NOTÍCIAS

Musicais que gostam de rock

De Cássia Eller ao glam rock dos anos 80, os espetáculos montados nos palcos paulistanos atendem a todos os gostos; homenagem à Jovem Guarda está nos últimos dias

por Edianez Parente em 30/08/2017

Dentre os espetáculos musicais que balançam os teatros paulistanos nos últimos tempos, com grandes sucessos da Broadway e produções originais locais, o rock manda o seu recado. A reportagem conferiu alguns dos que estiveram em cartaz no último mês na cidade.

60! Década de Arromba é um passeio de época. Não só pela música, mas também pelos acontecimentos daquele tempo que são apresentados em formato de retrospectiva e documentário. Ano a ano, aos acontecimentos do Brasil soma-se uma coletânea de fatos que se passavam no mundo, especialmente nos Estados Unidos e Europa. Assim, se nos lembram que o filme O Pagador de Promessas levou a Palma de Ouro em Cannes (em 1962), também somos rememorados do assassinato de JFK (1963) ou de Martin Luther King (1968), nos EUA, ao som dos hits daqueles anos.

O revival começa quando você adentra o teatro. Senta na plateia e já tem a visão de objetos vintage das décadas passadas, com uma série de artigos de brechó colocados ao redor do palco, servindo de moldura para o cenário: um rádio antigo, discos de vinil, a frente de um Fusca azul.

wanderlea-01Fotos: Daniel Seabra/Serendipity Inc./Divulgação

Ao fim desta temporada – que vai até 10 de setembro – terão sido mais de 160 apresentações do espetáculo, que está há mais de um ano e meio em cartaz, tendo estreado no Rio de Janeiro.

Cada música de sucesso ganha uma encenação, com figurinos e detalhes de época na voz e passos de mais de duas dezenas de cantores/dançarinos. 

Não há um rigor formal na historiografia da década e os efeitos dos anos de ditadura na produção cultural do período não chegam a ser aprofundados. Mas merecem alguns flashes fatos marcantes, como os festivais da canção da Record com suas letras de protesto, as passeatas nas ruas, a rebeldia juvenil que culminaria na geração hippie.  

A cantora Wanderléa é a grande estrela deste musical, mas a peça não gira somente ao seu redor - a primeira hora e meia do espetáculo é um desfile de hits dos anos 60 que culminam na chegada da Jovem Guarda, período que a Ternurinha resgata junto ao que tem direito. Ele vem com tudo: das famosas botas de cano longo (que neste inverno voltaram com tudo à moda) à motoca reluzente, com um figurino digno de estrela do pop.

Wanderléa se emociona muito ao final da apresentação, nos agradecimentos, e aí que vemos como a homenagem cai bem tanto aos ídolos como aos fãs, numa plateia que a aplaude efusivamente. A produção é boa e a diversão, garantida - tanto que já pululam nas redes campanha para que os produtores repitam a dose com versões de musicais para os anos 70 e também para os loucos anos 80. É aguardar.

wanderlea-03

Cássia Eller - o Musical encena em forma de biografia romanceada a vida e trajetória da cantora, que morreu aos 39 anos, em 2001. A despeito do talento de todos no palco - músicos, intérpretes, atores - nada adiantaria se a intérprete do papel principal não representasse tão bem a artista. A curitibana Tacy de Campos tem um timbre que muito se assemelha à voz potente e rasgada de Cássia e, à falta de semelhança física, dotou-se dos trejeitos e incorporou o visual, estilo e gestual da cantora de forma muito fiel. Está tudo ali: o corte do cabelo, roupas folgadas, andar masculinizado, muito uso de gírias e palavrões, além da mania da cantora de pôr os seios à mostra. O espetáculo já foi visto por mais de 150 mil espectadores - a peça foi apresentada em todas as capitais dos estados brasileiros e encerrou sua passagem por São Paulo nesse mês de agosto. Além da potência vocal da intérprete, o espetáculo traz algumas passagens que ilustram bem como nasciam e se relacionavam entre si e com a indústria da música as estrelas brasileiras do rock nacional no fim dos anos 80 e por todos os anos 90.

Em contraposição a estes roteiros locais, uma superprodução muito ao estilo Broadway também tratou de rock nestes dias em São Paulo, tendo encerrado temporada no final das férias. A Era do Rock abordou um tema até exótico para os palcos nacionais, trazendo o glam rock californiano dos anos 80, uma década de muito exagero no visual e de muita pose no rock'n'roll.  O resultado foi um espetáculo divertido, puro entretenimento, embalado por sucessos nunca antes encenados por estes palcos, trazendo hits de bandas como Twisted Sisters, Poison, Journey, Bon Jovi, Extreme, entre outros, para muitos eternamente marcados como exemplares do "rock farofa". Como todo espetáculo da Broadway que se preze, tudo muito pontuado por uma história de amor.

Serviço:
60! Década de Arromba – Doc. Musical
Theatro NET São Paulo – Shopping Vila Olímpia
Horários: 20h30 (quintas e sextas), 17h e 21h (sábados) e 17h (domingos), até 10 de setembro.
Ingressos: Nas bilheterias ou pelo site Ingresso Rápido.

  • HOT 100
    BRASIL
  • BILLBOARD
    200
  • HOT 100
    EUA
1
Eu Vou Te Buscar (Cha La La La La) (part. Hungria Hip Hop)
Gusttavo LIma
2
Amor Da Sua Cama
Felipe Araújo
3
Saudade
Eduardo Costa
4
Bengala E Crochê
Maiara & Maraisa
5
De Quem É A Culpa?
Marília Mendonça
RANKING COMPLETO
NOTÍCIAS

Musicais que gostam de rock

De Cássia Eller ao glam rock dos anos 80, os espetáculos montados nos palcos paulistanos atendem a todos os gostos; homenagem à Jovem Guarda está nos últimos dias

por Edianez Parente em 30/08/2017

Dentre os espetáculos musicais que balançam os teatros paulistanos nos últimos tempos, com grandes sucessos da Broadway e produções originais locais, o rock manda o seu recado. A reportagem conferiu alguns dos que estiveram em cartaz no último mês na cidade.

60! Década de Arromba é um passeio de época. Não só pela música, mas também pelos acontecimentos daquele tempo que são apresentados em formato de retrospectiva e documentário. Ano a ano, aos acontecimentos do Brasil soma-se uma coletânea de fatos que se passavam no mundo, especialmente nos Estados Unidos e Europa. Assim, se nos lembram que o filme O Pagador de Promessas levou a Palma de Ouro em Cannes (em 1962), também somos rememorados do assassinato de JFK (1963) ou de Martin Luther King (1968), nos EUA, ao som dos hits daqueles anos.

O revival começa quando você adentra o teatro. Senta na plateia e já tem a visão de objetos vintage das décadas passadas, com uma série de artigos de brechó colocados ao redor do palco, servindo de moldura para o cenário: um rádio antigo, discos de vinil, a frente de um Fusca azul.

wanderlea-01Fotos: Daniel Seabra/Serendipity Inc./Divulgação

Ao fim desta temporada – que vai até 10 de setembro – terão sido mais de 160 apresentações do espetáculo, que está há mais de um ano e meio em cartaz, tendo estreado no Rio de Janeiro.

Cada música de sucesso ganha uma encenação, com figurinos e detalhes de época na voz e passos de mais de duas dezenas de cantores/dançarinos. 

Não há um rigor formal na historiografia da década e os efeitos dos anos de ditadura na produção cultural do período não chegam a ser aprofundados. Mas merecem alguns flashes fatos marcantes, como os festivais da canção da Record com suas letras de protesto, as passeatas nas ruas, a rebeldia juvenil que culminaria na geração hippie.  

A cantora Wanderléa é a grande estrela deste musical, mas a peça não gira somente ao seu redor - a primeira hora e meia do espetáculo é um desfile de hits dos anos 60 que culminam na chegada da Jovem Guarda, período que a Ternurinha resgata junto ao que tem direito. Ele vem com tudo: das famosas botas de cano longo (que neste inverno voltaram com tudo à moda) à motoca reluzente, com um figurino digno de estrela do pop.

Wanderléa se emociona muito ao final da apresentação, nos agradecimentos, e aí que vemos como a homenagem cai bem tanto aos ídolos como aos fãs, numa plateia que a aplaude efusivamente. A produção é boa e a diversão, garantida - tanto que já pululam nas redes campanha para que os produtores repitam a dose com versões de musicais para os anos 70 e também para os loucos anos 80. É aguardar.

wanderlea-03

Cássia Eller - o Musical encena em forma de biografia romanceada a vida e trajetória da cantora, que morreu aos 39 anos, em 2001. A despeito do talento de todos no palco - músicos, intérpretes, atores - nada adiantaria se a intérprete do papel principal não representasse tão bem a artista. A curitibana Tacy de Campos tem um timbre que muito se assemelha à voz potente e rasgada de Cássia e, à falta de semelhança física, dotou-se dos trejeitos e incorporou o visual, estilo e gestual da cantora de forma muito fiel. Está tudo ali: o corte do cabelo, roupas folgadas, andar masculinizado, muito uso de gírias e palavrões, além da mania da cantora de pôr os seios à mostra. O espetáculo já foi visto por mais de 150 mil espectadores - a peça foi apresentada em todas as capitais dos estados brasileiros e encerrou sua passagem por São Paulo nesse mês de agosto. Além da potência vocal da intérprete, o espetáculo traz algumas passagens que ilustram bem como nasciam e se relacionavam entre si e com a indústria da música as estrelas brasileiras do rock nacional no fim dos anos 80 e por todos os anos 90.

Em contraposição a estes roteiros locais, uma superprodução muito ao estilo Broadway também tratou de rock nestes dias em São Paulo, tendo encerrado temporada no final das férias. A Era do Rock abordou um tema até exótico para os palcos nacionais, trazendo o glam rock californiano dos anos 80, uma década de muito exagero no visual e de muita pose no rock'n'roll.  O resultado foi um espetáculo divertido, puro entretenimento, embalado por sucessos nunca antes encenados por estes palcos, trazendo hits de bandas como Twisted Sisters, Poison, Journey, Bon Jovi, Extreme, entre outros, para muitos eternamente marcados como exemplares do "rock farofa". Como todo espetáculo da Broadway que se preze, tudo muito pontuado por uma história de amor.

Serviço:
60! Década de Arromba – Doc. Musical
Theatro NET São Paulo – Shopping Vila Olímpia
Horários: 20h30 (quintas e sextas), 17h e 21h (sábados) e 17h (domingos), até 10 de setembro.
Ingressos: Nas bilheterias ou pelo site Ingresso Rápido.