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O samba rock se torna patrimônio cultural paulistano; ouça playlist para comemorar

Título foi concedido na manhã dessa sexta-feira por órgão da prefeitura

por Marcos Lauro em 11/11/2016

O samba rock, gênero de dança criado em São Paulo nos anos 1950, ganhou o título de Patrimônio Cultural paulistano nessa sexta-feira (11/11). A cerimônia foi realizada no Conselho Municipal de Preservação do Patrimônio Histórico, Cultural e Ambiental da Cidade de São Paulo, órgão da prefeitura responsável por esse tipo de homenagem. Músicos, dançarinos, DJs e produtores culturais estavam presentes, incluindo os idealizadores da homenagem, Marco Mattoli (do grupo Clube do Balanço), Jorge Yoshida (bailarino) e Calixto Junior (produtor cultural do Samba Rock na Veia).

Vale lembrar que o samba rock é anterior ao gênero musical criado nos anos 1970 por Jorge Ben e Trio Mocotó, que acabou recebendo o mesmo nome (mas também é chamado de suingue). A dança surgiu ainda nos anos 1950, quando também apareceu a figura do DJ. Moradores das periferias – negros, em sua maioria – não tinham condições de contratar as grandes bandas que tocavam em bailes de bairros mais abastados e começaram a organizar as suas próprias festas com bossa nova, rock, swing, jazz e música latina. Nesse contexto de contenção de despesas, surge o DJ que, sozinho, conseguia colocar na pista o mesmo som de uma orquestra. O pioneiro, seu Osvaldo, construiu seu próprio equipamento e, em 1958, lançou a Orquestra Invisível.

Dentro desse contexto, na pista, surgia o samba rock, a dança que acompanhava todos esses ritmos.

Ouça a playlist com os sucessos das pistas de samba rock pra treinar os passinhos:

Durante a cerimônia, Marco Matolli, do Clube do Balanço, leu um texto que resume a história do samba rock. Leia os principais trechos:

O samba rock surge de maneira espontânea como manifestação cultural da população negra nas periferias da cidade de são Paulo no final da década de 50.

A festa, o encontro social, tem uma importância fundamental para as culturas afro descendentes, a festa existe como um ritual sagrado, mas também como uma atividade profana fundamental para os indivíduos e as famílias se identificarem na sociedade.

Como em várias culturas afrodescentes do mundo, o samba rock nasce da exclusão desta possibilidade de inserção social.

Em São Paulo não foi diferente, o samba rock surge num primeiro momento nas festas de comunidades periféricas.

Pro negro, o pra aquele menos favorecido economicamente, era impossível frequentar um baile. Ele não era aceito.

Então, eles fazem seus próprios bailes, de um jeito diferente, com seus códigos, sua cultura sua música.

A primeira diferença, era a impossibilidade de contratar uma orquestra.

Por conta dessa limitação, o baile, aqui de São Paulo, inventa de maneira pioneira a figura do discotecário. esse protagonista, que vai se chamar futuramente de DJ, e vai ter um papel fundamental na história música popular do planeta.

Nestes bailes, surge a semente desta dança tipicamente paulistana, o samba rock. Gostaria de frisar que esta dança só existe em são paulo, e algo inventado, e reinventado aqui na nossa cidade.

Temos aí os itens  básicos que definem essa manifestação cultural: O espaço ritual (o baile) e os principais atores, o discotecário e o dançarino.

O discotecário, como um griot moderno, cava na tradição musical contemporânea, os elementos musicais que servem a dança.

Lembrando que a música num primeiro momento, é incorporada de outras tradições, nesse começo não existe uma música samba rock propriamente dita. No baile se ouve samba, bossa nova jazz, swing, soul. O DJ define qual música se presta a dança.

Posteriormente, quando a cultura da dança e do baile já eram formatados e consolidados, começam a surgir músicas especificas para o estilo, e começa se criar também uma cultura musical do samba rock.

Apesar de raramente aparecer na grande mídia, esses bailes mobilizam milhares de paulistanos todos fins de semana a 50 anos. Eles têm seus próprios meios de divulgação, existe um circuito cultural de verdade aí, a margem do circuito oficial.

Atualmente temos centenas de coletivos de baile, inúmeros professores que formataram a dança do samba rock para o ensino formal em academias, uma série de músicos que se dedicam a este repertório específico, criando novos caminhos e novas músicas para este universo e também mantendo o repertório tradicional vivo, além centenas de DJs especializados nesta cultura.

Gostaria de finalizar, dizendo que apesar do samba rock ter nascido por conta de uma exclusão social, ele se transformou num exemplo de inclusão e democracia. Eu vejo nos bailes de hoje, aquilo que eu gostaria de ver um dia no mundo: Pessoas de etnias, idades, gêneros, religiões diferentes, convivendo, se respeitando, e sabendo se divertir.

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O samba rock se torna patrimônio cultural paulistano; ouça playlist para comemorar

Título foi concedido na manhã dessa sexta-feira por órgão da prefeitura

por Marcos Lauro em 11/11/2016

O samba rock, gênero de dança criado em São Paulo nos anos 1950, ganhou o título de Patrimônio Cultural paulistano nessa sexta-feira (11/11). A cerimônia foi realizada no Conselho Municipal de Preservação do Patrimônio Histórico, Cultural e Ambiental da Cidade de São Paulo, órgão da prefeitura responsável por esse tipo de homenagem. Músicos, dançarinos, DJs e produtores culturais estavam presentes, incluindo os idealizadores da homenagem, Marco Mattoli (do grupo Clube do Balanço), Jorge Yoshida (bailarino) e Calixto Junior (produtor cultural do Samba Rock na Veia).

Vale lembrar que o samba rock é anterior ao gênero musical criado nos anos 1970 por Jorge Ben e Trio Mocotó, que acabou recebendo o mesmo nome (mas também é chamado de suingue). A dança surgiu ainda nos anos 1950, quando também apareceu a figura do DJ. Moradores das periferias – negros, em sua maioria – não tinham condições de contratar as grandes bandas que tocavam em bailes de bairros mais abastados e começaram a organizar as suas próprias festas com bossa nova, rock, swing, jazz e música latina. Nesse contexto de contenção de despesas, surge o DJ que, sozinho, conseguia colocar na pista o mesmo som de uma orquestra. O pioneiro, seu Osvaldo, construiu seu próprio equipamento e, em 1958, lançou a Orquestra Invisível.

Dentro desse contexto, na pista, surgia o samba rock, a dança que acompanhava todos esses ritmos.

Ouça a playlist com os sucessos das pistas de samba rock pra treinar os passinhos:

Durante a cerimônia, Marco Matolli, do Clube do Balanço, leu um texto que resume a história do samba rock. Leia os principais trechos:

O samba rock surge de maneira espontânea como manifestação cultural da população negra nas periferias da cidade de são Paulo no final da década de 50.

A festa, o encontro social, tem uma importância fundamental para as culturas afro descendentes, a festa existe como um ritual sagrado, mas também como uma atividade profana fundamental para os indivíduos e as famílias se identificarem na sociedade.

Como em várias culturas afrodescentes do mundo, o samba rock nasce da exclusão desta possibilidade de inserção social.

Em São Paulo não foi diferente, o samba rock surge num primeiro momento nas festas de comunidades periféricas.

Pro negro, o pra aquele menos favorecido economicamente, era impossível frequentar um baile. Ele não era aceito.

Então, eles fazem seus próprios bailes, de um jeito diferente, com seus códigos, sua cultura sua música.

A primeira diferença, era a impossibilidade de contratar uma orquestra.

Por conta dessa limitação, o baile, aqui de São Paulo, inventa de maneira pioneira a figura do discotecário. esse protagonista, que vai se chamar futuramente de DJ, e vai ter um papel fundamental na história música popular do planeta.

Nestes bailes, surge a semente desta dança tipicamente paulistana, o samba rock. Gostaria de frisar que esta dança só existe em são paulo, e algo inventado, e reinventado aqui na nossa cidade.

Temos aí os itens  básicos que definem essa manifestação cultural: O espaço ritual (o baile) e os principais atores, o discotecário e o dançarino.

O discotecário, como um griot moderno, cava na tradição musical contemporânea, os elementos musicais que servem a dança.

Lembrando que a música num primeiro momento, é incorporada de outras tradições, nesse começo não existe uma música samba rock propriamente dita. No baile se ouve samba, bossa nova jazz, swing, soul. O DJ define qual música se presta a dança.

Posteriormente, quando a cultura da dança e do baile já eram formatados e consolidados, começam a surgir músicas especificas para o estilo, e começa se criar também uma cultura musical do samba rock.

Apesar de raramente aparecer na grande mídia, esses bailes mobilizam milhares de paulistanos todos fins de semana a 50 anos. Eles têm seus próprios meios de divulgação, existe um circuito cultural de verdade aí, a margem do circuito oficial.

Atualmente temos centenas de coletivos de baile, inúmeros professores que formataram a dança do samba rock para o ensino formal em academias, uma série de músicos que se dedicam a este repertório específico, criando novos caminhos e novas músicas para este universo e também mantendo o repertório tradicional vivo, além centenas de DJs especializados nesta cultura.

Gostaria de finalizar, dizendo que apesar do samba rock ter nascido por conta de uma exclusão social, ele se transformou num exemplo de inclusão e democracia. Eu vejo nos bailes de hoje, aquilo que eu gostaria de ver um dia no mundo: Pessoas de etnias, idades, gêneros, religiões diferentes, convivendo, se respeitando, e sabendo se divertir.