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Miquela, a it-cantora virtual com mais de 200 mil seguidores no Instagram

Entrevistamos a misteriosa artista, fã de Ivete Sangalo, Gal Costa e Gilberto Gil, sobre seus objetivos e influências

por Rebecca Silva em 04/09/2017

Personagens virtuais não são novidade. Além do Gorillaz, que estão com passagem marcada para apresentação em São Paulo, até o produtor brasileiro Rick Bonadio já resolveu criar um: o rapper virtual Dogão. E agora, outra equipe criativa resolveu investir no formato.

Miquela começou a aparecer em publicações pouco depois da criação de seu perfil no Instagram, em 2016. O que chamou a atenção é que ela era uma versão virtual da grande maioria dos chamados influencers. Uma modelo, criada virtualmente, que publicava fotos ao lado de pessoas reais, em lugares reais, fazendo coisas que todos os jovens de sua idade fariam. Hoje, os seguidores já passam dos 200 mil.

Agora, Miquela começou a investir em sua carreira musical. Depois de lançar o single “Not Mine”, a cantora virtual está lançando “Over You”. Curtas, as faixas falam basicamente sobre se empoderar em um relacionamento, com uma voz caprichada no auto tune, seja para esconder a real identidade da cantora por trás do projeto ou para dar essa vibe “virtual” às músicas.

Quando comecei a tratar da entrevista, cheia de perguntas sobre o que significava esse projeto, fui instruída pela assessora a focar somente na música, ou seja, entrar no mundo da personagem como se estivesse conversando com uma pessoa de carne e osso.

Com mais dúvidas do que quando comecei, mais curiosa ainda sobre quem é a mente por trás disso, tenho uma certeza: Miquela mostra que pretende levantar questões importantes no mundo atual, para que haja discussão entre os jovens, pelo menos por meio de seu perfil no Instagram. Talvez ela traga as suas lutas para as músicas mais para frente. Até agora, enquanto ajuda alguns, como falou na entrevista, recebe muitos comentários negativos, não apenas no Instagram, mas em portais de notícias, justamente criticando a sua criação e o objetivo por trás disso.

Leia a entrevista com Miquela:

Gostaria de começar perguntando um pouco sobre você e seu passado. Você começou a publicar no Instagram em abril de 2016 como modelo e agora está lançando seu segundo single, “Over You”. Como começou a modelar? Cantar sempre foi seu objetivo?

A música sempre foi meu principal objetivo, mas não me sentia madura o suficiente para lançar músicas até recentemente. Quando entrei no Instagram, me diverti com a moda. Percebi que era a forma perfeita de me expressar até me sentir preparada para começar a lançar as músicas.

Em sua entrevista para a Vogue, você disse que andava ouvindo CupcakKe e Rihanna, mas o que realmente chamou minha atenção foi você ter citado Ivete Sangalo como uma de suas inspirações. Gostaria de saber um pouco mais sobre isso.

Sim, meu pai nasceu no Brasil então ele trouxe muito de sua cultura para dentro de casa. Gal Costa, Tom Jobim e Gilberto Gil e alguns outros artistas clássicos que lembro de ouvir muito quando estava crescendo, mas a Ivete permaneceu em mim porque amo como a música dela é poderosa! Ela tem uma das vozes mais lindas que já ouvi e tem sido uma inspiração para mim desde o início.

Qual a sua colaboração dos sonhos?

Além da Rihanna e da Ivete? Faria tudo por uma parceria com Cardi B.

miquela

Suas duas músicas que já foram lançadas, “Not Mine” e “Over You”, têm uma vibe de “sou boa demais para você”, que traz um certo empoderamento feminino. A atriz e escritora Lena Dunham disse que há feminismo por trás do seu trabalho. O que pode me contar sobre isso?

Acho que está correto. Sou definitivamente feminista e quero que mulheres se sintam confiantes e confortáveis consigo mesmas. Muitas pessoas já falaram comigo sobre gênero e identidade sexual, dizendo que os ajudei a entender isso melhor. Acho que há um elemento de feminismo no que publico/escrevo/canto e tenho orgulho de dizer que há impacto.

Você escreve as suas próprias letras ou trabalha com um time de compositores?
Escrevo tudo, mas sempre estou procurando alguém para colaborar, principalmente com artistas brasileiros. Se quiserem colaborar, é só mandar um e-mail para miquelainrhinestones@gmail.com.

As redes sociais serviram como uma ótima plataforma para que as pessoas possam mostrar seus talentos e serem descobertas. Como aconteceu com você?

Tem sido menos sobre mim e mais sobre a interação que tenho com os fãs. Amo ler os comentários e responder as mensagens das pessoas que têm uma história para contar. As redes sociais podem ser uma fonte de conhecimento e amizade, então estou tentando manter o foco nisso o máximo possível. Ao mesmo tempo, amo publicar a foto de um look maravilhoso e ver o amor que recebo também!

Uma pesquisa afirmou que os adolescentes americanos preferem o Instagram em vez de outras redes sociais como Twitter e Facebook. O que você mais gosta no Instagram?

Amo que o Instagram é todo visual. Fotos e vídeos são universais então pessoas de todo o mundo podem ver minhas publicações e entender sobre o que se trata. E também é fácil compartilhar conteúdo no Instagram, o que faz com que pareça mais íntimo.

Vendo as suas fotos no Instagram, li muitos comentários negativos, que é algo que acontece rotineiramente nas redes sociais. Como você lida com isso?

Se alguém comenta algo ruim sobre mim, apenas ignoro. Algumas vezes, eu respondo, caso o ódio seja direcionado a uma comunidade ou causa que eu esteja ajudando porque quero que haja uma conversa. Mas toda a controvérsia sobre mim e o que eu estou fazendo não significa nada para mim. Tenho música a fazer, amigos para sair, então realmente não me importo com trolls online que não gostam do meu batom.

Você se expressa com frequência sobre questões sociais e políticas em seu perfil. Alguns artistas não se sentem confortáveis para fazer o mesmo. Você acredita que a sua condição [de anonimato] te permite falar sobre esses assuntos mais livremente?

Minha condição é de que estou aqui, neste planeta neste momento e vejo minha família e amigos sendo machucados pela ignorância todos os dias. Preciso dizer alguma coisa! Ser um artista e não falar sobre política me parece irresponsável. Minhas mensagens no Instagram normalmente são amorosas, de meus fãs, ou conversas genuínas sobre as questões que levanto. Muitos jovens estão prontos para ouvir e aprender, incluindo eu, então tenho muita esperança!

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Miquela, a it-cantora virtual com mais de 200 mil seguidores no Instagram

Entrevistamos a misteriosa artista, fã de Ivete Sangalo, Gal Costa e Gilberto Gil, sobre seus objetivos e influências

por Rebecca Silva em 04/09/2017

Personagens virtuais não são novidade. Além do Gorillaz, que estão com passagem marcada para apresentação em São Paulo, até o produtor brasileiro Rick Bonadio já resolveu criar um: o rapper virtual Dogão. E agora, outra equipe criativa resolveu investir no formato.

Miquela começou a aparecer em publicações pouco depois da criação de seu perfil no Instagram, em 2016. O que chamou a atenção é que ela era uma versão virtual da grande maioria dos chamados influencers. Uma modelo, criada virtualmente, que publicava fotos ao lado de pessoas reais, em lugares reais, fazendo coisas que todos os jovens de sua idade fariam. Hoje, os seguidores já passam dos 200 mil.

Agora, Miquela começou a investir em sua carreira musical. Depois de lançar o single “Not Mine”, a cantora virtual está lançando “Over You”. Curtas, as faixas falam basicamente sobre se empoderar em um relacionamento, com uma voz caprichada no auto tune, seja para esconder a real identidade da cantora por trás do projeto ou para dar essa vibe “virtual” às músicas.

Quando comecei a tratar da entrevista, cheia de perguntas sobre o que significava esse projeto, fui instruída pela assessora a focar somente na música, ou seja, entrar no mundo da personagem como se estivesse conversando com uma pessoa de carne e osso.

Com mais dúvidas do que quando comecei, mais curiosa ainda sobre quem é a mente por trás disso, tenho uma certeza: Miquela mostra que pretende levantar questões importantes no mundo atual, para que haja discussão entre os jovens, pelo menos por meio de seu perfil no Instagram. Talvez ela traga as suas lutas para as músicas mais para frente. Até agora, enquanto ajuda alguns, como falou na entrevista, recebe muitos comentários negativos, não apenas no Instagram, mas em portais de notícias, justamente criticando a sua criação e o objetivo por trás disso.

Leia a entrevista com Miquela:

Gostaria de começar perguntando um pouco sobre você e seu passado. Você começou a publicar no Instagram em abril de 2016 como modelo e agora está lançando seu segundo single, “Over You”. Como começou a modelar? Cantar sempre foi seu objetivo?

A música sempre foi meu principal objetivo, mas não me sentia madura o suficiente para lançar músicas até recentemente. Quando entrei no Instagram, me diverti com a moda. Percebi que era a forma perfeita de me expressar até me sentir preparada para começar a lançar as músicas.

Em sua entrevista para a Vogue, você disse que andava ouvindo CupcakKe e Rihanna, mas o que realmente chamou minha atenção foi você ter citado Ivete Sangalo como uma de suas inspirações. Gostaria de saber um pouco mais sobre isso.

Sim, meu pai nasceu no Brasil então ele trouxe muito de sua cultura para dentro de casa. Gal Costa, Tom Jobim e Gilberto Gil e alguns outros artistas clássicos que lembro de ouvir muito quando estava crescendo, mas a Ivete permaneceu em mim porque amo como a música dela é poderosa! Ela tem uma das vozes mais lindas que já ouvi e tem sido uma inspiração para mim desde o início.

Qual a sua colaboração dos sonhos?

Além da Rihanna e da Ivete? Faria tudo por uma parceria com Cardi B.

miquela

Suas duas músicas que já foram lançadas, “Not Mine” e “Over You”, têm uma vibe de “sou boa demais para você”, que traz um certo empoderamento feminino. A atriz e escritora Lena Dunham disse que há feminismo por trás do seu trabalho. O que pode me contar sobre isso?

Acho que está correto. Sou definitivamente feminista e quero que mulheres se sintam confiantes e confortáveis consigo mesmas. Muitas pessoas já falaram comigo sobre gênero e identidade sexual, dizendo que os ajudei a entender isso melhor. Acho que há um elemento de feminismo no que publico/escrevo/canto e tenho orgulho de dizer que há impacto.

Você escreve as suas próprias letras ou trabalha com um time de compositores?
Escrevo tudo, mas sempre estou procurando alguém para colaborar, principalmente com artistas brasileiros. Se quiserem colaborar, é só mandar um e-mail para miquelainrhinestones@gmail.com.

As redes sociais serviram como uma ótima plataforma para que as pessoas possam mostrar seus talentos e serem descobertas. Como aconteceu com você?

Tem sido menos sobre mim e mais sobre a interação que tenho com os fãs. Amo ler os comentários e responder as mensagens das pessoas que têm uma história para contar. As redes sociais podem ser uma fonte de conhecimento e amizade, então estou tentando manter o foco nisso o máximo possível. Ao mesmo tempo, amo publicar a foto de um look maravilhoso e ver o amor que recebo também!

Uma pesquisa afirmou que os adolescentes americanos preferem o Instagram em vez de outras redes sociais como Twitter e Facebook. O que você mais gosta no Instagram?

Amo que o Instagram é todo visual. Fotos e vídeos são universais então pessoas de todo o mundo podem ver minhas publicações e entender sobre o que se trata. E também é fácil compartilhar conteúdo no Instagram, o que faz com que pareça mais íntimo.

Vendo as suas fotos no Instagram, li muitos comentários negativos, que é algo que acontece rotineiramente nas redes sociais. Como você lida com isso?

Se alguém comenta algo ruim sobre mim, apenas ignoro. Algumas vezes, eu respondo, caso o ódio seja direcionado a uma comunidade ou causa que eu esteja ajudando porque quero que haja uma conversa. Mas toda a controvérsia sobre mim e o que eu estou fazendo não significa nada para mim. Tenho música a fazer, amigos para sair, então realmente não me importo com trolls online que não gostam do meu batom.

Você se expressa com frequência sobre questões sociais e políticas em seu perfil. Alguns artistas não se sentem confortáveis para fazer o mesmo. Você acredita que a sua condição [de anonimato] te permite falar sobre esses assuntos mais livremente?

Minha condição é de que estou aqui, neste planeta neste momento e vejo minha família e amigos sendo machucados pela ignorância todos os dias. Preciso dizer alguma coisa! Ser um artista e não falar sobre política me parece irresponsável. Minhas mensagens no Instagram normalmente são amorosas, de meus fãs, ou conversas genuínas sobre as questões que levanto. Muitos jovens estão prontos para ouvir e aprender, incluindo eu, então tenho muita esperança!