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Procurador da República em Joinville lança clipe; veja

Mario Ghanna soltou “É Cedo” hoje no YouTube

por Marcos Lauro em 26/07/2016

O ambiente de uma repartição pública, especialmente do Poder Judiciário, não é exatamente inspirador para a arte. Vez ou outra ficamos sabendo de pessoas que vivem nesse meio e que têm a música como hobby. Mas em Joinville, Santa Catarina, o procurador da República Mário Sérgio Ghannagé Barbosa resolveu levar a música a sério. Com o nome de Mário Ghanna, ele lança hoje o clipe da música “É Cedo”.

“Procuro fazer as duas atividades em horários distintos para que elas não se prejudiquem. Isso requer bastante disciplina, mas tenho levado muito bem”, conta Ghanna para a Billboard Brasil.

O clipe, gravado em Joinville, é o primeiro da carreira de Ghanna, que agora pretende adotar o formato: “Eu entendo que a comunicação mudou. As pessoas querem 'ver' a música também. E o roteiro do próximo já está pronto! Será bem legal, vamos gravar nos próximos dias e teremos paraquedas, praia e música”, promete o músico.

Veja o clipe de “É Cedo” e, abaixo, o bate-papo com o músico-procurador:

Como é conciliar o lado duro do dia a dia na Procuradoria com a subjetividade da música? Você consegue unir as duas coisas em algum momento?
É bem diferente e complicado às vezes. Meu trabalho na Procuradoria da República deve ser o mais técnico possível. Não há muito espaço para arte - talvez na escrita. Devo ser técnico, me ater aos detalhes do caso, ser imparcial - de modo a que sentimentos não interfiram no trabalho - e ser criativo apenas na medida em que a lei - e a escrita - me autorizem. A música é o oposto. Música é sentimento transformado em som. Aqui o sentimento está sempre presente. Ou eu faço música que signifique algo para mim, seja minha, seja uma versão, ou deixo quieto.  Então, você veja, são exercícios mentais bem diferentes. O bom é que dá para trabalhar com essas duas partes do cérebro. Outra dificuldade é a questão de agendas. Procuro fazer as duas atividades em horários distintos para que elas não se prejudiquem. Isso requer bastante disciplina, mas tenho levado muito bem. Mesmo com todas as divergências, há um ponto de encontro entre as profissões. Tal qual no direito, a música pede muito estudo e disciplina. Como eu sempre estou estudando - talvez seja um nerd musical -, nesse ponto as coisas se encontram. E a disciplina do direito me ajuda na música.

E o ambiente da Procuradoria, te ajuda de alguma forma a compor?
A atividade na procuradoria me inspira com temas para novas composições. Na atividade jurídica lidamos muito com pessoas, bem por isso conhecemos novas histórias, fatos, nuances de personalidade etc. E isso é inspiração musical. Algumas canções foram inspiradas a partir do escritório, por exemplo: “Mãos Ao Alto”' e “Transtorno Ou Notícia”.

A sua intenção é partir para a música ou a função te atrai a ponto de não ter esse objetivo?
A minha intenção é fazer a música mais honesta que me seja possível. Aquela que reflete exatamente o que sinto e o que quero ouvir. Onde isso vai me levar eu não sei. Sei que o som tem agradado muita gente e tem criado um público novo, que acaba se identificando com ele. Mas até onde isso vai eu não sei. Não estou preocupado com isso nesse momento. Quero manter uma agenda de shows regular e ver a galera cantando as canções. Essa sensação de identidade sonora e poética é muito boa. Você vê que não está sozinho no mundo.

E como foi gravar o clipe?
Esse é o meu primeiro clipe e eu relutava um pouco em fazer um, pois sempre gostei de vídeos cantando e tocando as canções.  Porém eu entendo que a comunicação mudou. As pessoas querem 'ver' a música também. Escolhi fazer o clipe da faixa “É Cedo” porque é bem radiofônica e porque o roteiro me veio na cabeça antes. Gosto muito de um dos primeiros livros de Machado de Assis chamado Queda Que As Mulheres Têm Para Os Tolos. Estava lendo-o de novo nesse período de escrever o clipe, aí pensei: “Tem tudo a ver”. Fui roteirizar o clipe com base no livro, só que com uma pegada atual e informal.  Ao tempo que criticamos - de modo sutil - a atual cultura de viver pelo “final de semana” e o fato de as mulheres ainda terem esse apego pelo cara “malandrão”. Criamos um clipe e roteiro com duplo sentido, onde faço o papel do “tolo”, citado por Machado.

Curtiu a experiência?
Gostei muito da experiência. Tanto que agora os clipes passam a fazer parte de meu processo de criação também. Já estou com roteiro pronto para uma outra música, a “Get High”. O roteiro já está sendo produzido e eu vou me jogar de um avião. Será bem legal, vamos gravar nos próximos dias e teremos paraquedas, praia e música.

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Procurador da República em Joinville lança clipe; veja

Mario Ghanna soltou “É Cedo” hoje no YouTube

por Marcos Lauro em 26/07/2016

O ambiente de uma repartição pública, especialmente do Poder Judiciário, não é exatamente inspirador para a arte. Vez ou outra ficamos sabendo de pessoas que vivem nesse meio e que têm a música como hobby. Mas em Joinville, Santa Catarina, o procurador da República Mário Sérgio Ghannagé Barbosa resolveu levar a música a sério. Com o nome de Mário Ghanna, ele lança hoje o clipe da música “É Cedo”.

“Procuro fazer as duas atividades em horários distintos para que elas não se prejudiquem. Isso requer bastante disciplina, mas tenho levado muito bem”, conta Ghanna para a Billboard Brasil.

O clipe, gravado em Joinville, é o primeiro da carreira de Ghanna, que agora pretende adotar o formato: “Eu entendo que a comunicação mudou. As pessoas querem 'ver' a música também. E o roteiro do próximo já está pronto! Será bem legal, vamos gravar nos próximos dias e teremos paraquedas, praia e música”, promete o músico.

Veja o clipe de “É Cedo” e, abaixo, o bate-papo com o músico-procurador:

Como é conciliar o lado duro do dia a dia na Procuradoria com a subjetividade da música? Você consegue unir as duas coisas em algum momento?
É bem diferente e complicado às vezes. Meu trabalho na Procuradoria da República deve ser o mais técnico possível. Não há muito espaço para arte - talvez na escrita. Devo ser técnico, me ater aos detalhes do caso, ser imparcial - de modo a que sentimentos não interfiram no trabalho - e ser criativo apenas na medida em que a lei - e a escrita - me autorizem. A música é o oposto. Música é sentimento transformado em som. Aqui o sentimento está sempre presente. Ou eu faço música que signifique algo para mim, seja minha, seja uma versão, ou deixo quieto.  Então, você veja, são exercícios mentais bem diferentes. O bom é que dá para trabalhar com essas duas partes do cérebro. Outra dificuldade é a questão de agendas. Procuro fazer as duas atividades em horários distintos para que elas não se prejudiquem. Isso requer bastante disciplina, mas tenho levado muito bem. Mesmo com todas as divergências, há um ponto de encontro entre as profissões. Tal qual no direito, a música pede muito estudo e disciplina. Como eu sempre estou estudando - talvez seja um nerd musical -, nesse ponto as coisas se encontram. E a disciplina do direito me ajuda na música.

E o ambiente da Procuradoria, te ajuda de alguma forma a compor?
A atividade na procuradoria me inspira com temas para novas composições. Na atividade jurídica lidamos muito com pessoas, bem por isso conhecemos novas histórias, fatos, nuances de personalidade etc. E isso é inspiração musical. Algumas canções foram inspiradas a partir do escritório, por exemplo: “Mãos Ao Alto”' e “Transtorno Ou Notícia”.

A sua intenção é partir para a música ou a função te atrai a ponto de não ter esse objetivo?
A minha intenção é fazer a música mais honesta que me seja possível. Aquela que reflete exatamente o que sinto e o que quero ouvir. Onde isso vai me levar eu não sei. Sei que o som tem agradado muita gente e tem criado um público novo, que acaba se identificando com ele. Mas até onde isso vai eu não sei. Não estou preocupado com isso nesse momento. Quero manter uma agenda de shows regular e ver a galera cantando as canções. Essa sensação de identidade sonora e poética é muito boa. Você vê que não está sozinho no mundo.

E como foi gravar o clipe?
Esse é o meu primeiro clipe e eu relutava um pouco em fazer um, pois sempre gostei de vídeos cantando e tocando as canções.  Porém eu entendo que a comunicação mudou. As pessoas querem 'ver' a música também. Escolhi fazer o clipe da faixa “É Cedo” porque é bem radiofônica e porque o roteiro me veio na cabeça antes. Gosto muito de um dos primeiros livros de Machado de Assis chamado Queda Que As Mulheres Têm Para Os Tolos. Estava lendo-o de novo nesse período de escrever o clipe, aí pensei: “Tem tudo a ver”. Fui roteirizar o clipe com base no livro, só que com uma pegada atual e informal.  Ao tempo que criticamos - de modo sutil - a atual cultura de viver pelo “final de semana” e o fato de as mulheres ainda terem esse apego pelo cara “malandrão”. Criamos um clipe e roteiro com duplo sentido, onde faço o papel do “tolo”, citado por Machado.

Curtiu a experiência?
Gostei muito da experiência. Tanto que agora os clipes passam a fazer parte de meu processo de criação também. Já estou com roteiro pronto para uma outra música, a “Get High”. O roteiro já está sendo produzido e eu vou me jogar de um avião. Será bem legal, vamos gravar nos próximos dias e teremos paraquedas, praia e música.