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O último Ramone vivo fala sobre brigas e drogas em biografia

por em 01/07/2015
Mark
y Ramone e Rich Herschlag Minha Vida Como Um Ramone – Punk Rock Blitzkrieg Editora Planeta Por Marcos Lauro Joey, Johnny, Dee Dee e Tommy Ramone, os integrantes originais dessa família que ajudou a fundar o punk rock, já se foram. No lugar de Tommy, que saiu da banda precocemente ainda em 1978, entrou Marc Bell. Ou Marky Ramone. E é ele quem lança a biografia Minha Vida Como Um Ramone – Punk Rock Blitzkrieg, que sai pela Editora Planeta aqui no Brasil. Marky é o último Ramone vivo – se levarmos em consideração a formação da banda que entrou para o Hall da Fama do Rock and Roll. O livro é como o próprio punk rock: cru, direto e sem papas na língua. Assim como o one, two, three, four, que iniciava quase todas as músicas dos Ramones, a impressão que dá é que Marky fez a contagem e começou a dizer tudo (ou quase tudo) que viu, ouviu e viveu durante toda a sua permanência na banda. Marky já era um músico experimentado quando foi convidado para assumir a bateria dos Ramones e a banda já tinha quatro anos de vida. Ele conta que soube entrar no espírito e se encaixou bem no grupo. E como a saída de Tommy não foi turbulenta – Marky diz que Tommy chegou a ajudá-lo e conviveu com a banda nos primeiro dias –, isso também acabou ajudando. A biografia segue uma ordem cronologica – do pequeno Marky, sempre ligado à música, até o fim dos Ramones e sua carreira com o The Intruders. Mas ele não se preocupa em datar todos os acontecimentos: eles vão se passando e o leitor tem que ficar atento às “dicas”, como os lançamentos dos discos e turnês. É difícil destacar um único trecho ou capítulo que seja mais interessante. Praticamente tudo impressiona: os TOCs e problemas de Joey, as opiniões reacionárias, de ultra-direita e fortes de Johnny, os vícios de Dee Dee e a trajetória do próprio Marky – nem sempre gloriosa – prendem a atenção e fazem com que a leitura se torne também viciante. No meio de tudo isso, o clima da banda era horrível. Marky, por exemplo, serviu por muito tempo como a ponte entre Johnny e Joey, que não se falavam. Um tom quase motivacional toma conta do livro na sua segunda metade. Marky conta que, por causa do seu vício em álcool, se tornou um problema para os Ramones. Ele chegou a perder um show da banda por ter ficado no hotel aguardando uma carona que nunca chegou. E, claro, bebendo – seu estado ébrio não permitiu que ele pegasse um pequeno avião que foi oferecido pelo empresário do grupo, já que o piloto percebeu, por telefone, que Marky estava bêbado e disse que não era seguro viajar com uma pessoa naquele estado. O resultado, não apenas desse fato mas de uma série de trapalhadas de Marky, foi a sua expulsão dos Ramones logo depois do disco Subterranean Jungle (1983). Nesse momento, com o disco pronto, ele ficou sabendo que não sairia junto com a banda em turnê. A primeira reação foi de revolta. Mas pouco tempo depois, ele, de fato, percebeu que era um problema e resolveu seguir os 12 passos dos Alcoólicos Anônimos. E o livro ganha esse tom de “se eu consegui, você também consegue”. Que não é pejorativo e nem tira o valor da obra, muito pelo contrário. É a história sendo contada de uma forma que parece ser a mais transparente possível. Marky reconhece a importância do público sul-americano, especialmente o carioca e o de Buenos Aires, tanto para os Ramones em sua fase final quanto para a sua carreira solo. Não é à toa que o baterista vem pelo menos uma vez por ano para o Brasil. Surge um tom melancólico de Marky pelo fato de os quatro Ramones nunca terem conseguido um single de sucesso estrondoso (comparado aos das paradas pop, claro) – ele chega a contar que Joey não suportava Billie Joe Armstrong e seu Green Day pelo fato da banda explodir fazendo um som muito parecido com o dos Ramones. Mas, ao mesmo tempo, o livro dá um recado de “papel cumprido” e de orgulho por ter feito parte de uma banda que ajudou a criar um gênero musical.
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Eu Vou Te Buscar (Cha La La La La) (part. Hungria Hip Hop)
Gusttavo LIma
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3
Saudade
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4
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Maiara & Maraisa
5
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O último Ramone vivo fala sobre brigas e drogas em biografia

por em 01/07/2015
Mark
y Ramone e Rich Herschlag Minha Vida Como Um Ramone – Punk Rock Blitzkrieg Editora Planeta Por Marcos Lauro Joey, Johnny, Dee Dee e Tommy Ramone, os integrantes originais dessa família que ajudou a fundar o punk rock, já se foram. No lugar de Tommy, que saiu da banda precocemente ainda em 1978, entrou Marc Bell. Ou Marky Ramone. E é ele quem lança a biografia Minha Vida Como Um Ramone – Punk Rock Blitzkrieg, que sai pela Editora Planeta aqui no Brasil. Marky é o último Ramone vivo – se levarmos em consideração a formação da banda que entrou para o Hall da Fama do Rock and Roll. O livro é como o próprio punk rock: cru, direto e sem papas na língua. Assim como o one, two, three, four, que iniciava quase todas as músicas dos Ramones, a impressão que dá é que Marky fez a contagem e começou a dizer tudo (ou quase tudo) que viu, ouviu e viveu durante toda a sua permanência na banda. Marky já era um músico experimentado quando foi convidado para assumir a bateria dos Ramones e a banda já tinha quatro anos de vida. Ele conta que soube entrar no espírito e se encaixou bem no grupo. E como a saída de Tommy não foi turbulenta – Marky diz que Tommy chegou a ajudá-lo e conviveu com a banda nos primeiro dias –, isso também acabou ajudando. A biografia segue uma ordem cronologica – do pequeno Marky, sempre ligado à música, até o fim dos Ramones e sua carreira com o The Intruders. Mas ele não se preocupa em datar todos os acontecimentos: eles vão se passando e o leitor tem que ficar atento às “dicas”, como os lançamentos dos discos e turnês. É difícil destacar um único trecho ou capítulo que seja mais interessante. Praticamente tudo impressiona: os TOCs e problemas de Joey, as opiniões reacionárias, de ultra-direita e fortes de Johnny, os vícios de Dee Dee e a trajetória do próprio Marky – nem sempre gloriosa – prendem a atenção e fazem com que a leitura se torne também viciante. No meio de tudo isso, o clima da banda era horrível. Marky, por exemplo, serviu por muito tempo como a ponte entre Johnny e Joey, que não se falavam. Um tom quase motivacional toma conta do livro na sua segunda metade. Marky conta que, por causa do seu vício em álcool, se tornou um problema para os Ramones. Ele chegou a perder um show da banda por ter ficado no hotel aguardando uma carona que nunca chegou. E, claro, bebendo – seu estado ébrio não permitiu que ele pegasse um pequeno avião que foi oferecido pelo empresário do grupo, já que o piloto percebeu, por telefone, que Marky estava bêbado e disse que não era seguro viajar com uma pessoa naquele estado. O resultado, não apenas desse fato mas de uma série de trapalhadas de Marky, foi a sua expulsão dos Ramones logo depois do disco Subterranean Jungle (1983). Nesse momento, com o disco pronto, ele ficou sabendo que não sairia junto com a banda em turnê. A primeira reação foi de revolta. Mas pouco tempo depois, ele, de fato, percebeu que era um problema e resolveu seguir os 12 passos dos Alcoólicos Anônimos. E o livro ganha esse tom de “se eu consegui, você também consegue”. Que não é pejorativo e nem tira o valor da obra, muito pelo contrário. É a história sendo contada de uma forma que parece ser a mais transparente possível. Marky reconhece a importância do público sul-americano, especialmente o carioca e o de Buenos Aires, tanto para os Ramones em sua fase final quanto para a sua carreira solo. Não é à toa que o baterista vem pelo menos uma vez por ano para o Brasil. Surge um tom melancólico de Marky pelo fato de os quatro Ramones nunca terem conseguido um single de sucesso estrondoso (comparado aos das paradas pop, claro) – ele chega a contar que Joey não suportava Billie Joe Armstrong e seu Green Day pelo fato da banda explodir fazendo um som muito parecido com o dos Ramones. Mas, ao mesmo tempo, o livro dá um recado de “papel cumprido” e de orgulho por ter feito parte de uma banda que ajudou a criar um gênero musical.