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Naldo Benny, mais maduro e low profile, prepara novo trabalho

por em 21/05/2015
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or Marcos Lauro e Rodrigo Amaral da Rocha
Naldo Benny veio de carro do Rio de Janeiro para uma apresentação em São Paulo. Antes, passou pela redação da Billboard Brasil para esse bate papo. “Eu evito avião, vir de carro é mais cômodo”, conta, sem antes relatar um momento de desespero que passou a bordo de um jato, viajando dentro de Minas Gerais. “Era uma loucura, eu chegava a fazer 4 shows por noite... e numa dessas viagens o jato passou por uma tempestade. Na primeira tentativa, o piloto arremeteu (procedimento para cancelar a decolagem e fazer uma tentativa mais segura) e na segunda o avião desceu de uma vez só. Até os tripulantes, que tinham uma baita experiência, ficaram assustados. Imagine eu!”. Ainda atendendo como Naldo, em 2009, o cantor e compositor de funk lançou o álbum Na Veia e estourou com a música “Chantilly”. De lá até 2012, Naldo percorreu uma carreira meteórica: gravação de DVD, agenda concorrida, programas e comerciais de TV, hits e mais hits bombando nas rádios do país, casamento com dançarina e mudança de nome artístico. Em outubro de 2012, ele resolveu virar Naldo Benny, adicionado a palavra hebraica que significa “abençoado” ou “bem vindo”. Depois da superexposição, o cantor sumiu dos holofotes. Segundo ele, propositalmente, para fugir desse ritmo frenético. Agora, Naldo Benny prepara um novo disco, que promete mostrar a sua fase mais madura, e já gravou uma participação em um filme com produção hollywoodiana. O fenômeno Naldo pode estar voltando? A Billboard Brasil conversou com Naldo Benny: O clipe mais recente, Te Pego De Jeito, foi lançado no final em janeiro. Como foi a história dessa gravação após você estar um tempo fora dos holofotes? Te Pego De Jeito é a música de trabalho do novo disco, a gente já quis colocá-la na rua pra começar a falar do novo projeto, já que o DVD tinha sido lançado há dois anos. Eu voltei a fazer TV, de setembro a março quis dar uma parada para eu respirar um pouco. Teve o nascimento da minha filha, então quis me organizar. Agora o disco vai ter a participação do  Mr. Catra, do Mc Guime, Mano Brown e mais duas surpresas. Como foi o contato com o Mano Brown? Vocês se conheciam? Eu e o meu irmão íamos aos shows dos Racionais quando ainda éramos dupla, a gente ouvia muito na Vila do Pinheiro. Eu tive a felicidade de encontrar com ele lá no Sul e foi muito positivo, porque os caras são meio radicais com a onda deles, né. A gente se cruzou num evento e ele me disse que curtia a minha onda, mesmo a minha letra sendo mais alto astral, e que as letras dos Racionais, com um papo mais sério, ele conseguia entender que tinha a mesma identificação, pelo nosso som ser oriundo da favela. Eu arrisquei um contato depois e fiquei muito feliz por ele ter aceitado o desafio, o Mano Brown tem um peso na música. E o trabalho solo do Mano Brown tem essa coisa também de falar de amor, algo mais soul. A gente deu uma volta no Rio, fomos gravar um programa do Fabio Porchat que ainda vai estrear na internet. A gente foi ouvindo o som dele no carro e eu fiquei abismado. Sabemos que parcerias, como essa, simplesmente rolam. Mas tem alguma que você diz: “eu preciso gravar com esse cara”? Tem um cara, pra mim, que se eu pudesse gravar um dia seria o Herbert Vianna. Acho ele um cara incrível. E a história dele ter feito a música sobre a Favela da Maré, que foi onde eu nasci... Tem essa coisa da aproximação, mas tem a ideia, a sensibilidade dele compor, a sua história, tudo isso me deixa com vontade de estar próximo dele. Você disse que quis dar um tempo, aparecer menos, porque rolou esse período de superexposição na mídia. O que você sentiu nesse momento, foi uma necessidade de dar essa parada? Quando eu fazia dupla com o meu irmão, eu só existia no Rio de Janeiro. E depois rolou essa explosão no Brasil todo. Em um ano, foram cinco participações no programa do Faustão, duas matérias no Fantástico... Eu ouço hoje as pessoas dizendo “o Naldo não tem a mesma expressão”... Eu acho que não é isso. Acho que houve uma superexposição e hoje as coisas estão normais, desde shows, propagandas. Na época até um personagem no Zorra Total tinha sido inspirado em mim. Quando você tem essa megaexposição vêm os comentários legais mas os comentários ruins também. Eu vi que a loucura é muito grande. Em uma matéria publicada na Billboard em 2014, você diz que chegou a fazer 300 shows em 2013... Tinha noite que chegava a fazer 4 shows. Até isso a gente segurou a onda, pela questão de trazer mais qualidade de vida mesmo. Quando você sente o gosto do sucesso, você meio que se lambuza, mas depois que você começa a entender como funciona, você dá uma segurada e passa a administrar tudo isso. O volume de shows era muito grande. Tinha problemas de atraso, não conseguia dar atenção pros fãs que queriam tirar uma foto. Hoje é fato: nas redes sociais, depois que acaba um show, eu vejo as pessoas dizendo que o show foi ótimo, que fui atencioso. É melhor fazer um ou dois shows. A minha cabeça também é outra. Nesse período da loucura, o que te trazia para o chão de volta? O fato de eu ter, desde a infância com a minha família, um contato com Deus. E também o fato da minha mulher já ter o contato com o mundo artístico, ter sido dançarina, acompanhado outros artistas. Ela me dizia: “Naldo, é assim mesmo, as pessoas falam...”. Se ela não conhecesse o meio, talvez ela se deslumbrasse e fosse nessa onda da fama. Você acaba de fazer uma participação no filme Rio Heat, com Andy Garcia, Harvey Keitel... Foram dois dias de gravação. É uma coprodução Brasil/Canadá. Será exibido primeiro aqui e depois no mundo, pra depois virar série. É uma história que eles mostram o Rio de Janeiro de um jeito diferente. Uma realidade diferente da mostrada em filmes como Cidade de Deus Tropa de Elite. É mostrado o Rio de Janeiro de festas e pessoas elegantes, da Zona Sul. Esse lado que também existe lá. Foi bacana ter essa experiência, que me deixou motivado. Você tem a Benny Enternainment. Como está funcionando essa estrutura? Está funcionando da forma que eu desejava. É um escritório novo, com a minha própria galera. Eu sabia que não seria fácil caminhar com as próprias pernas. Montar minha própria marca e a galera entender que sou um artista que procuro cuidar das minhas coisas causa uma certa estranheza. No disco novo tudo mundo ficou muito empolgado. Tem produções que eu pude escolher; aqui do Brasil tem o Batutinha, tem também dois produtores de Miami que fazem trabalhos com Snoop Dogg, Lil Wayne, Chris Brown... Você conseguiu formar uma rede então. Eu sempre quis fazer isso. Sempre fui muito ligado nas produções e nunca achei legal uma faixa feita por só uma cabeça. Tem a própria energia de um cara fazer três faixas, o outro quatro. Vira uma competição. Sim, uma competição saudável, mas que todo mundo acaba ganhando, inclusive eu. Você participou da mudança de imagem do funk, para uma coisa mais pop, mainstream. Como você vê esse cenário atual do funk? Foi bem difícil para mim e, digamos que, para os outros têm sido mais fácil hoje. Em 2011 eu gravei o meu primeiro DVD quando ninguém do segmento tinha feito. Não existia ainda essa onda de banda com dançarino, figurino e tal, então eu fui o primeiro cara a apanhar tentando fazer isso. Eu lembro que chegava na Furacão 2000, quando comecei a fazer os bailes lá, e fui plantando essa ideia de lugar em lugar no Rio de Janeiro, levando meu guitarrista... Eu cantava com dois dançarinos, dois b-boys, e eu dizia que minha vontade mesmo era levar uma banda. O pessoal do baile estranhava, dizia que não precisava daquilo tudo. Mas eu queria. Quando fui marcar meu show no Citibank Hall [casa de shows do Rio de Janeiro], eu precisei marcar uma reunião com o diretor pra explicar pra ele que era um show sério, com estrutura... ele não queria funk. Os outros artistas hoje já vêm com uma linha montada. Em 2009, quando lancei meu disco com a música “Na Veia”, ela tocou um ano e três meses no Rio. Os DJs me diziam antes: “Tá pensando o quê, isso não vai estourar, não tem um tamborzão”. E foi acreditando assim, música após música, que as coisas foram acontecendo. As misturas vão acontecendo, o funk com o pop, com o sertanejo, mas a essência ainda está ali... É o que estou priorizando, a essência continua. O nome do meu novo disco é Mix: “mix” de mixagem, por que o DJ remixa uma faixa na outra, “mix” porque as músicas são feitas para dançar. E sempre priorizando a batida bem forte, que é a minha identidade. A galera que tem ouvido percebe que o papo mudou. Ainda com a minha essência, mas com uma evolução. https://www.youtube.com/watch?v=PB771KsoxA0  
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    EUA
1
Eu Vou Te Buscar (Cha La La La La) (part. Hungria Hip Hop)
Gusttavo LIma
2
Amor Da Sua Cama
Felipe Araújo
3
Saudade
Eduardo Costa
4
Bengala E Crochê
Maiara & Maraisa
5
De Quem É A Culpa?
Marília Mendonça
RANKING COMPLETO
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Naldo Benny, mais maduro e low profile, prepara novo trabalho

por em 21/05/2015
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or Marcos Lauro e Rodrigo Amaral da Rocha
Naldo Benny veio de carro do Rio de Janeiro para uma apresentação em São Paulo. Antes, passou pela redação da Billboard Brasil para esse bate papo. “Eu evito avião, vir de carro é mais cômodo”, conta, sem antes relatar um momento de desespero que passou a bordo de um jato, viajando dentro de Minas Gerais. “Era uma loucura, eu chegava a fazer 4 shows por noite... e numa dessas viagens o jato passou por uma tempestade. Na primeira tentativa, o piloto arremeteu (procedimento para cancelar a decolagem e fazer uma tentativa mais segura) e na segunda o avião desceu de uma vez só. Até os tripulantes, que tinham uma baita experiência, ficaram assustados. Imagine eu!”. Ainda atendendo como Naldo, em 2009, o cantor e compositor de funk lançou o álbum Na Veia e estourou com a música “Chantilly”. De lá até 2012, Naldo percorreu uma carreira meteórica: gravação de DVD, agenda concorrida, programas e comerciais de TV, hits e mais hits bombando nas rádios do país, casamento com dançarina e mudança de nome artístico. Em outubro de 2012, ele resolveu virar Naldo Benny, adicionado a palavra hebraica que significa “abençoado” ou “bem vindo”. Depois da superexposição, o cantor sumiu dos holofotes. Segundo ele, propositalmente, para fugir desse ritmo frenético. Agora, Naldo Benny prepara um novo disco, que promete mostrar a sua fase mais madura, e já gravou uma participação em um filme com produção hollywoodiana. O fenômeno Naldo pode estar voltando? A Billboard Brasil conversou com Naldo Benny: O clipe mais recente, Te Pego De Jeito, foi lançado no final em janeiro. Como foi a história dessa gravação após você estar um tempo fora dos holofotes? Te Pego De Jeito é a música de trabalho do novo disco, a gente já quis colocá-la na rua pra começar a falar do novo projeto, já que o DVD tinha sido lançado há dois anos. Eu voltei a fazer TV, de setembro a março quis dar uma parada para eu respirar um pouco. Teve o nascimento da minha filha, então quis me organizar. Agora o disco vai ter a participação do  Mr. Catra, do Mc Guime, Mano Brown e mais duas surpresas. Como foi o contato com o Mano Brown? Vocês se conheciam? Eu e o meu irmão íamos aos shows dos Racionais quando ainda éramos dupla, a gente ouvia muito na Vila do Pinheiro. Eu tive a felicidade de encontrar com ele lá no Sul e foi muito positivo, porque os caras são meio radicais com a onda deles, né. A gente se cruzou num evento e ele me disse que curtia a minha onda, mesmo a minha letra sendo mais alto astral, e que as letras dos Racionais, com um papo mais sério, ele conseguia entender que tinha a mesma identificação, pelo nosso som ser oriundo da favela. Eu arrisquei um contato depois e fiquei muito feliz por ele ter aceitado o desafio, o Mano Brown tem um peso na música. E o trabalho solo do Mano Brown tem essa coisa também de falar de amor, algo mais soul. A gente deu uma volta no Rio, fomos gravar um programa do Fabio Porchat que ainda vai estrear na internet. A gente foi ouvindo o som dele no carro e eu fiquei abismado. Sabemos que parcerias, como essa, simplesmente rolam. Mas tem alguma que você diz: “eu preciso gravar com esse cara”? Tem um cara, pra mim, que se eu pudesse gravar um dia seria o Herbert Vianna. Acho ele um cara incrível. E a história dele ter feito a música sobre a Favela da Maré, que foi onde eu nasci... Tem essa coisa da aproximação, mas tem a ideia, a sensibilidade dele compor, a sua história, tudo isso me deixa com vontade de estar próximo dele. Você disse que quis dar um tempo, aparecer menos, porque rolou esse período de superexposição na mídia. O que você sentiu nesse momento, foi uma necessidade de dar essa parada? Quando eu fazia dupla com o meu irmão, eu só existia no Rio de Janeiro. E depois rolou essa explosão no Brasil todo. Em um ano, foram cinco participações no programa do Faustão, duas matérias no Fantástico... Eu ouço hoje as pessoas dizendo “o Naldo não tem a mesma expressão”... Eu acho que não é isso. Acho que houve uma superexposição e hoje as coisas estão normais, desde shows, propagandas. Na época até um personagem no Zorra Total tinha sido inspirado em mim. Quando você tem essa megaexposição vêm os comentários legais mas os comentários ruins também. Eu vi que a loucura é muito grande. Em uma matéria publicada na Billboard em 2014, você diz que chegou a fazer 300 shows em 2013... Tinha noite que chegava a fazer 4 shows. Até isso a gente segurou a onda, pela questão de trazer mais qualidade de vida mesmo. Quando você sente o gosto do sucesso, você meio que se lambuza, mas depois que você começa a entender como funciona, você dá uma segurada e passa a administrar tudo isso. O volume de shows era muito grande. Tinha problemas de atraso, não conseguia dar atenção pros fãs que queriam tirar uma foto. Hoje é fato: nas redes sociais, depois que acaba um show, eu vejo as pessoas dizendo que o show foi ótimo, que fui atencioso. É melhor fazer um ou dois shows. A minha cabeça também é outra. Nesse período da loucura, o que te trazia para o chão de volta? O fato de eu ter, desde a infância com a minha família, um contato com Deus. E também o fato da minha mulher já ter o contato com o mundo artístico, ter sido dançarina, acompanhado outros artistas. Ela me dizia: “Naldo, é assim mesmo, as pessoas falam...”. Se ela não conhecesse o meio, talvez ela se deslumbrasse e fosse nessa onda da fama. Você acaba de fazer uma participação no filme Rio Heat, com Andy Garcia, Harvey Keitel... Foram dois dias de gravação. É uma coprodução Brasil/Canadá. Será exibido primeiro aqui e depois no mundo, pra depois virar série. É uma história que eles mostram o Rio de Janeiro de um jeito diferente. Uma realidade diferente da mostrada em filmes como Cidade de Deus Tropa de Elite. É mostrado o Rio de Janeiro de festas e pessoas elegantes, da Zona Sul. Esse lado que também existe lá. Foi bacana ter essa experiência, que me deixou motivado. Você tem a Benny Enternainment. Como está funcionando essa estrutura? Está funcionando da forma que eu desejava. É um escritório novo, com a minha própria galera. Eu sabia que não seria fácil caminhar com as próprias pernas. Montar minha própria marca e a galera entender que sou um artista que procuro cuidar das minhas coisas causa uma certa estranheza. No disco novo tudo mundo ficou muito empolgado. Tem produções que eu pude escolher; aqui do Brasil tem o Batutinha, tem também dois produtores de Miami que fazem trabalhos com Snoop Dogg, Lil Wayne, Chris Brown... Você conseguiu formar uma rede então. Eu sempre quis fazer isso. Sempre fui muito ligado nas produções e nunca achei legal uma faixa feita por só uma cabeça. Tem a própria energia de um cara fazer três faixas, o outro quatro. Vira uma competição. Sim, uma competição saudável, mas que todo mundo acaba ganhando, inclusive eu. Você participou da mudança de imagem do funk, para uma coisa mais pop, mainstream. Como você vê esse cenário atual do funk? Foi bem difícil para mim e, digamos que, para os outros têm sido mais fácil hoje. Em 2011 eu gravei o meu primeiro DVD quando ninguém do segmento tinha feito. Não existia ainda essa onda de banda com dançarino, figurino e tal, então eu fui o primeiro cara a apanhar tentando fazer isso. Eu lembro que chegava na Furacão 2000, quando comecei a fazer os bailes lá, e fui plantando essa ideia de lugar em lugar no Rio de Janeiro, levando meu guitarrista... Eu cantava com dois dançarinos, dois b-boys, e eu dizia que minha vontade mesmo era levar uma banda. O pessoal do baile estranhava, dizia que não precisava daquilo tudo. Mas eu queria. Quando fui marcar meu show no Citibank Hall [casa de shows do Rio de Janeiro], eu precisei marcar uma reunião com o diretor pra explicar pra ele que era um show sério, com estrutura... ele não queria funk. Os outros artistas hoje já vêm com uma linha montada. Em 2009, quando lancei meu disco com a música “Na Veia”, ela tocou um ano e três meses no Rio. Os DJs me diziam antes: “Tá pensando o quê, isso não vai estourar, não tem um tamborzão”. E foi acreditando assim, música após música, que as coisas foram acontecendo. As misturas vão acontecendo, o funk com o pop, com o sertanejo, mas a essência ainda está ali... É o que estou priorizando, a essência continua. O nome do meu novo disco é Mix: “mix” de mixagem, por que o DJ remixa uma faixa na outra, “mix” porque as músicas são feitas para dançar. E sempre priorizando a batida bem forte, que é a minha identidade. A galera que tem ouvido percebe que o papo mudou. Ainda com a minha essência, mas com uma evolução. https://www.youtube.com/watch?v=PB771KsoxA0