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Planeta Terra

por em 10/04/2013
por
José Flávio Júnior e Mariana Sewaybricker Com sobra Blur paga dívida histórica com ajuda de devotos de Lana Del Rey A certar as contas com o passado recente. Essa era a missão do sétimo Planeta Terra, festival prestigiado por cerca de 27 mil pessoas (pode ter sido menos, mas a organização divulgou esse número) numa calorenta tarde/noite paulistana. O evento contou com novo time de curadores, que não quiseram saber tanto de novas tendências ou do indie dance que dominou anos anteriores. Veteranos do universo alternativo tiveram prioridade na escalação e puderam fazer shows longos, matando lombrigas seculares. O Blur devia uma visita de alto nível ao país. Não que a passagem por São Paulo e Rio em 1999 tenha sido ruim. Mas os shows foram prestigiados por públicos minguados: menos de duas mil pessoas na capital paulista, nem 500 em solo carioca. Desta vez, havia um quórum decente para acompanhar o britpop do quarteto. E não teve mixaria: oito músicos extras deram sustentação a músicas como “Tender” (quando os vocalistas de apoio brilharam), “To The End” (com um trompete elegantíssimo) e “Caramel” (com os sopros regidos por Damon Albarn dando um clima bastante experimental à composição). Até o ator inglês Phil Daniels, responsável pelas estrofes de “Parklife”, veio reforçar a canção (e fazer figuração em “Song 2”). Sua entrada em cena mencionando o zagueiro brasileiro David Luiz, que joga no Chelsea, foi uma irradiação de alegria. Assistimos ao mesmo show que fechou o festival californiano Coachella, com o mesmo cenário e um set list quase idêntico. Quem testemunhou a visita de 1999 tinha certeza de que o grupo nunca mais voltaria ao Brasil. Um retorno luxuoso desses, então, só em sonho. Pois aconteceu. Beck era outro que parecia destinado a não se apresentar mais na cidade. Após a aparição no Rock in Rio de 2001, o americano deixou de ser uma unanimidade, lançando discos que colocaram em xeque seu talento, e, recentemente, até deu uma pausa nas gravações, e passou a atuar mais como produtor de álbuns. No palco secundário do Planeta Terra, o artista intercalou faixas de seus dias de glória (“Loser”, “Devil’s Haircut”, “Sissyneck”, emendada com uma versão de “Billie Jean”, de Michael Jackson) com temas lançados neste milênio (“Girl”, “E-Pro”, “Modern Guilt”). Quem se interessa pelo seu lado mais maldito ganhou a folk “One Foot On The Grave”. Mas o ápice ocorreu entre as baladas “The Golden Age” e “Lost Cause”, quando a beleza das melodias foi reforçada pela visão dos fãs de Lana Del Rey deixando o recinto (o palco secundário ficava no meio do caminho entre o principal e a saída). Beck continua um ser de carisma limitado e com voz claudicante. Mas seu público sempre passará por cima desses “detalhes”. Ele sequer precisou cantar “Tropicalia” até o fim – só um trechinho para lembrar o quanto idolatra Caetano Veloso, Gilberto Gil e outros músicos daqui, que fez questão de mencionar. Antes de Beck, o palco 2 foi do The Roots. O grupo liderado pelo baterista mais famoso da atualidade utilizou todos os seus truques ao longo de uma hora e meia de espetáculo. uestlove, sem o penteado afro habitual nem foi o foco na maior parte do tempo. O guitarrista Captain Kirk Douglas e Tuba Gooding Jr., apelido de Damon Bryson, o encarregado do sousafone na formação, foram os mais exigidos. O primeiro solou e cantou uma infinidade de sucessos, passando por Miley Cyrus, Led Zeppelin, Guns N’ Roses, Gotye e Sugarhill Gang. Já o segundo foi o destaque da dobradinha “Mellow My Man” e “Break You Off”. Com sua tacinha de espumante sempre cheia, o MC Black Thought poderia ter sido menos displicente em “The Seed 2.0”, que ganhou citação de “Move On Up”, de Curtis Mayfield. Mas só suas rimas em “The Next Movement” já valeram o ingresso. Pena que há muito tempo o grupo não conta com Rahzel no beatbox. Quem esteve no show de 14 anos atrás, no Free Jazz Festival, sabe a falta que ele faz. Boa parte da apresentação do Travis, que nunca havia tocado no país, concorreu com o show do The Roots. Pior: o quarteto escocês pegou o palco principal após uma performance vibrante (como é de praxe) de BNegão & Seletores de Frequência. Mas havia muita gente sedenta por suas baladas – e elas foram apresentadas com dignidade. O arremate do set list de 20 canções veio com “Happy”, rock do álbum de estreia que mantém a sua força. Já os novatos do Palma Violets tiveram que tocar na parte do dia com o sol mais inclemente. O baixista Alexander Chilli Jesson fez das suas estripulias em cena, e o grupo não abdicou do hit indie “Best Of Friends”. Mas a imagem que ficou foi a de uma turma de amigos se jogando em pacotes de gelo que um carrinho transportava até os bares do Campo de Marte. E de Lana Del Rey, o que se pode dizer é que ela mobilizou a maior plateia do festival. Cosplays com seu look diva surgiam em todos os pontos do aeroporto. As canções soporíferas, boas para embalar o funeral de um inimigo, não crescem ao vivo, mas foram cantadas com devoção por esses fãs. Lana passou um pedação do show no fosso, autografando braços e beijando tietes, grata pela recepção eufórica. Como a sua inclusão na grade do Terra possibilitou a diversão da outra parte do público, ficou bom para todo mundo.
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1
Eu Vou Te Buscar (Cha La La La La) (part. Hungria Hip Hop)
Gusttavo LIma
2
Amor Da Sua Cama
Felipe Araújo
3
Saudade
Eduardo Costa
4
Bengala E Crochê
Maiara & Maraisa
5
De Quem É A Culpa?
Marília Mendonça
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Planeta Terra

por em 10/04/2013
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José Flávio Júnior e Mariana Sewaybricker Com sobra Blur paga dívida histórica com ajuda de devotos de Lana Del Rey A certar as contas com o passado recente. Essa era a missão do sétimo Planeta Terra, festival prestigiado por cerca de 27 mil pessoas (pode ter sido menos, mas a organização divulgou esse número) numa calorenta tarde/noite paulistana. O evento contou com novo time de curadores, que não quiseram saber tanto de novas tendências ou do indie dance que dominou anos anteriores. Veteranos do universo alternativo tiveram prioridade na escalação e puderam fazer shows longos, matando lombrigas seculares. O Blur devia uma visita de alto nível ao país. Não que a passagem por São Paulo e Rio em 1999 tenha sido ruim. Mas os shows foram prestigiados por públicos minguados: menos de duas mil pessoas na capital paulista, nem 500 em solo carioca. Desta vez, havia um quórum decente para acompanhar o britpop do quarteto. E não teve mixaria: oito músicos extras deram sustentação a músicas como “Tender” (quando os vocalistas de apoio brilharam), “To The End” (com um trompete elegantíssimo) e “Caramel” (com os sopros regidos por Damon Albarn dando um clima bastante experimental à composição). Até o ator inglês Phil Daniels, responsável pelas estrofes de “Parklife”, veio reforçar a canção (e fazer figuração em “Song 2”). Sua entrada em cena mencionando o zagueiro brasileiro David Luiz, que joga no Chelsea, foi uma irradiação de alegria. Assistimos ao mesmo show que fechou o festival californiano Coachella, com o mesmo cenário e um set list quase idêntico. Quem testemunhou a visita de 1999 tinha certeza de que o grupo nunca mais voltaria ao Brasil. Um retorno luxuoso desses, então, só em sonho. Pois aconteceu. Beck era outro que parecia destinado a não se apresentar mais na cidade. Após a aparição no Rock in Rio de 2001, o americano deixou de ser uma unanimidade, lançando discos que colocaram em xeque seu talento, e, recentemente, até deu uma pausa nas gravações, e passou a atuar mais como produtor de álbuns. No palco secundário do Planeta Terra, o artista intercalou faixas de seus dias de glória (“Loser”, “Devil’s Haircut”, “Sissyneck”, emendada com uma versão de “Billie Jean”, de Michael Jackson) com temas lançados neste milênio (“Girl”, “E-Pro”, “Modern Guilt”). Quem se interessa pelo seu lado mais maldito ganhou a folk “One Foot On The Grave”. Mas o ápice ocorreu entre as baladas “The Golden Age” e “Lost Cause”, quando a beleza das melodias foi reforçada pela visão dos fãs de Lana Del Rey deixando o recinto (o palco secundário ficava no meio do caminho entre o principal e a saída). Beck continua um ser de carisma limitado e com voz claudicante. Mas seu público sempre passará por cima desses “detalhes”. Ele sequer precisou cantar “Tropicalia” até o fim – só um trechinho para lembrar o quanto idolatra Caetano Veloso, Gilberto Gil e outros músicos daqui, que fez questão de mencionar. Antes de Beck, o palco 2 foi do The Roots. O grupo liderado pelo baterista mais famoso da atualidade utilizou todos os seus truques ao longo de uma hora e meia de espetáculo. uestlove, sem o penteado afro habitual nem foi o foco na maior parte do tempo. O guitarrista Captain Kirk Douglas e Tuba Gooding Jr., apelido de Damon Bryson, o encarregado do sousafone na formação, foram os mais exigidos. O primeiro solou e cantou uma infinidade de sucessos, passando por Miley Cyrus, Led Zeppelin, Guns N’ Roses, Gotye e Sugarhill Gang. Já o segundo foi o destaque da dobradinha “Mellow My Man” e “Break You Off”. Com sua tacinha de espumante sempre cheia, o MC Black Thought poderia ter sido menos displicente em “The Seed 2.0”, que ganhou citação de “Move On Up”, de Curtis Mayfield. Mas só suas rimas em “The Next Movement” já valeram o ingresso. Pena que há muito tempo o grupo não conta com Rahzel no beatbox. Quem esteve no show de 14 anos atrás, no Free Jazz Festival, sabe a falta que ele faz. Boa parte da apresentação do Travis, que nunca havia tocado no país, concorreu com o show do The Roots. Pior: o quarteto escocês pegou o palco principal após uma performance vibrante (como é de praxe) de BNegão & Seletores de Frequência. Mas havia muita gente sedenta por suas baladas – e elas foram apresentadas com dignidade. O arremate do set list de 20 canções veio com “Happy”, rock do álbum de estreia que mantém a sua força. Já os novatos do Palma Violets tiveram que tocar na parte do dia com o sol mais inclemente. O baixista Alexander Chilli Jesson fez das suas estripulias em cena, e o grupo não abdicou do hit indie “Best Of Friends”. Mas a imagem que ficou foi a de uma turma de amigos se jogando em pacotes de gelo que um carrinho transportava até os bares do Campo de Marte. E de Lana Del Rey, o que se pode dizer é que ela mobilizou a maior plateia do festival. Cosplays com seu look diva surgiam em todos os pontos do aeroporto. As canções soporíferas, boas para embalar o funeral de um inimigo, não crescem ao vivo, mas foram cantadas com devoção por esses fãs. Lana passou um pedação do show no fosso, autografando braços e beijando tietes, grata pela recepção eufórica. Como a sua inclusão na grade do Terra possibilitou a diversão da outra parte do público, ficou bom para todo mundo.