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Projota sobre a nova geração do rap: “A gente trouxe o sol de volta”

Rapper lança álbum e clipe nessa sexta-feira

por Marcos Lauro em 28/07/2017

Nessa sexta-feira (28/07), o rapper Projota lança seu segundo álbum de estúdio, A Milenar Arte de Meter o Louco. Junto com o álbum, chega também o clipe da faixa-título.

Veja:

Um dia antes, na quinta, a sede do Spotify Brasil, em São Paulo, recebeu uma audição exclusiva com a presença de fãs, que participaram de uma promoção e foram sorteados pela Universal Music. A Billboard Brasil acompanhou a audição e conversou com Projota antes do evento.

Ouça o álbum e leia o papo abaixo:

O que ficou e o que mudou nesse segundo álbum em relação ao primeiro?
Mudou tudo várias vezes, eu nunca demorei tanto pra fazer um disco – tudo bem que só tinha feito um até agora [risos]. É que antes eu fazia mixtapes e era rápido, um mês. O Foco, Força e Fé levou uns três meses. Esse levou oito meses, desde que a gente entrou no estúdio. Mas comecei a compor em fevereiro de 2016. Um ano e meio se dedicando. Deu muito trabalho, muita música que começou de um jeito e terminou de outro. As coisas vão mudando, a música deixa de ser atual e eu mesmo deixo de gostar da música daquele jeito. Vi que o que tá pegando é o trap e aprendi a fazer trap nesse tempo. O “meu” trap, né? Não queria só copiar o gringo. Então não tem autotune, aquelas vozes com efeitos... é batida de trap mas pegada do Projota. O primeiro trap que eu fiz foi “A Milenar Arte de Meter o Louco” mesmo, daí que veio o nome pro disco. Depois dela, fiz mais dois traps e ela ficou desatualizada, tá ligado? Tive que refazer porque ela ficou pra trás e deixei ela mais pesada, dei uma calibrada.

Trap é o novo gangsta rap?
Tem o peso do gangsta sim, mas o que eu acho louco é que tem o peso e a marra, mas você dança. O gangsta é durão, mexe só a cabeça. No trap, você dança! No vídeo de “Antes Do Meu Fim”, mesmo, que eu gravei em Nova York... eu canto dançando! Eu nunca tinha dançado em clipe antes, mas não consegui gravar sem dançar, porque eu ouço esses caras dançando. Então eu tô ali falando altas paradas pesadas, “esses filhos da puta só querem meu sangue”, dançando. Você tem a oportunidade de expor a ideia e parece que cê não tá nem aí. É muito louco isso.

E desses caras do trap, de qual cê gosta mais?
Ah, eu tento acompanhar tudo, Future, Migos, Young Thug. Mas eu gosto também do Drake, que tá nessa fonte. Gosto mais dele nas ideias, tem ideias mais contundentes. É muito equilibrado.

Você tem várias participações no álbum. Como rolaram?
O Rashid não tava no primeiro e tinha que estar. Haikaiss eu queria, Karol Conká também. O Mano Brown foi mais inesperado. Eu queria que ele fizesse uma assinatura no final da música, tá ligado? Fomos lá no estúdio e a gente gravou uma troca de ideias de 1h30... tenho isso em vídeo. E aí desse papo eu peguei as coisas que sintetizam o disco, o que significa A Milenar Arte de Meter o Louco. E nessas ele explica o disco pra mim. No caso da Anavitória... eu conheço elas há muito tempo, desde quando elas lançaram o EP, fizeram o lance do Catarse pra conseguir grana e tal. A Vitória já foi em churrasco em casa, é parceira. E aí estávamos finalizando a faixa “Linda” e pintou essa vontade de ter uma voz feminina ali. Foi em cima da hora também... elas gravaram no dia seguinte ao convite e já tinha que entregar o disco naquela semana. Era pra ser mesmo.

Você é um cara que atrai um público jovem muito grande. Já imaginava isso lá no começo da carreira?
Nunca imaginei qual seria o meu público, só quando começou a acontecer... 2009 e tal. Aí vi que os adolescentes se identificavam muito. Com 20 e poucos anos nem sempre você está aberto a novas coisas. Eu mesmo demorei... só ouvia o que eu já ouvia com 16 anos. Só ouvia Linkin Park e rap. Eu cheguei numa nova geração do rap e a galera com 25 anos já queria ouvir os clássicos. Já os mais jovens não conheciam o rap e a gente apresentou. Agora, o que eu não consigo explicar é a continuidade, como o meu público continua jovem. O leque abriu, na verdade. Tem os mais velhos e muita criança. Mas a massa mesmo do meu público é de 17 a 21, 22, por aí. É a fase que eu acho de maior responsabilidade, de formação como pessoa. É uma responsa grande.

Você, Emicida e Rashid têm idades próximas. Como é a relação?
Emicida é um ano mais velho e o Rashid é dois anos mais novo. Eu acho que ali em 2010, quando a gente apareceu, foi um levante mesmo, um monte de raio que caiu junto. Não era uma andorinha só, era muita gente boa ao mesmo tempo. Aí junta Flora Matos, Criolo, Kamau, Marechal... a galera foi bombardeada por bons raps. Cada um com um jeito... se a pessoa não gostar de um, vai gostar de outro. Se ela não gostar de oito, vai ter o nono. E o rap cativa, o rap tem o que o rock representou por muito tempo: a rebeldia. Bater de frente, gritar... boa parte da juventude tem essa necessidade e o rap grita por eles.

Ali formou uma cena, no sentido de um trocar ideia com o outro, se ajudar?
Rashid é meu amigo de infância. Emicida eu conheci em 2006, tudo da zona norte. Eu ia com o Rashid de ônibus pras baladas, escrevendo. Depois a gente fez um coletivo e se reunia na lavanderia da casa do meu DJ, só traçando plano pra dominar o mundo. Aí pensamos no lance de fazer mixtape. O Emicida fez a primeira e vendia a R$ 2 nos shows... aquilo fez acontecer. Essas atitudes tomadas lá em 2006, 2007, mudaram o jogo. O jogo tava parado, foi interditado pela chuva, não sei. E aí a gente veio e trouxe o sol de volta. O rap merecia isso, já tinha sido muito grande, deu uma pausa. A galera teve que começar a arranjar um trampo nesse tempo. Faltou uma cena e a gente veio fazer parte dessa turma louca.

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Projota sobre a nova geração do rap: “A gente trouxe o sol de volta”

Rapper lança álbum e clipe nessa sexta-feira

por Marcos Lauro em 28/07/2017

Nessa sexta-feira (28/07), o rapper Projota lança seu segundo álbum de estúdio, A Milenar Arte de Meter o Louco. Junto com o álbum, chega também o clipe da faixa-título.

Veja:

Um dia antes, na quinta, a sede do Spotify Brasil, em São Paulo, recebeu uma audição exclusiva com a presença de fãs, que participaram de uma promoção e foram sorteados pela Universal Music. A Billboard Brasil acompanhou a audição e conversou com Projota antes do evento.

Ouça o álbum e leia o papo abaixo:

O que ficou e o que mudou nesse segundo álbum em relação ao primeiro?
Mudou tudo várias vezes, eu nunca demorei tanto pra fazer um disco – tudo bem que só tinha feito um até agora [risos]. É que antes eu fazia mixtapes e era rápido, um mês. O Foco, Força e Fé levou uns três meses. Esse levou oito meses, desde que a gente entrou no estúdio. Mas comecei a compor em fevereiro de 2016. Um ano e meio se dedicando. Deu muito trabalho, muita música que começou de um jeito e terminou de outro. As coisas vão mudando, a música deixa de ser atual e eu mesmo deixo de gostar da música daquele jeito. Vi que o que tá pegando é o trap e aprendi a fazer trap nesse tempo. O “meu” trap, né? Não queria só copiar o gringo. Então não tem autotune, aquelas vozes com efeitos... é batida de trap mas pegada do Projota. O primeiro trap que eu fiz foi “A Milenar Arte de Meter o Louco” mesmo, daí que veio o nome pro disco. Depois dela, fiz mais dois traps e ela ficou desatualizada, tá ligado? Tive que refazer porque ela ficou pra trás e deixei ela mais pesada, dei uma calibrada.

Trap é o novo gangsta rap?
Tem o peso do gangsta sim, mas o que eu acho louco é que tem o peso e a marra, mas você dança. O gangsta é durão, mexe só a cabeça. No trap, você dança! No vídeo de “Antes Do Meu Fim”, mesmo, que eu gravei em Nova York... eu canto dançando! Eu nunca tinha dançado em clipe antes, mas não consegui gravar sem dançar, porque eu ouço esses caras dançando. Então eu tô ali falando altas paradas pesadas, “esses filhos da puta só querem meu sangue”, dançando. Você tem a oportunidade de expor a ideia e parece que cê não tá nem aí. É muito louco isso.

E desses caras do trap, de qual cê gosta mais?
Ah, eu tento acompanhar tudo, Future, Migos, Young Thug. Mas eu gosto também do Drake, que tá nessa fonte. Gosto mais dele nas ideias, tem ideias mais contundentes. É muito equilibrado.

Você tem várias participações no álbum. Como rolaram?
O Rashid não tava no primeiro e tinha que estar. Haikaiss eu queria, Karol Conká também. O Mano Brown foi mais inesperado. Eu queria que ele fizesse uma assinatura no final da música, tá ligado? Fomos lá no estúdio e a gente gravou uma troca de ideias de 1h30... tenho isso em vídeo. E aí desse papo eu peguei as coisas que sintetizam o disco, o que significa A Milenar Arte de Meter o Louco. E nessas ele explica o disco pra mim. No caso da Anavitória... eu conheço elas há muito tempo, desde quando elas lançaram o EP, fizeram o lance do Catarse pra conseguir grana e tal. A Vitória já foi em churrasco em casa, é parceira. E aí estávamos finalizando a faixa “Linda” e pintou essa vontade de ter uma voz feminina ali. Foi em cima da hora também... elas gravaram no dia seguinte ao convite e já tinha que entregar o disco naquela semana. Era pra ser mesmo.

Você é um cara que atrai um público jovem muito grande. Já imaginava isso lá no começo da carreira?
Nunca imaginei qual seria o meu público, só quando começou a acontecer... 2009 e tal. Aí vi que os adolescentes se identificavam muito. Com 20 e poucos anos nem sempre você está aberto a novas coisas. Eu mesmo demorei... só ouvia o que eu já ouvia com 16 anos. Só ouvia Linkin Park e rap. Eu cheguei numa nova geração do rap e a galera com 25 anos já queria ouvir os clássicos. Já os mais jovens não conheciam o rap e a gente apresentou. Agora, o que eu não consigo explicar é a continuidade, como o meu público continua jovem. O leque abriu, na verdade. Tem os mais velhos e muita criança. Mas a massa mesmo do meu público é de 17 a 21, 22, por aí. É a fase que eu acho de maior responsabilidade, de formação como pessoa. É uma responsa grande.

Você, Emicida e Rashid têm idades próximas. Como é a relação?
Emicida é um ano mais velho e o Rashid é dois anos mais novo. Eu acho que ali em 2010, quando a gente apareceu, foi um levante mesmo, um monte de raio que caiu junto. Não era uma andorinha só, era muita gente boa ao mesmo tempo. Aí junta Flora Matos, Criolo, Kamau, Marechal... a galera foi bombardeada por bons raps. Cada um com um jeito... se a pessoa não gostar de um, vai gostar de outro. Se ela não gostar de oito, vai ter o nono. E o rap cativa, o rap tem o que o rock representou por muito tempo: a rebeldia. Bater de frente, gritar... boa parte da juventude tem essa necessidade e o rap grita por eles.

Ali formou uma cena, no sentido de um trocar ideia com o outro, se ajudar?
Rashid é meu amigo de infância. Emicida eu conheci em 2006, tudo da zona norte. Eu ia com o Rashid de ônibus pras baladas, escrevendo. Depois a gente fez um coletivo e se reunia na lavanderia da casa do meu DJ, só traçando plano pra dominar o mundo. Aí pensamos no lance de fazer mixtape. O Emicida fez a primeira e vendia a R$ 2 nos shows... aquilo fez acontecer. Essas atitudes tomadas lá em 2006, 2007, mudaram o jogo. O jogo tava parado, foi interditado pela chuva, não sei. E aí a gente veio e trouxe o sol de volta. O rap merecia isso, já tinha sido muito grande, deu uma pausa. A galera teve que começar a arranjar um trampo nesse tempo. Faltou uma cena e a gente veio fazer parte dessa turma louca.