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“Ou você responde aos outros ou aos seus desejos”, diz Cleo

Atriz lançou seu primeiro projeto musical, o EP Jungle Kid, e realizou a vontade que sempre teve de ser cantora

por Rebecca Silva em 22/03/2018

Não é preciso passar muito tempo perto de Cleo - que deixou de usar o sobrenome Pires no ano passado - para entender por que ela costuma ser manchete dos sites de fofoca. No ano passado, a atriz foi personagem de uma enxurrada de matérias sobre sua ativa vida sexual e suas aventuras entre quatro paredes. Cleo é desbocada. É espontânea, autêntica, intensa. E dá para perceber isso logo nos primeiros 10 minutos de conversa. Daquelas que não medem palavras por estar na presença de alguém da imprensa, como muitas outras personalidades costumam fazer.

Agora, aos 35 anos, Cleo começa uma carreira musical com o lançamento do EP Jungle Kid. Com cinco faixas, três em inglês e duas em português, ela enfim se permitiu seguir o sonho de ser cantora. Nascida em uma família extremamente musical – filha de Fábio Jr., irmã de Fiuk, Tainá Galvão, Antonia e Ana (todos eles cantam ou tocam) e enteada de Orlando Morais (a quem considera também como pai) - Cleo ainda parece deslumbrada com o lançamento do projeto, sem contar com um plano traçado sobre os próximos passos de divulgação do EP. “Tudo o que eu puder fazer, bem feito, quero fazer. Aposto em todas as faixas”, disse em entrevista exclusiva à Billboard Brasil.

Leia a íntegra da conversa:

Sua família respira música e, apesar de você também ter o desejo de seguir a carreira de cantora, ficou conhecida como atriz. Por que a vontade de lançar o EP agora? 

Eu tinha que fazer em algum momento, né? [risos] Não poderia deixar minha grande paixão adormecida para sempre. Eu tinha uma banda quando era mais nova e, na minha cabeça, eu ia ser uma cantora que faria uns filmes porque eu também adorava o universo cinematográfico, mas a vida se desenrolou de outra forma, eu deixei se desenrolar assim, mas agora eu tomei as rédeas de volta. [risos]

Por estar inserida nesse contexto desde sempre, imagino que tenha muitas lembranças musicais da infância e adolescência. Pode me contar um pouco?

Shows dos meus pais (Fábio Jr. e Orlando Morais), muito. Meu tio voltando para casa de baile funk e cantando com o meu primo. Quarto com ar condicionado e eu conversando sobre música com os amigos. Dar uma festa e mostrar uma faixa nova que eu tinha descoberto. Estar triste e colocar uma música para me sentir mais forte. O tempo inteiro. Ir para a escola, estudar, dormir, tomar banho, tudo ouvindo música.

cleoDivulgação/Jacques Dequeker

O EP é bem conciso, com cinco faixas com pouco mais de dois minutos cada. Como se deu essa escolha?

Eu não tenho paciência para a mesma coisa por muito tempo. Eu gosto de coisas dinâmicas. É melhor deixar uma sensação de “gostei, quero ouvir mais” do que de “meu Deus, não acaba nunca!”.

Foi uma preferência sua então?

Sim. Teve vezes que a gente precisou alongar! Deixar uns espaços, sei lá, porque o Guto [Guerra, produtor do disco] olhava e falava “tem um minuto e meio. Vamos deixar com dois?”. 

Em Jungle Kid, há faixas em inglês e português. Por que colocar os dois e não priorizar um só idioma?

São duas línguas muito importantes para mim, eu fui alfabetizada em português e em inglês também. Foi sempre uma cultura com a qual eu me identifiquei muito, que absorvi e consumi artisticamente, a moda, os costumes. Morei lá, gostava. Era mais fácil para mim. Escrevo desde os 12, então sempre foi mais fácil escrever em inglês, encaixar nas músicas, pensar nas melodias. Escrevia muito raramente em português. Aos 17, escrevi “Areia Firme” para o meu pai Orlando e ele musicou, mas foi uma coisa muito extra, sabe? Agora, fazendo isso de fato, como ofício, entendi que queria me expressar no meu idioma. Até para cantar é mais difícil, é tudo diferente. Foi um processo de aprender a fazer de uma forma que eu achasse boa. Com as parcerias que a gente fez com bons compositores, tendo liberdade pra escrever junto, estou aprendendo.

Você é muito crítica com si mesma?

Muito, muito. É horrível. Até hoje eu ouço e penso: “Foi essa voz que valeu?” [risos]

Ouça:

Como atriz, você precisava fazer uma preparação para entrar no personagem. Como foi esse processo na música?

No quesito eu, tem várias vidas. Dependendo do trabalho, tem umas que tem mais cores, ficam mais grifadas. Mas com certeza é um trabalho no qual me sinto muito mais vulnerável porque sou eu. Escolhas minhas, música minha, letra minha, voz minha, a performance é minha, o corpo é meu. Não estou servindo a um outro propósito. Mas é muito gostoso também, eu estou amando.

Lá fora, é normal a figura do Triple Threat, ou seja, um artista que dança, canta e atua. No Brasil, há uma sensação de que a pessoa atira para qualquer lado, que não sabe ao certo o que quer fazer. Você sentiu isso?

Eu tinha muito medo por isso também. Sempre tive esse desejo. Quando fiz meu primeiro filme, pensei que eu precisava logo fazer meu projeto musical, caso contrário ia ficar sendo vista como atriz e ninguém ia entender nada depois. Comecei a falar que eu queria cantar e comecei a ser muito criticada. Mais ainda, né, porque já era criticada por ser filha da Glória Pires, filha do Fábio Jr.. Eu era muito nova e deixei de lado, também tinha medo do palco, de me expor.

E você sente mais pressão por ser conhecida ou acha que sua experiência ajuda mais do que se estivesse começando a carreira agora, desconhecida?

Não consigo saber se é mais fácil ou mais difícil porque só estou vivendo agora essa experiência. Você só problematiza uma situação quando a vive. Não adianta teorizar, imaginar, tem que colocar em prática e ver. É óbvio que existem contras, preconceito. O Brasil é um país muito preconceituoso. É óbvio que as pessoas estão loucas pra falar “ai, só porque é famosa, só porque é filha da Glória Pires, só porque é filha do Fábio Jr.”. Mas chega uma hora que ou você responde aos outros, é infeliz e aceita, ou responde aos seus desejos, é autêntica e não é tão aceita. Não sei viver de outra forma, acho que seria muito frustrada.

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“Ou você responde aos outros ou aos seus desejos”, diz Cleo

Atriz lançou seu primeiro projeto musical, o EP Jungle Kid, e realizou a vontade que sempre teve de ser cantora

por Rebecca Silva em 22/03/2018

Não é preciso passar muito tempo perto de Cleo - que deixou de usar o sobrenome Pires no ano passado - para entender por que ela costuma ser manchete dos sites de fofoca. No ano passado, a atriz foi personagem de uma enxurrada de matérias sobre sua ativa vida sexual e suas aventuras entre quatro paredes. Cleo é desbocada. É espontânea, autêntica, intensa. E dá para perceber isso logo nos primeiros 10 minutos de conversa. Daquelas que não medem palavras por estar na presença de alguém da imprensa, como muitas outras personalidades costumam fazer.

Agora, aos 35 anos, Cleo começa uma carreira musical com o lançamento do EP Jungle Kid. Com cinco faixas, três em inglês e duas em português, ela enfim se permitiu seguir o sonho de ser cantora. Nascida em uma família extremamente musical – filha de Fábio Jr., irmã de Fiuk, Tainá Galvão, Antonia e Ana (todos eles cantam ou tocam) e enteada de Orlando Morais (a quem considera também como pai) - Cleo ainda parece deslumbrada com o lançamento do projeto, sem contar com um plano traçado sobre os próximos passos de divulgação do EP. “Tudo o que eu puder fazer, bem feito, quero fazer. Aposto em todas as faixas”, disse em entrevista exclusiva à Billboard Brasil.

Leia a íntegra da conversa:

Sua família respira música e, apesar de você também ter o desejo de seguir a carreira de cantora, ficou conhecida como atriz. Por que a vontade de lançar o EP agora? 

Eu tinha que fazer em algum momento, né? [risos] Não poderia deixar minha grande paixão adormecida para sempre. Eu tinha uma banda quando era mais nova e, na minha cabeça, eu ia ser uma cantora que faria uns filmes porque eu também adorava o universo cinematográfico, mas a vida se desenrolou de outra forma, eu deixei se desenrolar assim, mas agora eu tomei as rédeas de volta. [risos]

Por estar inserida nesse contexto desde sempre, imagino que tenha muitas lembranças musicais da infância e adolescência. Pode me contar um pouco?

Shows dos meus pais (Fábio Jr. e Orlando Morais), muito. Meu tio voltando para casa de baile funk e cantando com o meu primo. Quarto com ar condicionado e eu conversando sobre música com os amigos. Dar uma festa e mostrar uma faixa nova que eu tinha descoberto. Estar triste e colocar uma música para me sentir mais forte. O tempo inteiro. Ir para a escola, estudar, dormir, tomar banho, tudo ouvindo música.

cleoDivulgação/Jacques Dequeker

O EP é bem conciso, com cinco faixas com pouco mais de dois minutos cada. Como se deu essa escolha?

Eu não tenho paciência para a mesma coisa por muito tempo. Eu gosto de coisas dinâmicas. É melhor deixar uma sensação de “gostei, quero ouvir mais” do que de “meu Deus, não acaba nunca!”.

Foi uma preferência sua então?

Sim. Teve vezes que a gente precisou alongar! Deixar uns espaços, sei lá, porque o Guto [Guerra, produtor do disco] olhava e falava “tem um minuto e meio. Vamos deixar com dois?”. 

Em Jungle Kid, há faixas em inglês e português. Por que colocar os dois e não priorizar um só idioma?

São duas línguas muito importantes para mim, eu fui alfabetizada em português e em inglês também. Foi sempre uma cultura com a qual eu me identifiquei muito, que absorvi e consumi artisticamente, a moda, os costumes. Morei lá, gostava. Era mais fácil para mim. Escrevo desde os 12, então sempre foi mais fácil escrever em inglês, encaixar nas músicas, pensar nas melodias. Escrevia muito raramente em português. Aos 17, escrevi “Areia Firme” para o meu pai Orlando e ele musicou, mas foi uma coisa muito extra, sabe? Agora, fazendo isso de fato, como ofício, entendi que queria me expressar no meu idioma. Até para cantar é mais difícil, é tudo diferente. Foi um processo de aprender a fazer de uma forma que eu achasse boa. Com as parcerias que a gente fez com bons compositores, tendo liberdade pra escrever junto, estou aprendendo.

Você é muito crítica com si mesma?

Muito, muito. É horrível. Até hoje eu ouço e penso: “Foi essa voz que valeu?” [risos]

Ouça:

Como atriz, você precisava fazer uma preparação para entrar no personagem. Como foi esse processo na música?

No quesito eu, tem várias vidas. Dependendo do trabalho, tem umas que tem mais cores, ficam mais grifadas. Mas com certeza é um trabalho no qual me sinto muito mais vulnerável porque sou eu. Escolhas minhas, música minha, letra minha, voz minha, a performance é minha, o corpo é meu. Não estou servindo a um outro propósito. Mas é muito gostoso também, eu estou amando.

Lá fora, é normal a figura do Triple Threat, ou seja, um artista que dança, canta e atua. No Brasil, há uma sensação de que a pessoa atira para qualquer lado, que não sabe ao certo o que quer fazer. Você sentiu isso?

Eu tinha muito medo por isso também. Sempre tive esse desejo. Quando fiz meu primeiro filme, pensei que eu precisava logo fazer meu projeto musical, caso contrário ia ficar sendo vista como atriz e ninguém ia entender nada depois. Comecei a falar que eu queria cantar e comecei a ser muito criticada. Mais ainda, né, porque já era criticada por ser filha da Glória Pires, filha do Fábio Jr.. Eu era muito nova e deixei de lado, também tinha medo do palco, de me expor.

E você sente mais pressão por ser conhecida ou acha que sua experiência ajuda mais do que se estivesse começando a carreira agora, desconhecida?

Não consigo saber se é mais fácil ou mais difícil porque só estou vivendo agora essa experiência. Você só problematiza uma situação quando a vive. Não adianta teorizar, imaginar, tem que colocar em prática e ver. É óbvio que existem contras, preconceito. O Brasil é um país muito preconceituoso. É óbvio que as pessoas estão loucas pra falar “ai, só porque é famosa, só porque é filha da Glória Pires, só porque é filha do Fábio Jr.”. Mas chega uma hora que ou você responde aos outros, é infeliz e aceita, ou responde aos seus desejos, é autêntica e não é tão aceita. Não sei viver de outra forma, acho que seria muito frustrada.