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Manu Gavassi: "Achava que agora estavam chamando qualquer um para lançar livro"

Cantora lança 'Olá, Caderno', obra que conta com leveza e descontração os perrengues da vida de uma adolescente

por Rebecca Silva em 01/11/2017

Manu Gavassi está crescendo sob os holofotes e nossos olhares. A jovem cantora, de 24 anos, que começou a carreira ainda adolescente, lançou o disco MANU no início do ano com largos passos em direção a uma sonoridade mais madura e pop. Agora, ela se aventura no mundo da literatura ao lançar seu primeiro livro, Olá, Caderno.

Acostumada a desabafar e refletir sobre a vida em suas composições musicais, Manu deu vida à Nina, uma adolescente intensa e cheia de dúvidas que escreve sobre seus perrengues em um caderno. E admite: Nina é praticamente 100% ela mesma.

Billboard Brasil conversou com Manu Gavassi no evento de lançamento de seu primeiro livro e falou sobre o processo de produção do projeto, adolescência e, é claro, música:

Você ficou bastante tempo envolvida no processo de produção do livro. Quanto tempo levou ao todo e como foi a experiência?

Ao todo, foram dois anos desde que eu comecei a pensar nos primeiros textos até a finalização. Não era pra ser um livro, na verdade. Eu nunca tive essa ambição. Desde muito nova eu sempre li, sempre fui aquela criança e adolescente que gostava de ler. A leitura sempre fez parte da minha formação, então sempre tive muito respeito pela profissão. Meu pai sempre brincava comigo falando que eu ia escrever um livro um dia, eu dizia que não, de jeito nenhum. Eu achava que agora estavam chamando qualquer um para lançar livro e a pessoa nem escrevia, só assinava. Eu sempre achei isso muito feio, então tinha pavor de ser colocada nessa panela.

Então, a obra surgiu de uma forma natural. Era pra ser o roteiro de uma série, que eu comecei a fazer na época em que estava morando no Rio ainda. Mostrei para um amigo roteirista e ele me disse que estava irado, mas que não era um roteiro, era uma narrativa. Depois de um tempão, estava conversando com uma amiga jornalista, mais velha do que eu, e ela me incentivou a continuar, disse que era divertido. Ela me deu essa força.

Na primeira reunião que eu fiz na Rocco, levei só o meu celular. Eu escrevia no meu bloco de notas. Pensei que iam me expulsar de lá. Estava apavorada. Li os textos e, para a minha surpresa, a galera adorou. Me deram o tempo necessário para escrever, me descobrir como autora. Foram super queridos. E é uma editora que publica livros que eu li, do Harry Potter, da Talita Rebouças. Foi muito legal poder lançar esse livro com eles.

O que você gostava de ler aos 17 anos, idade da Nina, personagem principal do livro?

Acho que foi na idade da Nina que li As Vantagens de Ser Invisível, que é um dos meus livros favoritos. Eu lembro que o que mais me chamou atenção, e eu fiz um pouco disso no meu livro, é que você só tem a versão das cartas do personagem principal. Você não sabe se as coisas realmente aconteceram daquele jeito. Em Olá, Caderno é a mesma coisa, você só conhece a versão da Nina dos fatos, o jeito que ela descreve. E a Nina é meio maluquinha, intensa demais nas emoções, em tudo que faz. Ela muda de opinião no mesmo dia. Isso é muito real e é uma maneira que me deixou segura ao escrever porque eu fiz diários a minha vida inteira, então era um formato com o qual eu estava familiarizada.

Quando você tinha a idade da Nina, era comum que as garotas descobrissem o mundo com a ajuda do que liam nas revistas para adolescentes. Hoje em dia isso se perdeu um pouco com a internet, né?

É, e essa é uma das coisas que eu percebi... Eu lia muito quando era mais nova. Agora, parece que a gente não consegue mais focar, passa o tempo todo respondendo mensagem, vendo Instagram, Facebook. Eu senti que eu precisava ler mais. Acho que esta é a fase da minha vida em que estou lendo menos. A tecnologia atrapalha muito, eu até falo disso no livro.

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Os fãs vão conseguir captar vários toques seus no livro, desde os gostos musicais da Nina até situações que aconteceram com você. Como foi o processo de decisão do quanto de você era aceitável colocar na personagem?

É engraçado porque muitas coisas eu até tive que mudar, já que eu colocava referências – como Sandy & Jr., por exemplo – que uma garota de 17 anos hoje não viveu. Ou falava sobre a série The OC, que só chegou aos adolescentes atuais depois de ter entrado no catálogo da Netflix. Eu percebi como, apesar de ser um curto período de tempo – são apenas sete anos desde os meus 17 anos –, muita coisa mudou e a tecnologia influenciou essa mudança. Várias coisas que eu achava que eram de adolescente não são mais, eu virei a Tia Manu [risos].

É até uma pergunta que a minha editora me fez quando ela leu os primeiros textos. "Quanto a Nina tem de você?". E eu respondi "100%". E ela viu que eu tinha propriedade para falar daquilo. E isso foi bom porque todas as situações eu vivi, até as coisas erradas que ela faz, eu fiz também e aprendi com elas. Claro que nem todas foram comigo. Algumas foram exatamente da forma que eu contei, só mudei os nomes. Outras são histórias de pessoas muito próximas, a quem eu pedi autorização para colocar no livro. Participei de alguma maneira. A Nina tem muito de mim, praticamente 100%. É até um pouco vergonhoso eu estar dizendo isso [risos].

Apesar de o livro ser descontraído e jovem, você trata de assuntos pesados como depressão, vícios e relacionamentos abusivos. Como decidiu abordar esses temas?

Eu não decidi. Eles foram aparecendo conforme as situações que eu vivi e queria que a Nina passasse foram sendo reconstruídas. Eram histórias que eu queria contar. Veio de maneira natural. Muitas vezes, quando um autor mais velho escreve para um público jovem, acaba tratando os leitores como retardados. Acham que uma história para adolescentes tem que ser algo bobo. Adolescente não é bobo. É a fase mais intensa da nossa vida, de descobertas. Eu não trato ninguém como bobo. São histórias de pessoas reais, não existe vilã e mocinha. A Nina muitas vezes é a vilã, digna de ser odiada. Depois, ela repensa o que fez, conserta, muda. Quis fazer um livro real sobre a adolescência e a verdade é essa, não é uma fase linda, é uma fase de dor, de entrar em contato com seus fantasmas. Tentei tratar com muito respeito, de maneira leve, mas abordando assuntos sérios.

Você fala bastante sobre internet no livro e tem propriedade no assunto por estar sempre conectada ao Instagram, mostrando que é gente como a gente nos stories, apesar do seu feed ser recheado de selfies produzidas. Como é essa vida de influencer pra você?

Eu me policio até, nas redes sociais, porque em uma foto você não consegue passar completamente a realidade. Às vezes, você está viajando, está em Nova York, com uma roupa legal e tira uma foto, passando uma imagem que não tem nada a ver com o resto do seu dia. Apesar da imagem que passou, não tinha um dólar pra comprar uma coxinha, tinha gasto tudo em meias. As pessoas não têm como saber disso. Então, nas fotos, fica algo mais superficial, um contato mais frio e distante. Com os stories, você vê a realidade. A mesma pessoa que posta fotos lindas, revela o dia a dia de verdade, a personalidade real.

Eu acho que eu me exponho pouco. Não sou a louca que filma o dia inteiro, acho que isso é característica de cada um. Tem gente que faz isso maravilhosamente bem e eu me divirto assistindo. Mas eu não tenho esse jeito. Tenho uma vida privada, divido apenas alguns momentos. No livro, eu digo algumas coisas que eu não teria coragem sendo eu, consegui me expressar na obra pelo contexto de amadurecimento. Acho que seria julgada.

Para finalizar, um pouquinho sobre sua música: você lançou o clipe de "Muito Muito", começou a se apresentar em casas noturnas, conquistou um novo público com o disco MANU. Quais os próximos passos?

É por esse novo público que resolvemos fazer essa turnê. Claro que muita gente que me acompanha fica de fora por não ter idade para entrar, mas também tenho esse público novo que não me conhece, ou só conhecia uma ou outra faixa. Minha música, pela primeira vez, está tocando em baladas, para mim está sendo muito divertido, um desafio.

Vou continuar fazendo clipes desse CD, quero fazer muito conteúdo visual dele, só fiz dois por enquanto. Gravei um vídeo live tocando "Fora De Foco" com a Ana, do Anavitória, que é uma das músicas que escrevemos juntas. Tenho conteúdo ao vivo gravado em um show pela Vevo. Querem me matar porque está demorando pra sair, mas a culpa não é minha, eu já assisti mais de mil vezes, está bonitinho. Estou em pré-produção de alguns clipes, quero continuar fazendo e brincando de ajudar na direção, experimentando o universo pop, que tem tantas vertentes.

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Manu Gavassi: "Achava que agora estavam chamando qualquer um para lançar livro"

Cantora lança 'Olá, Caderno', obra que conta com leveza e descontração os perrengues da vida de uma adolescente

por Rebecca Silva em 01/11/2017

Manu Gavassi está crescendo sob os holofotes e nossos olhares. A jovem cantora, de 24 anos, que começou a carreira ainda adolescente, lançou o disco MANU no início do ano com largos passos em direção a uma sonoridade mais madura e pop. Agora, ela se aventura no mundo da literatura ao lançar seu primeiro livro, Olá, Caderno.

Acostumada a desabafar e refletir sobre a vida em suas composições musicais, Manu deu vida à Nina, uma adolescente intensa e cheia de dúvidas que escreve sobre seus perrengues em um caderno. E admite: Nina é praticamente 100% ela mesma.

Billboard Brasil conversou com Manu Gavassi no evento de lançamento de seu primeiro livro e falou sobre o processo de produção do projeto, adolescência e, é claro, música:

Você ficou bastante tempo envolvida no processo de produção do livro. Quanto tempo levou ao todo e como foi a experiência?

Ao todo, foram dois anos desde que eu comecei a pensar nos primeiros textos até a finalização. Não era pra ser um livro, na verdade. Eu nunca tive essa ambição. Desde muito nova eu sempre li, sempre fui aquela criança e adolescente que gostava de ler. A leitura sempre fez parte da minha formação, então sempre tive muito respeito pela profissão. Meu pai sempre brincava comigo falando que eu ia escrever um livro um dia, eu dizia que não, de jeito nenhum. Eu achava que agora estavam chamando qualquer um para lançar livro e a pessoa nem escrevia, só assinava. Eu sempre achei isso muito feio, então tinha pavor de ser colocada nessa panela.

Então, a obra surgiu de uma forma natural. Era pra ser o roteiro de uma série, que eu comecei a fazer na época em que estava morando no Rio ainda. Mostrei para um amigo roteirista e ele me disse que estava irado, mas que não era um roteiro, era uma narrativa. Depois de um tempão, estava conversando com uma amiga jornalista, mais velha do que eu, e ela me incentivou a continuar, disse que era divertido. Ela me deu essa força.

Na primeira reunião que eu fiz na Rocco, levei só o meu celular. Eu escrevia no meu bloco de notas. Pensei que iam me expulsar de lá. Estava apavorada. Li os textos e, para a minha surpresa, a galera adorou. Me deram o tempo necessário para escrever, me descobrir como autora. Foram super queridos. E é uma editora que publica livros que eu li, do Harry Potter, da Talita Rebouças. Foi muito legal poder lançar esse livro com eles.

O que você gostava de ler aos 17 anos, idade da Nina, personagem principal do livro?

Acho que foi na idade da Nina que li As Vantagens de Ser Invisível, que é um dos meus livros favoritos. Eu lembro que o que mais me chamou atenção, e eu fiz um pouco disso no meu livro, é que você só tem a versão das cartas do personagem principal. Você não sabe se as coisas realmente aconteceram daquele jeito. Em Olá, Caderno é a mesma coisa, você só conhece a versão da Nina dos fatos, o jeito que ela descreve. E a Nina é meio maluquinha, intensa demais nas emoções, em tudo que faz. Ela muda de opinião no mesmo dia. Isso é muito real e é uma maneira que me deixou segura ao escrever porque eu fiz diários a minha vida inteira, então era um formato com o qual eu estava familiarizada.

Quando você tinha a idade da Nina, era comum que as garotas descobrissem o mundo com a ajuda do que liam nas revistas para adolescentes. Hoje em dia isso se perdeu um pouco com a internet, né?

É, e essa é uma das coisas que eu percebi... Eu lia muito quando era mais nova. Agora, parece que a gente não consegue mais focar, passa o tempo todo respondendo mensagem, vendo Instagram, Facebook. Eu senti que eu precisava ler mais. Acho que esta é a fase da minha vida em que estou lendo menos. A tecnologia atrapalha muito, eu até falo disso no livro.

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Os fãs vão conseguir captar vários toques seus no livro, desde os gostos musicais da Nina até situações que aconteceram com você. Como foi o processo de decisão do quanto de você era aceitável colocar na personagem?

É engraçado porque muitas coisas eu até tive que mudar, já que eu colocava referências – como Sandy & Jr., por exemplo – que uma garota de 17 anos hoje não viveu. Ou falava sobre a série The OC, que só chegou aos adolescentes atuais depois de ter entrado no catálogo da Netflix. Eu percebi como, apesar de ser um curto período de tempo – são apenas sete anos desde os meus 17 anos –, muita coisa mudou e a tecnologia influenciou essa mudança. Várias coisas que eu achava que eram de adolescente não são mais, eu virei a Tia Manu [risos].

É até uma pergunta que a minha editora me fez quando ela leu os primeiros textos. "Quanto a Nina tem de você?". E eu respondi "100%". E ela viu que eu tinha propriedade para falar daquilo. E isso foi bom porque todas as situações eu vivi, até as coisas erradas que ela faz, eu fiz também e aprendi com elas. Claro que nem todas foram comigo. Algumas foram exatamente da forma que eu contei, só mudei os nomes. Outras são histórias de pessoas muito próximas, a quem eu pedi autorização para colocar no livro. Participei de alguma maneira. A Nina tem muito de mim, praticamente 100%. É até um pouco vergonhoso eu estar dizendo isso [risos].

Apesar de o livro ser descontraído e jovem, você trata de assuntos pesados como depressão, vícios e relacionamentos abusivos. Como decidiu abordar esses temas?

Eu não decidi. Eles foram aparecendo conforme as situações que eu vivi e queria que a Nina passasse foram sendo reconstruídas. Eram histórias que eu queria contar. Veio de maneira natural. Muitas vezes, quando um autor mais velho escreve para um público jovem, acaba tratando os leitores como retardados. Acham que uma história para adolescentes tem que ser algo bobo. Adolescente não é bobo. É a fase mais intensa da nossa vida, de descobertas. Eu não trato ninguém como bobo. São histórias de pessoas reais, não existe vilã e mocinha. A Nina muitas vezes é a vilã, digna de ser odiada. Depois, ela repensa o que fez, conserta, muda. Quis fazer um livro real sobre a adolescência e a verdade é essa, não é uma fase linda, é uma fase de dor, de entrar em contato com seus fantasmas. Tentei tratar com muito respeito, de maneira leve, mas abordando assuntos sérios.

Você fala bastante sobre internet no livro e tem propriedade no assunto por estar sempre conectada ao Instagram, mostrando que é gente como a gente nos stories, apesar do seu feed ser recheado de selfies produzidas. Como é essa vida de influencer pra você?

Eu me policio até, nas redes sociais, porque em uma foto você não consegue passar completamente a realidade. Às vezes, você está viajando, está em Nova York, com uma roupa legal e tira uma foto, passando uma imagem que não tem nada a ver com o resto do seu dia. Apesar da imagem que passou, não tinha um dólar pra comprar uma coxinha, tinha gasto tudo em meias. As pessoas não têm como saber disso. Então, nas fotos, fica algo mais superficial, um contato mais frio e distante. Com os stories, você vê a realidade. A mesma pessoa que posta fotos lindas, revela o dia a dia de verdade, a personalidade real.

Eu acho que eu me exponho pouco. Não sou a louca que filma o dia inteiro, acho que isso é característica de cada um. Tem gente que faz isso maravilhosamente bem e eu me divirto assistindo. Mas eu não tenho esse jeito. Tenho uma vida privada, divido apenas alguns momentos. No livro, eu digo algumas coisas que eu não teria coragem sendo eu, consegui me expressar na obra pelo contexto de amadurecimento. Acho que seria julgada.

Para finalizar, um pouquinho sobre sua música: você lançou o clipe de "Muito Muito", começou a se apresentar em casas noturnas, conquistou um novo público com o disco MANU. Quais os próximos passos?

É por esse novo público que resolvemos fazer essa turnê. Claro que muita gente que me acompanha fica de fora por não ter idade para entrar, mas também tenho esse público novo que não me conhece, ou só conhecia uma ou outra faixa. Minha música, pela primeira vez, está tocando em baladas, para mim está sendo muito divertido, um desafio.

Vou continuar fazendo clipes desse CD, quero fazer muito conteúdo visual dele, só fiz dois por enquanto. Gravei um vídeo live tocando "Fora De Foco" com a Ana, do Anavitória, que é uma das músicas que escrevemos juntas. Tenho conteúdo ao vivo gravado em um show pela Vevo. Querem me matar porque está demorando pra sair, mas a culpa não é minha, eu já assisti mais de mil vezes, está bonitinho. Estou em pré-produção de alguns clipes, quero continuar fazendo e brincando de ajudar na direção, experimentando o universo pop, que tem tantas vertentes.