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Músicos nordestinos trazem a beleza e a força da região para esquentar o João Rock

Em noite fria, Zé Ramalho, Alceu Valença, Lenine e Nação Zumbi acrescentam muito forró e muita política à edição

Neste ano, o João Rock optou por uma aposta diferente no seu palco secundário, o Brasil. Se no ano passado, o palco serviu para comemorar os 15 anos do festival, dessa vez rolou um especial Nordeste, só com músicos da região.

JOÃO ROCK 2017: 55 MIL PESSOAS QUE NÃO TEMERAM O FRIO

Um pouco atrasado por causa do trânsito, Zé Ramalho abriu o palco com seu típico look sertanejo e hits messiânicos. A área ao fundo do Parque Permanente de Exposições de Ribeirão Preto estava lotada. Não seria injusto dizer que, naquele momento, seu show tinha uma adesão maior do que a do regueiro Armandinho, que tocava no palco principal no mesmo horário.

Pôr do sol durante a edição 2017 do João Rock.

firehousemedia/Divulgação

Visão geral do João Rock, que recebeu 55 mil pessoas no último sábado (10/06).

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Zé Ramalho abriu os trabalhos no Palco Nordeste.

Joshua Bryan/Denilson Santos/AgNews/Divulgação

Em muitos momentos, o Palco Nordeste atraiu mais público do que o principal.

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Alceu dominou o Palco Nordeste logo depois de Zé Ramalho.

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Uma tarde de clássicos da música do Nordeste no João Rock.

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O Capital Inicial começou e terminou o seu show com protesto e coro de "Fora, Temer!".

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CPM 22: Badauí e o onipresente Arthur, filho do guitarrista, Luciano.

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Luciano, seu filho Arthur (aniversariante do dia) e Badauí.

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Pitty fez o show mais esperado e comemorado da noite. Flagrante do comecinho da apresentação, em "Admirável Chip Novo".

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Pitty durante o João Rock 2017.

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A cantora estava há um ano e meio afastada dos palcos e deve fazer mais shows em festivais até o fim de 2017.

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Pitty durante apresentação no palco principal do João Rock 2017.

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Pitty e o público do João Rock 2017.

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Emicida e um dos seus convidados, Coruja BC1.

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Emicida no João Rock 2017. "Ah, meu nome de batismo é Leandro Roque, eu vim porque sou herdeiro, tá ligado [risos]?", disse à reportagem da Billboard Brasil ao ser perguntado sobre encerrar o festival.

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Com um público diverso, mas composto em grande parte por jovens que não tinham nem nascido quando ele compôs grande parte das músicas tocadas, o músico ganhou gritos de “lindo” e “gostoso” das jovens adolescentes. Zé Ramalho fez um show de hits, perfeito para um festival: “Taxi Lunar”, “Eternas Ondas”, “Avôhai” e “Beira-Mar”, com o auge em “Admirável Gado Novo”.

O horário das 17h, que geralmente não é favorável para os artistas, mostrou-se ideal: sob o pôr do sol e temperatura agradável, o paraibano agitou uma plateia enorme e engajada com músicas suas e gravações de Raul Seixas (“Gitã” e “Medo da Chuva”), que encerraram a apresentação.

Alceu Valença substituiu o parceiro paraibano às 19h. À frente de uma plateia igualmente expressiva e jovem, o pernambucano mostrou que tem tanto (ou mais) pique que a maioria dos fãs.

Em meio à turnê O Grande Encontro: 20 Anos, com Geraldo Azevedo e Elba Ramalho, e à Revivo!, em que relê três de seus discos mais respeitados, a apresentação foi uma mistura entre sucessos de sua carreira (“Como Dois Animais”, “Girassol”, “Coração Bobo”), sucessos nordestinos de Luiz Gonzaga (“Sabiá” e “Pagode Russo”) e algumas de suas músicas aclamadas dos anos 70 (“Papagaio do Futuro”) – destaque para a excelente banda que o acompanha. Valença pula, corre, faz piada, cria clima de carnaval no frio do interior paulista. Nenhuma surpresa para quem já o viu ao vivo, mas uma grande animação para os jovens que ele regia com palmas. Armandinho acompanhava tudo no backstage. Por fim, em “Morena Tropicana”, ele deu ainda ares políticos à apresentação ao pedir “Diretas Já!”. Animado, gravou do seu celular o público entoando “Fora, Temer!”.

Seu conterrâneo Lenine enfrentou um pouco mais de dificuldade. Já sob uma temperatura baixa, cerca de 12 graus, às 21h, o músico teve de competir com o retorno da roqueira Pitty, que subia ao palco principal depois de mais de um ano e meio sem se apresentar, em uma licença maternidade.

UM ANO E MEIO DEPOIS, PITTY VOLTA AOS PALCOS EM GRANDE ESTILO NO JOÃO ROCK

Lenine recebeu um público um pouco menor e mais velho que seus antecessores – o que não fez diferença, quem estava lá cantava em coro o que o músico puxava. Como os dois, o pernambucano fez um show só com hits, como “Jack Soul Brasileiro” e “Hoje Eu Quero Sair Só”. Em” Paciência”, quase não tocou no microfone: o público sabia a letra completa. O músico não falou tanto, mas, quase no final, também fez sua intervenção política. “Primeiramente: fora, Temer!”, proclamou, acompanhado pelo público. No fundo, o excelente guitarrista Paulo Rafael, de Valença, acompanhava e dançava. Ali ficaria até o fim da noite.

Para fechar o palco, já às 23h, os também pernambucanos da Nação Zumbi tinham como objetivo enfrentar o frio que assolava quem já resistia a mais de oito horas de festa. Engajado, o vocalista Jorge du Peixe começou a apresentação com um grito de “Fora, Temer!”. Esta seria apenas uma das intervenções de protesto da noite, que também teria como foco o ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal.

O batuque que lhe é peculiar e a guitarra frenética de Lúcio Maia conseguiram mascarar os termômetros que já marcavam abaixo dos 10º. O público, o mais jovem do dia no palco, pulou com os sucessos “Hoje, Amanhã e Depois”, “Bossa Nostra” e “Meu Maracatu Pesa Uma Tonelada”, mas foram os hits do tempo de Chico Science que mais agitaram a noite. “Manguetown” e “Macô”, do Afrociberdelia, seguidos por “Maracatu Atômico”, de Jorge Mautner, que, entre os menores de 30 anos, é praticamente da banda pernambucana. “Quando a Maré Encher”, outro hino do manguebeat, encerrou a noite.

O João Rock acertou na aposta ousada de um especial voltado à música nordestina. Quem achou que um palco encabeçado por astros da chamada MPB, dois deles dos anos 1970, envelheceria o público errou. Os músicos trouxeram a animação, o calor, o forró, o carnaval, a política e a complexidade que fazem o Nordeste ser o que é para esquentar a noite paulista. Conseguiram.

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Eu Vou Te Buscar (Cha La La La La) (part. Hungria Hip Hop)
Gusttavo LIma
2
Saudade
Eduardo Costa
3
De Quem É A Culpa?
Marília Mendonça
4
Bengala E Crochê
Maiara & Maraisa
5
Aquela Pessoa
Henrique & Juliano
RANKING COMPLETO
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Músicos nordestinos trazem a beleza e a força da região para esquentar o João Rock

Em noite fria, Zé Ramalho, Alceu Valença, Lenine e Nação Zumbi acrescentam muito forró e muita política à edição

por Lucas Borges Teixeira em 11/06/2017

Neste ano, o João Rock optou por uma aposta diferente no seu palco secundário, o Brasil. Se no ano passado, o palco serviu para comemorar os 15 anos do festival, dessa vez rolou um especial Nordeste, só com músicos da região.

JOÃO ROCK 2017: 55 MIL PESSOAS QUE NÃO TEMERAM O FRIO

Um pouco atrasado por causa do trânsito, Zé Ramalho abriu o palco com seu típico look sertanejo e hits messiânicos. A área ao fundo do Parque Permanente de Exposições de Ribeirão Preto estava lotada. Não seria injusto dizer que, naquele momento, seu show tinha uma adesão maior do que a do regueiro Armandinho, que tocava no palco principal no mesmo horário.

Pôr do sol durante a edição 2017 do João Rock.

firehousemedia/Divulgação

Visão geral do João Rock, que recebeu 55 mil pessoas no último sábado (10/06).

firehousemedia/Divulgação

Zé Ramalho abriu os trabalhos no Palco Nordeste.

Joshua Bryan/Denilson Santos/AgNews/Divulgação

Em muitos momentos, o Palco Nordeste atraiu mais público do que o principal.

Joshua Bryan/Denilson Santos/AgNews/Divulgação

Alceu dominou o Palco Nordeste logo depois de Zé Ramalho.

Joshua Bryan/Denilson Santos/AgNews/Divulgação

Uma tarde de clássicos da música do Nordeste no João Rock.

Joshua Bryan/Denilson Santos/AgNews/Divulgação

O Capital Inicial começou e terminou o seu show com protesto e coro de "Fora, Temer!".

Joshua Bryan/Denilson Santos/AgNews/Divulgação

CPM 22: Badauí e o onipresente Arthur, filho do guitarrista, Luciano.

Joshua Bryan/Denilson Santos/AgNews/Divulgação

Luciano, seu filho Arthur (aniversariante do dia) e Badauí.

Joshua Bryan/Denilson Santos/AgNews/Divulgação

Pitty fez o show mais esperado e comemorado da noite. Flagrante do comecinho da apresentação, em "Admirável Chip Novo".

Joshua Bryan/Denilson Santos/AgNews/Divulgação

Pitty durante o João Rock 2017.

Joshua Bryan/Denilson Santos/AgNews/Divulgação

A cantora estava há um ano e meio afastada dos palcos e deve fazer mais shows em festivais até o fim de 2017.

Joshua Bryan/Denilson Santos/AgNews/Divulgação

Pitty durante apresentação no palco principal do João Rock 2017.

Joshua Bryan/Denilson Santos/AgNews/Divulgação

Pitty e o público do João Rock 2017.

Joshua Bryan/Denilson Santos/AgNews/Divulgação

Emicida e um dos seus convidados, Coruja BC1.

Joshua Bryan/Denilson Santos/AgNews/Divulgação

Emicida no João Rock 2017. "Ah, meu nome de batismo é Leandro Roque, eu vim porque sou herdeiro, tá ligado [risos]?", disse à reportagem da Billboard Brasil ao ser perguntado sobre encerrar o festival.

Joshua Bryan/Denilson Santos/AgNews/Divulgação

Com um público diverso, mas composto em grande parte por jovens que não tinham nem nascido quando ele compôs grande parte das músicas tocadas, o músico ganhou gritos de “lindo” e “gostoso” das jovens adolescentes. Zé Ramalho fez um show de hits, perfeito para um festival: “Taxi Lunar”, “Eternas Ondas”, “Avôhai” e “Beira-Mar”, com o auge em “Admirável Gado Novo”.

O horário das 17h, que geralmente não é favorável para os artistas, mostrou-se ideal: sob o pôr do sol e temperatura agradável, o paraibano agitou uma plateia enorme e engajada com músicas suas e gravações de Raul Seixas (“Gitã” e “Medo da Chuva”), que encerraram a apresentação.

Alceu Valença substituiu o parceiro paraibano às 19h. À frente de uma plateia igualmente expressiva e jovem, o pernambucano mostrou que tem tanto (ou mais) pique que a maioria dos fãs.

Em meio à turnê O Grande Encontro: 20 Anos, com Geraldo Azevedo e Elba Ramalho, e à Revivo!, em que relê três de seus discos mais respeitados, a apresentação foi uma mistura entre sucessos de sua carreira (“Como Dois Animais”, “Girassol”, “Coração Bobo”), sucessos nordestinos de Luiz Gonzaga (“Sabiá” e “Pagode Russo”) e algumas de suas músicas aclamadas dos anos 70 (“Papagaio do Futuro”) – destaque para a excelente banda que o acompanha. Valença pula, corre, faz piada, cria clima de carnaval no frio do interior paulista. Nenhuma surpresa para quem já o viu ao vivo, mas uma grande animação para os jovens que ele regia com palmas. Armandinho acompanhava tudo no backstage. Por fim, em “Morena Tropicana”, ele deu ainda ares políticos à apresentação ao pedir “Diretas Já!”. Animado, gravou do seu celular o público entoando “Fora, Temer!”.

Seu conterrâneo Lenine enfrentou um pouco mais de dificuldade. Já sob uma temperatura baixa, cerca de 12 graus, às 21h, o músico teve de competir com o retorno da roqueira Pitty, que subia ao palco principal depois de mais de um ano e meio sem se apresentar, em uma licença maternidade.

UM ANO E MEIO DEPOIS, PITTY VOLTA AOS PALCOS EM GRANDE ESTILO NO JOÃO ROCK

Lenine recebeu um público um pouco menor e mais velho que seus antecessores – o que não fez diferença, quem estava lá cantava em coro o que o músico puxava. Como os dois, o pernambucano fez um show só com hits, como “Jack Soul Brasileiro” e “Hoje Eu Quero Sair Só”. Em” Paciência”, quase não tocou no microfone: o público sabia a letra completa. O músico não falou tanto, mas, quase no final, também fez sua intervenção política. “Primeiramente: fora, Temer!”, proclamou, acompanhado pelo público. No fundo, o excelente guitarrista Paulo Rafael, de Valença, acompanhava e dançava. Ali ficaria até o fim da noite.

Para fechar o palco, já às 23h, os também pernambucanos da Nação Zumbi tinham como objetivo enfrentar o frio que assolava quem já resistia a mais de oito horas de festa. Engajado, o vocalista Jorge du Peixe começou a apresentação com um grito de “Fora, Temer!”. Esta seria apenas uma das intervenções de protesto da noite, que também teria como foco o ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal.

O batuque que lhe é peculiar e a guitarra frenética de Lúcio Maia conseguiram mascarar os termômetros que já marcavam abaixo dos 10º. O público, o mais jovem do dia no palco, pulou com os sucessos “Hoje, Amanhã e Depois”, “Bossa Nostra” e “Meu Maracatu Pesa Uma Tonelada”, mas foram os hits do tempo de Chico Science que mais agitaram a noite. “Manguetown” e “Macô”, do Afrociberdelia, seguidos por “Maracatu Atômico”, de Jorge Mautner, que, entre os menores de 30 anos, é praticamente da banda pernambucana. “Quando a Maré Encher”, outro hino do manguebeat, encerrou a noite.

O João Rock acertou na aposta ousada de um especial voltado à música nordestina. Quem achou que um palco encabeçado por astros da chamada MPB, dois deles dos anos 1970, envelheceria o público errou. Os músicos trouxeram a animação, o calor, o forró, o carnaval, a política e a complexidade que fazem o Nordeste ser o que é para esquentar a noite paulista. Conseguiram.