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Primeira noite do Popload Festival foi da África a Michigan

por em 17/10/2015
P
or Marcos Lauro
O Popload Festival realizou sua primeira noite nesta sexta-feira (17/10), na Audio Club, zona oeste de São Paulo, e a Billboard Brasil acompanhou os dois últimos shows da noite. Teoricamente opostos (ou, pelo menos, sem muitos pontos em comum), Emicida e Iggy Pop conseguiram agradar. Mas o rapper teve mais trabalho. O show do Emicida atrasou pouco, começou logo depois do horário previsto, 23h. A pista ainda não tinha metade da sua capacidade ocupada – muita gente preferiu ficar na área externa da casa (pelo calor ou por serem roqueiros que não desejavam a conversão ao rap). “Boa Esperança” abriu a apresentação, com a plateia bastante fria. Os graves do som do Emicida foram conquistando o público aos poucos e no meio de “Hoje Cedo” deu para avistar um rapaz com a camisa do Led Zeppelin cantando junto – outro, com a camisa da banda Dream Theater, pareceu ter aprovado “Mandume” e gingava com as rimas. Mistura das boas. Mas a pista começou a encher mesmo depois da meia-noite. Com o fim próximo da apresentação do Emicida e a chegada de IggyPop. A plateia comemorou até a entrada da bateria no palco, com o logo do Iggy Pop desenhado no bumbo. O negócio naquela pista ia esquentar. Parece que Iggy faz de propósito. Ele sabe o furacão que é e o caos que provoca. E, de cara, abre o show com “No Fun” e “I Wanna Be Your Dog”, dois dos grandes clássicos dos Stooges. Daria para estudar alguma teoria sobre as marés usando a pista como maquete: o mar de gente se empurra para ficar mais perto daquele senhor de 69 anos que influenciou punks e headbagers e continua causando. Calça jeans e jaqueta de couro (que não ficou meia música no corpo de Iggy, foi-se embora em “No Fun”) é o modelito básico há anos. Iggy também não demorou para pular sobre a plateia, foi em “I Wanna Be Your Dog” – os roadies que o acompanham já devem estar acostumados à rotina e devem pensar “lá vai Iggy de novo, vamos resgatá-lo”. Cerca de um minuto depois, Iggy está de volta ao palco, rastejando e sorrindo e agradecendo pela recepção nos braços da galera. A tradicional invasão ao palco não aconteceu dessa vez – os poucos fãs que tentaram foram contidos pelos seguranças da Audio Club. O som é sujo como se ainda fossem os anos 1960/1970. A pele de Iggy, de perto, chega a ser arenosa – e parte da história do rock está nela. O clima (para quem assiste da pista) é apocalíptico – mas todos souberam se portar no meio do caos e não houve nenhuma confusão. De Emicida a Iggy Pop, da África a Michigan, a primeira noite do Popload Festival sobe misturar estilos que no papel pareciam surreais. Funcionou.
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  • HOT 100
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Eu Vou Te Buscar (Cha La La La La) (part. Hungria Hip Hop)
Gusttavo LIma
2
Saudade
Eduardo Costa
3
De Quem É A Culpa?
Marília Mendonça
4
Bengala E Crochê
Maiara & Maraisa
5
Aquela Pessoa
Henrique & Juliano
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Primeira noite do Popload Festival foi da África a Michigan

por em 17/10/2015
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or Marcos Lauro
O Popload Festival realizou sua primeira noite nesta sexta-feira (17/10), na Audio Club, zona oeste de São Paulo, e a Billboard Brasil acompanhou os dois últimos shows da noite. Teoricamente opostos (ou, pelo menos, sem muitos pontos em comum), Emicida e Iggy Pop conseguiram agradar. Mas o rapper teve mais trabalho. O show do Emicida atrasou pouco, começou logo depois do horário previsto, 23h. A pista ainda não tinha metade da sua capacidade ocupada – muita gente preferiu ficar na área externa da casa (pelo calor ou por serem roqueiros que não desejavam a conversão ao rap). “Boa Esperança” abriu a apresentação, com a plateia bastante fria. Os graves do som do Emicida foram conquistando o público aos poucos e no meio de “Hoje Cedo” deu para avistar um rapaz com a camisa do Led Zeppelin cantando junto – outro, com a camisa da banda Dream Theater, pareceu ter aprovado “Mandume” e gingava com as rimas. Mistura das boas. Mas a pista começou a encher mesmo depois da meia-noite. Com o fim próximo da apresentação do Emicida e a chegada de IggyPop. A plateia comemorou até a entrada da bateria no palco, com o logo do Iggy Pop desenhado no bumbo. O negócio naquela pista ia esquentar. Parece que Iggy faz de propósito. Ele sabe o furacão que é e o caos que provoca. E, de cara, abre o show com “No Fun” e “I Wanna Be Your Dog”, dois dos grandes clássicos dos Stooges. Daria para estudar alguma teoria sobre as marés usando a pista como maquete: o mar de gente se empurra para ficar mais perto daquele senhor de 69 anos que influenciou punks e headbagers e continua causando. Calça jeans e jaqueta de couro (que não ficou meia música no corpo de Iggy, foi-se embora em “No Fun”) é o modelito básico há anos. Iggy também não demorou para pular sobre a plateia, foi em “I Wanna Be Your Dog” – os roadies que o acompanham já devem estar acostumados à rotina e devem pensar “lá vai Iggy de novo, vamos resgatá-lo”. Cerca de um minuto depois, Iggy está de volta ao palco, rastejando e sorrindo e agradecendo pela recepção nos braços da galera. A tradicional invasão ao palco não aconteceu dessa vez – os poucos fãs que tentaram foram contidos pelos seguranças da Audio Club. O som é sujo como se ainda fossem os anos 1960/1970. A pele de Iggy, de perto, chega a ser arenosa – e parte da história do rock está nela. O clima (para quem assiste da pista) é apocalíptico – mas todos souberam se portar no meio do caos e não houve nenhuma confusão. De Emicida a Iggy Pop, da África a Michigan, a primeira noite do Popload Festival sobe misturar estilos que no papel pareciam surreais. Funcionou.