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Não é Legião Urbana, mas emociona. E por que não deveria?

por em 08/11/2015
> Legião Urbana – 7 de novembro – Espaço das Américas/São Paulo Por Lucas Borges Teixeira  Uma multidão se aglomera em frente a uma grande casa de shows em São Paulo. Homens e mulheres de diferentes idades ostentam camisas, faixas e até bandeiras com o rosto de um trio de jovens ou o desenho de um violão cortado no meio, símbolo da banda. Ao entrar, enquanto esperam pela apresentação, gritam, animados: “É Legião! É Legião!”. Poderia ser 1989, mas é 2015.   Renato Russo morreu em 1996. De lá pra cá, sua banda, que teve disco póstumo, coletâneas, gravações ao vivo, biografias e até filmes, ganhou milhares de fãs, jovens que não tiveram a chance de ver o grupo ao vivo. Este era o perfil de parte do público que foi ao Espaço das Américas na noite deste sábado (07/11) para ver a turnê Legião Urbana XXX anos.   Após uma longa disputa com o filho do ex-líder pelos direitos da banda, o guitarrista Dado Villa-Lobos e o baterista Marcelo Bonfá decidiram sair em turnê para comemorar os 30 anos do primeiro disco do grupo, Legião Urbana (1985), tocado na íntegra. O público, que, antes, fazia fila para tirar selfies com uma enorme painel com foto dos dois, cantou música por música no característico tom messiânico do falecido roqueiro.   O ator André Frateschi comandou os vocais na maior parte da apresentação. Algumas músicas foram tocadas apenas pelos dois integrantes remanescentes, enquanto outras tiveram convidados especiais que iam de fãs a músicos conhecidos. Se no primeiro show da turnê, em Santos, o titã Paulo Miklos esteve presente, em São Paulo foi a vez do hermano Rodrigo Amarante fazer as vezes em "Monte Castelo", "Quase Sem Querer" e "Índios". Visivelmente animado, gritou: "Pessoal, estou tocando com a minha banda preferida!". O produtor Liminha também apareceu nas guitarras de "Que País É Este” e "Tempo Perdido".   O repertório foi uma sucessão de hits, como esperado. A plateia, quase desesperada, gritava as letras de "Será", "Pais E Filhos" (em que o herdeiro de Bonfá assumiu a bateria e o de Dado, a guitarra), "Faroeste Caboclo" e  "Geração Coca-Cola". A reportagem de Billboard Brasil registrou fãs que, ao final, diziam ter visto o melhor show de suas vidas. Uma jovem falava com o amigo, os olhos cheios de lágrimas: "Caraca, estamos vendo Legião Urbana".   Embora o nome de Renato Russo fosse gritado a cada duas músicas, o clima não era de viuvez, mas de celebração da sua obra. No momento mais piegas da noite, um texto escrito por ele sobre a banda é narrado, com sua imagem no telão ao fundo. Fica claro que é tudo uma grande homenagem ao que o grupo foi um dia, não um retorno. O que torna inviável dizer que Frateschi “assumiu o lugar” do antigo líder: é uma festa entre fãs.   O que soa esquisito, no entanto, é que o nome do outro Renato, o Rocha, não tenha sido citado em nenhum momento. O Negrete, falecido em fevereiro deste ano, foi baixista da banda em seus três primeiros discos e peça tão importante nesta época quanto os dois que estavam no palco.   Legião Urbana XXX anos pode causar estranhamento por seu nome, já que a banda acabou há duas décadas. Mas a obra não só ficou como ganhou novos ares. Em 2015, está mais fácil gostar de meninos e meninas, o machismo está exposto e em cheque. O mundo com mais amor e menos preconceito que Renato Russo pregava está cada vez mais palpável, embora o clima do país ande bem semelhante ao de "O Teatro Dos Vampiros", composto durante o governo Collor.   Considerar esta fase atual como uma volta da Legião Urbana é um engano. Por outro lado, encarar a turnê, que tem até promoção para fã cantar no palco (geração Coca-Cola?), como uma divertida homenagem soa mais interessante e aceitável. É bom saber que quem espera uma apresentação semelhante a da época de Renato Russo está indo ao lugar errado. Até porque isso é impossível. A Legião Urbana não volta mais. Mas, se o objetivo é, como tantos na noite de ontem, entoar, de olhos fechados, "Há Tempos" a plenos pulmões, por que não?  
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Bengala E Crochê
Maiara & Maraisa
2
Eu Vou Te Buscar (Cha La La La La) (part. Hungria Hip Hop)
Gusttavo LIma
3
Saudade
Eduardo Costa
4
Amor Da Sua Cama
Felipe Araújo
5
De Quem É A Culpa?
Marília Mendonça
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Não é Legião Urbana, mas emociona. E por que não deveria?

por em 08/11/2015
> Legião Urbana – 7 de novembro – Espaço das Américas/São Paulo Por Lucas Borges Teixeira  Uma multidão se aglomera em frente a uma grande casa de shows em São Paulo. Homens e mulheres de diferentes idades ostentam camisas, faixas e até bandeiras com o rosto de um trio de jovens ou o desenho de um violão cortado no meio, símbolo da banda. Ao entrar, enquanto esperam pela apresentação, gritam, animados: “É Legião! É Legião!”. Poderia ser 1989, mas é 2015.   Renato Russo morreu em 1996. De lá pra cá, sua banda, que teve disco póstumo, coletâneas, gravações ao vivo, biografias e até filmes, ganhou milhares de fãs, jovens que não tiveram a chance de ver o grupo ao vivo. Este era o perfil de parte do público que foi ao Espaço das Américas na noite deste sábado (07/11) para ver a turnê Legião Urbana XXX anos.   Após uma longa disputa com o filho do ex-líder pelos direitos da banda, o guitarrista Dado Villa-Lobos e o baterista Marcelo Bonfá decidiram sair em turnê para comemorar os 30 anos do primeiro disco do grupo, Legião Urbana (1985), tocado na íntegra. O público, que, antes, fazia fila para tirar selfies com uma enorme painel com foto dos dois, cantou música por música no característico tom messiânico do falecido roqueiro.   O ator André Frateschi comandou os vocais na maior parte da apresentação. Algumas músicas foram tocadas apenas pelos dois integrantes remanescentes, enquanto outras tiveram convidados especiais que iam de fãs a músicos conhecidos. Se no primeiro show da turnê, em Santos, o titã Paulo Miklos esteve presente, em São Paulo foi a vez do hermano Rodrigo Amarante fazer as vezes em "Monte Castelo", "Quase Sem Querer" e "Índios". Visivelmente animado, gritou: "Pessoal, estou tocando com a minha banda preferida!". O produtor Liminha também apareceu nas guitarras de "Que País É Este” e "Tempo Perdido".   O repertório foi uma sucessão de hits, como esperado. A plateia, quase desesperada, gritava as letras de "Será", "Pais E Filhos" (em que o herdeiro de Bonfá assumiu a bateria e o de Dado, a guitarra), "Faroeste Caboclo" e  "Geração Coca-Cola". A reportagem de Billboard Brasil registrou fãs que, ao final, diziam ter visto o melhor show de suas vidas. Uma jovem falava com o amigo, os olhos cheios de lágrimas: "Caraca, estamos vendo Legião Urbana".   Embora o nome de Renato Russo fosse gritado a cada duas músicas, o clima não era de viuvez, mas de celebração da sua obra. No momento mais piegas da noite, um texto escrito por ele sobre a banda é narrado, com sua imagem no telão ao fundo. Fica claro que é tudo uma grande homenagem ao que o grupo foi um dia, não um retorno. O que torna inviável dizer que Frateschi “assumiu o lugar” do antigo líder: é uma festa entre fãs.   O que soa esquisito, no entanto, é que o nome do outro Renato, o Rocha, não tenha sido citado em nenhum momento. O Negrete, falecido em fevereiro deste ano, foi baixista da banda em seus três primeiros discos e peça tão importante nesta época quanto os dois que estavam no palco.   Legião Urbana XXX anos pode causar estranhamento por seu nome, já que a banda acabou há duas décadas. Mas a obra não só ficou como ganhou novos ares. Em 2015, está mais fácil gostar de meninos e meninas, o machismo está exposto e em cheque. O mundo com mais amor e menos preconceito que Renato Russo pregava está cada vez mais palpável, embora o clima do país ande bem semelhante ao de "O Teatro Dos Vampiros", composto durante o governo Collor.   Considerar esta fase atual como uma volta da Legião Urbana é um engano. Por outro lado, encarar a turnê, que tem até promoção para fã cantar no palco (geração Coca-Cola?), como uma divertida homenagem soa mais interessante e aceitável. É bom saber que quem espera uma apresentação semelhante a da época de Renato Russo está indo ao lugar errado. Até porque isso é impossível. A Legião Urbana não volta mais. Mas, se o objetivo é, como tantos na noite de ontem, entoar, de olhos fechados, "Há Tempos" a plenos pulmões, por que não?