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Nenhum lugar é grande o suficiente para Caetano Veloso e seu Abraçaço

por em 05/06/2015
ong>Caetano Veloso - 4 de junho - Sesc Pompeia/São Paulo Por Lucas Borges Teixeira Desde que a série de shows de Caetano Veloso no Sesc foi anunciada, o público sabia que seria praticamente missão impossível conseguir assistir a um deles. Os ingressos acabaram em minutos tanto nas bilheterias físicas, quanto no site. A proposta de ver o encerramento da tunê Abraçaço em um lugar tão bom quanto uma choperia parecia irresistível a qualquer um que goste minimamente do baiano. Por isso, era compreensível que os vitoriosos de diferentes idades que conseguiram um espaço na unidade Pompeia para ver o compositor agissem como fãs de um grupo teen. Caetano Veloso e sua Banda Cê subiram ao palco com o jogo ganho. E gritos. E choro. E LPs levantados. O set list é interessante. Seu Abraçaço, que rodou a América Latina, os Estados Unidos e a Europa, não é exatamente um “the best of”. Grande parte do show é dedicada ao último disco: das mais populares “Um Abraçaço” e “A Bossa Nova É Foda” às menos lembradas “Um Comunista” e “Vinco”. Por outro lado, como de costume, ele traz antigos sucessos gravados por ele, como “Triste Bahia” (Transa, 1972) e “Alguém Cantando” (Bicho, 1977), ou por outros, como “Força Estranha” (Gal Costa), “Reconvexo” (Maria Bethânia) – que ganha aplausos do público no trecho “a novena de dona Canô”, em referência à falecida mãe de Caetano – e “De Noite Na Cama” (Erasmo Carlos). Na última, ele desabotoa a camisa pra mostrar um corpo de respeito ao som de “lindo”, “gostoso” e “dorme comigo, Caetano”. O baiano nunca foi sinônimo de inércia, especialmente depois de juntar-se à Banda Cê. Embora tenha a mesma base, a apresentação do Sesc é diferente das originais da turnê, que ganhou um DVD do Multishow. Saíram “Mãe” (outra gravada originalmente pela Gal) e “Gayana” (do Abraçaço) e entraram “Baby” (Gal, de novo) e “Nine Out Of Ten” (outra do Transa, que ele voltou a tocar na turnê do ). Mas não é só isso. Quem assistiu aos shows em 2013 e 2014 ou viu a gravação, notará que alguns arranjos também mudaram – “Funk Melódio” ficou ainda melhor (créditos para o guitarrista Pedro Sá). Mas, de novo, a esta altura, o jogo já estava ganho. Não importa que ele junta a música mais longa e pesada do Abraçaço à mais longa do Transa; não importa que, diferente de quase todos os artistas da sua geração, a maior parte do set list tenha sido gravada depois dos anos 2000; não importa que ele não toque “O Leãozinho” ou “Sampa”, apesar dos insistentes pedidos. A simpatia e os milhares de agradecimentos vêm de brinde, suas dancinhas são ovacionadas de qualquer jeito. No show extra, no domingo, de graça no Sesc Itaquera,  é possível que o repertório seja diferente pelo formato da apresentação. Quem pretende ir, é bom chegar cedo. Depois disso, o cantor irá à Europa em turnê com o colega Gilberto Gil para, juntos, celebrarem 50 anos de carreira. O que o público encontra nessas apresentações do Sesc é um show menor de um dos maiores nomes da música mundial – é como ver Paul McCartney em um pub londrino ou Bob Dylan em um barzinho de Nova York. Quando Caetano Veloso abre os braços, com aquele sorrisão que lhe é peculiar, pode-se ter a dimensão da sua grandeza – e aí, amigo, até a maior das arenas fica pequena.
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Nenhum lugar é grande o suficiente para Caetano Veloso e seu Abraçaço

por em 05/06/2015
ong>Caetano Veloso - 4 de junho - Sesc Pompeia/São Paulo Por Lucas Borges Teixeira Desde que a série de shows de Caetano Veloso no Sesc foi anunciada, o público sabia que seria praticamente missão impossível conseguir assistir a um deles. Os ingressos acabaram em minutos tanto nas bilheterias físicas, quanto no site. A proposta de ver o encerramento da tunê Abraçaço em um lugar tão bom quanto uma choperia parecia irresistível a qualquer um que goste minimamente do baiano. Por isso, era compreensível que os vitoriosos de diferentes idades que conseguiram um espaço na unidade Pompeia para ver o compositor agissem como fãs de um grupo teen. Caetano Veloso e sua Banda Cê subiram ao palco com o jogo ganho. E gritos. E choro. E LPs levantados. O set list é interessante. Seu Abraçaço, que rodou a América Latina, os Estados Unidos e a Europa, não é exatamente um “the best of”. Grande parte do show é dedicada ao último disco: das mais populares “Um Abraçaço” e “A Bossa Nova É Foda” às menos lembradas “Um Comunista” e “Vinco”. Por outro lado, como de costume, ele traz antigos sucessos gravados por ele, como “Triste Bahia” (Transa, 1972) e “Alguém Cantando” (Bicho, 1977), ou por outros, como “Força Estranha” (Gal Costa), “Reconvexo” (Maria Bethânia) – que ganha aplausos do público no trecho “a novena de dona Canô”, em referência à falecida mãe de Caetano – e “De Noite Na Cama” (Erasmo Carlos). Na última, ele desabotoa a camisa pra mostrar um corpo de respeito ao som de “lindo”, “gostoso” e “dorme comigo, Caetano”. O baiano nunca foi sinônimo de inércia, especialmente depois de juntar-se à Banda Cê. Embora tenha a mesma base, a apresentação do Sesc é diferente das originais da turnê, que ganhou um DVD do Multishow. Saíram “Mãe” (outra gravada originalmente pela Gal) e “Gayana” (do Abraçaço) e entraram “Baby” (Gal, de novo) e “Nine Out Of Ten” (outra do Transa, que ele voltou a tocar na turnê do ). Mas não é só isso. Quem assistiu aos shows em 2013 e 2014 ou viu a gravação, notará que alguns arranjos também mudaram – “Funk Melódio” ficou ainda melhor (créditos para o guitarrista Pedro Sá). Mas, de novo, a esta altura, o jogo já estava ganho. Não importa que ele junta a música mais longa e pesada do Abraçaço à mais longa do Transa; não importa que, diferente de quase todos os artistas da sua geração, a maior parte do set list tenha sido gravada depois dos anos 2000; não importa que ele não toque “O Leãozinho” ou “Sampa”, apesar dos insistentes pedidos. A simpatia e os milhares de agradecimentos vêm de brinde, suas dancinhas são ovacionadas de qualquer jeito. No show extra, no domingo, de graça no Sesc Itaquera,  é possível que o repertório seja diferente pelo formato da apresentação. Quem pretende ir, é bom chegar cedo. Depois disso, o cantor irá à Europa em turnê com o colega Gilberto Gil para, juntos, celebrarem 50 anos de carreira. O que o público encontra nessas apresentações do Sesc é um show menor de um dos maiores nomes da música mundial – é como ver Paul McCartney em um pub londrino ou Bob Dylan em um barzinho de Nova York. Quando Caetano Veloso abre os braços, com aquele sorrisão que lhe é peculiar, pode-se ter a dimensão da sua grandeza – e aí, amigo, até a maior das arenas fica pequena.