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“O público nos fez sentir em casa”, diz Jamie xx sobre Lollapalooza

Produtor conversou com a Billboard Brasil dias após a apresentação no festival

por Rebecca Silva em 29/03/2017

Em um bar na zona sul de São Paulo, fechado para clientes, encontrei Jamie xx para a entrevista dias após a segunda apresentação da banda The xx no Brasil, na edição deste ano do Lollapalooza. Foi provavelmente o ambiente mais silencioso em que já fiz uma entrevista, sendo que os outros integrantes da banda também estavam no local falando com outros jornalistas.

THE XX E NOVO REPERTÓRIO DÃO O TOM CERTO PARA O LOLLA

Tranquilo e um tanto tímido, Jamie fala tão baixo que mesmo sentada ao seu lado tive dificuldade de ouvir o que ele dizia. Apesar das respostas que não anunciavam que estavam perto do fim, gerando um silêncio estranho entre nós, e daquele jeitão meio blasé e fechado dos ingleses, o produtor falou com bastante carinho sobre o Brasil, a apresentação no Lollapalooza e o processo de criação do novo disco da banda, I See You.

Todas as resenhas sobre o show de vocês no Lollapalooza elogiaram a forma que vocês conseguiram levar o som intimista da banda para uma apresentação em festival e o quanto o show foi emocionante. Como foi para vocês?

Foi muito especial. É a segunda apresentação que fazemos em um festival em quatro anos, então ainda estamos nos acostumando. Ficamos um pouco nervosos para nos apresentar em um palco de festival, mas o público nos fez sentir em casa. As pessoas estavam vibrando e cantando as músicas mais alto do que nós mesmos, foi incrível.

E esse foi um dos poucos shows que vocês fizeram após o lançamento do disco em janeiro, certo? Ajudou a moldar a apresentação daqui para a frente?

Fizemos uma turnê pela Europa que durou cerca de um mês, mas ainda está bem cedo. Fora da Europa foi a primeira vez. Definitivamente nos ajudou. Acredito que ainda haja um longo caminho a percorrer, trabalhamos nisso a cada dia. Mas nos deixou muito confiantes saber que as pessoas amaram tanto.

PROBLEMAS ESTRUTURAIS COMPROMETERAM A QUALIDADE DO LOLLAPALOOZA BRASIL 2017 

Da outra vez que vocês vieram ao Brasil, as músicas da banda ainda não tinham feito parte da trilha sonora de novelas (“Angels” tocou em Amores Roubados e “Together” em Além do Tempo). Perceberam alguma diferença na resposta do público?

Quando tocamos aqui da primeira vez, já tivemos uma boa recepção do público. Eu tenho a memória bem ruim, mas eu lembro desse show, especificamente, porque foi louco. E agora tivemos novamente essa resposta positiva, então é muito bom estar de volta.

Algo muito elogiado na performance de vocês foi a capacidade de apresentar no palco de um festival a música com uma pegada mais intimista e criar uma relação com o público, algo que nem todos conseguem fazer. Tem algum segredo?

Eu não sei. Eu percebo que as pessoas se envolvem até com os momentos mais silenciosos do show e isso é muito legal. Sofremos bastante no começo, quando tocávamos em pubs minúsculos onde ninguém queria nos ouvir, onde as pessoas conversavam mais alto do que as nossas músicas. Acredito que aprendemos a lidar com a situação e talvez as pessoas possam perceber isso quando nos veem tocando hoje. Estamos tocando juntos por bastante tempo, mais de uma década, então sabemos o que fazer.

Você conseguiu assistir a algum show no Lollapalooza ou estava muito ocupado?

Eu vi o Metallica. Foi a primeira vez que vi um show deles. Não faz meu estilo, mas foi uma experiência bem legal.

Tocando juntos há mais de uma década, vocês ainda são críticos uns com os outros?

Sim. Acredito que seja a única forma de progredir. Somos bem duros uns com os outros. Trabalhamos muito para ter a certeza de que tudo está do jeito que queremos.

Nesse disco, as músicas são mais animadas e dançantes do que nos trabalhos anteriores. Dessa vez, vocês gravaram o projeto em diferentes estúdios, por todo o mundo. Como isso ajudou a moldar o projeto dessa forma?

Os discos anteriores foram feitos em ambientes fechados, em uma cidade cinza. Apesar de amarmos Londres, a cidade tem um clima claustrofóbico. Dessa vez, fizemos o completo oposto. Fomos para lugares com paisagens abertas, céus ensolarados e que ainda não conhecíamos. Essencialmente, vivemos juntos nesses lugares, ficamos mais próximos como amigos e nos divertimos no estúdio.

E como vocês escolheram os locais que usariam para gravar? A logística foi mais complicada por estarem em ambientes desconhecidos?

Na verdade não. Quando você já sabe como trabalhar em estúdio, é só chegar. Às vezes, é mais difícil continuar indo nos mesmos lugares. Você precisa estar inspirado para fazer música e fazer a mesma coisa o tempo todo pode torná-las banais. Também passamos um tempo no estúdio em Londres e foi inspirador justamente porque fomos para todos esses lugares antes. Sobre os lugares, a mãe do nosso empresário mora em Marfa, no Texas, e ela sempre nos chamou para ir lá. Passamos três semanas morando lá, ela nos mostrou a cidade. Amamos ir pra Los Angeles. Sentimos como se fosse nossa casa espiritual e é fácil viver bem lá, de forma saudável. Já a Islândia nós também não conhecíamos, mas sempre quisemos ir. Tem paisagens diferentes de Londres.

Nesse meio tempo, você lançou um disco solo, In Colour. Como foi o processo de produzir pra você e não para os outros?

Foi libertador. Eu não precisei fazer algo que parecesse com o nosso som. Só precisei fazer música que eu gostava. Todas as expectativas e limites que tinham sido construídos com a banda não existiam mais.

E como esse trabalho influenciou na produção do novo álbum do The xx, I See You?

Nesse sentido de estarmos mais abertos a experimentar com novos sons e a fazer coisas mais diferentes do que estávamos acostumados.

Você ouviu muitas comparações entre seu som solo e o som da banda?

Eu não vou atrás dessas coisas. Sejam comentários bons ou ruins, não faz bem para a sua cabeça. Você precisa focar em ser criativo e fazer o que você quer.

Apesar de a banda já tocar junto há bastante tempo, vocês ainda parecem um pouco tímidos no palco. Você fica nervoso antes de se apresentar e ver a reação do público?

Sim. É algo que acredito que nunca vou me acostumar. É algo surreal e anormal para um ser humano experimentar. Acho que no dia que isso me entediar ou que eu me acostumar, é a hora de parar. Eu até tento me animar um pouco, mas eu não nasci para ser performer.

Você sempre ouviu muito jazz e soul e na adolescência descobriu a cena de música eletrônica de Londres. Com tantas referências diferentes, quais são as influências do som do The xx?

Todos nós temos backgrounds diferentes, o estilo de música que cada um cresceu ouvindo, mas também existem áreas em que nos cruzamos. É por causa dessas diferenças no que costumamos ouvir e trazemos para a nossa música que soamos desse jeito. O que mais ouço, até hoje, é jazz e soul. Meu favorito é Otis Redding, por causa da minha infância.

Você teve a oportunidade de remixar um álbum de Gil Scott-Heron [uma das músicas deste disco acabou inspirando “Take Care”, parceria entre Drake e Rihanna]. Como foi a experiência de pegar um material antigo e dar a sua cara?

Foi o primeiro álbum que eu fiz sozinho e acho que eu era novo e ingênuo, estava muito empolgado por estar trabalhando em algo. Acho que se a oportunidade tivesse surgido hoje, eu teria pensado demais e não teria conseguido terminar o projeto. Mas fico feliz de ter tido a oportunidade, de ter conhecido o Gil.

Ele morreu logo após o lançamento, certo?

Sim. Me senti um pouco culpado porque foi a última coisa que ele lançou antes de morrer, mas ao mesmo tempo, sinto que apresentei o som dele para pessoas que não o conheciam.

Você conhece algo de música brasileira?

Sei um tanto sobre a música brasileira nos anos 1970, o cenário disco e dance. Mas não sei muito sobre a cena brasileira atual, gostaria de saber mais.

O The xx fez parte da trilha sonora da versão de O Grande Gatsby de de Baz Luhrmann. Se vocês pudessem escolher qualquer diretor para fazer parte da trilha de um filme que mais combinassem com o som da banda, quem seria e por quê?

Nós gostaríamos de trabalhar com a Sofia Coppola. Todos os filmes dela, mas Encontros e Desencontros em especial, tratam a trilha de uma forma especial, é quase como se a música fosse um outro personagem da história.

Vocês também vão se apresentar no Lollapalooza Chicago. Como estão as expectativas?

Lembro de assistir a um show da Lady Gaga no festival há um tempo, pareceu divertido. Não sei, estou tentando levar um dia de cada vez, sem pensar muito no futuro porque temos muito pela frente.

A plateia com certeza é diferente da brasileira, certo?

Ah, sim. O mundo todo é mais reservado do que as pessoas daqui [risos]. Eu adoro.

Alguma chance de você voltar ao Brasil para apresentar seu trabalho solo?

Eu já terminei a turnê do meu álbum, mas eu com certeza gostaria de vir. Tenho alguns planos, mas não posso falar nada sobre isso.

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por Rebecca Silva em 29/03/2017

Em um bar na zona sul de São Paulo, fechado para clientes, encontrei Jamie xx para a entrevista dias após a segunda apresentação da banda The xx no Brasil, na edição deste ano do Lollapalooza. Foi provavelmente o ambiente mais silencioso em que já fiz uma entrevista, sendo que os outros integrantes da banda também estavam no local falando com outros jornalistas.

THE XX E NOVO REPERTÓRIO DÃO O TOM CERTO PARA O LOLLA

Tranquilo e um tanto tímido, Jamie fala tão baixo que mesmo sentada ao seu lado tive dificuldade de ouvir o que ele dizia. Apesar das respostas que não anunciavam que estavam perto do fim, gerando um silêncio estranho entre nós, e daquele jeitão meio blasé e fechado dos ingleses, o produtor falou com bastante carinho sobre o Brasil, a apresentação no Lollapalooza e o processo de criação do novo disco da banda, I See You.

Todas as resenhas sobre o show de vocês no Lollapalooza elogiaram a forma que vocês conseguiram levar o som intimista da banda para uma apresentação em festival e o quanto o show foi emocionante. Como foi para vocês?

Foi muito especial. É a segunda apresentação que fazemos em um festival em quatro anos, então ainda estamos nos acostumando. Ficamos um pouco nervosos para nos apresentar em um palco de festival, mas o público nos fez sentir em casa. As pessoas estavam vibrando e cantando as músicas mais alto do que nós mesmos, foi incrível.

E esse foi um dos poucos shows que vocês fizeram após o lançamento do disco em janeiro, certo? Ajudou a moldar a apresentação daqui para a frente?

Fizemos uma turnê pela Europa que durou cerca de um mês, mas ainda está bem cedo. Fora da Europa foi a primeira vez. Definitivamente nos ajudou. Acredito que ainda haja um longo caminho a percorrer, trabalhamos nisso a cada dia. Mas nos deixou muito confiantes saber que as pessoas amaram tanto.

PROBLEMAS ESTRUTURAIS COMPROMETERAM A QUALIDADE DO LOLLAPALOOZA BRASIL 2017 

Da outra vez que vocês vieram ao Brasil, as músicas da banda ainda não tinham feito parte da trilha sonora de novelas (“Angels” tocou em Amores Roubados e “Together” em Além do Tempo). Perceberam alguma diferença na resposta do público?

Quando tocamos aqui da primeira vez, já tivemos uma boa recepção do público. Eu tenho a memória bem ruim, mas eu lembro desse show, especificamente, porque foi louco. E agora tivemos novamente essa resposta positiva, então é muito bom estar de volta.

Algo muito elogiado na performance de vocês foi a capacidade de apresentar no palco de um festival a música com uma pegada mais intimista e criar uma relação com o público, algo que nem todos conseguem fazer. Tem algum segredo?

Eu não sei. Eu percebo que as pessoas se envolvem até com os momentos mais silenciosos do show e isso é muito legal. Sofremos bastante no começo, quando tocávamos em pubs minúsculos onde ninguém queria nos ouvir, onde as pessoas conversavam mais alto do que as nossas músicas. Acredito que aprendemos a lidar com a situação e talvez as pessoas possam perceber isso quando nos veem tocando hoje. Estamos tocando juntos por bastante tempo, mais de uma década, então sabemos o que fazer.

Você conseguiu assistir a algum show no Lollapalooza ou estava muito ocupado?

Eu vi o Metallica. Foi a primeira vez que vi um show deles. Não faz meu estilo, mas foi uma experiência bem legal.

Tocando juntos há mais de uma década, vocês ainda são críticos uns com os outros?

Sim. Acredito que seja a única forma de progredir. Somos bem duros uns com os outros. Trabalhamos muito para ter a certeza de que tudo está do jeito que queremos.

Nesse disco, as músicas são mais animadas e dançantes do que nos trabalhos anteriores. Dessa vez, vocês gravaram o projeto em diferentes estúdios, por todo o mundo. Como isso ajudou a moldar o projeto dessa forma?

Os discos anteriores foram feitos em ambientes fechados, em uma cidade cinza. Apesar de amarmos Londres, a cidade tem um clima claustrofóbico. Dessa vez, fizemos o completo oposto. Fomos para lugares com paisagens abertas, céus ensolarados e que ainda não conhecíamos. Essencialmente, vivemos juntos nesses lugares, ficamos mais próximos como amigos e nos divertimos no estúdio.

E como vocês escolheram os locais que usariam para gravar? A logística foi mais complicada por estarem em ambientes desconhecidos?

Na verdade não. Quando você já sabe como trabalhar em estúdio, é só chegar. Às vezes, é mais difícil continuar indo nos mesmos lugares. Você precisa estar inspirado para fazer música e fazer a mesma coisa o tempo todo pode torná-las banais. Também passamos um tempo no estúdio em Londres e foi inspirador justamente porque fomos para todos esses lugares antes. Sobre os lugares, a mãe do nosso empresário mora em Marfa, no Texas, e ela sempre nos chamou para ir lá. Passamos três semanas morando lá, ela nos mostrou a cidade. Amamos ir pra Los Angeles. Sentimos como se fosse nossa casa espiritual e é fácil viver bem lá, de forma saudável. Já a Islândia nós também não conhecíamos, mas sempre quisemos ir. Tem paisagens diferentes de Londres.

Nesse meio tempo, você lançou um disco solo, In Colour. Como foi o processo de produzir pra você e não para os outros?

Foi libertador. Eu não precisei fazer algo que parecesse com o nosso som. Só precisei fazer música que eu gostava. Todas as expectativas e limites que tinham sido construídos com a banda não existiam mais.

E como esse trabalho influenciou na produção do novo álbum do The xx, I See You?

Nesse sentido de estarmos mais abertos a experimentar com novos sons e a fazer coisas mais diferentes do que estávamos acostumados.

Você ouviu muitas comparações entre seu som solo e o som da banda?

Eu não vou atrás dessas coisas. Sejam comentários bons ou ruins, não faz bem para a sua cabeça. Você precisa focar em ser criativo e fazer o que você quer.

Apesar de a banda já tocar junto há bastante tempo, vocês ainda parecem um pouco tímidos no palco. Você fica nervoso antes de se apresentar e ver a reação do público?

Sim. É algo que acredito que nunca vou me acostumar. É algo surreal e anormal para um ser humano experimentar. Acho que no dia que isso me entediar ou que eu me acostumar, é a hora de parar. Eu até tento me animar um pouco, mas eu não nasci para ser performer.

Você sempre ouviu muito jazz e soul e na adolescência descobriu a cena de música eletrônica de Londres. Com tantas referências diferentes, quais são as influências do som do The xx?

Todos nós temos backgrounds diferentes, o estilo de música que cada um cresceu ouvindo, mas também existem áreas em que nos cruzamos. É por causa dessas diferenças no que costumamos ouvir e trazemos para a nossa música que soamos desse jeito. O que mais ouço, até hoje, é jazz e soul. Meu favorito é Otis Redding, por causa da minha infância.

Você teve a oportunidade de remixar um álbum de Gil Scott-Heron [uma das músicas deste disco acabou inspirando “Take Care”, parceria entre Drake e Rihanna]. Como foi a experiência de pegar um material antigo e dar a sua cara?

Foi o primeiro álbum que eu fiz sozinho e acho que eu era novo e ingênuo, estava muito empolgado por estar trabalhando em algo. Acho que se a oportunidade tivesse surgido hoje, eu teria pensado demais e não teria conseguido terminar o projeto. Mas fico feliz de ter tido a oportunidade, de ter conhecido o Gil.

Ele morreu logo após o lançamento, certo?

Sim. Me senti um pouco culpado porque foi a última coisa que ele lançou antes de morrer, mas ao mesmo tempo, sinto que apresentei o som dele para pessoas que não o conheciam.

Você conhece algo de música brasileira?

Sei um tanto sobre a música brasileira nos anos 1970, o cenário disco e dance. Mas não sei muito sobre a cena brasileira atual, gostaria de saber mais.

O The xx fez parte da trilha sonora da versão de O Grande Gatsby de de Baz Luhrmann. Se vocês pudessem escolher qualquer diretor para fazer parte da trilha de um filme que mais combinassem com o som da banda, quem seria e por quê?

Nós gostaríamos de trabalhar com a Sofia Coppola. Todos os filmes dela, mas Encontros e Desencontros em especial, tratam a trilha de uma forma especial, é quase como se a música fosse um outro personagem da história.

Vocês também vão se apresentar no Lollapalooza Chicago. Como estão as expectativas?

Lembro de assistir a um show da Lady Gaga no festival há um tempo, pareceu divertido. Não sei, estou tentando levar um dia de cada vez, sem pensar muito no futuro porque temos muito pela frente.

A plateia com certeza é diferente da brasileira, certo?

Ah, sim. O mundo todo é mais reservado do que as pessoas daqui [risos]. Eu adoro.

Alguma chance de você voltar ao Brasil para apresentar seu trabalho solo?

Eu já terminei a turnê do meu álbum, mas eu com certeza gostaria de vir. Tenho alguns planos, mas não posso falar nada sobre isso.