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Morre o produtor e arranjador Lincoln Olivetti, presença marcante na MPB

por em 14/01/2015
ong>Por José Flávio Júnior Morreu ontem (13/01), vítima de um infarto, o pianista, arranjador e produtor Lincoln Olivetti. Com centenas de trabalhos no currículo, Olivetti tinha 60 anos e estava envolvido na gravação do próximo disco de Gal Costa, cuidando dos arranjos de algumas faixas. Ao longo da carreira, o maestro nascido em Nilópolis (RJ) trabalhou com Roberto Carlos, Tim Maia, Elba Ramalho, Gilberto Gil, Jorge Ben Jor, Rita Lee, Lulu Santos... Praticamente todo mundo que importa na música popular brasileira. Sua atuação no mercado fonográfico se intensificou na segunda metade dos anos 70, quando assinou os arranjos de trilhas de novelas de muito sucesso, caso de Dancin’ Days (1978), e deu a cara para MPB mais moderna dos anos 80. Os detratores acusavam Olivetti de ter pasteurizado a produção nacional com sua onipresença e busca incessante por um padrão internacional de gravação, numa época em que várias novidades tecnológicas chegavam ao estúdio. Após uma atuação mais tímida nos anos 90 e no começo do milênio, quando trabalhou com Paula Lima e participou do Acústico MTV dos Engenheiros do Hawaii, o músico foi descoberto por uma nova geração. Seu disco em parceria com Robson Jorge (falecido em 1993), que chegou ao mercado em 1982, trazendo o hit “Aleluia”, virou motivo de culto, ganhando reedição em CD pela gravadora Trama, além de menções na mídia especializada internacional. Em 2011, em função de um show em homenagem à sua obra, quando atuou ladeado por músicos como Davi Moraes e Donatinho, Olivetti deu uma entrevista para a Folha de S. Paulo na qual falou sobre seu ofício, afirmando nunca ter recusado um arranjo para alguém. “Se você é profissional, tem de saber fazer qualquer música soar bem. Para mim, ao fazer um arranjo, um artista que está começando hoje é tão importante quanto o Roberto Carlos. Nessa hora, não tem ídolo”, declarou. As redes sociais amanheceram coalhadas de músicos lamentando o passamento do maestro. De Maria Rita a Marcelo Jeneci, de Ed Motta a Emicida, muitos colegas postaram textos emocionados, fotos e músicas exaltando o produtor musical. Um dos mais consternados com a notícia foi Kamal Kassin, que avisou que não falará sobre o assunto por enquanto. “Sem palavras hoje. Morreu um dos meus grandes ídolos e amigo querido”, limitou-se a dizer no Facebook o produtor e baixista da Orquestra Imperial. Kassin é um dos grandes responsáveis pela revitalização de Olivetti, divulgando o trabalho do mestre em inúmeras oportunidades. Seu post tem atraído comentários de artistas tão distantes quanto Zélia Duncan e Rodrigo Gorky (Bonde Do Rolê), todos tristes com a notícia. Outro produtor, o gaúcho Carlos Eduardo Miranda, reconheceu o papel de Lincoln num momento específico da música brasileira. “Ele conseguiu trazer para a MPB uma dose de refinamento e virtuosismo que não se faziam tão presentes na produção dos anos 70. Deixou um legado subentendido, muito maior do que o facilmente reconhecível”, definiu Miranda. Gustavo Ruiz, produtor dos dois discos de Tulipa Ruiz e referência da nova geração, foi mais longe. “O que Lincoln Olivetti fez pela música pop brasileira pode se comparar ao que protudores/arranjadores como Quincy Jones fizeram pela música pop americana”, defendeu. https://www.youtube.com/watch?v=GqXI74UZkBk
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Morre o produtor e arranjador Lincoln Olivetti, presença marcante na MPB

por em 14/01/2015
ong>Por José Flávio Júnior Morreu ontem (13/01), vítima de um infarto, o pianista, arranjador e produtor Lincoln Olivetti. Com centenas de trabalhos no currículo, Olivetti tinha 60 anos e estava envolvido na gravação do próximo disco de Gal Costa, cuidando dos arranjos de algumas faixas. Ao longo da carreira, o maestro nascido em Nilópolis (RJ) trabalhou com Roberto Carlos, Tim Maia, Elba Ramalho, Gilberto Gil, Jorge Ben Jor, Rita Lee, Lulu Santos... Praticamente todo mundo que importa na música popular brasileira. Sua atuação no mercado fonográfico se intensificou na segunda metade dos anos 70, quando assinou os arranjos de trilhas de novelas de muito sucesso, caso de Dancin’ Days (1978), e deu a cara para MPB mais moderna dos anos 80. Os detratores acusavam Olivetti de ter pasteurizado a produção nacional com sua onipresença e busca incessante por um padrão internacional de gravação, numa época em que várias novidades tecnológicas chegavam ao estúdio. Após uma atuação mais tímida nos anos 90 e no começo do milênio, quando trabalhou com Paula Lima e participou do Acústico MTV dos Engenheiros do Hawaii, o músico foi descoberto por uma nova geração. Seu disco em parceria com Robson Jorge (falecido em 1993), que chegou ao mercado em 1982, trazendo o hit “Aleluia”, virou motivo de culto, ganhando reedição em CD pela gravadora Trama, além de menções na mídia especializada internacional. Em 2011, em função de um show em homenagem à sua obra, quando atuou ladeado por músicos como Davi Moraes e Donatinho, Olivetti deu uma entrevista para a Folha de S. Paulo na qual falou sobre seu ofício, afirmando nunca ter recusado um arranjo para alguém. “Se você é profissional, tem de saber fazer qualquer música soar bem. Para mim, ao fazer um arranjo, um artista que está começando hoje é tão importante quanto o Roberto Carlos. Nessa hora, não tem ídolo”, declarou. As redes sociais amanheceram coalhadas de músicos lamentando o passamento do maestro. De Maria Rita a Marcelo Jeneci, de Ed Motta a Emicida, muitos colegas postaram textos emocionados, fotos e músicas exaltando o produtor musical. Um dos mais consternados com a notícia foi Kamal Kassin, que avisou que não falará sobre o assunto por enquanto. “Sem palavras hoje. Morreu um dos meus grandes ídolos e amigo querido”, limitou-se a dizer no Facebook o produtor e baixista da Orquestra Imperial. Kassin é um dos grandes responsáveis pela revitalização de Olivetti, divulgando o trabalho do mestre em inúmeras oportunidades. Seu post tem atraído comentários de artistas tão distantes quanto Zélia Duncan e Rodrigo Gorky (Bonde Do Rolê), todos tristes com a notícia. Outro produtor, o gaúcho Carlos Eduardo Miranda, reconheceu o papel de Lincoln num momento específico da música brasileira. “Ele conseguiu trazer para a MPB uma dose de refinamento e virtuosismo que não se faziam tão presentes na produção dos anos 70. Deixou um legado subentendido, muito maior do que o facilmente reconhecível”, definiu Miranda. Gustavo Ruiz, produtor dos dois discos de Tulipa Ruiz e referência da nova geração, foi mais longe. “O que Lincoln Olivetti fez pela música pop brasileira pode se comparar ao que protudores/arranjadores como Quincy Jones fizeram pela música pop americana”, defendeu. https://www.youtube.com/watch?v=GqXI74UZkBk