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Presidente do Grammy, Neil Portnow, sobre as indicações: “Reflexo do tempo”

Lista dos indicados à edição 2018 da premiação foi divulgada nesta terça-feira

por Redação em 28/11/2017

Para o Presidente e CEO da Academia de Gravação, Neil Portnow, receber as indicações do Grammy o deixa tão nervoso quanto os possíveis indicados.

“Alguns anos me pegaram de surpresa, então desisti da bola de cristal porque é muito difícil de saber”, explicou. E existem os anos em que ele sabe que a Academia será criticada por aqueles que pensam que seus 13 mil votantes não sabem o que estão fazendo. Ele prevê que 2018 não será um desses anos.

JAY-Z LIDERA AS INDICAÇÕES AO GRAMMY 2018; VEJA A LISTA

Neste ano, Portnow disse para a Billboard que podia saltar no ar com animação quando viu os indicados das 84 categorias, mostrando que o corpo de jurados está mais conectado com os gostos atuais do que nos anos anteriores, em parte por causa dos esforços da Academia em diversificar os membros. “Fiquei muito satisfeito. É um excelente reflexo na nossa organização e mostra quão ligado no mercado está o nosso corpo de jurados votantes”.

JAY-Z lidera as indicações com oito nomeações, seguido por Kendrick Lamar (7), Bruno Mars (6), Childish Gambino, No I.D., Khalid e Sza (5). A edição 2018 do Grammy será realizada em 28 de janeiro.

Portnow falou com a Billboard sobre as mudanças no processo de indicações neste ano e a diversidade cultural dos nomeados:

Este foi o primeiro ano que vocês permitiram votos online. Que efeito isso terá nos indicados?

Não recebemos detalhes específicos, então não posso te explicar os fatos. Mas pense em nossos 13 mil membros: eles estão na estrada, trabalhando 24 horas por dia em estúdios, estão fora do país em turnê. O fator conveniência foi muito significante. O motivo pelo qual demorou um pouco para ser implementado, além da segurança, é porque queríamos que fosse fácil de ser usado pelos usuários e eficiente. Não há dúvidas de que há um impacto positivo, além de ser mais acessível e conveniente.

A Academia de Gravação também adicionou um comitê revisor para as indicações de rap para avaliar as seleções finais nas categorias do gênero. Como isso funciona?

O comitê faz um ajuste. Não começa do início. Eles não têm a autoridade de criar as indicações – eles têm a habilidade de ver a perspectiva dos votantes, ajustar isso e ter a certeza de que a lista final conta com os representantes de mais alto nível. Por causa do crescimento exponencial das inscrições nas categorias de rap nos últimos anos, achamos certo fazer isso. É consistente com o que fazemos com outros gêneros em categorias com volume similar de inscrições.

DRAKE NÃO VAI ACEITAR TROFÉUS DO GRAMMY: “’HOTLINE BLING’ NÃO É RAP”

Para a indústria, parte do motivo pelo qual um comitê revisor foi chamado para as categorias de rap é a vitória de Macklemore e Ryan Lewis em 2014, na categoria Melhor Álbum Rap por The Heist, em vez do favorito good kid, m.A.A.d city, de Kendrick Lamar.

Não sei se instituir um comitê para o rap seja resultado dessa vitória em particular. Já temos comitês há algum tempo. São 13. Nossos comitês revisam cada aspecto do processo do prêmio todos os anos. Sobre o comitê do rap, esse foi o ano em que conseguimos instituir isso. Acredito que sua criação tenha tido um impacto positivo nas indicações e que agora elas serão universalmente bem-recebidas.

As quatro categorias principais – gravação, álbum, música e artista revelação – são muito diversas, incluindo a primeira música em espanhol a receber indicações por melhor música e gravação do ano. Que passos a Academia tomou para recrutar votantes que levaram a esse resultado?

Existem três elementos: Primeiro, concentramos esforços em ter certeza que os membros votantes representam a comunidade criativa. Temos 84 categorias. Somos bem representados em todas elas? Eles participam da área em que votam? Se encontramos alguma área que precisa de mais atenção, trabalhamos nisso. Somos divididos em um sistema em 12 cidades, temos filiais nesses lugares. Conscientemente, queremos membros diversos e que eles se envolvam no processo. Em segundo lugar, a votação online permite que a participação seja conveniência e acessível a todos. A Terceira parte é que, de forma bem-sucedida, acertamos o ponto sobre a música hoje em dia, respeitando gênero, cultura e sociedade. Hip hop e música urbana estão se proliferando no mundo todo.

ADELE É A GRANDE GANHADORA DO GRAMMY 2017; VEJA A LISTA DOS VENCEDORES

Esse é o primeiro ano em que uma música em espanhol, “Despacito”, foi indicada nas categorias Música e Gravação do ano.  Quão significativo é isso?

É um reflexo do tempo, algo que estamos com orgulho. Precisamos ter cuidado no sentido de que as indicações não acontecem simplesmente por causa de enorme popularidade e aceitação do público. Isso é inegável, mas pelas lentes daqueles músicos ou produtores que ouvem aquilo e percebem todos os elementos que foram usados, há algo de extraordinário para render a indicação.

Nas categorias gerais, alguns nomes do pop que são sucesso com o público entre 25 e 54 anos não foram indicados. Isso foi uma preocupação?

Temos histórico de introduzir novos artistas para a audiência quando ela assiste ao Grammy. Quando Esperanza Spalding ganha o prêmio de Artista Revelação, é um momento de descoberta. Eu amo isso. Todos que gostaríamos de convidar para se apresentar no show provavelmente têm uma indicação, e, se não tiver, não existe uma regra que determina que uma pessoa precisa estar indicada para se apresentar no evento.

Existiram algumas surpresas: a maioria das apostas previa que Ed Sheeran seria bem indicado nas categorias gerais, por exemplo, e ninguém apostou que Childish Gambino receberia tantas nomeações.

Sempre existem surpresas e não podemos agradar todo mundo. Sempre tentamos recomendar às pessoas para que tentem olhar pelas lentes daqueles que fizeram essas decisões e avaliações, isso ajuda. São lentes muito diferentes dos fãs que vão a shows ou alguém que ouve muita música em plataformas de streaming. A ótica é diferente. Por melhor ou mais popular que seja a música ou álbum de alguém, as pessoas da indústria podem ouvir a mesma coisa de forma diferente.

Houve alguma coisa que te chocou ou preocupou com as indicações?

Não, não fiquei tão impressionado. Como sempre, existem surpresas e me pergunto como chegaram naquela decisão. Mas não perco o sono por isso. Vou dormir muito bem.

 

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Para o Presidente e CEO da Academia de Gravação, Neil Portnow, receber as indicações do Grammy o deixa tão nervoso quanto os possíveis indicados.

“Alguns anos me pegaram de surpresa, então desisti da bola de cristal porque é muito difícil de saber”, explicou. E existem os anos em que ele sabe que a Academia será criticada por aqueles que pensam que seus 13 mil votantes não sabem o que estão fazendo. Ele prevê que 2018 não será um desses anos.

JAY-Z LIDERA AS INDICAÇÕES AO GRAMMY 2018; VEJA A LISTA

Neste ano, Portnow disse para a Billboard que podia saltar no ar com animação quando viu os indicados das 84 categorias, mostrando que o corpo de jurados está mais conectado com os gostos atuais do que nos anos anteriores, em parte por causa dos esforços da Academia em diversificar os membros. “Fiquei muito satisfeito. É um excelente reflexo na nossa organização e mostra quão ligado no mercado está o nosso corpo de jurados votantes”.

JAY-Z lidera as indicações com oito nomeações, seguido por Kendrick Lamar (7), Bruno Mars (6), Childish Gambino, No I.D., Khalid e Sza (5). A edição 2018 do Grammy será realizada em 28 de janeiro.

Portnow falou com a Billboard sobre as mudanças no processo de indicações neste ano e a diversidade cultural dos nomeados:

Este foi o primeiro ano que vocês permitiram votos online. Que efeito isso terá nos indicados?

Não recebemos detalhes específicos, então não posso te explicar os fatos. Mas pense em nossos 13 mil membros: eles estão na estrada, trabalhando 24 horas por dia em estúdios, estão fora do país em turnê. O fator conveniência foi muito significante. O motivo pelo qual demorou um pouco para ser implementado, além da segurança, é porque queríamos que fosse fácil de ser usado pelos usuários e eficiente. Não há dúvidas de que há um impacto positivo, além de ser mais acessível e conveniente.

A Academia de Gravação também adicionou um comitê revisor para as indicações de rap para avaliar as seleções finais nas categorias do gênero. Como isso funciona?

O comitê faz um ajuste. Não começa do início. Eles não têm a autoridade de criar as indicações – eles têm a habilidade de ver a perspectiva dos votantes, ajustar isso e ter a certeza de que a lista final conta com os representantes de mais alto nível. Por causa do crescimento exponencial das inscrições nas categorias de rap nos últimos anos, achamos certo fazer isso. É consistente com o que fazemos com outros gêneros em categorias com volume similar de inscrições.

DRAKE NÃO VAI ACEITAR TROFÉUS DO GRAMMY: “’HOTLINE BLING’ NÃO É RAP”

Para a indústria, parte do motivo pelo qual um comitê revisor foi chamado para as categorias de rap é a vitória de Macklemore e Ryan Lewis em 2014, na categoria Melhor Álbum Rap por The Heist, em vez do favorito good kid, m.A.A.d city, de Kendrick Lamar.

Não sei se instituir um comitê para o rap seja resultado dessa vitória em particular. Já temos comitês há algum tempo. São 13. Nossos comitês revisam cada aspecto do processo do prêmio todos os anos. Sobre o comitê do rap, esse foi o ano em que conseguimos instituir isso. Acredito que sua criação tenha tido um impacto positivo nas indicações e que agora elas serão universalmente bem-recebidas.

As quatro categorias principais – gravação, álbum, música e artista revelação – são muito diversas, incluindo a primeira música em espanhol a receber indicações por melhor música e gravação do ano. Que passos a Academia tomou para recrutar votantes que levaram a esse resultado?

Existem três elementos: Primeiro, concentramos esforços em ter certeza que os membros votantes representam a comunidade criativa. Temos 84 categorias. Somos bem representados em todas elas? Eles participam da área em que votam? Se encontramos alguma área que precisa de mais atenção, trabalhamos nisso. Somos divididos em um sistema em 12 cidades, temos filiais nesses lugares. Conscientemente, queremos membros diversos e que eles se envolvam no processo. Em segundo lugar, a votação online permite que a participação seja conveniência e acessível a todos. A Terceira parte é que, de forma bem-sucedida, acertamos o ponto sobre a música hoje em dia, respeitando gênero, cultura e sociedade. Hip hop e música urbana estão se proliferando no mundo todo.

ADELE É A GRANDE GANHADORA DO GRAMMY 2017; VEJA A LISTA DOS VENCEDORES

Esse é o primeiro ano em que uma música em espanhol, “Despacito”, foi indicada nas categorias Música e Gravação do ano.  Quão significativo é isso?

É um reflexo do tempo, algo que estamos com orgulho. Precisamos ter cuidado no sentido de que as indicações não acontecem simplesmente por causa de enorme popularidade e aceitação do público. Isso é inegável, mas pelas lentes daqueles músicos ou produtores que ouvem aquilo e percebem todos os elementos que foram usados, há algo de extraordinário para render a indicação.

Nas categorias gerais, alguns nomes do pop que são sucesso com o público entre 25 e 54 anos não foram indicados. Isso foi uma preocupação?

Temos histórico de introduzir novos artistas para a audiência quando ela assiste ao Grammy. Quando Esperanza Spalding ganha o prêmio de Artista Revelação, é um momento de descoberta. Eu amo isso. Todos que gostaríamos de convidar para se apresentar no show provavelmente têm uma indicação, e, se não tiver, não existe uma regra que determina que uma pessoa precisa estar indicada para se apresentar no evento.

Existiram algumas surpresas: a maioria das apostas previa que Ed Sheeran seria bem indicado nas categorias gerais, por exemplo, e ninguém apostou que Childish Gambino receberia tantas nomeações.

Sempre existem surpresas e não podemos agradar todo mundo. Sempre tentamos recomendar às pessoas para que tentem olhar pelas lentes daqueles que fizeram essas decisões e avaliações, isso ajuda. São lentes muito diferentes dos fãs que vão a shows ou alguém que ouve muita música em plataformas de streaming. A ótica é diferente. Por melhor ou mais popular que seja a música ou álbum de alguém, as pessoas da indústria podem ouvir a mesma coisa de forma diferente.

Houve alguma coisa que te chocou ou preocupou com as indicações?

Não, não fiquei tão impressionado. Como sempre, existem surpresas e me pergunto como chegaram naquela decisão. Mas não perco o sono por isso. Vou dormir muito bem.