NOTÍCIAS

O lado filosófico do Pink Floyd

por em 18/05/2015
Geor
ge A. Reisch (org.) Pink Floyd e a Filosofia Madras Por Lucas Borges Teixeira O senso comum associa o rock a clichês como rebeldia, anarquismo, agitação, contestação… tudo o que lembrar um adolescente inquieto cheio ideias e protestos sem causa. Rock remete à guitarra distorcida de Kurt Cobain, a Mick Jagger rebolando no palco ou a Jim Morrison deitado em transe enquanto Manzarek faz longos solos de teclado. Tem de tudo, mas filosofia geralmente passa ao largo do ritmo. Não quando falamos de Pink Floyd. Esta é a reflexão que Pink Floyd e a Filosofia (Ed. Madras), com textos organizados pelo filosofo George A. Reisch, propõe: olhar para a obra e o legado da banda inglesa sobre diferentes prismas e teorias. Projeto semelhante já havia sido aplicado aos Beatles em (adivinha!) Beatles e a Filosofia quatro anos antes. É preciso alertar: como o título norteia, esta não é uma biografia e a música – embora seja, obviamente, a base para todo o debate – é apenas um dos assuntos. Os fãs interessados nas histórias da banda podem recorrer à autobiografia do baterista Nick Mason, Inside Out – a Verdadeira História do Pink Floyd, publicada no Brasil (para quem lê em inglês, a tarefa fica mais fácil, pois as opções aumentam consideravelmente). O objetivo dessa coletânea é explorar outros horizontes. Há pontos de vista das mais variadas áreas, como cinema, psicologia, filosofia e até física. Pode tudo, desde que o fio condutor seja a banda ou sua obra. A professora e cineasta Sue Mroz, por exemplo, faz uma análise sobre o filme Pink Floyd: The Wall (1982), projeto de Roger Waters dirigido por Alan Parker que narra a história um músico, Pink, em conflito com ele próprio e o mundo que o cerca. Ela recorre até a estruturas tradicionais de enredo, como a jornada do herói, para explicar que, como quase tudo que a banda fez, o longa é especial por ser, antes de tudo, sensitivo. O físico e escritor Andrew Zimmerman Jones, por sua vez, explica o paralelo entre o disco Dark Side of the Moon (1973) e o clássico O Mágico de Oz (1939). E sobra até para o filósofo alemão Friedrich Nietzsche: Em um dos textos mais interessantes da coletânea, a professora Erin Kealey estabelece uma ligação entre o pensamento de Nietzsche e a obra de Syd Barrett, fundador e primeiro grande compositor do Pink Floyd, que deixou a banda após o primeiro disco – uns dizem que se afundou no LSD, outros, que enlouqueceu. Para ela, os experimentos estilísticos do músico inglês remetem ao que o filósofo se propunha a fazer mais de um século antes, especialmente em O Nascimento da Tragédia. Filósofos, inclusive, não faltam: há referência a Adorno, Foucault, Aristóteles e por aí vai... Embora trate de temas extremamente complexos (talvez, especialmente por isso) e esteja recheado de teorias no mínimo complicadas, como o pensamento de Sartre sobre aniquilação ou o ateísmo de Nietzsche, a grande maioria dos textos são de linguagem fácil e descontraída. As referencias acadêmicas, claro, trazem seriedade à discussão, mas não deixam o livro sisudo. Pink Floyd e a Filosofia usa a obra da banda inglesa para falar de arte, cultura, política, juventude, religião... existência, enfim. Não é um livro obrigatório, mas cai muito bem ao som de Dark Side of the Moon ou Wish You Were Here no fundo.
  • HOT 100
    BRASIL
  • BILLBOARD
    200
  • HOT 100
    EUA
1
Eu Vou Te Buscar (Cha La La La La) (part. Hungria Hip Hop)
Gusttavo LIma
2
Amor Da Sua Cama
Felipe Araújo
3
Saudade
Eduardo Costa
4
Bengala E Crochê
Maiara & Maraisa
5
De Quem É A Culpa?
Marília Mendonça
RANKING COMPLETO
NOTÍCIAS

O lado filosófico do Pink Floyd

por em 18/05/2015
Geor
ge A. Reisch (org.) Pink Floyd e a Filosofia Madras Por Lucas Borges Teixeira O senso comum associa o rock a clichês como rebeldia, anarquismo, agitação, contestação… tudo o que lembrar um adolescente inquieto cheio ideias e protestos sem causa. Rock remete à guitarra distorcida de Kurt Cobain, a Mick Jagger rebolando no palco ou a Jim Morrison deitado em transe enquanto Manzarek faz longos solos de teclado. Tem de tudo, mas filosofia geralmente passa ao largo do ritmo. Não quando falamos de Pink Floyd. Esta é a reflexão que Pink Floyd e a Filosofia (Ed. Madras), com textos organizados pelo filosofo George A. Reisch, propõe: olhar para a obra e o legado da banda inglesa sobre diferentes prismas e teorias. Projeto semelhante já havia sido aplicado aos Beatles em (adivinha!) Beatles e a Filosofia quatro anos antes. É preciso alertar: como o título norteia, esta não é uma biografia e a música – embora seja, obviamente, a base para todo o debate – é apenas um dos assuntos. Os fãs interessados nas histórias da banda podem recorrer à autobiografia do baterista Nick Mason, Inside Out – a Verdadeira História do Pink Floyd, publicada no Brasil (para quem lê em inglês, a tarefa fica mais fácil, pois as opções aumentam consideravelmente). O objetivo dessa coletânea é explorar outros horizontes. Há pontos de vista das mais variadas áreas, como cinema, psicologia, filosofia e até física. Pode tudo, desde que o fio condutor seja a banda ou sua obra. A professora e cineasta Sue Mroz, por exemplo, faz uma análise sobre o filme Pink Floyd: The Wall (1982), projeto de Roger Waters dirigido por Alan Parker que narra a história um músico, Pink, em conflito com ele próprio e o mundo que o cerca. Ela recorre até a estruturas tradicionais de enredo, como a jornada do herói, para explicar que, como quase tudo que a banda fez, o longa é especial por ser, antes de tudo, sensitivo. O físico e escritor Andrew Zimmerman Jones, por sua vez, explica o paralelo entre o disco Dark Side of the Moon (1973) e o clássico O Mágico de Oz (1939). E sobra até para o filósofo alemão Friedrich Nietzsche: Em um dos textos mais interessantes da coletânea, a professora Erin Kealey estabelece uma ligação entre o pensamento de Nietzsche e a obra de Syd Barrett, fundador e primeiro grande compositor do Pink Floyd, que deixou a banda após o primeiro disco – uns dizem que se afundou no LSD, outros, que enlouqueceu. Para ela, os experimentos estilísticos do músico inglês remetem ao que o filósofo se propunha a fazer mais de um século antes, especialmente em O Nascimento da Tragédia. Filósofos, inclusive, não faltam: há referência a Adorno, Foucault, Aristóteles e por aí vai... Embora trate de temas extremamente complexos (talvez, especialmente por isso) e esteja recheado de teorias no mínimo complicadas, como o pensamento de Sartre sobre aniquilação ou o ateísmo de Nietzsche, a grande maioria dos textos são de linguagem fácil e descontraída. As referencias acadêmicas, claro, trazem seriedade à discussão, mas não deixam o livro sisudo. Pink Floyd e a Filosofia usa a obra da banda inglesa para falar de arte, cultura, política, juventude, religião... existência, enfim. Não é um livro obrigatório, mas cai muito bem ao som de Dark Side of the Moon ou Wish You Were Here no fundo.