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Lei Di Dai: “Acreditei no dancehall e olha onde ele me levou”

Cantora paulistana é reconhecida internacionalmente como a Rainha do Dancehall Brasileiro e está gravando disco com produtores jamaicanos na Europa

por Rebecca Silva em 31/10/2017

Daianne é daquelas que foge do lugar comum. Deixou a banda de jazz da qual fazia parte para seguir seu sonho e investir em um gênero conhecido no Brasil, mas não facilmente reconhecido: o dancehall jamaicano. Ignorou os pedidos da mãe de cantar samba e, há 12 anos, investe no ritmo que explodiu mundialmente no ano passado graças às músicas de Rihanna, Drake, Justin Bieber e Major Lazer. No dancehall, tornou-se Lei Di Dai.

Apesar de o ritmo ainda ser uma incógnita pelo Brasil que vibra com o pop funk e suga influências do cenário norte-americano, Lei Di Dai é aprovada e respeitada pelos jamaicanos – povo que respira e vive o gênero – e foi apelidada de Rainha do Dancehall Brasileiro.

Focada na carreira internacional, Lei Di Dai acaba de voltar de uma turnê pela Europa, onde passou por cinco cidades, incluindo Londres e Berlim, e já está de malas prontas para regressar ao Reino Unido para terminar a gravação de um disco.

leididai2

A Billboard Brasil bateu um papo com a cantora e MC paulistana sobre os anos de carreira e os desafios enfrentados:

Vamos começar do início. Como você teve contato com o dancehall e como surgiu essa vontade de investir na produção de músicas do gênero em português?

Foi nos anos 1990. Teve um auge do dancehall, tocava em todos os bailes, mas naquela época levaram para o rótulo da black music. No fim dessa década, eu já cantava, tinha uma banda de jazz. Era meu sonho. Comecei a investir no dancehall em português, mas com a mixagem jamaicana. Era na época do Myspace e vários jamaicanos me seguiam. Nesses 12 anos de carreira, conheci muitos jamaicanos que me reconhecem na cena mundial. Eles são a inspiração, ouço muito o trabalho deles para que o meu seja genuíno.

Você acabou de voltar de uma turnê que passou por cinco países da Europa. Como é essa diferença do cenário dancehall aqui no Brasil e lá fora?

Aqui no Brasil as pessoas não conhecem o nome, virou raggamuffin. Na Europa, existem muitas comunidades jamaicanas que, em suas festas, tocam dancehall. Em 2009, eu comecei a investir na minha carreira internacional. Hoje, minhas músicas já tocam em rádios da Europa, fui matéria em jornal e revista em Londres.

Você já trabalha com essa proposta de difusão do ritmo há mais de uma década. Quais mudanças viu ao longo do tempo?

Acreditei no dancehall e olha onde ele me levou. Minha família é do samba, da Penha e da Vila Matilde [bairros paulistanos com tradição no gênero]. Minha mãe me falou para investir no samba, que era mais popular no Brasil. Hoje, ela vê que fiz o certo. Tive altos e baixos no dancehall. Tenho selo próprio, sou 100% independente. Não paro. Estou sempre pesquisando, indo atrás de pessoas para fazer conexões.

São Paulo, agora, está cada vez mais na onda dos soundsystems, é algo que está se popularizando em todo o país. Lá fora não preciso explicar o que é dancehall. Sou reconhecida como Rainha do Dancehall Brasileiro, aceita, estou trabalhando com produtores locais.

Você sente que há mais inclusão hoje, depois da explosão de músicas que beberam da fonte do dancehall lançadas ao longo do ano passado?

Ano passado bombou muito. Acho legal porque populariza o ritmo, as pessoas começam a identificar. Nos anos 1990, também chuparam toda a onda, o flow, mas chamaram de black music. Agora, dizem ser tropical house [risos]. Fico muito feliz, mas acho importante popularizar com o nome certo.

Você está gravando um disco com diferentes produtores em vários estúdios da Europa. Como tem sido essa experiência?

Essas viagens [para a Europa] abriram a minha mente para os ritmos jamaicanos e eu fiz drum and bass, reggae, jungle tradicional, música eletrônica jamaicana. São conexões que fiz por meio desses gêneros. O disco é mais focado em música jamaicana no geral, não é tão dancehall quanto os outros.

A música jamaicana me fez viajar, conhecer esse mundo e viver disso. É importante acreditar na sua música, no seu trabalho, mostrar que não é só o mainstream que consegue se sustentar, não é só quem é famoso. Você precisa acreditar no seu talento para viver de música.

Nesta turnê pela Europa, você fez shows com o projeto Grrrl ao lado de artistas femininas de outros países subdesenvolvidos. Como foi essa troca e a vivência dessa experiência?

Este é o segundo ano em que participo do projeto, que é da Universidade de Manchester. Ele incentiva artistas de países de terceiro mundo a investirem na música. Dessa vez, fui convidada a fazer shows solo também e consegui divulgar bem o meu trabalho no Reino Unido. A melhor coisa dessa experiência foi abrir a mente e encontrar os artistas jamaicanos. Me apresentar no mesmo palco que artistas que eu admiro.

Participar do Grrrl abriu várias portas para mim. Do projeto, gravamos um disco que será lançado no ano que vem. E vamos sair em turnê novamente. Tivemos uma semana para produzir e criar as músicas, cada uma trazendo suas influências. O manager da turnê vai ser o mesmo da Beyoncé. Tem essa referência de valorizar a mulher. Temos profissionais maravilhosas que não têm oportunidade. No Grrrl, toda a equipe é formada por mulheres. As outras minas que participam são famosas nos seus países de origem e sempre rola uma parceria. A troca é especial e uma acaba influenciando a outra. É incrível a nossa conexão, a irmandade. Nesses dois anos, fui escolhida para ser a MC da banda, sou tida como líder porque sou a mais velha do grupo.

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Lei Di Dai: “Acreditei no dancehall e olha onde ele me levou”

Cantora paulistana é reconhecida internacionalmente como a Rainha do Dancehall Brasileiro e está gravando disco com produtores jamaicanos na Europa

por Rebecca Silva em 31/10/2017

Daianne é daquelas que foge do lugar comum. Deixou a banda de jazz da qual fazia parte para seguir seu sonho e investir em um gênero conhecido no Brasil, mas não facilmente reconhecido: o dancehall jamaicano. Ignorou os pedidos da mãe de cantar samba e, há 12 anos, investe no ritmo que explodiu mundialmente no ano passado graças às músicas de Rihanna, Drake, Justin Bieber e Major Lazer. No dancehall, tornou-se Lei Di Dai.

Apesar de o ritmo ainda ser uma incógnita pelo Brasil que vibra com o pop funk e suga influências do cenário norte-americano, Lei Di Dai é aprovada e respeitada pelos jamaicanos – povo que respira e vive o gênero – e foi apelidada de Rainha do Dancehall Brasileiro.

Focada na carreira internacional, Lei Di Dai acaba de voltar de uma turnê pela Europa, onde passou por cinco cidades, incluindo Londres e Berlim, e já está de malas prontas para regressar ao Reino Unido para terminar a gravação de um disco.

leididai2

A Billboard Brasil bateu um papo com a cantora e MC paulistana sobre os anos de carreira e os desafios enfrentados:

Vamos começar do início. Como você teve contato com o dancehall e como surgiu essa vontade de investir na produção de músicas do gênero em português?

Foi nos anos 1990. Teve um auge do dancehall, tocava em todos os bailes, mas naquela época levaram para o rótulo da black music. No fim dessa década, eu já cantava, tinha uma banda de jazz. Era meu sonho. Comecei a investir no dancehall em português, mas com a mixagem jamaicana. Era na época do Myspace e vários jamaicanos me seguiam. Nesses 12 anos de carreira, conheci muitos jamaicanos que me reconhecem na cena mundial. Eles são a inspiração, ouço muito o trabalho deles para que o meu seja genuíno.

Você acabou de voltar de uma turnê que passou por cinco países da Europa. Como é essa diferença do cenário dancehall aqui no Brasil e lá fora?

Aqui no Brasil as pessoas não conhecem o nome, virou raggamuffin. Na Europa, existem muitas comunidades jamaicanas que, em suas festas, tocam dancehall. Em 2009, eu comecei a investir na minha carreira internacional. Hoje, minhas músicas já tocam em rádios da Europa, fui matéria em jornal e revista em Londres.

Você já trabalha com essa proposta de difusão do ritmo há mais de uma década. Quais mudanças viu ao longo do tempo?

Acreditei no dancehall e olha onde ele me levou. Minha família é do samba, da Penha e da Vila Matilde [bairros paulistanos com tradição no gênero]. Minha mãe me falou para investir no samba, que era mais popular no Brasil. Hoje, ela vê que fiz o certo. Tive altos e baixos no dancehall. Tenho selo próprio, sou 100% independente. Não paro. Estou sempre pesquisando, indo atrás de pessoas para fazer conexões.

São Paulo, agora, está cada vez mais na onda dos soundsystems, é algo que está se popularizando em todo o país. Lá fora não preciso explicar o que é dancehall. Sou reconhecida como Rainha do Dancehall Brasileiro, aceita, estou trabalhando com produtores locais.

Você sente que há mais inclusão hoje, depois da explosão de músicas que beberam da fonte do dancehall lançadas ao longo do ano passado?

Ano passado bombou muito. Acho legal porque populariza o ritmo, as pessoas começam a identificar. Nos anos 1990, também chuparam toda a onda, o flow, mas chamaram de black music. Agora, dizem ser tropical house [risos]. Fico muito feliz, mas acho importante popularizar com o nome certo.

Você está gravando um disco com diferentes produtores em vários estúdios da Europa. Como tem sido essa experiência?

Essas viagens [para a Europa] abriram a minha mente para os ritmos jamaicanos e eu fiz drum and bass, reggae, jungle tradicional, música eletrônica jamaicana. São conexões que fiz por meio desses gêneros. O disco é mais focado em música jamaicana no geral, não é tão dancehall quanto os outros.

A música jamaicana me fez viajar, conhecer esse mundo e viver disso. É importante acreditar na sua música, no seu trabalho, mostrar que não é só o mainstream que consegue se sustentar, não é só quem é famoso. Você precisa acreditar no seu talento para viver de música.

Nesta turnê pela Europa, você fez shows com o projeto Grrrl ao lado de artistas femininas de outros países subdesenvolvidos. Como foi essa troca e a vivência dessa experiência?

Este é o segundo ano em que participo do projeto, que é da Universidade de Manchester. Ele incentiva artistas de países de terceiro mundo a investirem na música. Dessa vez, fui convidada a fazer shows solo também e consegui divulgar bem o meu trabalho no Reino Unido. A melhor coisa dessa experiência foi abrir a mente e encontrar os artistas jamaicanos. Me apresentar no mesmo palco que artistas que eu admiro.

Participar do Grrrl abriu várias portas para mim. Do projeto, gravamos um disco que será lançado no ano que vem. E vamos sair em turnê novamente. Tivemos uma semana para produzir e criar as músicas, cada uma trazendo suas influências. O manager da turnê vai ser o mesmo da Beyoncé. Tem essa referência de valorizar a mulher. Temos profissionais maravilhosas que não têm oportunidade. No Grrrl, toda a equipe é formada por mulheres. As outras minas que participam são famosas nos seus países de origem e sempre rola uma parceria. A troca é especial e uma acaba influenciando a outra. É incrível a nossa conexão, a irmandade. Nesses dois anos, fui escolhida para ser a MC da banda, sou tida como líder porque sou a mais velha do grupo.