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Os mistérios do planeta de Baby do Brasil

por em 25/06/2015
Rodrigo Amaral da Rocha
Com “um pé na Ella Fitzgerald, na Elza Soares, em Ademilde Fonseca, outro pé no Jimi Hendrix, Luiz Gonzaga e Jackson do Pandeiro”, Baby do Brasil comenta a sua formação como cantora – coisa que, no início de sua carreira, nem as gravadoras entendiam. Ser compreendida nunca foi mesmo a intenção da cantora. Com múltiplas fases e facetas, ela já foi a Baby dos Novos Baianos, a Baby Consuelo, a Baby do Brasil, a “popstora” e, hoje, curte a vida com uma bagagem imensa do ponto de vista musical e pessoal. “O momento mais louco de sua vida”, define. Prestes a fazer o show de lançamento do DVD Baby Sucessos no Vivo Rio (27/06), Baby falou com a Billboard Brasil sobre seu retorno aos palcos depois de 14 anos de vivência e experimentação espiritual (e não religiosa, como a cantora faz questão de corrigir). Você gosta do estúdio? Tinha saudade? Eu tenho um estúdio em casa também, então estou sempre metida nisso. É gostoso porque você consegue criar bastante. Eu tenho um jeitinho de mexer com o estúdio um pouco diferente. A nossa família tem essa mania de estúdio, ficar trabalhando, fazendo laboratório, preparando, olhando o produto com aquela cara artesanal. É gostoso. E fazia tempo que você não gravava... Na verdade, eu gravei no gospel: Exclusivo Pra Deus – que nunca entrou no mercado e, quem sabe?, entre logo -, Guerreiros Do Apocalipse e um disco quase todo em inglês, produzido por Tom Brooks, com participação do Ab Laboriel e aquelas características dos corais gospel da música negra. Ao mesmo tempo, tem umas regravações como “Stand By Me”, “Amazing Grace”, tudo puxado para o lado da bossa nova. Eu amo esse lado. Como foi a história de sair do Rio para a Bahia? Eu já tinha um lado espiritual muito forte e tive uma revelação pra minha vida. Deus falou que ia chegar uma passagem pra mim. Uns dias depois, mais ou menos, eu comecei a entrar num jejum que aprendi com a minha tia. “Será que eu tô maluca?”, “Será que vai acontecer isso comigo mesmo?”. E então apareceu uma passagem, e era pra Salvador, Bahia. Aí tudo começou. Então na época você já acreditava em Deus? Sempre. Desde pequena eu via anjos. Mas, antes de ver anjo, eu via muita coisa ruim. Na infância, tive uma fase de muito pesadelo. Até que um anjo apareceu pra mim e disse: “Não fica triste, tudo vai dar certo”. Porque aquelas visões me incomodavam a ponto de eu ouvir coisas do tipo: “Se mata”. Eu acho que muita gente tem esse ataque e acaba morrendo mesmo. E eu ouvi esse recado muito cedo. Eu nunca gostei muito de altares e essas coisas muito religiosas, eu sempre gostei de falar com Deus. Coisa bem “matrix” com Deus. Como aconteceu essa relação mais forte com a religião? Eu não gosto da palavra “religiosa” ou “religiosidade” porque elas têm duplo sentido. Você vê as brigas religiosas. Por isso eu uso muito uma palavra: “matrix”. Todo mundo vê o filme e percebe que tem um mundo espiritual rolando só pra gente não ficar com problemas. Eu vim de uma família católica. Em maio de 1999, fui arrebatada no Terceiro Céu – e esse é um papo muito louco, hein? – e isso mudou a minha vida. Foi quando eu parei com tudo e resolvi saber o que está acontecendo nesse mundo, por que tanta loucura, por que as pessoas estão desse jeito, por que tanta piração de cabeça, por que o amor está esfriando... Então eu fiquei 14 anos me dedicando a estudar todas as escrituras. Eu entrei sem me preocupar com a forma que é ensinada, eu queria ler como um livro. Então fui ler o livro do Daniel, Atos dos Apóstolos, Matheus... O Daniel é uma loucura, você lê e pensa: “Não é possível que esse cara não tenha tomado LSD”. Foram quase 15 anos antes de voltar à cena, porque eu precisava de respostas. E eu tive momentos incríveis. E você sentiu preconceito da classe musical e do público? No início, todo mundo ficou muito apavorado: “Nossa, será que a Baby pirou e vai ficar com a bíblia debaixo do braço gritando?”. Com o tempo, as pessoas me viam com o mesmo cabelo e as mesmas roupas e perguntavam se eu não estava mais naquele “negócio”. Mal sabiam elas que eu estou muito mais louca agora do que eu fui a minha vida inteira. A bancada evangélica no Congresso te representa? Existem vários tipos de pensamento dessa bancada no Congresso. Tem coisas que eu acho legais, como, por exemplo, a questão dos aposentados – e, na Bíblia, tem uma ordem para que a gente proteja os nossos pais e avós. Já os livros de educação sexual para crianças não precisa. Pra quê? Vamos influenciar as crianças desde pequenas. Elas precisam de quintal, de lugar pra brincar. E casamento gay? Minha posição é a seguinte: você quer ter uma união estável, está perfeito pra mim. Mas quando você casa, você quer ter uma família, e é aí que eu vejo perigo. Eu falo isso para os meus amigos gays, cada um faz o que quer, mas não devemos misturar nem criança e nem altar (coisa de marido e mulher). Eu falo isso porque sigo as escrituras. Tem que ver isso com calma e cuidado pra não mexer numa coisa que não sabemos onde vai dar. E se for à luz da Bíblia, vai dar problema. Você foi a Baby dos Novos Baianos, a Baby Consuelo, teve várias fases. Qual é a fase da Baby de hoje? Você está falando com a Baby de sempre, com a mesma voz e os cabelos violetas. Mas você está falando com a Baby que já viveu um tempinho no Planeta Terra, que experimentou várias situações de vida... Isso traz uma qualidade de vida, porque a gente passou por tudo e está vivo e com saúde. Você curtiu muito a vida? Eu acho que eu curto mais agora. Eu cheguei num ponto onde tudo se alinhou. É muito bom você acordar e sentir a presença do seu Pai abrindo os caminhos pra você. É muito perigoso quando, por exemplo, alguém da sua família adoece e você não tem fé em nada. Isso te traz serenidade e alegria de viver. Eu me sinto muito feliz com as experiências que eu tenho, porque elas confirmaram a minha busca. Hoje eu sou melhor e mais feliz do que eu era. Não que eu fosse infeliz, mas completou. E ainda não é o fim. Você se arrepende de alguma coisa? Posso me arrepender de situações nas quais eu não tive sabedoria. Algumas coisas não precisariam acontecer se a gente tivesse a sabedoria que a gente tem hoje. Temos que nos arrepender mesmo. Arrepender e perdoar. Na sua carreira, você faria algo diferente? Talvez eu fosse mais cuidadosa no lado business, por exemplo. Como assim? No tempo de Novos Baianos, não haviam empresários legais. Caetano e Gil estavam em Londres e foram eles que trouxeram um equipamento de som com monitor. E eu estava parindo muitos filhos [risos] e não tinha como conseguir me organizar e dar mais de mim. Mas eu gostaria de ter sido mais empreendedora nos Novos Baianos. Como foi a escolha do repertório do show? Quando o Pedro [Baby, seu filho] veio com o convite, ele tinha duas ideias de repertório. Eu queria muito ver pela ótica dele, porque ele é quem está vivendo nessa geração. Eu até estava pensando em colocar músicas do meu momento gospel, mas ele insistiu: “Mãe, veja as suas outras letras, o pessoal vai entender que você sempre foi assim”. [E cantarola, apontando para cima: “E vem de lá o meu sentimento de ser”, da música “Masculino E Feminino”]. https://www.youtube.com/watch?v=T64oymeXVMQ Pra você, qual música não poderia faltar neste show? “A Menina Dança” e “Menino Do Rio”, que tem o Caetano. E as duas estão lá. Como “Menino Do Rio” foi feita? Caetano fez pra mim. Naquela época [1979], eu estava gravando o disco e encontrei o Caetano por acaso na noite e pedi uma música pra entrar no disco. Nós tínhamos um amigo em comum, o Petit, que foi a inspiração da letra. Daí, no último dia de gravação, ele mandou a fita e gravamos... Aprendi a música dentro do estúdio, Pepeu fez o arranjo lá também, tudo foi dentro do estúdio. E foi o carro-chefe. Caetano é brilhante, né? E uma das pessoas mais generosas que conheço. Você continua ouvindo muita coisa? Eu não tenho conseguido ouvir muita coisa por causa das viagens. Mas eu sempre peço para o pessoal me mostrar. Eu ouvi o CD da minha filha Zabelê, e não é porque é minha filha não, mas eu achei lindo: os arranjos, a produção. E tem o Moreno Veloso no disco, que é um cantor maravilhoso. Depois eu peguei o novo CD da Tulipa [Ruiz], eu gosto demais das letras dela e acho demais o jeito que ela tem, que é uma onda meio Carmem Miranda, meio Ademilde, com aqueles agudos, é uma coisa bem dela. Essa nova geração tem ouvido muito Novos Baianos. Você percebe isso? Percebo sim. É maravilhoso! Tudo que a gente fez era muito avançado para aquela época. A gente fica super feliz de ver que nasceu essa galera pra entender esse babado todo. Se a gente anunciar um show dos Novos Baianos hoje, eu sei que vai lotar. Acha que falta algo mais transgressor na música? O caminho que se tomou durante um período no país atrapalhou muito a cultura. O artista geralmente reflete o momento que ele está vivenciando, e estamos vivendo um momento onde a máquina do business comanda. Muitas bandas não conseguiram fazer algo duradouro porque a oferta do dinheiro tem falado mais alto. Ninguém quer se propor a pagar um preço por estar junto até chegar o momento certo, que foi o caso dos Novos Baianos. Muitas bandas nos perguntam o motivo do sucesso do grupo. O sucesso foi não ter colocado o dinheiro na frente. Mesmo a empresa mais capitalista tem que ter o seu lado humano. Tem empresa hoje que deixa levar o cachorro, numa tentativa de resgatar isso. Se o pensamento for só grana, não vai ter resultado como arte. Esse retorno tem a ver com grana? A semeadura é opcional, mas a colheita é obrigatória, e eu estou num tempo de colheita. Mas, mesmo assim, eu não faço tudo por dinheiro não. E carreira internacional, está pensando nisso? Estou pensando muito nisso. Ano passado minha produtora investiu no mercado dos Estados Unidos. E esse ano faremos novamente. Estou vendo um show no Central Park, em Nova York. Esse é um momento muito propício para nossa música. O que toca lá não é o que toca aqui, a começar por Marcos Valle.

E você ainda encontra, conversa com os meninos dos Novos Baianos? Quando a gente se encontra é risada o tempo inteiro. Rola uma conversa pra voltar a fazer shows? Cogitamos algumas vezes, porém, cada um está na sua estrada. Precisa haver um projeto. Mas acho que é inevitável. Só não podemos demorar muito [risos]. ServiçoBaby do Brasil – "Baby Sucessos - A Menina Ainda Dança" Quando: 27 de junho, às 22h Onde: Vivo Rio - Av. Infante Dom Henrique, 85 – Parque do Flamengo Quanto: De R$ 40 a R$ 200 Mais informações: www.vivorio.com.br
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Os mistérios do planeta de Baby do Brasil

por em 25/06/2015
Rodrigo Amaral da Rocha
Com “um pé na Ella Fitzgerald, na Elza Soares, em Ademilde Fonseca, outro pé no Jimi Hendrix, Luiz Gonzaga e Jackson do Pandeiro”, Baby do Brasil comenta a sua formação como cantora – coisa que, no início de sua carreira, nem as gravadoras entendiam. Ser compreendida nunca foi mesmo a intenção da cantora. Com múltiplas fases e facetas, ela já foi a Baby dos Novos Baianos, a Baby Consuelo, a Baby do Brasil, a “popstora” e, hoje, curte a vida com uma bagagem imensa do ponto de vista musical e pessoal. “O momento mais louco de sua vida”, define. Prestes a fazer o show de lançamento do DVD Baby Sucessos no Vivo Rio (27/06), Baby falou com a Billboard Brasil sobre seu retorno aos palcos depois de 14 anos de vivência e experimentação espiritual (e não religiosa, como a cantora faz questão de corrigir). Você gosta do estúdio? Tinha saudade? Eu tenho um estúdio em casa também, então estou sempre metida nisso. É gostoso porque você consegue criar bastante. Eu tenho um jeitinho de mexer com o estúdio um pouco diferente. A nossa família tem essa mania de estúdio, ficar trabalhando, fazendo laboratório, preparando, olhando o produto com aquela cara artesanal. É gostoso. E fazia tempo que você não gravava... Na verdade, eu gravei no gospel: Exclusivo Pra Deus – que nunca entrou no mercado e, quem sabe?, entre logo -, Guerreiros Do Apocalipse e um disco quase todo em inglês, produzido por Tom Brooks, com participação do Ab Laboriel e aquelas características dos corais gospel da música negra. Ao mesmo tempo, tem umas regravações como “Stand By Me”, “Amazing Grace”, tudo puxado para o lado da bossa nova. Eu amo esse lado. Como foi a história de sair do Rio para a Bahia? Eu já tinha um lado espiritual muito forte e tive uma revelação pra minha vida. Deus falou que ia chegar uma passagem pra mim. Uns dias depois, mais ou menos, eu comecei a entrar num jejum que aprendi com a minha tia. “Será que eu tô maluca?”, “Será que vai acontecer isso comigo mesmo?”. E então apareceu uma passagem, e era pra Salvador, Bahia. Aí tudo começou. Então na época você já acreditava em Deus? Sempre. Desde pequena eu via anjos. Mas, antes de ver anjo, eu via muita coisa ruim. Na infância, tive uma fase de muito pesadelo. Até que um anjo apareceu pra mim e disse: “Não fica triste, tudo vai dar certo”. Porque aquelas visões me incomodavam a ponto de eu ouvir coisas do tipo: “Se mata”. Eu acho que muita gente tem esse ataque e acaba morrendo mesmo. E eu ouvi esse recado muito cedo. Eu nunca gostei muito de altares e essas coisas muito religiosas, eu sempre gostei de falar com Deus. Coisa bem “matrix” com Deus. Como aconteceu essa relação mais forte com a religião? Eu não gosto da palavra “religiosa” ou “religiosidade” porque elas têm duplo sentido. Você vê as brigas religiosas. Por isso eu uso muito uma palavra: “matrix”. Todo mundo vê o filme e percebe que tem um mundo espiritual rolando só pra gente não ficar com problemas. Eu vim de uma família católica. Em maio de 1999, fui arrebatada no Terceiro Céu – e esse é um papo muito louco, hein? – e isso mudou a minha vida. Foi quando eu parei com tudo e resolvi saber o que está acontecendo nesse mundo, por que tanta loucura, por que as pessoas estão desse jeito, por que tanta piração de cabeça, por que o amor está esfriando... Então eu fiquei 14 anos me dedicando a estudar todas as escrituras. Eu entrei sem me preocupar com a forma que é ensinada, eu queria ler como um livro. Então fui ler o livro do Daniel, Atos dos Apóstolos, Matheus... O Daniel é uma loucura, você lê e pensa: “Não é possível que esse cara não tenha tomado LSD”. Foram quase 15 anos antes de voltar à cena, porque eu precisava de respostas. E eu tive momentos incríveis. E você sentiu preconceito da classe musical e do público? No início, todo mundo ficou muito apavorado: “Nossa, será que a Baby pirou e vai ficar com a bíblia debaixo do braço gritando?”. Com o tempo, as pessoas me viam com o mesmo cabelo e as mesmas roupas e perguntavam se eu não estava mais naquele “negócio”. Mal sabiam elas que eu estou muito mais louca agora do que eu fui a minha vida inteira. A bancada evangélica no Congresso te representa? Existem vários tipos de pensamento dessa bancada no Congresso. Tem coisas que eu acho legais, como, por exemplo, a questão dos aposentados – e, na Bíblia, tem uma ordem para que a gente proteja os nossos pais e avós. Já os livros de educação sexual para crianças não precisa. Pra quê? Vamos influenciar as crianças desde pequenas. Elas precisam de quintal, de lugar pra brincar. E casamento gay? Minha posição é a seguinte: você quer ter uma união estável, está perfeito pra mim. Mas quando você casa, você quer ter uma família, e é aí que eu vejo perigo. Eu falo isso para os meus amigos gays, cada um faz o que quer, mas não devemos misturar nem criança e nem altar (coisa de marido e mulher). Eu falo isso porque sigo as escrituras. Tem que ver isso com calma e cuidado pra não mexer numa coisa que não sabemos onde vai dar. E se for à luz da Bíblia, vai dar problema. Você foi a Baby dos Novos Baianos, a Baby Consuelo, teve várias fases. Qual é a fase da Baby de hoje? Você está falando com a Baby de sempre, com a mesma voz e os cabelos violetas. Mas você está falando com a Baby que já viveu um tempinho no Planeta Terra, que experimentou várias situações de vida... Isso traz uma qualidade de vida, porque a gente passou por tudo e está vivo e com saúde. Você curtiu muito a vida? Eu acho que eu curto mais agora. Eu cheguei num ponto onde tudo se alinhou. É muito bom você acordar e sentir a presença do seu Pai abrindo os caminhos pra você. É muito perigoso quando, por exemplo, alguém da sua família adoece e você não tem fé em nada. Isso te traz serenidade e alegria de viver. Eu me sinto muito feliz com as experiências que eu tenho, porque elas confirmaram a minha busca. Hoje eu sou melhor e mais feliz do que eu era. Não que eu fosse infeliz, mas completou. E ainda não é o fim. Você se arrepende de alguma coisa? Posso me arrepender de situações nas quais eu não tive sabedoria. Algumas coisas não precisariam acontecer se a gente tivesse a sabedoria que a gente tem hoje. Temos que nos arrepender mesmo. Arrepender e perdoar. Na sua carreira, você faria algo diferente? Talvez eu fosse mais cuidadosa no lado business, por exemplo. Como assim? No tempo de Novos Baianos, não haviam empresários legais. Caetano e Gil estavam em Londres e foram eles que trouxeram um equipamento de som com monitor. E eu estava parindo muitos filhos [risos] e não tinha como conseguir me organizar e dar mais de mim. Mas eu gostaria de ter sido mais empreendedora nos Novos Baianos. Como foi a escolha do repertório do show? Quando o Pedro [Baby, seu filho] veio com o convite, ele tinha duas ideias de repertório. Eu queria muito ver pela ótica dele, porque ele é quem está vivendo nessa geração. Eu até estava pensando em colocar músicas do meu momento gospel, mas ele insistiu: “Mãe, veja as suas outras letras, o pessoal vai entender que você sempre foi assim”. [E cantarola, apontando para cima: “E vem de lá o meu sentimento de ser”, da música “Masculino E Feminino”]. https://www.youtube.com/watch?v=T64oymeXVMQ Pra você, qual música não poderia faltar neste show? “A Menina Dança” e “Menino Do Rio”, que tem o Caetano. E as duas estão lá. Como “Menino Do Rio” foi feita? Caetano fez pra mim. Naquela época [1979], eu estava gravando o disco e encontrei o Caetano por acaso na noite e pedi uma música pra entrar no disco. Nós tínhamos um amigo em comum, o Petit, que foi a inspiração da letra. Daí, no último dia de gravação, ele mandou a fita e gravamos... Aprendi a música dentro do estúdio, Pepeu fez o arranjo lá também, tudo foi dentro do estúdio. E foi o carro-chefe. Caetano é brilhante, né? E uma das pessoas mais generosas que conheço. Você continua ouvindo muita coisa? Eu não tenho conseguido ouvir muita coisa por causa das viagens. Mas eu sempre peço para o pessoal me mostrar. Eu ouvi o CD da minha filha Zabelê, e não é porque é minha filha não, mas eu achei lindo: os arranjos, a produção. E tem o Moreno Veloso no disco, que é um cantor maravilhoso. Depois eu peguei o novo CD da Tulipa [Ruiz], eu gosto demais das letras dela e acho demais o jeito que ela tem, que é uma onda meio Carmem Miranda, meio Ademilde, com aqueles agudos, é uma coisa bem dela. Essa nova geração tem ouvido muito Novos Baianos. Você percebe isso? Percebo sim. É maravilhoso! Tudo que a gente fez era muito avançado para aquela época. A gente fica super feliz de ver que nasceu essa galera pra entender esse babado todo. Se a gente anunciar um show dos Novos Baianos hoje, eu sei que vai lotar. Acha que falta algo mais transgressor na música? O caminho que se tomou durante um período no país atrapalhou muito a cultura. O artista geralmente reflete o momento que ele está vivenciando, e estamos vivendo um momento onde a máquina do business comanda. Muitas bandas não conseguiram fazer algo duradouro porque a oferta do dinheiro tem falado mais alto. Ninguém quer se propor a pagar um preço por estar junto até chegar o momento certo, que foi o caso dos Novos Baianos. Muitas bandas nos perguntam o motivo do sucesso do grupo. O sucesso foi não ter colocado o dinheiro na frente. Mesmo a empresa mais capitalista tem que ter o seu lado humano. Tem empresa hoje que deixa levar o cachorro, numa tentativa de resgatar isso. Se o pensamento for só grana, não vai ter resultado como arte. Esse retorno tem a ver com grana? A semeadura é opcional, mas a colheita é obrigatória, e eu estou num tempo de colheita. Mas, mesmo assim, eu não faço tudo por dinheiro não. E carreira internacional, está pensando nisso? Estou pensando muito nisso. Ano passado minha produtora investiu no mercado dos Estados Unidos. E esse ano faremos novamente. Estou vendo um show no Central Park, em Nova York. Esse é um momento muito propício para nossa música. O que toca lá não é o que toca aqui, a começar por Marcos Valle.

E você ainda encontra, conversa com os meninos dos Novos Baianos? Quando a gente se encontra é risada o tempo inteiro. Rola uma conversa pra voltar a fazer shows? Cogitamos algumas vezes, porém, cada um está na sua estrada. Precisa haver um projeto. Mas acho que é inevitável. Só não podemos demorar muito [risos]. ServiçoBaby do Brasil – "Baby Sucessos - A Menina Ainda Dança" Quando: 27 de junho, às 22h Onde: Vivo Rio - Av. Infante Dom Henrique, 85 – Parque do Flamengo Quanto: De R$ 40 a R$ 200 Mais informações: www.vivorio.com.br