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Lucas, da Fresno: “A banda que não envelhece com seu público, fracassa”

por em 15/05/2015
P
or Rodrigo Amaral da Rocha
Formada por Lucas Silveira, Vavo, Mario Camelo e Thiago Guerra, a banda Fresno surgiu em 1999 e tornou-se uma das mais populares do Brasil por conta da forte identificação com o movimento conhecido como emocore, que bombou no Brasil em meados da década de 2000. A moda passou, mas a Fresno continuou em ação, recriando o seu som e angariando fãs de todas as idades e épocas. A banda chega agora aos seus 15 anos de idade. Para comemorar, vem aí o primeiro DVD, Fresno 15 Anos Ao Vivo, gravado de forma intimista e para poucos es bons fãs, em uma pequena casa de shows de São Paulo. O vocalista e compositor Lucas prefere definir os admiradores da banda como "xiita”. Hoje o DVD é um meio muito popular entre bandas e artistas. Mas, em 15 anos de banda, esse foi o primeiro lançado por vocês. Como foi a gravação? Gravar DVD é um puta evento, né? É diferente do álbum, que você trabalha mais as músicas individualmente. No entanto, quando você faz um show que vai ficar gravado pra prosperidade, gera um engajamento muito grande nos fãs. E por que não antes? Em 2008 não era prioridade da gravadora. Já 2011, o Tavares saiu da banda, aí preferimos segurar. E agora, a partir do álbum Infinito, em 2012, partiu uma ideia de reerguer a banda, fazer um novo contato com os fãs. Foi parte de um reposicionamento da banda Como foi a escolha de um repertório de 15 anos? Tivemos carta branca total da gravadora, eles disseram: "façam um DVD aí". Nós temos um público muito passional, aquele público xiita, que sabe todas as músicas; lembra muito o fã do Los Hermanos. Pra esse público não tem hit, não tem lado b. Então pensamos em fazer um repertório que defina o que a Fresno é hoje, com um apanhado de todas as fases da banda... Desde os grandes hits, a um lado mais épico, mais ousado, até mais experimental, que é a tônica da banda há 4, 5 anos. Nós queríamos dar uma dinâmica, contar uma história. Mas mesmo o DVD sendo bem extenso, nós tivemos que limar umas quatro músicas que deu muita pena. Depois de 15 anos, o público envelheceu junto com vocês ou o nicho atingido é o mesmo? Acho que a banda que não consegue envelhecer junto com o seu público está muito fadada ao fracasso. Sabe aquela banda que o adolescente curte e dois anos depois tem vergonha daquele passado. Eu vejo algumas plateias da Fresno e lá tem gente que acompanha a banda há 15 anos e, ao mesmo tempo, tem aquele público novo, de 14/15 anos, que diz que é fã da banda desde 2012/2013. São os fãs mais novos da Fresno. Vocês fizeram parte de um movimento teen entre pela metade dos anos 2000. Hoje é difícil delinear uma tribo, um fenômeno? Como você vê o cenário atual da música pop? Percebo que a garotada hoje em dia está cada vez menos rotuladora. Hoje a galera tem ouvido de tudo. Claro que tem gente que ainda é muito fiel a uma banda, a um ritmo, mas as tribos estão cada vez menos definidas, a galera está mais eclética. Não é que nem a minha época do colégio, por exemplo, que tinha o pessoal do rock, do pagode, da música eletrônica... A Fresno acompanhou toda a evolução do mercado digital. O lançamento do Ao Vivo foi disponibilizado para download, dias antes da venda do disco físico. Ainda vale vender CD? Cara, pra gente ainda vale muito, mas acredito que hoje em dia a compra do CD é diferente. Antigamente bastava a pessoa gostar de uma música que já comprava o disco. Hoje eu vejo o CD muito como um objeto de desejo do fã. Por mais que a pessoa possa ouvir a música na internet, ela quer ter o CD lacrado para guardar pra sempre. Quanto mais fãs ardorosos a banda tem, mais coisas ela vai vender, inclusive o CD, uma caneca, camiseta... 10000x10000-2065abe4f4b1556b45284ada9de6bade E vinil? É uma parada que queremos fazer. O vinil é a perfeita definição desse objeto de posse, é quase um troféu para o fã que compra. A Fresno ficou independente após sair de uma gravadora. E agora está voltando com outra gigante do mercado. Como é ser independente? Depende do momento em que banda esteja. Muito artista faz um sucesso tremendo e consegue fama e dinheiro suficientes pra poder ficar à margem do mercado. A gente já passou por todos os tipos de relacionamentos, mas para esse projeto do DVD, fazia sentido fechar com uma gravadora. Ainda assim, a banda está com pensamento independente, há uma confiança depositada. No encarte do CD tem uma foto em 1999 que vocês estão em um festival de bandas do colégio. Nessa época já imaginavam que chegariam ao nível que a Fresno está hoje? Ou esperavam mais? Ou menos? Na época era realmente nosso objetivo. Eu lembro que na época o Los Hermanos bombou muito com “Anna Júlia” e pensávamos que podíamos chegar a esse sucesso. Não era nem pretensão nossa, mas é que era tão espelho que achávamos um caminho muito certo pra nós. E eu mantive esse pensamento até hoje, “vai rolar, vamos fazer nosso negócio e mostrar que podemos fazer algo melhor”. Vocês se apresentaram no festival SXSW, nos Estados Unidos. Como foi a experiência? O lance de tocar lá fora é que você vê como as pessoas reagem a sua música, sem saber o que você está dizendo. E a resposta que a gente teve foi a melhor possível. Nas duas vezes que a Fresno tocou lá foi muito massa. Uma das vezes encontrei o vocalista do Dashboard Confessional. Somos muito fãs e eu disse pra ele: "pô cara, cola lá no show". E não foi que o cara saiu do show dele e estava lá plateia pra ver a gente? É um festival que tem uma audiência bem qualificada, com muitos músicos e críticos. Foi bem legal! Já estão pensando na produção de um disco de inéditas? Eu tenho um estúdio em casa, então estou sempre compondo, produzindo, começando alguma coisa. A gente conversa muito entre nós sobre o nossos próximos passos, mas ainda tem a divulgação do DVD, a turnê. E você está lançando um livro também, Eu Não Sei Lidar... É um livro de memórias. Via muito os fãs dizendo “nossa, mas é sobre o que essa música?”. Então esse livro traz um contexto histórico meu, contando o que estava passando no momento da minha vida quando escrevi tal música. O livro traz uma identificação maior com a música. É uma troca com os fãs. https://www.youtube.com/watch?v=ivB8cOQTQnU  
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Eu Vou Te Buscar (Cha La La La La) (part. Hungria Hip Hop)
Gusttavo LIma
2
Saudade
Eduardo Costa
3
De Quem É A Culpa?
Marília Mendonça
4
Bengala E Crochê
Maiara & Maraisa
5
Aquela Pessoa
Henrique & Juliano
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Lucas, da Fresno: “A banda que não envelhece com seu público, fracassa”

por em 15/05/2015
P
or Rodrigo Amaral da Rocha
Formada por Lucas Silveira, Vavo, Mario Camelo e Thiago Guerra, a banda Fresno surgiu em 1999 e tornou-se uma das mais populares do Brasil por conta da forte identificação com o movimento conhecido como emocore, que bombou no Brasil em meados da década de 2000. A moda passou, mas a Fresno continuou em ação, recriando o seu som e angariando fãs de todas as idades e épocas. A banda chega agora aos seus 15 anos de idade. Para comemorar, vem aí o primeiro DVD, Fresno 15 Anos Ao Vivo, gravado de forma intimista e para poucos es bons fãs, em uma pequena casa de shows de São Paulo. O vocalista e compositor Lucas prefere definir os admiradores da banda como "xiita”. Hoje o DVD é um meio muito popular entre bandas e artistas. Mas, em 15 anos de banda, esse foi o primeiro lançado por vocês. Como foi a gravação? Gravar DVD é um puta evento, né? É diferente do álbum, que você trabalha mais as músicas individualmente. No entanto, quando você faz um show que vai ficar gravado pra prosperidade, gera um engajamento muito grande nos fãs. E por que não antes? Em 2008 não era prioridade da gravadora. Já 2011, o Tavares saiu da banda, aí preferimos segurar. E agora, a partir do álbum Infinito, em 2012, partiu uma ideia de reerguer a banda, fazer um novo contato com os fãs. Foi parte de um reposicionamento da banda Como foi a escolha de um repertório de 15 anos? Tivemos carta branca total da gravadora, eles disseram: "façam um DVD aí". Nós temos um público muito passional, aquele público xiita, que sabe todas as músicas; lembra muito o fã do Los Hermanos. Pra esse público não tem hit, não tem lado b. Então pensamos em fazer um repertório que defina o que a Fresno é hoje, com um apanhado de todas as fases da banda... Desde os grandes hits, a um lado mais épico, mais ousado, até mais experimental, que é a tônica da banda há 4, 5 anos. Nós queríamos dar uma dinâmica, contar uma história. Mas mesmo o DVD sendo bem extenso, nós tivemos que limar umas quatro músicas que deu muita pena. Depois de 15 anos, o público envelheceu junto com vocês ou o nicho atingido é o mesmo? Acho que a banda que não consegue envelhecer junto com o seu público está muito fadada ao fracasso. Sabe aquela banda que o adolescente curte e dois anos depois tem vergonha daquele passado. Eu vejo algumas plateias da Fresno e lá tem gente que acompanha a banda há 15 anos e, ao mesmo tempo, tem aquele público novo, de 14/15 anos, que diz que é fã da banda desde 2012/2013. São os fãs mais novos da Fresno. Vocês fizeram parte de um movimento teen entre pela metade dos anos 2000. Hoje é difícil delinear uma tribo, um fenômeno? Como você vê o cenário atual da música pop? Percebo que a garotada hoje em dia está cada vez menos rotuladora. Hoje a galera tem ouvido de tudo. Claro que tem gente que ainda é muito fiel a uma banda, a um ritmo, mas as tribos estão cada vez menos definidas, a galera está mais eclética. Não é que nem a minha época do colégio, por exemplo, que tinha o pessoal do rock, do pagode, da música eletrônica... A Fresno acompanhou toda a evolução do mercado digital. O lançamento do Ao Vivo foi disponibilizado para download, dias antes da venda do disco físico. Ainda vale vender CD? Cara, pra gente ainda vale muito, mas acredito que hoje em dia a compra do CD é diferente. Antigamente bastava a pessoa gostar de uma música que já comprava o disco. Hoje eu vejo o CD muito como um objeto de desejo do fã. Por mais que a pessoa possa ouvir a música na internet, ela quer ter o CD lacrado para guardar pra sempre. Quanto mais fãs ardorosos a banda tem, mais coisas ela vai vender, inclusive o CD, uma caneca, camiseta... 10000x10000-2065abe4f4b1556b45284ada9de6bade E vinil? É uma parada que queremos fazer. O vinil é a perfeita definição desse objeto de posse, é quase um troféu para o fã que compra. A Fresno ficou independente após sair de uma gravadora. E agora está voltando com outra gigante do mercado. Como é ser independente? Depende do momento em que banda esteja. Muito artista faz um sucesso tremendo e consegue fama e dinheiro suficientes pra poder ficar à margem do mercado. A gente já passou por todos os tipos de relacionamentos, mas para esse projeto do DVD, fazia sentido fechar com uma gravadora. Ainda assim, a banda está com pensamento independente, há uma confiança depositada. No encarte do CD tem uma foto em 1999 que vocês estão em um festival de bandas do colégio. Nessa época já imaginavam que chegariam ao nível que a Fresno está hoje? Ou esperavam mais? Ou menos? Na época era realmente nosso objetivo. Eu lembro que na época o Los Hermanos bombou muito com “Anna Júlia” e pensávamos que podíamos chegar a esse sucesso. Não era nem pretensão nossa, mas é que era tão espelho que achávamos um caminho muito certo pra nós. E eu mantive esse pensamento até hoje, “vai rolar, vamos fazer nosso negócio e mostrar que podemos fazer algo melhor”. Vocês se apresentaram no festival SXSW, nos Estados Unidos. Como foi a experiência? O lance de tocar lá fora é que você vê como as pessoas reagem a sua música, sem saber o que você está dizendo. E a resposta que a gente teve foi a melhor possível. Nas duas vezes que a Fresno tocou lá foi muito massa. Uma das vezes encontrei o vocalista do Dashboard Confessional. Somos muito fãs e eu disse pra ele: "pô cara, cola lá no show". E não foi que o cara saiu do show dele e estava lá plateia pra ver a gente? É um festival que tem uma audiência bem qualificada, com muitos músicos e críticos. Foi bem legal! Já estão pensando na produção de um disco de inéditas? Eu tenho um estúdio em casa, então estou sempre compondo, produzindo, começando alguma coisa. A gente conversa muito entre nós sobre o nossos próximos passos, mas ainda tem a divulgação do DVD, a turnê. E você está lançando um livro também, Eu Não Sei Lidar... É um livro de memórias. Via muito os fãs dizendo “nossa, mas é sobre o que essa música?”. Então esse livro traz um contexto histórico meu, contando o que estava passando no momento da minha vida quando escrevi tal música. O livro traz uma identificação maior com a música. É uma troca com os fãs. https://www.youtube.com/watch?v=ivB8cOQTQnU