NOTÍCIAS

Problemas estruturais comprometeram a qualidade do Lollapalooza Brasil 2017

Billboard Brasil faz uma avaliação dos dois dias do festival

por Marcos Lauro em 27/03/2017

No último final de semana, São Paulo recebeu a sexta edição da versão brasileira do Lollapalooza, festival criado em 1991 pelo músico Perry Farrell, vocalista do Jane’s Adiction. O que foi idealizado como uma turnê de despedida da sua banda, hoje já faz parte da lista de grandes festivais do mundo e entrou no mapa de grandes artistas. A edição 2017 do Lollapalooza Brasil teve Metallica e The Chainsmokers como últimas atrações no sábado e The Strokes e Flume encerrando o domingo.

COM PARTICIPAÇÃO DE BNEGÃO, BAIANASYSTEM FAZ SHOW PARA QUEM TEM SANGUE QUENTE E SUINGUE

CAGE THE ELEPHANT DEIXA LOLLAPALOOZA MAIS ANIMADO E ANÁRQUICO

A reportagem da Billboard Brasil vivenciou os dois dias de festival e faz algumas observações sobre a estrutura, o lineup e o clima do Lollapalooza Brasil 2017.

geral-domingoPúblico durante a apresentação do Duran Duran no domingo - Marcelo Rossi/Divulgação

ESTRUTURA EXTERNA

São Paulo é uma cidade que ainda não consegue pensar seus grandes eventos de forma integrada. A começar pelo metrô, que simplesmente fechou duas importantes estações no domingo para obras. Os usuários não puderam passar pelas estações República e Luz e, com as alternativas possíveis, demoraram cerca de meia hora a mais para chegar e voltar do Autódromo de Interlagos – vale lembrar que o local fica a pouco mais de 20 quilômetros do centro de São Paulo e quem vem de regiões como a leste e a norte pode chegar até a 40 quilômetros de "caminhada".

THE 1975 LEVANTA O PÚBLICO (MUITO) JOVEM DO LOLLAPALOOZA BRASIL

CRIOLO DESVIA DE POLÊMICA E FAZ SHOW GRANDIOSO E ANIMADO

Questionado pela reportagem da Billboard Brasil, o metrô, por meio de sua assessoria, afirmou que leva em consideração os grandes eventos de São Paulo na hora de fazer um cronograma de obras, mas só citou FUVEST, eleições e Virada Cultural entre eles. Afirmou também que, mesmo sabendo da realização do Lolla, não teria como reagendar a obra para “não atrasar o cronograma” – vale lembrar que as obras da linha 4, especialmente da estação Higienópolis-Mackenzie (motivo da paralisação do domingo), já estão três anos atrasadas e atualmente têm previsão para entrega apenas em 2018.

RANCID MOSTRA UM DOS LADOS BONS DE SER PUNK: 20 MÚSICAS EM UMA HORA

THE XX E NOVO REPERTÓRIO DÃO O TOM CERTO PARA O LOLLA

Outro ponto já muito discutido na cidade é o horário de operação do transporte público em dias de grandes eventos. Quem frequenta estádios de futebol já está acostumado a sair correndo, antes do término da partida, para conseguir voltar para casa. No sábado, dia em que o metrô funciona normalmente até 1h, quem esperou o último acorde do Metallica para sair do autódromo teve que correr até a estação da CPTM mais próxima e depois correr um pouco mais para não dar de cara com a porta fechada do metrô. Nesses dias, a administração do metrô poderia pensar em estender pelo menos em alguns minutos a operação para evitar correria de quem não tem outra opção de transporte.

ESTRUTURA INTERNA

O Lollapalooza cresceu. E muito por conta das opções do lineup – que vamos comentar mais abaixo.

METALLICA, ENSURDECEDOR, ENCERRA A NOITE NO PALCO PRINCIPAL DO LOLLAPALOOZA

THE CHAINSMOKERS FAZEM SHOW CONFUSO, MAS LEVANTAM PÚBLICO

Claro que um evento que recebe 100 mil pessoas por noite terá problemas (causados justamente pelo excesso de gente circulando num único lugar, por maior que ele seja). Mas alguns problemas podem ser evitados com um planejamento que faça jus ao tamanho do evento.

O festival adotou nesse ano o sistema de pulseirinhas recarregáveis. No sábado, as filas dos caixas eram imensas e demoradas, especialmente nas laterais do palco principal. E quando muita gente conseguia vencer a fila, a cerveja havia acabado no bar. A reportagem flagrou muita gente ficando sem cerveja ou tendo que pegar cerveja em lata em vez de chopp por conta de falta de pressão nas máquinas. Num evento patrocinado por uma marca de cerveja, isso é uma falha grave.

CÉU ABRE PALCO PRINCIPAL COM TALENTO E CARISMA

DURAN DURAN TENTA SAIR DOS ANOS 1980, MAS OS ANOS 80 NÃO SAEM DO DURAN DURAN

A imprensa também teve momentos complicados nesse Lolla. No sábado, por volta das 19h, a água simplesmente acabou na sala de imprensa e não foi reposta – pelo menos até o início do show do Metallica. No domingo, as pulseirinhas de identificação acabaram na entrada por volta das 14h30 – pessoas da imprensa que chegaram nesse horário tiveram que esperar até meia-hora para entrar no Autódromo até que a pulseirinha fosse reposta. Pelo menos a localização da sala de imprensa melhorou em relação ao ano passado, totalmente isolada do clima do festival – problema que, vamos ser justos, tinha a ver com a reforma do autódromo e não com a organização do evento.

LINEUP

A gente só tem como saber se um lineup deu certo quando ele é colocado à prova diante dos nossos olhos e ouvidos. Papel aceita tudo.

SEM POSE DE DIVA, MØ FAZ A FESTA NO LOLLAPALOOZA

TWO DOOR CINEMA CLUB ENTREGA O POP DANÇANTE AO SEU PÚBLICO JOVEM

O Lollapalooza fez uma escolha corajosa: fechar uma noite com um grande nome do metal. O Metallica já tocou em edições de outros Lolla, mas nunca no Brasil – e o festival nunca havia pesado tanto numa escalação por aqui.

O metal é um gênero que tem uma multidão devota e isso foi visto no sábado. Grande parte do público, geralmente de camisetas pretas, chegou tarde ao autódromo, dando a intenção de que foram ali para ver apenas o Metallica e, de repente, um pedacinho do Rancid, outro grande nome do punk e do ska – tanto é que às 15h, 16h, o movimento no trem, principal acesso ao Lolla, ainda era pequeno em relação a anos anteriores. No palco, o Metallica mostrou a grande banda que é e os fãs saíram satisfeitos. Enquanto no outro palco, a sensação The Chainsmokers fazia um show confuso, vazio de sentido e relevância, o quarteto de thrash metal dava a alma pelo som. Talvez um Duran Duran, que tocou em pleno sol de domingo, poderia ter caído melhor no encerramento da noite de sábado.

O Lolla agora cai num desafio: repetir um grande nome de metal para encerrar uma das noites e garantir público ou voltar um pouco atrás e se dedicar ao indie como sempre? O risco é descaracterizar o festival e ainda apelar para alguma banda que não tenha fãs tão fieis quanto os do Metallica.

WEEKND DÁ AULA DE POP E DE SIMPLICIDADE NO LOLLAPALOOZA

STROKES ATÉ QUE TENTAM, MAS NÃO FUNCIONAM COMO HEADLINER EM 2017

No domingo, a decepção ficou por conta do The Strokes, que provou não segurar o encerramento de um festival desse porte. Supervalorizada desde a sua fundação (quando "salvou o rock", como se o gênero precisasse ser salvo), a banda cai melhor em locais fechados e menores, sem toda essa responsabilidade.

O Lollapalooza tem a tradição de chancelar novos ou desconhecidos artistas e cumpriu esse papel com nomes como Daniel Groove, Vance Joy, The Outs e Glass Animals – chamar a atenção do Lolla ao ponto de figurar no seu lineup já é um sinal de qualidade. A dúvida é se o festival vai manter essa característica ou vai apelar de vez para nomes consagrados para aumentar seu público. Caso isso aconteça, além da perda de identidade, a ida a Interlagos será mais sofrida com todos esses problemas estruturais.

  • HOT 100
    BRASIL
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    200
  • HOT 100
    EUA
1
Bengala E Crochê
Maiara & Maraisa
2
Eu Vou Te Buscar (Cha La La La La) (part. Hungria Hip Hop)
Gusttavo LIma
3
Saudade
Eduardo Costa
4
Amor Da Sua Cama
Felipe Araújo
5
De Quem É A Culpa?
Marília Mendonça
RANKING COMPLETO
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Problemas estruturais comprometeram a qualidade do Lollapalooza Brasil 2017

Billboard Brasil faz uma avaliação dos dois dias do festival

por Marcos Lauro em 27/03/2017

No último final de semana, São Paulo recebeu a sexta edição da versão brasileira do Lollapalooza, festival criado em 1991 pelo músico Perry Farrell, vocalista do Jane’s Adiction. O que foi idealizado como uma turnê de despedida da sua banda, hoje já faz parte da lista de grandes festivais do mundo e entrou no mapa de grandes artistas. A edição 2017 do Lollapalooza Brasil teve Metallica e The Chainsmokers como últimas atrações no sábado e The Strokes e Flume encerrando o domingo.

COM PARTICIPAÇÃO DE BNEGÃO, BAIANASYSTEM FAZ SHOW PARA QUEM TEM SANGUE QUENTE E SUINGUE

CAGE THE ELEPHANT DEIXA LOLLAPALOOZA MAIS ANIMADO E ANÁRQUICO

A reportagem da Billboard Brasil vivenciou os dois dias de festival e faz algumas observações sobre a estrutura, o lineup e o clima do Lollapalooza Brasil 2017.

geral-domingoPúblico durante a apresentação do Duran Duran no domingo - Marcelo Rossi/Divulgação

ESTRUTURA EXTERNA

São Paulo é uma cidade que ainda não consegue pensar seus grandes eventos de forma integrada. A começar pelo metrô, que simplesmente fechou duas importantes estações no domingo para obras. Os usuários não puderam passar pelas estações República e Luz e, com as alternativas possíveis, demoraram cerca de meia hora a mais para chegar e voltar do Autódromo de Interlagos – vale lembrar que o local fica a pouco mais de 20 quilômetros do centro de São Paulo e quem vem de regiões como a leste e a norte pode chegar até a 40 quilômetros de "caminhada".

THE 1975 LEVANTA O PÚBLICO (MUITO) JOVEM DO LOLLAPALOOZA BRASIL

CRIOLO DESVIA DE POLÊMICA E FAZ SHOW GRANDIOSO E ANIMADO

Questionado pela reportagem da Billboard Brasil, o metrô, por meio de sua assessoria, afirmou que leva em consideração os grandes eventos de São Paulo na hora de fazer um cronograma de obras, mas só citou FUVEST, eleições e Virada Cultural entre eles. Afirmou também que, mesmo sabendo da realização do Lolla, não teria como reagendar a obra para “não atrasar o cronograma” – vale lembrar que as obras da linha 4, especialmente da estação Higienópolis-Mackenzie (motivo da paralisação do domingo), já estão três anos atrasadas e atualmente têm previsão para entrega apenas em 2018.

RANCID MOSTRA UM DOS LADOS BONS DE SER PUNK: 20 MÚSICAS EM UMA HORA

THE XX E NOVO REPERTÓRIO DÃO O TOM CERTO PARA O LOLLA

Outro ponto já muito discutido na cidade é o horário de operação do transporte público em dias de grandes eventos. Quem frequenta estádios de futebol já está acostumado a sair correndo, antes do término da partida, para conseguir voltar para casa. No sábado, dia em que o metrô funciona normalmente até 1h, quem esperou o último acorde do Metallica para sair do autódromo teve que correr até a estação da CPTM mais próxima e depois correr um pouco mais para não dar de cara com a porta fechada do metrô. Nesses dias, a administração do metrô poderia pensar em estender pelo menos em alguns minutos a operação para evitar correria de quem não tem outra opção de transporte.

ESTRUTURA INTERNA

O Lollapalooza cresceu. E muito por conta das opções do lineup – que vamos comentar mais abaixo.

METALLICA, ENSURDECEDOR, ENCERRA A NOITE NO PALCO PRINCIPAL DO LOLLAPALOOZA

THE CHAINSMOKERS FAZEM SHOW CONFUSO, MAS LEVANTAM PÚBLICO

Claro que um evento que recebe 100 mil pessoas por noite terá problemas (causados justamente pelo excesso de gente circulando num único lugar, por maior que ele seja). Mas alguns problemas podem ser evitados com um planejamento que faça jus ao tamanho do evento.

O festival adotou nesse ano o sistema de pulseirinhas recarregáveis. No sábado, as filas dos caixas eram imensas e demoradas, especialmente nas laterais do palco principal. E quando muita gente conseguia vencer a fila, a cerveja havia acabado no bar. A reportagem flagrou muita gente ficando sem cerveja ou tendo que pegar cerveja em lata em vez de chopp por conta de falta de pressão nas máquinas. Num evento patrocinado por uma marca de cerveja, isso é uma falha grave.

CÉU ABRE PALCO PRINCIPAL COM TALENTO E CARISMA

DURAN DURAN TENTA SAIR DOS ANOS 1980, MAS OS ANOS 80 NÃO SAEM DO DURAN DURAN

A imprensa também teve momentos complicados nesse Lolla. No sábado, por volta das 19h, a água simplesmente acabou na sala de imprensa e não foi reposta – pelo menos até o início do show do Metallica. No domingo, as pulseirinhas de identificação acabaram na entrada por volta das 14h30 – pessoas da imprensa que chegaram nesse horário tiveram que esperar até meia-hora para entrar no Autódromo até que a pulseirinha fosse reposta. Pelo menos a localização da sala de imprensa melhorou em relação ao ano passado, totalmente isolada do clima do festival – problema que, vamos ser justos, tinha a ver com a reforma do autódromo e não com a organização do evento.

LINEUP

A gente só tem como saber se um lineup deu certo quando ele é colocado à prova diante dos nossos olhos e ouvidos. Papel aceita tudo.

SEM POSE DE DIVA, MØ FAZ A FESTA NO LOLLAPALOOZA

TWO DOOR CINEMA CLUB ENTREGA O POP DANÇANTE AO SEU PÚBLICO JOVEM

O Lollapalooza fez uma escolha corajosa: fechar uma noite com um grande nome do metal. O Metallica já tocou em edições de outros Lolla, mas nunca no Brasil – e o festival nunca havia pesado tanto numa escalação por aqui.

O metal é um gênero que tem uma multidão devota e isso foi visto no sábado. Grande parte do público, geralmente de camisetas pretas, chegou tarde ao autódromo, dando a intenção de que foram ali para ver apenas o Metallica e, de repente, um pedacinho do Rancid, outro grande nome do punk e do ska – tanto é que às 15h, 16h, o movimento no trem, principal acesso ao Lolla, ainda era pequeno em relação a anos anteriores. No palco, o Metallica mostrou a grande banda que é e os fãs saíram satisfeitos. Enquanto no outro palco, a sensação The Chainsmokers fazia um show confuso, vazio de sentido e relevância, o quarteto de thrash metal dava a alma pelo som. Talvez um Duran Duran, que tocou em pleno sol de domingo, poderia ter caído melhor no encerramento da noite de sábado.

O Lolla agora cai num desafio: repetir um grande nome de metal para encerrar uma das noites e garantir público ou voltar um pouco atrás e se dedicar ao indie como sempre? O risco é descaracterizar o festival e ainda apelar para alguma banda que não tenha fãs tão fieis quanto os do Metallica.

WEEKND DÁ AULA DE POP E DE SIMPLICIDADE NO LOLLAPALOOZA

STROKES ATÉ QUE TENTAM, MAS NÃO FUNCIONAM COMO HEADLINER EM 2017

No domingo, a decepção ficou por conta do The Strokes, que provou não segurar o encerramento de um festival desse porte. Supervalorizada desde a sua fundação (quando "salvou o rock", como se o gênero precisasse ser salvo), a banda cai melhor em locais fechados e menores, sem toda essa responsabilidade.

O Lollapalooza tem a tradição de chancelar novos ou desconhecidos artistas e cumpriu esse papel com nomes como Daniel Groove, Vance Joy, The Outs e Glass Animals – chamar a atenção do Lolla ao ponto de figurar no seu lineup já é um sinal de qualidade. A dúvida é se o festival vai manter essa característica ou vai apelar de vez para nomes consagrados para aumentar seu público. Caso isso aconteça, além da perda de identidade, a ida a Interlagos será mais sofrida com todos esses problemas estruturais.