NOTÍCIAS

Oxigênio Hardcore Fest movimentou a cena em São Paulo

Festival reuniu bandas nacionais importantes do gênero e mostrou que o hardcore segue vivo como nunca

Alguns eventos parecem terem sido feitos pensando tanto nos fãs, que apenas dois dias não são suficientes. E nesse último final de semana (26-27/08) aconteceu mais um desses: O Oxigênio Hardcore Fest. Como o próprio nome já diz, o evento foi voltado exclusivamente para os fãs de hardcore. E o melhor, só com bandas nacionais.

Depois de tantos anos sem nenhum festival desse tipo, desde a explosão da cena nos anos 2000, parece que São Paulo estava precisando de um evento assim. Aliás, São Paulo não! Mas a cena hardcore precisava de um festival desse. Uma espécie de Warped Tour, aquela sequência de shows que a Vans promovia nos Estados Unidos, com os maiores nomes do hardcore dos anos 2000.

Como disse antes, os organizadores parecem ter pensado em praticamente todos os detalhes, com uma preocupação toda voltada aos fãs: ingressos a preços acessíveis, local fácil de chegar, espaço muito bem dividido (dois palcos, mini-rampa e uma área externa de tirar o chapéu) e as bandas convidadas.

vans-01Dance of Days - Foto: Marcelo Shiniti

Com um line-up encabeçados pelas bandas Dead Fish e Cueio Limão, que fecharam as duas noites de show, a festa também contou com outras bandas que fizeram e fortaleceram a cena no Brasil. Nomes como Dance of Days, Sapo Banjo, Questions, Hateen, Sugar Kane, Chuva Negra, Garage Fuzz, Maguerbes, Pense e Gritando HC foram selecionados para confirmar ainda mais o espírito de Warped Tour tupiniquim. Completaram a lista de convidados, bandas mais novas como Bullet Bane e Deb & The Mentals.

Parece que o público precisava e estava esperando por esse festival. Desde a saída da estação Barra Funda, do metrô, até a entrada na casa Via Matarazzo era possível ver a galera conversando sobre quais as bandas que queria ver e lembrando de algum show que já foram. Na parte de fora, também chamavam a atenção pessoas bastante jovens, relembrando os bons tempos de Hangar 110 - um dos organizadores do evento, em conjunto com a Gig Music e com patrocínio da Vans. Muitas delas, aliás, faziam seu esquenta na porta do mercado Sonda, que ficava no quarteirão do lado do Via Matarazzo.

Logo ao entrar na casa de shows, o lugar já dava uma prévia do que estava por vir. O palco Side Stripe, com uma área não muito grande para o público, estava perfeito para receber os shows de bandas que estão acostumadas em tocar em casas menores. Um pequeno mezanino completava o espaço e ajudava aos fãs terem uma visão aérea das apresentações.

Uma portinhola (que parecia a de um banheiro!) dava entrada ao palco principal, o Off The Wall. O espaço também abrigava a mini-rampa e as máquinas de fliperama. Na parte dos fundos, uma outra portinhola dava acesso à área externa, que contava com oficinas, bares e um mural em que eram impressas as fotos da galera que postava imagens da festa em suas redes sociais.

Embora o espaço estivesse lotado quando foi chegando o horário das bandas principais, quase ninguém precisou enfrentar uma Via Sacra para conseguir pegar uma bebida. Com bastante caixas itinerantes, que possibilitavam comprar fichinhas na pista, o acesso às bebidas ficou muito mais fácil e sem grandes filas.

vans-02Dead Fish - Foto: Marcelo Shiniti

Os shows começaram com um pouco de atraso, mas nada que fizesse muita diferença. Com apresentações com média de 30-40 minutos, as bandas impunham bem o ritmo necessário. O curto (ou inexistente) intervalo entre uma banda do palco menor e do principal fazia com que o público não ficasse um segundo sequer sem uma banda tocando.

Além da apresentação apoteótica e acompanhada em coro do Dead Fish e a super-divertida do Cueio Limão, os shows de outras bandas também precisam de destaque.

É o caso do Maguerbes que, sinceramente, deveria ter mais espaço do que tem. A performance da banda é impressionante, com o vocalista Haroldo percorrendo por todos os espaços possíveis da casa de show. Com um cabo do microfone que o possibilitava atravessar toda a área em que o show aconteceu, ele não pensou duas vezes em subir no mezanino para cantar o público que estava lá em cima, pulou da área superior, abraçou e dançou com todos os presentes.  Com uma pegada Cedric Bixler-Zavala, do At The Drive In e Mars Volta, esse vocalista proporcionou um dos momentos mais legais do festival.

O Questions, que acabou de lançar um DVD ao vivo (que será lançado pela gravadora HBB-Heartbleed Blues), Hateen, Gritando HC, Sugar Kane e Garage Fuzz também merecem destaque por suas apresentações e por mostrarem que o hardcore ainda está bastante vivo. O Garage Fuzz, aliás, é uma daquelas bandas que é sempre um privilégio poder ver. Os caras realmente têm a pegada.

Um ponto não foi tão legal assim no festival: o show do Dance of Days. Por dois motivos: o Dance sempre precisa de mais tempo de show, do que menos do que uma hora. São muitos hits, os fãs estão sempre esperando uma apresentação completa, e pelo fato de ter um curto tempo para tocar, acabou deixando muita gente frustrada. Outro ponto que vale ser ressaltado na apresentação é que parecia estar faltando algo. Talvez mais fãs subindo no palco e dando mosh, talvez uma integração maior do Nenê com o público ou, talvez por estarmos “mal acostumados” com apresentações mais caóticas e estarmos esperando sempre isso. Essa apresentação foi muito comportada, com exceção ao baixista, que parecia querer ser a estrela do show. Faltou algo.

O Oxigênio foi uma festa, com direito a poder rever velhos amigos, curtir bandas que fizeram parte da adolescência e juventude de muitos, e também conhecer bandas e gente nova. Por mais festivais como o Oxigênio. Nós precisamos e o hardcore agradece!

  • HOT 100
    BRASIL
  • BILLBOARD
    200
  • HOT 100
    EUA
1
Eu Vou Te Buscar (Cha La La La La) (part. Hungria Hip Hop)
Gusttavo LIma
2
Saudade
Eduardo Costa
3
De Quem É A Culpa?
Marília Mendonça
4
Bengala E Crochê
Maiara & Maraisa
5
Aquela Pessoa
Henrique & Juliano
RANKING COMPLETO
NOTÍCIAS

Oxigênio Hardcore Fest movimentou a cena em São Paulo

Festival reuniu bandas nacionais importantes do gênero e mostrou que o hardcore segue vivo como nunca

por Márcio Apolinário em 28/08/2017

Alguns eventos parecem terem sido feitos pensando tanto nos fãs, que apenas dois dias não são suficientes. E nesse último final de semana (26-27/08) aconteceu mais um desses: O Oxigênio Hardcore Fest. Como o próprio nome já diz, o evento foi voltado exclusivamente para os fãs de hardcore. E o melhor, só com bandas nacionais.

Depois de tantos anos sem nenhum festival desse tipo, desde a explosão da cena nos anos 2000, parece que São Paulo estava precisando de um evento assim. Aliás, São Paulo não! Mas a cena hardcore precisava de um festival desse. Uma espécie de Warped Tour, aquela sequência de shows que a Vans promovia nos Estados Unidos, com os maiores nomes do hardcore dos anos 2000.

Como disse antes, os organizadores parecem ter pensado em praticamente todos os detalhes, com uma preocupação toda voltada aos fãs: ingressos a preços acessíveis, local fácil de chegar, espaço muito bem dividido (dois palcos, mini-rampa e uma área externa de tirar o chapéu) e as bandas convidadas.

vans-01Dance of Days - Foto: Marcelo Shiniti

Com um line-up encabeçados pelas bandas Dead Fish e Cueio Limão, que fecharam as duas noites de show, a festa também contou com outras bandas que fizeram e fortaleceram a cena no Brasil. Nomes como Dance of Days, Sapo Banjo, Questions, Hateen, Sugar Kane, Chuva Negra, Garage Fuzz, Maguerbes, Pense e Gritando HC foram selecionados para confirmar ainda mais o espírito de Warped Tour tupiniquim. Completaram a lista de convidados, bandas mais novas como Bullet Bane e Deb & The Mentals.

Parece que o público precisava e estava esperando por esse festival. Desde a saída da estação Barra Funda, do metrô, até a entrada na casa Via Matarazzo era possível ver a galera conversando sobre quais as bandas que queria ver e lembrando de algum show que já foram. Na parte de fora, também chamavam a atenção pessoas bastante jovens, relembrando os bons tempos de Hangar 110 - um dos organizadores do evento, em conjunto com a Gig Music e com patrocínio da Vans. Muitas delas, aliás, faziam seu esquenta na porta do mercado Sonda, que ficava no quarteirão do lado do Via Matarazzo.

Logo ao entrar na casa de shows, o lugar já dava uma prévia do que estava por vir. O palco Side Stripe, com uma área não muito grande para o público, estava perfeito para receber os shows de bandas que estão acostumadas em tocar em casas menores. Um pequeno mezanino completava o espaço e ajudava aos fãs terem uma visão aérea das apresentações.

Uma portinhola (que parecia a de um banheiro!) dava entrada ao palco principal, o Off The Wall. O espaço também abrigava a mini-rampa e as máquinas de fliperama. Na parte dos fundos, uma outra portinhola dava acesso à área externa, que contava com oficinas, bares e um mural em que eram impressas as fotos da galera que postava imagens da festa em suas redes sociais.

Embora o espaço estivesse lotado quando foi chegando o horário das bandas principais, quase ninguém precisou enfrentar uma Via Sacra para conseguir pegar uma bebida. Com bastante caixas itinerantes, que possibilitavam comprar fichinhas na pista, o acesso às bebidas ficou muito mais fácil e sem grandes filas.

vans-02Dead Fish - Foto: Marcelo Shiniti

Os shows começaram com um pouco de atraso, mas nada que fizesse muita diferença. Com apresentações com média de 30-40 minutos, as bandas impunham bem o ritmo necessário. O curto (ou inexistente) intervalo entre uma banda do palco menor e do principal fazia com que o público não ficasse um segundo sequer sem uma banda tocando.

Além da apresentação apoteótica e acompanhada em coro do Dead Fish e a super-divertida do Cueio Limão, os shows de outras bandas também precisam de destaque.

É o caso do Maguerbes que, sinceramente, deveria ter mais espaço do que tem. A performance da banda é impressionante, com o vocalista Haroldo percorrendo por todos os espaços possíveis da casa de show. Com um cabo do microfone que o possibilitava atravessar toda a área em que o show aconteceu, ele não pensou duas vezes em subir no mezanino para cantar o público que estava lá em cima, pulou da área superior, abraçou e dançou com todos os presentes.  Com uma pegada Cedric Bixler-Zavala, do At The Drive In e Mars Volta, esse vocalista proporcionou um dos momentos mais legais do festival.

O Questions, que acabou de lançar um DVD ao vivo (que será lançado pela gravadora HBB-Heartbleed Blues), Hateen, Gritando HC, Sugar Kane e Garage Fuzz também merecem destaque por suas apresentações e por mostrarem que o hardcore ainda está bastante vivo. O Garage Fuzz, aliás, é uma daquelas bandas que é sempre um privilégio poder ver. Os caras realmente têm a pegada.

Um ponto não foi tão legal assim no festival: o show do Dance of Days. Por dois motivos: o Dance sempre precisa de mais tempo de show, do que menos do que uma hora. São muitos hits, os fãs estão sempre esperando uma apresentação completa, e pelo fato de ter um curto tempo para tocar, acabou deixando muita gente frustrada. Outro ponto que vale ser ressaltado na apresentação é que parecia estar faltando algo. Talvez mais fãs subindo no palco e dando mosh, talvez uma integração maior do Nenê com o público ou, talvez por estarmos “mal acostumados” com apresentações mais caóticas e estarmos esperando sempre isso. Essa apresentação foi muito comportada, com exceção ao baixista, que parecia querer ser a estrela do show. Faltou algo.

O Oxigênio foi uma festa, com direito a poder rever velhos amigos, curtir bandas que fizeram parte da adolescência e juventude de muitos, e também conhecer bandas e gente nova. Por mais festivais como o Oxigênio. Nós precisamos e o hardcore agradece!