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“Nunca passou pela minha cabeça que estivesse insegura”, diz brasileira sobre atentado em Manchester

A Billboard Brasil conversou com três brasileiros que testemunharam o ataque

por Rebecca Silva em 02/06/2017

Em 22 de maio, segunda-feira, Ariana Grande se apresentou com a turnê Dangerous Woman na cidade de Manchester, na Inglaterra. Por volta das 22h30, depois de a artista cantar a última música, deixar o palco e as luzes se acenderem, uma explosão pôde ser ouvida. A confusão e o desespero tomaram conta do local, ocupado em sua maioria por crianças e adolescentes do sexo feminino, público-alvo da cantora.

COMO O TERRORISMO VÊ AS ESTRELAS DO POP

A brasileira Catarina Padilla era uma delas. Morando na Inglaterra desde janeiro para um intercâmbio, a carioca viajou de Leeds até Manchester (cerca de 1h30 de distância) sozinha para poder assistir ao show de Ariana Grande. “O show da Ariana foi o sexto que fui sozinha. Nunca passou pela minha cabeça que estava insegura. Nunca aconteceu nada, então nunca pensei”.

Ela acredita que por não ter deixado a arena pela saída principal, mais próxima da estação de trem para onde precisava ir, deu mais sorte que as outras pessoas. “Saí pelo lugar mais perto de onde eu estava sentada. Fiquei até revoltada porque ia ter que andar mais do lado de fora [para chegar à estação], mas ainda bem, né?”. Catarina contou que não chegou a ouvir o barulho da explosão porque usava fones de ouvido. No caminho para a estação, teve dificuldades para andar por causa da confusão e do empurra-empurra, mas apesar do desespero das pessoas, não desconfiou do que estava acontecendo. “Quando eu já estava na escada, comecei a ver muitas mães desesperadas, chorando, ao telefone tentando falar com os filhos. Achei que só estavam procurando as filhas. Não assimilei nada. Comecei a andar em direção a estação, que foi onde a bomba explodiu, praticamente. Todo mundo estava correndo para o lado contrário, gritando, chorando. Achei que tivessem perdido alguém ou estavam atrasados para pegar ônibus, trem. Em nenhum momento pensei em atentado. Já na estação, olhei para o chão e vi gotas de sangue. Vi um menino machucado, sangrando. Na rua tinham umas quatro pessoas feridas também”.

MÃE DE ARIANA GRANDE SE PRONUNCIA SOBRE ATENTADO EM MANCHESTER

Já Karen Artioli, que mora em frente à arena, conseguiu ouvir a explosão. Ela mora em Manchester há um ano e está acostumada ao barulho na região por causa dos grandes shows que acontecem por ali. “Escutei a explosão e uma gritaria, mas achei que fosse coisa do show. Não consegui diferenciar gritos de desespero de gritos de euforia de show. A própria explosão, achei que fosse parte da apresentação”. Karen não chegou nem a olhar pela janela, por não estranhar nada, até que seu marido recebeu uma mensagem falando sobre um possível atentado. “Na hora achei que fosse sensacionalismo, que tudo transformam em atentado. Jamais imaginei. A gente nunca pensa que vai acontecer logo na porta de casa, né? Imaginava que os focos eram as grandes capitais”, confessa Karen.

Tão rápido quanto o resgate e o policiamento chegou ao local do atentado, as pessoas de Manchester começaram a oferecer ajuda para aqueles que precisavam. Uma rede de solidariedade se formou: abrigo foi oferecido para quem não conseguia voltar para casa – as estações de ônibus e trem foram fechadas por precaução, assim como várias ruas da cidade -, hotéis abriram suas portas para receber pessoas perdidas, motoristas de taxi fizeram corridas de graça. Catarina se abrigou em um hotel próximo a arena, onde conseguiu falar com seus familiares brasileiros e arranjar uma carona para a cidade em que mora.

ariana-manchester

Enquanto isso, o brasileiro Vinicius De Biasio, na Inglaterra desde o início do ano, seguia dentro da Manchester Arena. Desde fevereiro ele trabalha para uma empresa terceirizada que presta serviços de limpeza para a arena. No dia do atentado, Vinicius estava trabalhando. “Quando nossa equipe de trabalho estava iniciando o expediente, alguns minutos antes do evento terminar, a explosão aconteceu. Todos se assustaram e começaram a correr e fugir como podiam. Eu estava na frente do palco. Avistei muitas crianças assustadas e perdidas”.

Por não saberem o que estava acontecendo, todas as equipes trabalhando na arena tiveram que permanecer no local. “Suspeitava que fosse um atentado terrorista. Quando houve a explosão, todos correram, inclusive eu. Mas depois, como o barulho não foi tão alto e o pessoal da nossa equipe continuou lá dentro, eu voltei e todos continuaram trabalhando. Só quando comecei a ver pessoas machucadas e com as roupas cheias de sangue, percebi a gravidade do incidente já que até o momento não tinha certeza do que se tratava." Vinicius e seus colegas só foram liberados uma hora após o atentado, depois do esquadrão antibombas fazer uma varredura na arena. Seus pertences ficaram presos em uma sala que ele não teve mais acesso e só foram devolvidos três dias depois, quando a diretora da empresa em que trabalha teve a entrada autorizada.

MILEY CYRUS DEDICA PERFORMANCE PARA ARIANA GRANDE E FÃS DE MANCHESTER

Os três notaram mudanças tanto em Manchester, quanto em outras cidades da Inglaterra desde o atentado. O clima ficou pesado, diferente e o policiamento foi reforçado, além das inúmeras homenagens deixadas perto da arena. Apesar de o alerta para atentados no país estar no nível mais alto há cerca de dois anos, a vida segue normal. “A gente não deixa de viver pelo que aconteceu. A vida e a rotina seguem as mesmas”, afirma Catarina.

Menos de duas semanas após o atentado que deixou 22 mortos e mais de 60 feridos em seu show em Manchester, Ariana Grande resolveu voltar à cidade para prestar solidariedade a todos que foram afetados pela tragédia. Neste domingo (04/06), o show beneficente One Love Manchester reunirá grandes nomes da música como Katy Perry, Coldplay, Robbie Williams, Black Eyed Peas, Miley Cyrus, Niall Horan, Little Mix, Justin Bieber, Take That, Usher, entre outros.

Os 50 mil ingressos colocados à venda se esgotaram em apenas seis minutos. Fãs que estiveram no show em que aconteceu o atentado tiveram a oportunidade de retirar ingressos de graça para esta apresentação. O lucro com a venda das entradas será doado para a Cruz Vermelha Britânica para ajudar as famílias afetadas pelo atentado.

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por Rebecca Silva em 02/06/2017

Em 22 de maio, segunda-feira, Ariana Grande se apresentou com a turnê Dangerous Woman na cidade de Manchester, na Inglaterra. Por volta das 22h30, depois de a artista cantar a última música, deixar o palco e as luzes se acenderem, uma explosão pôde ser ouvida. A confusão e o desespero tomaram conta do local, ocupado em sua maioria por crianças e adolescentes do sexo feminino, público-alvo da cantora.

COMO O TERRORISMO VÊ AS ESTRELAS DO POP

A brasileira Catarina Padilla era uma delas. Morando na Inglaterra desde janeiro para um intercâmbio, a carioca viajou de Leeds até Manchester (cerca de 1h30 de distância) sozinha para poder assistir ao show de Ariana Grande. “O show da Ariana foi o sexto que fui sozinha. Nunca passou pela minha cabeça que estava insegura. Nunca aconteceu nada, então nunca pensei”.

Ela acredita que por não ter deixado a arena pela saída principal, mais próxima da estação de trem para onde precisava ir, deu mais sorte que as outras pessoas. “Saí pelo lugar mais perto de onde eu estava sentada. Fiquei até revoltada porque ia ter que andar mais do lado de fora [para chegar à estação], mas ainda bem, né?”. Catarina contou que não chegou a ouvir o barulho da explosão porque usava fones de ouvido. No caminho para a estação, teve dificuldades para andar por causa da confusão e do empurra-empurra, mas apesar do desespero das pessoas, não desconfiou do que estava acontecendo. “Quando eu já estava na escada, comecei a ver muitas mães desesperadas, chorando, ao telefone tentando falar com os filhos. Achei que só estavam procurando as filhas. Não assimilei nada. Comecei a andar em direção a estação, que foi onde a bomba explodiu, praticamente. Todo mundo estava correndo para o lado contrário, gritando, chorando. Achei que tivessem perdido alguém ou estavam atrasados para pegar ônibus, trem. Em nenhum momento pensei em atentado. Já na estação, olhei para o chão e vi gotas de sangue. Vi um menino machucado, sangrando. Na rua tinham umas quatro pessoas feridas também”.

MÃE DE ARIANA GRANDE SE PRONUNCIA SOBRE ATENTADO EM MANCHESTER

Já Karen Artioli, que mora em frente à arena, conseguiu ouvir a explosão. Ela mora em Manchester há um ano e está acostumada ao barulho na região por causa dos grandes shows que acontecem por ali. “Escutei a explosão e uma gritaria, mas achei que fosse coisa do show. Não consegui diferenciar gritos de desespero de gritos de euforia de show. A própria explosão, achei que fosse parte da apresentação”. Karen não chegou nem a olhar pela janela, por não estranhar nada, até que seu marido recebeu uma mensagem falando sobre um possível atentado. “Na hora achei que fosse sensacionalismo, que tudo transformam em atentado. Jamais imaginei. A gente nunca pensa que vai acontecer logo na porta de casa, né? Imaginava que os focos eram as grandes capitais”, confessa Karen.

Tão rápido quanto o resgate e o policiamento chegou ao local do atentado, as pessoas de Manchester começaram a oferecer ajuda para aqueles que precisavam. Uma rede de solidariedade se formou: abrigo foi oferecido para quem não conseguia voltar para casa – as estações de ônibus e trem foram fechadas por precaução, assim como várias ruas da cidade -, hotéis abriram suas portas para receber pessoas perdidas, motoristas de taxi fizeram corridas de graça. Catarina se abrigou em um hotel próximo a arena, onde conseguiu falar com seus familiares brasileiros e arranjar uma carona para a cidade em que mora.

ariana-manchester

Enquanto isso, o brasileiro Vinicius De Biasio, na Inglaterra desde o início do ano, seguia dentro da Manchester Arena. Desde fevereiro ele trabalha para uma empresa terceirizada que presta serviços de limpeza para a arena. No dia do atentado, Vinicius estava trabalhando. “Quando nossa equipe de trabalho estava iniciando o expediente, alguns minutos antes do evento terminar, a explosão aconteceu. Todos se assustaram e começaram a correr e fugir como podiam. Eu estava na frente do palco. Avistei muitas crianças assustadas e perdidas”.

Por não saberem o que estava acontecendo, todas as equipes trabalhando na arena tiveram que permanecer no local. “Suspeitava que fosse um atentado terrorista. Quando houve a explosão, todos correram, inclusive eu. Mas depois, como o barulho não foi tão alto e o pessoal da nossa equipe continuou lá dentro, eu voltei e todos continuaram trabalhando. Só quando comecei a ver pessoas machucadas e com as roupas cheias de sangue, percebi a gravidade do incidente já que até o momento não tinha certeza do que se tratava." Vinicius e seus colegas só foram liberados uma hora após o atentado, depois do esquadrão antibombas fazer uma varredura na arena. Seus pertences ficaram presos em uma sala que ele não teve mais acesso e só foram devolvidos três dias depois, quando a diretora da empresa em que trabalha teve a entrada autorizada.

MILEY CYRUS DEDICA PERFORMANCE PARA ARIANA GRANDE E FÃS DE MANCHESTER

Os três notaram mudanças tanto em Manchester, quanto em outras cidades da Inglaterra desde o atentado. O clima ficou pesado, diferente e o policiamento foi reforçado, além das inúmeras homenagens deixadas perto da arena. Apesar de o alerta para atentados no país estar no nível mais alto há cerca de dois anos, a vida segue normal. “A gente não deixa de viver pelo que aconteceu. A vida e a rotina seguem as mesmas”, afirma Catarina.

Menos de duas semanas após o atentado que deixou 22 mortos e mais de 60 feridos em seu show em Manchester, Ariana Grande resolveu voltar à cidade para prestar solidariedade a todos que foram afetados pela tragédia. Neste domingo (04/06), o show beneficente One Love Manchester reunirá grandes nomes da música como Katy Perry, Coldplay, Robbie Williams, Black Eyed Peas, Miley Cyrus, Niall Horan, Little Mix, Justin Bieber, Take That, Usher, entre outros.

Os 50 mil ingressos colocados à venda se esgotaram em apenas seis minutos. Fãs que estiveram no show em que aconteceu o atentado tiveram a oportunidade de retirar ingressos de graça para esta apresentação. O lucro com a venda das entradas será doado para a Cruz Vermelha Britânica para ajudar as famílias afetadas pelo atentado.