NOTÍCIAS

Maracatu Rural resiste com bravura de leão em Nazaré da Mata

por em 09/02/2016
(fot
o: Peu Hatz) Por Rodrigo Amaral da Rocha A 65 quilômetros de Recife, longe dos camarotes e das atrações de cachê astronômico, na Zona da Mata pernambucana, a população rural faz de tudo para manter a raiz do maracatu viva. Em dias se Carnaval, dezenas de grupos de Maracatu Rural, ou maracatu de baque solto, – diferente do maracatu nação, original de Olinda – desfilam pela cidade de Nazaré da Mata, conhecida como a terra desse gênero de maracatu. São 38 grupos de Nazaré e cidades vizinhas em um único dia - Cambinda Brasileira, Águia de Ouro, Coração Nazareno, Leão Brasileiro, Leão Dourado e Leão Formoso são alguns dos mais conhecidos. O nome do rei das selvas, presente na maioria dos grupos, foi escolhido pelos trabalhadores rurais para representar a força e bravura desse povo. Para seus integrantes, o maracatu é muito mais do que uma brincadeira, é uma herança secular. A formação desses grupos tem sua corte composta por princesas, reis e rainhas, provando a influência europeia dos tempos pós-escravidão, e outras figuras como Mateus e Catirina, representando um casal de escravos da fazenda, o burrinho, a dama de passo, que carrega calunga, uma boneca negra em referência ao candomblé, e os famosos caboclos de lança (se você já assistiu ao clipe de "Maracatu Atômico", da Nação Zumbi, vai se lembrar de homens vestindo roupas chamadas de golas bem coloridas com gigantes perucas e batendo com uma lança no chão). Enquanto o espetáculo de movimentos e cores acontece, instrumentos de percussão e sopro dão o compasso. Um dos blocos mais antigos a marcar presença no desfile dessa segunda-feira (08/02) é o Maracatu Leão Teimoso, da cidade de Paudalho, a poucos quilômetros de Nazaré. Criado no dia 7 de setembro de 1974 por Luis Gomes da Silva (foto), de 66 anos. O presidente do Leão Teimoso começou desfilando com cerca de 18 caboclos e mais outros 30 componentes. Hoje, ao todo, são mais de 100 pessoas envolvidas no grupo, entre instrumentistas e passistas, a maioria deles trabalhadores da lavoura e artesãos. maracatu Cada um ganha um dinheirinho para estar lá e também para ajudar na confecção dos materiais. Tudo é feito por eles - o estandarte, adereços e fantasias. As exceções são os sinos e instrumentos, com a ferrugem que acusa os muitos anos de uso. Uma das marcas da cultura popular de Pernambuco parece resistir bravamente, mas não é tão fácil para alguns. "O maracatu tá morto. A nossa cidade não incentiva e muita gente acaba perdendo o interesse pela nossa cultura. Alguns dizem que é por causa da crise, mas não tem isso não, vem de muito mais tempo",  lamenta o passista Deni Luís, de 22 anos, oito deles desfilando pelo Leão Teimoso. Para deixar o maracatu vivo resta o exemplo de Luis e de tantos outros da velha guarda do maracatu. O presidente faz questão de passar a cultura para seus filhos, um deles já caboclo do grupo.
  • HOT 100
    BRASIL
  • BILLBOARD
    200
  • HOT 100
    EUA
1
Eu Vou Te Buscar (Cha La La La La) (part. Hungria Hip Hop)
Gusttavo LIma
2
Saudade
Eduardo Costa
3
De Quem É A Culpa?
Marília Mendonça
4
Bengala E Crochê
Maiara & Maraisa
5
Aquela Pessoa
Henrique & Juliano
RANKING COMPLETO
NOTÍCIAS

Maracatu Rural resiste com bravura de leão em Nazaré da Mata

por em 09/02/2016
(fot
o: Peu Hatz) Por Rodrigo Amaral da Rocha A 65 quilômetros de Recife, longe dos camarotes e das atrações de cachê astronômico, na Zona da Mata pernambucana, a população rural faz de tudo para manter a raiz do maracatu viva. Em dias se Carnaval, dezenas de grupos de Maracatu Rural, ou maracatu de baque solto, – diferente do maracatu nação, original de Olinda – desfilam pela cidade de Nazaré da Mata, conhecida como a terra desse gênero de maracatu. São 38 grupos de Nazaré e cidades vizinhas em um único dia - Cambinda Brasileira, Águia de Ouro, Coração Nazareno, Leão Brasileiro, Leão Dourado e Leão Formoso são alguns dos mais conhecidos. O nome do rei das selvas, presente na maioria dos grupos, foi escolhido pelos trabalhadores rurais para representar a força e bravura desse povo. Para seus integrantes, o maracatu é muito mais do que uma brincadeira, é uma herança secular. A formação desses grupos tem sua corte composta por princesas, reis e rainhas, provando a influência europeia dos tempos pós-escravidão, e outras figuras como Mateus e Catirina, representando um casal de escravos da fazenda, o burrinho, a dama de passo, que carrega calunga, uma boneca negra em referência ao candomblé, e os famosos caboclos de lança (se você já assistiu ao clipe de "Maracatu Atômico", da Nação Zumbi, vai se lembrar de homens vestindo roupas chamadas de golas bem coloridas com gigantes perucas e batendo com uma lança no chão). Enquanto o espetáculo de movimentos e cores acontece, instrumentos de percussão e sopro dão o compasso. Um dos blocos mais antigos a marcar presença no desfile dessa segunda-feira (08/02) é o Maracatu Leão Teimoso, da cidade de Paudalho, a poucos quilômetros de Nazaré. Criado no dia 7 de setembro de 1974 por Luis Gomes da Silva (foto), de 66 anos. O presidente do Leão Teimoso começou desfilando com cerca de 18 caboclos e mais outros 30 componentes. Hoje, ao todo, são mais de 100 pessoas envolvidas no grupo, entre instrumentistas e passistas, a maioria deles trabalhadores da lavoura e artesãos. maracatu Cada um ganha um dinheirinho para estar lá e também para ajudar na confecção dos materiais. Tudo é feito por eles - o estandarte, adereços e fantasias. As exceções são os sinos e instrumentos, com a ferrugem que acusa os muitos anos de uso. Uma das marcas da cultura popular de Pernambuco parece resistir bravamente, mas não é tão fácil para alguns. "O maracatu tá morto. A nossa cidade não incentiva e muita gente acaba perdendo o interesse pela nossa cultura. Alguns dizem que é por causa da crise, mas não tem isso não, vem de muito mais tempo",  lamenta o passista Deni Luís, de 22 anos, oito deles desfilando pelo Leão Teimoso. Para deixar o maracatu vivo resta o exemplo de Luis e de tantos outros da velha guarda do maracatu. O presidente faz questão de passar a cultura para seus filhos, um deles já caboclo do grupo.