre Mister Brau e o envolvimento do ator com a música.

Como você define Mister Brau?
Ele é de Madureira e já está com a carreira estabelecida, mora na Barra da Tijuca. E apesar de Madureira ser o berço do samba, ele resolveu fazer um mash up. Ele está atento a tudo e quer usufruir de tudo pra criar. Tem uma origem popular, mas faz uma música que mistura ritmos africanos e dialoga com o mundo.

Tem paralelo com alguma história real da música ou é puramente ficcional?
A gente resolveu ir pra ficção. Porque na criação a gente se perguntou: “Qual artista brasileiro já tem dinheiro na quantidade que ele tem? Em tese, ele ganha R$ 14 milhões por mês. Quando você vai olhar isso, o artista geralmente faz parte de algum nicho, né... sertanejo, axé etc. O nosso personagem é uma criação, então conseguimos misturar de tudo. No visual tem inspiração no Fela Kuti, roupas com tecidos africanos, moda europeia. Essa liberdade serve pra inventar esse cara mesmo. Talvez daqui um tempo a gente tenha um brasileiro nesse nível.

Lázaro Ramos

Você tem uma ligação muito forte com música. Desde o começo?
Minha origem é no Bando de Teatro Olodum, que era a parte de teatro do Olodum. Então desde 1994 a música está presente nos nossos espetáculos. No começo eram só músicas do Olodum, mas depois a pesquisa foi indo pra outras coisas. Eu gosto muito de descobrir e ouvir novos artistas. Mas é uma coisa mais pessoal.

E o que você tem ouvido?
Voltei a ouvir Nina Simone por causa do documentário. Nessa semana eu tava procurando o disco do Di Melo, que eu não tinha. Ganhei o CD do Dream Team do Passinho que eu achei demais. Pra festa não tem nada melhor [risos]! O mais recente do Criolo eu achei sensacional também. Mas na semana que vem eu já vou ouvir outras coisas.

E você já pensou em ir pra música profissionalmente em algum momento?
Não, nunca pensei. Mesmo porque eu só fico tranquilo em trabalhar com música me colocando na posição de ator. Quando eu vou pro estúdio gravar, eu tô gravando uma história. Sem pretensão de CD, DVD, carreira, turnê etc. E isso possibilita a minha cara de pau de fazer personagens que trabalham com música. Porque se eu for pensar na responsabilidade de tudo isso, eu vou ficar muito nervoso e nem vou conseguir gravar.

Foi no [filme] Ó Paí Ó em que você cantou Olodum, né?
Sim, gravamos 15 músicas também, foi divertidíssimo.

Você já contracenou com a Taís Araújo antes. Qual é o diferencial dessa vez?
É um tipo de comédia que a gente ainda não tinha feito e é a primeira vez em que a gente faz um casal. Teve uma novela em que eu era apaixonado por ela, mas ela não gostava de mim. Numa outra peça de teatro a gente disputava a mesma vaga de emprego. E agora é um casal. E é divertido brincar, porque os códigos são completamente diferentes dos nossos em casa.

São 13 episódios nessa primeira temporada. Já existe alguma ideia em prolongar isso ou é muito cedo?
Ah, eu prefiro entrar no trabalho pensando em dar o meu melhor, entregar tudo e formar essa relação com o público pra depois dar continuidade. Hoje em dia é tão difícil conquistar o público que é melhor entrar pianinho, de mansinho, sem muita pretensão e tentar contar a história da melhor forma possível. Nosso diretor [Mauricio Farias] definiu novos passos pras séries no Brasil e até a gente tá descobrindo ainda como fazer. Normalmente se faz um capítulo em quatro dias. Nós fazemos em seis, sendo que somente um em estúdio. Ou seja, a gente passa a maior parte do tempo em externa, o que já dá uma estética diferente. Além disso, temos menos câmeras do que o usual, um elenco mais reduzido e um formato de comédia com mais ritmo. Então, estamos descobrindo esse formato que o Mauricio está impondo. Quando ele começou lá atrás com A Grande Família, ele trouxe uma inovação para os seriados. Só que aí a novela também trouxe. Se você viu Avenida Brasil, aquilo tinha uma estética e um modelo de produção que já era além do que as novelas faziam. E agora ele quer dar outro passo pensando em algo que a novela não ofereça ainda.

Lázaro Ramos

Essa vontade de fazer algo novo e diferente é essencial, né?
Sim! Agora que já passou A Grande Família, a gente não lembra bem. Mas ele foi o primeiro cara a fazer um seriado com cidade cenográfica e cenários com quatro paredes. Isso há 15 anos! Ele tá sempre atento...

E como você tem visto a “concorrência” do Netflix e dos canais a cabo?
Ah, sempre é bom porque é mais emprego e mais opções pro público. E pra gente, que está em TV aberta, é mais um desafio pra se renovar, descobrir caminhos. Sempre é importante.

Você falou sobre o Criolo há pouco e tem aquela entrevista sua com ele que até virou meme. Lázaro, nos ajude a entender.
[risos] Cara, o meme rolou um ano e um mês depois da entrevista, eu nem me lembrava mais [risos]. Mas ao contrário do que muita gente fala e dá risada, eu saquei qual era a ideia dele. Só que ele não é um antropólogo, um sociólogo, ele fala como artista que ele é. Ele faz quase uma composição musical ali. Ele aproveitou isso, transformou em música. Eu saquei. E o meu programa acabou sendo beneficiado [risos]. O Espelho existe há dez anos e nunca tinha sido tão falado, as pessoas foram ver outras entrevistas. Tem uma com o Tom Zé, de 2005, que é bem parecida nesse sentido. Dava um bom meme. Eu ia gravar com ele e não consegui formar plateia. Então tive a ideia de pegar a van do programa e pegar as pessoas na rua. “Ah, cê quer entrevistar o Tom Zé?”. Foi uma senhora que tava saindo da igreja, um casal de lésbicas, um vendedor de biscoito, uma estudante e uma professora. Botei todo mundo na van e levei pra uma casa pra entrevistar o Tom Zé comigo. E teve um momento em que o vendedor fez uma pergunta que talvez eu nunca fizesse por ser óbvia: “O que é Tropicalismo mesmo?”. É algo que um jornalista não faz geralmente, né? E a resposta do Tom Zé é uma das coisas mais lindas que eu já ouvi. Porque ele fala no lugar do poeta. Pra alguns não vai fazer o menor sentido. Mas, pra outros, vai tocar numa sensibilidade que eu acho que se assemelha a essa do Criolo.

E é uma baita experiência pra você, como ator, presenciar tudo isso.
Ah, é minha alegria. Como eu dirijo e apresento, o que eu faço é cortar as minhas perguntas e deixar o entrevistado falar o máximo de tempo possível.

E deve ter dado pena de editar o Tom Zé, né? Como editar um cara como ele?
[risos] Ah, eu consegui colocar em dois programas. Rendeu duas horas de gravação [risos].

E além do Espelho e da série, ainda dá tempo de mais alguma coisa pra 2015?
Por um acaso eu estou num outro projeto de música. É um filme chamado Tudo Que Aprendemos Juntos, no qual eu faço um professor de violino. A história é baseada na Orquestra de Heliópolis, em São Paulo. Estreia em novembro e tem direção do Sergio Machado. E são dois estilos diferentes de música. Eu me sinto muito feliz por passar um ano envolvido com música.