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Público começa apático e termina dançante no segundo dia do Popload Festival

por em 30/11/2014
ong>Por Angela Destri Se o primeiro dia do Popload Festival 2014 foi marcado pela psicodelia, a palavra de ordem no segundo e último dia do evento foi indie – com uma pitada de folk. Metronomy, The Lumineers, Cat Power (mais uma vez) e Marcelo Jeneci foram os responsáveis pela trilha sonora deste sábado (29/11). O line-up contava ainda com o headliner Beirut, mas, no começo do mês, o grupo cancelou todas as suas apresentações até o fim do ano. O brasileiro Marcelo Jeneci iniciou os trabalhos para uma quantidade ainda modesta de pessoas, com músicas de seus dois álbuns, de forma bastante cativante, tanto do ponto de vista musical quanto visual.  O público, entretanto, não pareceu tocado pela poesia do artista, pois a maioria permanecia imóvel, sem sinais de começar a ensaiar uns passinhos. Alguns fãs fizeram uma ou outra manifestação, mas era apenas ao final das faixas que Jeneci recebia aplausos – mais por respeito ou inércia do que por admiração. Em um show que exigia atenção, os espectadores se preocupavam mais em tirar selfies e conversar com os amigos, quase sem perceber a beleza sonora à sua frente. Saíram perdendo. Infelizmente, a apatia do público persistiu mais um pouco. Cat Power, preenchendo a lacuna do Beirut, fez seu clássico show solo, revezando entre a guitarra e o piano. O falatório não parou, pelo contrário, só aumentou, até que em determinado momento nem parecia que a cantora estava no palco. Porém, pode-se usar como desculpa o show pouco enérgico, voltado para aqueles que já conhecem (e muito bem) seu trabalho. A americana recebeu flores de alguns fãs e distribuiu algumas delas, mostrando que o incidente da noite anterior não foi o suficiente para colocar um fim em sua boa relação com o Brasil. Apesar de uma plateia pouco ou nada animada, Cat parecia ter um admirador especial: em vez de aguardar no camarim para sua apresentação, que seria na sequência, o vocalista do The Lumineers, Wesley Schultz, foi até a pista prestigiar a conterrânea. Schultz parecia um cara normalzão, curtindo um show tranquilamente, e passou praticamente despercebido. Aliás, isso não foi algo incomum: a própria Cat, bem como Marcelo Jeneci e até os Boogarins, que tocaram na sexta-feira, foram vistos assistindo às outras apresentações da noite. Quando o The Lumineers subiu ao palco, a pista e o mezanino em frente estavam dominados e o público finalmente passou a ser parte do festival. Os americanos foram recebidos com muitos aplausos, antes, durante e depois de suas músicas, que foram cantadas em coro. A banda – que deixou de ser um trio para virar um quinteto em 2012 – estreava em terras tupiniquins e mostrou surpresa com a calorosa recepção. Wesley Schultz, como a maior parte dos cantores de folk, não conversou muito com a plateia, mas sua gratidão era óbvia. O vocalista pediu, contudo, que a plateia abaixasse seus telefones e parasse de tirar fotos. Alguns aceitaram, outros fingiram nem ter ouvido. Além dos hits mais conhecidos, como “Ho Hey” e “Stubborn Love”, ainda houve uma cover de “Subterranean Homesick Blues”, single de 1965 gravado por aquele que levou o folk para o mundo e sem o qual eles não estariam ali: Bob Dylan. Schultz e o companheiro Jeremiah Fraites surpreenderam o público ao irem até o meio da pista, onde havia um palco menor, para tocar duas faixas: “Darlene” e “Flapper Girl”. A banda foi surpreendida: sua música nova, “Duet (Falling In Love)”, que estará em seu tão aguardado segundo álbum (sem previsão de lançamento), foi acompanhada por muitos fãs. A animação dos músicos e o envolvimento do público fizeram desse um show muito difícil de ser superado. Mas difícil não significa impossível. O piano e o violoncelo dos americanos deram lugar aos teclados e baixo elétrico dos britânicos. O Metronomy assumiu o posto de headliner e, com suas roupas combinadas e danças sincronizadas, não deixou ninguém – finalmente! – parado no Audio Club. A animação do grupo, em especial do baixista Olugbenga Adelekan, contagiou a plateia. Não à toa, quando o vocalista Joseph Mount apresentou os integrantes, o nigeriano foi o segundo mais aplaudido, atrás apenas da baterista, a queridinha Anna Prior. As músicas dançantes cumpriram seu papel e foram muito bem recebidas pelo público. A vibe da banda, apesar de tocar um indie rock misturado com eletrônico, circula por algo entre os anos 1960 e 1970, fato confirmado pela cover de “Here Comes The Sun”. O tecladista Oscar Cash teve seu momento George Harrison nessa homenagem aos Beatles. Era difícil achar uma pessoa que não sabia a letra. O Metronomy foi a única atração da noite a retornar para o bis – que teve só uma música – apesar dos gritos dos fãs ao fim do show do Lumineers. Ambos fizeram a falta do Beirut praticamente não ser sentida e mostraram que shows menores e festivais como o Popload têm espaço por aqui e podem ainda atrair muitos adeptos.
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Bengala E Crochê
Maiara & Maraisa
2
Eu Vou Te Buscar (Cha La La La La) (part. Hungria Hip Hop)
Gusttavo LIma
3
Saudade
Eduardo Costa
4
Amor Da Sua Cama
Felipe Araújo
5
De Quem É A Culpa?
Marília Mendonça
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Público começa apático e termina dançante no segundo dia do Popload Festival

por em 30/11/2014
ong>Por Angela Destri Se o primeiro dia do Popload Festival 2014 foi marcado pela psicodelia, a palavra de ordem no segundo e último dia do evento foi indie – com uma pitada de folk. Metronomy, The Lumineers, Cat Power (mais uma vez) e Marcelo Jeneci foram os responsáveis pela trilha sonora deste sábado (29/11). O line-up contava ainda com o headliner Beirut, mas, no começo do mês, o grupo cancelou todas as suas apresentações até o fim do ano. O brasileiro Marcelo Jeneci iniciou os trabalhos para uma quantidade ainda modesta de pessoas, com músicas de seus dois álbuns, de forma bastante cativante, tanto do ponto de vista musical quanto visual.  O público, entretanto, não pareceu tocado pela poesia do artista, pois a maioria permanecia imóvel, sem sinais de começar a ensaiar uns passinhos. Alguns fãs fizeram uma ou outra manifestação, mas era apenas ao final das faixas que Jeneci recebia aplausos – mais por respeito ou inércia do que por admiração. Em um show que exigia atenção, os espectadores se preocupavam mais em tirar selfies e conversar com os amigos, quase sem perceber a beleza sonora à sua frente. Saíram perdendo. Infelizmente, a apatia do público persistiu mais um pouco. Cat Power, preenchendo a lacuna do Beirut, fez seu clássico show solo, revezando entre a guitarra e o piano. O falatório não parou, pelo contrário, só aumentou, até que em determinado momento nem parecia que a cantora estava no palco. Porém, pode-se usar como desculpa o show pouco enérgico, voltado para aqueles que já conhecem (e muito bem) seu trabalho. A americana recebeu flores de alguns fãs e distribuiu algumas delas, mostrando que o incidente da noite anterior não foi o suficiente para colocar um fim em sua boa relação com o Brasil. Apesar de uma plateia pouco ou nada animada, Cat parecia ter um admirador especial: em vez de aguardar no camarim para sua apresentação, que seria na sequência, o vocalista do The Lumineers, Wesley Schultz, foi até a pista prestigiar a conterrânea. Schultz parecia um cara normalzão, curtindo um show tranquilamente, e passou praticamente despercebido. Aliás, isso não foi algo incomum: a própria Cat, bem como Marcelo Jeneci e até os Boogarins, que tocaram na sexta-feira, foram vistos assistindo às outras apresentações da noite. Quando o The Lumineers subiu ao palco, a pista e o mezanino em frente estavam dominados e o público finalmente passou a ser parte do festival. Os americanos foram recebidos com muitos aplausos, antes, durante e depois de suas músicas, que foram cantadas em coro. A banda – que deixou de ser um trio para virar um quinteto em 2012 – estreava em terras tupiniquins e mostrou surpresa com a calorosa recepção. Wesley Schultz, como a maior parte dos cantores de folk, não conversou muito com a plateia, mas sua gratidão era óbvia. O vocalista pediu, contudo, que a plateia abaixasse seus telefones e parasse de tirar fotos. Alguns aceitaram, outros fingiram nem ter ouvido. Além dos hits mais conhecidos, como “Ho Hey” e “Stubborn Love”, ainda houve uma cover de “Subterranean Homesick Blues”, single de 1965 gravado por aquele que levou o folk para o mundo e sem o qual eles não estariam ali: Bob Dylan. Schultz e o companheiro Jeremiah Fraites surpreenderam o público ao irem até o meio da pista, onde havia um palco menor, para tocar duas faixas: “Darlene” e “Flapper Girl”. A banda foi surpreendida: sua música nova, “Duet (Falling In Love)”, que estará em seu tão aguardado segundo álbum (sem previsão de lançamento), foi acompanhada por muitos fãs. A animação dos músicos e o envolvimento do público fizeram desse um show muito difícil de ser superado. Mas difícil não significa impossível. O piano e o violoncelo dos americanos deram lugar aos teclados e baixo elétrico dos britânicos. O Metronomy assumiu o posto de headliner e, com suas roupas combinadas e danças sincronizadas, não deixou ninguém – finalmente! – parado no Audio Club. A animação do grupo, em especial do baixista Olugbenga Adelekan, contagiou a plateia. Não à toa, quando o vocalista Joseph Mount apresentou os integrantes, o nigeriano foi o segundo mais aplaudido, atrás apenas da baterista, a queridinha Anna Prior. As músicas dançantes cumpriram seu papel e foram muito bem recebidas pelo público. A vibe da banda, apesar de tocar um indie rock misturado com eletrônico, circula por algo entre os anos 1960 e 1970, fato confirmado pela cover de “Here Comes The Sun”. O tecladista Oscar Cash teve seu momento George Harrison nessa homenagem aos Beatles. Era difícil achar uma pessoa que não sabia a letra. O Metronomy foi a única atração da noite a retornar para o bis – que teve só uma música – apesar dos gritos dos fãs ao fim do show do Lumineers. Ambos fizeram a falta do Beirut praticamente não ser sentida e mostraram que shows menores e festivais como o Popload têm espaço por aqui e podem ainda atrair muitos adeptos.