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Maraisa: “Tinha medo de ficar só em 10%”

Dupla Maiara & Maraisa lança o segundo DVD da carreira após o sucesso meteórico, anuncia parceria com Nego do Borel e prepara turnê internacional

por Rebecca Silva em 07/04/2017

Podemos afirmar que o maior medo na carreira de um artista é cair no ostracismo depois de um hit. Felizmente, a dupla sertaneja Maiara & Maraisa já pode respirar aliviada. “10%” explodiu, virou fenômeno na internet, fez sucesso até mesmo com um público que costumava torcer o nariz para o gênero e o mais importante: provou não ser filha única. Ela já pode dar as mãos para as companheiras “Medo Bobo” e “Você Faz Falta Aqui”.

Agora, a dupla lança o segundo DVD da carreira, Ao Vivo Em Campo Grande, e aposta no sucesso de “Sorte Que Cê Beija Bem”. Se depender dos fãs, elas não precisam se preocupar: a faixa estreou em 1º lugar no Brasil Hot 100.

A Billboard Brasil bateu um papo com Maraisa durante o evento de lançamento do projeto:

Vocês estouraram há poucos anos, principalmente graças ao sucesso de “10%”, mas o caminho foi longo, né?
A gente era bem novinha, tínhamos sete anos quando nos apresentamos pela primeira vez em festival, no Mato Grosso. Desde pequena a gente já cantava. Nos mudamos para nove cidades diferentes buscando música. Estudamos canto em conservatórios, nos formamos em Canto Popular aqui em São Paulo, na Universidade Livre de Música. Até “10%” foi uma longa caminhada. Aos 13 anos a gente começou a compor, a Maiara fez a primeira música. Eu comecei depois, uns 3 anos depois. Nos mudamos para Goiânia, já tínhamos algumas composições. O Jorge [da dupla Jorge & Mateus] ouviu e já ajudou a dupla. Foi nossa primeira música gravada por um grande artista, “Prisão Sem Grade”. A partir daí, mais pessoas conheceram nosso trabalho.

A paixão pela música veio da família?
Somos as únicas na família, as primeiras cantoras. Quando a gente era pequena e ficava dançando em cima do sofá, minha mãe pensou “vou usar isso pra alguma coisa!” [risos] e começou a incentivar a gente para os festivais. A gente fez do nosso sonho a nossa vida, a vida inteira a gente só fez isso.

Vocês começaram compondo para outros artistas e agora tem a chance de cantar suas próprias músicas no palco. Qual a sensação?
Sim, começamos compondo, mas nunca deixamos de cantar e fazer show. Nós moramos em Belo Horizonte. Lá, por exemplo, a gente cantava nas praças de alimentação dos shoppings, já fizemos em todos os shoppings que você pode imaginar de BH. Viemos para São Paulo e cantávamos nos bares. Quando a gente foi pra Goiânia, continuamos a tocar nos bares, para o pessoal de lá somos rodadas mesmo [risos]. Nesse tempo, nunca deixamos de compor. Nosso sonho sempre foi gravar as nossas músicas. Foi uma sensação única quando tivemos Jorge & Mateus, Cristiano Araújo, Henrique & Juliano, Gusttavo Lima, quando a gente começou a vencer no nosso sonho. Isso já possibilitou a gente viver de música. Até os homens, grandes nomes do sertanejo, também passaram por essa fase da vida e depois conseguiram fazer sucesso com suas próprias músicas.

maiaraemaraisa

Como foi esse momento de decidir cantar o próprio repertório?
Levou um tempo. Depois de uns três anos escrevendo para os outros artistas, a gente tinha um grupo de empresários e eles falaram “tá na hora de gravar essas meninas, né?”. Quando decidimos gravar, no início, seria um DVD bem pequeno, aí depois conseguimos gravar um DVD que para uma dupla feminina já era grandinho, foi gravado em Goiânia. Quando a gente terminou o show, todo mundo chorou, comemorou. Teve participação de Cristiano Araújo, Bruno & Marrone, Jorge & Mateus, Marília Mendonça... para uma dupla feminina, ter essas participações, naquele momento, era uma coisa extraordinária. Tinha cheiro de sucesso por todo o povo do mercado que já estava envolvido. Isso ajudou demais. Eram as melhores músicas que a gente tinha reservado durante uns dois, três anos. Fomos privilegiadas porque tivemos um bom tempo para escolher, seguramos as melhores para a gente [risos]. Aos poucos o público foi crescendo. Antes tocávamos para 900 pessoas, de repente era quatro mil e isso é uma surpresa até hoje, ver aquele mar de gente cantando nosso repertório em coro.

Você sente alguma pressão para superar o sucesso de “10%”?
Já foi uma pressão. Eu tinha medo de ficar só nessa música. Quando veio “Medo Bobo”, para mim já foi uma surpresa. A gente ganhou de presente essa segunda música de trabalho. Tudo é o povo que escolhe. A gente solta as músicas que a gente gosta na internet e eles vão escolhendo. Tem umas que nem viram música de trabalho, mas são tão cobradas nos shows quanto “10%”. Queremos fazer sucesso com novas músicas, cantar para mais pessoas. Isso você se prova, você quer acertar sempre.

Como é o processo de composição? Tem alguma diferença se a música for pra vocês ou pra outro artista?
Não. Quando a gente acerta pra escrever música para um certo artista e você convive com ele, igual eu convivi com Jorge & Mateus, você acaba entendendo a linguagem dele pela ótica dele. Com a Marília Mendonça, a gente consegue fazer muita música uma para a outra porque a gente se conhece muito, a história de vida de cada uma, então é fácil. Marília, como conhece muito da minha vida pessoal, eu podia chegar e falar “essa música eu quero fazer para o fulano!”. A gente tem essa abertura até hoje, de saber muito uma da outra e conseguir compor pela ótica. Quando você convive, fica mais fácil. Quando você vê um artista cantando sua música e vê que dá certo, é uma felicidade muito grande.

VEJA O RANKING COMPLETO DO BRASIL HOT 100

Falando em outros artistas, vocês costumam fazer várias parcerias. Como é a escolha dos artistas?
A gente sempre teve a felicidade de ser lembrada para gravar, nossas parcerias sempre foram bem-vindas. Tivemos a felicidade de gravar com mulheres como Naiara Azevedo, Day & Lara, Paula Mattos. Na hora aceitamos, principalmente quando é mulher porque a gente tem uma responsabilidade. Não é uma escolha, a gente espera o convite, amamos ser convidadas. Só não dizemos “sim” quando não temos a data [risos].

Existe alguma possibilidade de rolar uma parceria crossover com outro gênero?
Sim, claro! A gente recebeu agora o convite do Nego do Borel, pretendemos gravar com ele. Tem outras linhas também, fazemos questão de gravar com o pessoal porque daí sela uma amizade, uma troca, isso é muito importante.

Vocês estão embarcando para uma turnê pela Europa. Qual a expectativa?
É a nossa primeira vez fazendo uma turnê internacional. É uma expectativa muito grande. Vamos cantar em Lisboa, Bruxelas e Londres. Com certeza vamos para os Estados Unidos também, era para ter acontecido no ano passado, mas infelizmente não conseguimos ir por questões burocráticas. Nosso maior foco hoje também é poder atender os brasileiros em outros lugares. Não é nem conquistar fãs de outros países, mas atender os brasileiros que estão lá e esperam para ouvir a nossa música.

  • HOT 100
    BRASIL
  • BILLBOARD
    200
  • HOT 100
    EUA
1
Eu Vou Te Buscar (Cha La La La La) (part. Hungria Hip Hop)
Gusttavo LIma
2
Amor Da Sua Cama
Felipe Araújo
3
Saudade
Eduardo Costa
4
Bengala E Crochê
Maiara & Maraisa
5
De Quem É A Culpa?
Marília Mendonça
RANKING COMPLETO
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Maraisa: “Tinha medo de ficar só em 10%”

Dupla Maiara & Maraisa lança o segundo DVD da carreira após o sucesso meteórico, anuncia parceria com Nego do Borel e prepara turnê internacional

por Rebecca Silva em 07/04/2017

Podemos afirmar que o maior medo na carreira de um artista é cair no ostracismo depois de um hit. Felizmente, a dupla sertaneja Maiara & Maraisa já pode respirar aliviada. “10%” explodiu, virou fenômeno na internet, fez sucesso até mesmo com um público que costumava torcer o nariz para o gênero e o mais importante: provou não ser filha única. Ela já pode dar as mãos para as companheiras “Medo Bobo” e “Você Faz Falta Aqui”.

Agora, a dupla lança o segundo DVD da carreira, Ao Vivo Em Campo Grande, e aposta no sucesso de “Sorte Que Cê Beija Bem”. Se depender dos fãs, elas não precisam se preocupar: a faixa estreou em 1º lugar no Brasil Hot 100.

A Billboard Brasil bateu um papo com Maraisa durante o evento de lançamento do projeto:

Vocês estouraram há poucos anos, principalmente graças ao sucesso de “10%”, mas o caminho foi longo, né?
A gente era bem novinha, tínhamos sete anos quando nos apresentamos pela primeira vez em festival, no Mato Grosso. Desde pequena a gente já cantava. Nos mudamos para nove cidades diferentes buscando música. Estudamos canto em conservatórios, nos formamos em Canto Popular aqui em São Paulo, na Universidade Livre de Música. Até “10%” foi uma longa caminhada. Aos 13 anos a gente começou a compor, a Maiara fez a primeira música. Eu comecei depois, uns 3 anos depois. Nos mudamos para Goiânia, já tínhamos algumas composições. O Jorge [da dupla Jorge & Mateus] ouviu e já ajudou a dupla. Foi nossa primeira música gravada por um grande artista, “Prisão Sem Grade”. A partir daí, mais pessoas conheceram nosso trabalho.

A paixão pela música veio da família?
Somos as únicas na família, as primeiras cantoras. Quando a gente era pequena e ficava dançando em cima do sofá, minha mãe pensou “vou usar isso pra alguma coisa!” [risos] e começou a incentivar a gente para os festivais. A gente fez do nosso sonho a nossa vida, a vida inteira a gente só fez isso.

Vocês começaram compondo para outros artistas e agora tem a chance de cantar suas próprias músicas no palco. Qual a sensação?
Sim, começamos compondo, mas nunca deixamos de cantar e fazer show. Nós moramos em Belo Horizonte. Lá, por exemplo, a gente cantava nas praças de alimentação dos shoppings, já fizemos em todos os shoppings que você pode imaginar de BH. Viemos para São Paulo e cantávamos nos bares. Quando a gente foi pra Goiânia, continuamos a tocar nos bares, para o pessoal de lá somos rodadas mesmo [risos]. Nesse tempo, nunca deixamos de compor. Nosso sonho sempre foi gravar as nossas músicas. Foi uma sensação única quando tivemos Jorge & Mateus, Cristiano Araújo, Henrique & Juliano, Gusttavo Lima, quando a gente começou a vencer no nosso sonho. Isso já possibilitou a gente viver de música. Até os homens, grandes nomes do sertanejo, também passaram por essa fase da vida e depois conseguiram fazer sucesso com suas próprias músicas.

maiaraemaraisa

Como foi esse momento de decidir cantar o próprio repertório?
Levou um tempo. Depois de uns três anos escrevendo para os outros artistas, a gente tinha um grupo de empresários e eles falaram “tá na hora de gravar essas meninas, né?”. Quando decidimos gravar, no início, seria um DVD bem pequeno, aí depois conseguimos gravar um DVD que para uma dupla feminina já era grandinho, foi gravado em Goiânia. Quando a gente terminou o show, todo mundo chorou, comemorou. Teve participação de Cristiano Araújo, Bruno & Marrone, Jorge & Mateus, Marília Mendonça... para uma dupla feminina, ter essas participações, naquele momento, era uma coisa extraordinária. Tinha cheiro de sucesso por todo o povo do mercado que já estava envolvido. Isso ajudou demais. Eram as melhores músicas que a gente tinha reservado durante uns dois, três anos. Fomos privilegiadas porque tivemos um bom tempo para escolher, seguramos as melhores para a gente [risos]. Aos poucos o público foi crescendo. Antes tocávamos para 900 pessoas, de repente era quatro mil e isso é uma surpresa até hoje, ver aquele mar de gente cantando nosso repertório em coro.

Você sente alguma pressão para superar o sucesso de “10%”?
Já foi uma pressão. Eu tinha medo de ficar só nessa música. Quando veio “Medo Bobo”, para mim já foi uma surpresa. A gente ganhou de presente essa segunda música de trabalho. Tudo é o povo que escolhe. A gente solta as músicas que a gente gosta na internet e eles vão escolhendo. Tem umas que nem viram música de trabalho, mas são tão cobradas nos shows quanto “10%”. Queremos fazer sucesso com novas músicas, cantar para mais pessoas. Isso você se prova, você quer acertar sempre.

Como é o processo de composição? Tem alguma diferença se a música for pra vocês ou pra outro artista?
Não. Quando a gente acerta pra escrever música para um certo artista e você convive com ele, igual eu convivi com Jorge & Mateus, você acaba entendendo a linguagem dele pela ótica dele. Com a Marília Mendonça, a gente consegue fazer muita música uma para a outra porque a gente se conhece muito, a história de vida de cada uma, então é fácil. Marília, como conhece muito da minha vida pessoal, eu podia chegar e falar “essa música eu quero fazer para o fulano!”. A gente tem essa abertura até hoje, de saber muito uma da outra e conseguir compor pela ótica. Quando você convive, fica mais fácil. Quando você vê um artista cantando sua música e vê que dá certo, é uma felicidade muito grande.

VEJA O RANKING COMPLETO DO BRASIL HOT 100

Falando em outros artistas, vocês costumam fazer várias parcerias. Como é a escolha dos artistas?
A gente sempre teve a felicidade de ser lembrada para gravar, nossas parcerias sempre foram bem-vindas. Tivemos a felicidade de gravar com mulheres como Naiara Azevedo, Day & Lara, Paula Mattos. Na hora aceitamos, principalmente quando é mulher porque a gente tem uma responsabilidade. Não é uma escolha, a gente espera o convite, amamos ser convidadas. Só não dizemos “sim” quando não temos a data [risos].

Existe alguma possibilidade de rolar uma parceria crossover com outro gênero?
Sim, claro! A gente recebeu agora o convite do Nego do Borel, pretendemos gravar com ele. Tem outras linhas também, fazemos questão de gravar com o pessoal porque daí sela uma amizade, uma troca, isso é muito importante.

Vocês estão embarcando para uma turnê pela Europa. Qual a expectativa?
É a nossa primeira vez fazendo uma turnê internacional. É uma expectativa muito grande. Vamos cantar em Lisboa, Bruxelas e Londres. Com certeza vamos para os Estados Unidos também, era para ter acontecido no ano passado, mas infelizmente não conseguimos ir por questões burocráticas. Nosso maior foco hoje também é poder atender os brasileiros em outros lugares. Não é nem conquistar fãs de outros países, mas atender os brasileiros que estão lá e esperam para ouvir a nossa música.