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O dia em que os Mamonas provaram ser grandes

por Marcos Lauro em 02/03/2016

Pude ver dois shows dos Mamonas Assassinas. Coincidentemente, os dois feitos em festas de emissoras de rádio aqui de São Paulo.

Um foi no Ginásio do Ibirapuera para comemorar os 18 anos da rede Jovem Pan. Os Mamonas dividiram a noite com Paralamas e Skank – o primeiro já consagrado e o segundo estourado mas ainda ganhando espaço na mídia. Me lembro que não fiquei num lugar muito próximo ao palco e não pude observar detalhes do show. Mas a energia era boa e os caras de Guarulhos não tremeram na hora de se apresentar para o ginásio lotado.

No segundo show eu pude observar mais o comportamento deles. Foi no Anhembi, num show da 89 FM. E ali foi uma prova de fogo para a banda.

A 89 foi um dos veículos que mais apoiou a banda. A rádio comprou as ideias e a maluquice deles e incluiu as músicas na programação. Mas havia um empecilho: o ouvinte roqueiro. A rádio era rock desde o seu início – ainda não havia acontecido a mudança de programação para o pop. Isso fazia com que muitos ouvintes mais radicais fizessem parte ativamente da “família 89”. Era comum aquela postura do roqueiro mau e intolerante em relação a qualquer coisa que fugia dos clichês do rock and roll. O som dos Mamonas era, basicamente, rock and roll – tinha até uma música, “Débil Metal”, que, em seu instrumental, era Sepultura puro. Mas as piadas, os temas (“Robocop Gay”, imagina, que absurdo para um roqueiro mau) e, principalmente, a postura da banda no palco, era um insulto para alguns ouvintes mais radicais.

Sem ligar muito para isso, a rádio convidou a banda para o show e eles, claro, toparam. E, mais claro ainda, foram vaiados por uma parcela do público do começo ao fim – outra atração da noite eram os Raimundos, muito mais sintonizados com o público rock.

Além disso, era incontável o número de objetos que voavam em direção ao palco. Me lembro do Dinho pegando alguns objetos (um tênis chegou a cruzar os ares) e fazendo embaixadinhas ou simplesmente se esquivando. No áudio do show (que tenho até hoje, digitalizado), o Dinho fala algumas vezes sobre o que está acontecendo. “Joga a mãe pra ver se quica” foi um dos comentários.

Sim, tinha fãs dos Mamonas ali e que estavam curtindo o show. Tinha gente ali se divertindo com todas aquelas palhaçadas. E esse foi um momento importante para notar como aquele som e aquele comportamento fugia de rótulos e não respeitava barreiras. Mamonas não era uma banda de rock (apesar do gênero dominar a sua sonoridade) e não era infantil (a capa do disco e algumas letras provavam isso), era uma banda que conversava com todos os públicos. E talvez tenha sido a última grande banda brasileira nesse quesito, especialmente se levarmos em consideração esses tempos de gostos tão divididos e compartimentados.

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O dia em que os Mamonas provaram ser grandes

por Marcos Lauro em 02/03/2016

Pude ver dois shows dos Mamonas Assassinas. Coincidentemente, os dois feitos em festas de emissoras de rádio aqui de São Paulo.

Um foi no Ginásio do Ibirapuera para comemorar os 18 anos da rede Jovem Pan. Os Mamonas dividiram a noite com Paralamas e Skank – o primeiro já consagrado e o segundo estourado mas ainda ganhando espaço na mídia. Me lembro que não fiquei num lugar muito próximo ao palco e não pude observar detalhes do show. Mas a energia era boa e os caras de Guarulhos não tremeram na hora de se apresentar para o ginásio lotado.

No segundo show eu pude observar mais o comportamento deles. Foi no Anhembi, num show da 89 FM. E ali foi uma prova de fogo para a banda.

A 89 foi um dos veículos que mais apoiou a banda. A rádio comprou as ideias e a maluquice deles e incluiu as músicas na programação. Mas havia um empecilho: o ouvinte roqueiro. A rádio era rock desde o seu início – ainda não havia acontecido a mudança de programação para o pop. Isso fazia com que muitos ouvintes mais radicais fizessem parte ativamente da “família 89”. Era comum aquela postura do roqueiro mau e intolerante em relação a qualquer coisa que fugia dos clichês do rock and roll. O som dos Mamonas era, basicamente, rock and roll – tinha até uma música, “Débil Metal”, que, em seu instrumental, era Sepultura puro. Mas as piadas, os temas (“Robocop Gay”, imagina, que absurdo para um roqueiro mau) e, principalmente, a postura da banda no palco, era um insulto para alguns ouvintes mais radicais.

Sem ligar muito para isso, a rádio convidou a banda para o show e eles, claro, toparam. E, mais claro ainda, foram vaiados por uma parcela do público do começo ao fim – outra atração da noite eram os Raimundos, muito mais sintonizados com o público rock.

Além disso, era incontável o número de objetos que voavam em direção ao palco. Me lembro do Dinho pegando alguns objetos (um tênis chegou a cruzar os ares) e fazendo embaixadinhas ou simplesmente se esquivando. No áudio do show (que tenho até hoje, digitalizado), o Dinho fala algumas vezes sobre o que está acontecendo. “Joga a mãe pra ver se quica” foi um dos comentários.

Sim, tinha fãs dos Mamonas ali e que estavam curtindo o show. Tinha gente ali se divertindo com todas aquelas palhaçadas. E esse foi um momento importante para notar como aquele som e aquele comportamento fugia de rótulos e não respeitava barreiras. Mamonas não era uma banda de rock (apesar do gênero dominar a sua sonoridade) e não era infantil (a capa do disco e algumas letras provavam isso), era uma banda que conversava com todos os públicos. E talvez tenha sido a última grande banda brasileira nesse quesito, especialmente se levarmos em consideração esses tempos de gostos tão divididos e compartimentados.