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Leia a resenha de Cássia Eller, documentário que estreia hoje nos cinemas

por em 29/01/2015
ong>Faltou veneno para ficar completo Por Lucas Borges Teixeira Cássia Eller, novo documentário de Paulo Henrique Fontenelle (Loki – Arnaldo Baptista), tem tudo para ser um sucesso. Em pré-estreia desde a semana passada, entra hoje (29/1) no grande circuito nacional, tem um diretor com dois longas elogiados no currículo e conta a história de uma das cantoras mais populares do país, com depoimentos de Nando Reis, Zélia Duncan e Oswaldo Montenegro. Com gravações desde o início da carreira, no teatro, e diversas fotos de diferentes fases, o filme narra de forma cronológica a trajetória da carioca. Não é exagero falar que a personalidade complexa e a presença de palco explosiva tornaram Cássia Eller uma das artistas mais queridas do Brasil nos anos 90. Sua voz marcante popularizou uma série de canções que você provavelmente sabe de cor. No entanto, o tom saudosista que permeia a narrativa enfraquece o longa. Vemos Cássia Eller, entendemos suas mudanças, compartilhamos e nos emocionamos com seus anseios, mas não saímos da sala com informações inéditas sobre ela ou impactados com as escolhas visuais adotadas, como acontece em Jards (2012) ou no próprio Loki (2008). Disco a disco, Cássia Eller mostra as diferentes faces da cantora: o começo cru, o álbum de rock, a turnê acústica com três violões, a parceria com Nando Reis (que traz imagens divertidas do músico como produtor). Está tudo lá. Mas há poucas revelações, poucos percalços, tão comuns entre os músicos. A forma como o documentário trata a relação da cantora com as drogas também chama atenção. Não é segredo que elas fizeram parte da vida de Cássia, e o documentário não esconde isso. Mas também não explora. A única vez em que a palavra “cocaína” aparece é em uma crítica à revista Veja. De resto, parentes falam que ela usava “algumas drogas”. Quais? Havia vício? Isso influenciava em seu dia a dia? Não é levado a fundo. Os episódios mais nebulosos, como ataques de pânico nos seus últimos anos ou os triângulos amorosos, são citados quase como lembranças pequenas, como se não fossem tão relevantes para entender a personagem nem sua produção artística. Cássia Eller era uma das figuras mais interessantes daquela geração porque, além de tímida e talentosa, era verdadeira, exagerada. Ao tratar assuntos profundos com zelo, a produção não só suaviza essa intensidade (reservada, na narrativa, aos palcos), como distancia o público de um lado importante do ídolo. Quando o tom de saudade aparece já nos primeiros minutos, o recado está dado: pode sentar e se emocionar. Procurando Sugar Man (2012), vencedor do Oscar de Melhor Documentário no ano seguinte, mostra um cantor americano desconhecido em seu país, mas muito famoso na África do Sul. Ao final, envolvido, o espectador se sente mais um fã do músico cheio de histórias curiosas. Cássia Eller, por sua vez, não apresenta um lado tão novo da retratada, mas consegue agradar e emocionar aos fãs, que cantarão baixinho “Malandragem”no escuro do cinema. Cássia era uma explosão. O documentário, apesar de bonito, não tem a mesma chama, carece da mesma complexidade que tornava a cantora tão interessante. https://www.youtube.com/watch?v=NDUOtcCRB10
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Eu Vou Te Buscar (Cha La La La La) (part. Hungria Hip Hop)
Gusttavo LIma
2
Amor Da Sua Cama
Felipe Araújo
3
Saudade
Eduardo Costa
4
Bengala E Crochê
Maiara & Maraisa
5
De Quem É A Culpa?
Marília Mendonça
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Leia a resenha de Cássia Eller, documentário que estreia hoje nos cinemas

por em 29/01/2015
ong>Faltou veneno para ficar completo Por Lucas Borges Teixeira Cássia Eller, novo documentário de Paulo Henrique Fontenelle (Loki – Arnaldo Baptista), tem tudo para ser um sucesso. Em pré-estreia desde a semana passada, entra hoje (29/1) no grande circuito nacional, tem um diretor com dois longas elogiados no currículo e conta a história de uma das cantoras mais populares do país, com depoimentos de Nando Reis, Zélia Duncan e Oswaldo Montenegro. Com gravações desde o início da carreira, no teatro, e diversas fotos de diferentes fases, o filme narra de forma cronológica a trajetória da carioca. Não é exagero falar que a personalidade complexa e a presença de palco explosiva tornaram Cássia Eller uma das artistas mais queridas do Brasil nos anos 90. Sua voz marcante popularizou uma série de canções que você provavelmente sabe de cor. No entanto, o tom saudosista que permeia a narrativa enfraquece o longa. Vemos Cássia Eller, entendemos suas mudanças, compartilhamos e nos emocionamos com seus anseios, mas não saímos da sala com informações inéditas sobre ela ou impactados com as escolhas visuais adotadas, como acontece em Jards (2012) ou no próprio Loki (2008). Disco a disco, Cássia Eller mostra as diferentes faces da cantora: o começo cru, o álbum de rock, a turnê acústica com três violões, a parceria com Nando Reis (que traz imagens divertidas do músico como produtor). Está tudo lá. Mas há poucas revelações, poucos percalços, tão comuns entre os músicos. A forma como o documentário trata a relação da cantora com as drogas também chama atenção. Não é segredo que elas fizeram parte da vida de Cássia, e o documentário não esconde isso. Mas também não explora. A única vez em que a palavra “cocaína” aparece é em uma crítica à revista Veja. De resto, parentes falam que ela usava “algumas drogas”. Quais? Havia vício? Isso influenciava em seu dia a dia? Não é levado a fundo. Os episódios mais nebulosos, como ataques de pânico nos seus últimos anos ou os triângulos amorosos, são citados quase como lembranças pequenas, como se não fossem tão relevantes para entender a personagem nem sua produção artística. Cássia Eller era uma das figuras mais interessantes daquela geração porque, além de tímida e talentosa, era verdadeira, exagerada. Ao tratar assuntos profundos com zelo, a produção não só suaviza essa intensidade (reservada, na narrativa, aos palcos), como distancia o público de um lado importante do ídolo. Quando o tom de saudade aparece já nos primeiros minutos, o recado está dado: pode sentar e se emocionar. Procurando Sugar Man (2012), vencedor do Oscar de Melhor Documentário no ano seguinte, mostra um cantor americano desconhecido em seu país, mas muito famoso na África do Sul. Ao final, envolvido, o espectador se sente mais um fã do músico cheio de histórias curiosas. Cássia Eller, por sua vez, não apresenta um lado tão novo da retratada, mas consegue agradar e emocionar aos fãs, que cantarão baixinho “Malandragem”no escuro do cinema. Cássia era uma explosão. O documentário, apesar de bonito, não tem a mesma chama, carece da mesma complexidade que tornava a cantora tão interessante. https://www.youtube.com/watch?v=NDUOtcCRB10