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“Quando toco, tento surpreender a pista e a mim mesmo”, diz DJ Marky

por em 27/04/2015
P
or Marcos Lauro
DJ Marky é uma das atrações do TomorrowLand Brasil, festival de música eletrônica que será realizado pela primeira vez no país entre os dias 1º e 3 de maio. “DJ Marky & Friends” é o nome de uma das tendas do evento, destinado, claro, ao drum ‘n’ bass. Nela estarão, além do próprio Marky, nomes como DJ Patife e Ed Rush. A Billboard Brasil conversou com DJ Marky sobre a expectativa para o festival, o disco que está por vir e as pessoas que “atacam de DJ”. Seu disco novo já está pronto, não? Tem data de lançamento? O disco novo, My Heroes, sai no dia 15 de maio lá fora, um dia depois do meu aniversário. A festa vai ser no fabric, em Londres, casa onde costumo tocar por lá. O drum ‘n’ bass já viveu um momento de sucesso popular, principalmente quando rolou o chamado drum ‘n’ bossa e o gênero se misturou à MPB e à bossa nova entre os anos 1990 e 2000. Como está o drum ‘n’ bass hoje? No Brasil a gente tem mania de falar que tal estilo musical “acabou” logo depois de que ele sai dos holofotes. Na época do drum ‘n’ bossa eu não achava o sucesso ruim. Eu só ficava desconfiado. Porque lá fora o estilo bomba e depois se solidifica, tem base, as festas continuam. Se você pegar o jazz... o jazz não é mainstream, mas as pessoas continuam ouvindo e falando sobre ele. O drum ‘n’ bass não morreu. Eu mesmo tenho minha agenda sempre lotada, estou no rádio, tenho noites fixas em São Paulo... a música esta aí. E você nem ficou muito tempo no drum ‘n’ bossa... Eu não gosto de ficar na mesma por muito tempo. Então me cansei rápido do drum ‘n’ bossa e fui fazer outras coisas. A gente tem que explorar outras coisas. Quando eu toco house, eu toco house diferente de um DJ que sempre toca house. Com tecno é a mesma coisa. E por aí vai... Você já tocou no TomorrowLand fora do Brasil. Acha que vai ser diferente aqui? É diferente saber que vou tocar na edição brasileira do festival. Já toquei em outras no exterior. Eles sabem o valor do meu trabalho e o TomorrowLand é super importante porque mostra uma diversidade que é difícil de encontrar por aqui. Tem festivais que só tocam house, muitas casas noturnas no Brasil só tocam house... Antigamente cada noite de uma casa noturna tinha um estilo musical diferente. A nova geração precisa conhecer essa diversidade. Me lembro de uma vez em que você abriu o show do Prodigy, em 2009, e encerrou o set com “Smells Like Teen Spirit”, do Nirvana. Você sempre apronta dessas? Esse dia foi engraçado! Eu morava ali perto, fui, toquei e fui embora. Eu abri pra eles duas vezes. Nesse dia e em 1999, quando eles vieram num festival. E foi importante porque foi ali que eu me consagrei. Agora, sobre o Nirvana: quando toco eu tento surpreender a pista e a mim mesmo. Eu não consigo tocar com set marcado, com as músicas já listadas, na ordem... Eu vou construindo a pista. Tudo pode acontecer. E as pessoas que “atacam de DJ” por aí? Existe isso no drum ‘n’ bass também? É tecnicamente mais difícil atacar de DJ no drum ‘n’ bass? Não, no drum ‘n’ bass também tem. Ô se tem [risos]! O lance é que um DJ das antigas tinha que samplear, estudar música, entender de jazz. Os moleques de hoje entendem de computador, dos programas, dos plugins. E aí se um deles bomba com uma música, o empresário logo manda ele ir pro ao vivo, pra faturar mais. Assim é que muito cara vira DJ e a gente sabe que alguns usam artifícios como montar a sequência e já levar pronta, tocar com CD mixado etc. Porque ali no palco eles não vão ter as ferramentas que têm no estúdio. Já aqui no Brasil, quando “atacam de DJ” vão por um caminho que é mais fácil mesmo, não usam o drum ‘n’ bass. E quem é o público de drum ‘n’ bass hoje? Vai muita gente jovem nas minhas noites. Mas a música não vem mais em primeiro lugar pra quem sai na noite. Há um tempo você ia ver um DJ tocar porque só ele tinha tal música e só ele tocava. Hoje não tem mais como fazer isso. Mas já vi uns DJs de tecno que prensam discos com suas músicas em edições limitadíssimas e vendem. Quem comprou, comprou. Você tem feito alguns reedits (algo próximo do remix, mas sem mexer tanto na estrutura da música) de MPB e soul. Pensa em lançar algo desse gênero? Eu faço isso pra passar o tempo [risos]! Eu pego músicas que eu sempre quis ouvir na noite e nunca rolou. Eu tenho mais de 30 mil discos em casa e lá tem um pouco de tudo. Peguei Djavan e fiz a música “Nereci” [do disco Djavan, de 1978]. Mandei pra ele e ele pirou, compartilhou. Agora estou terminando um reedit de Carole King, “I Feel The Earth Move”.
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Eu Vou Te Buscar (Cha La La La La) (part. Hungria Hip Hop)
Gusttavo LIma
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Saudade
Eduardo Costa
3
De Quem É A Culpa?
Marília Mendonça
4
Bengala E Crochê
Maiara & Maraisa
5
Aquela Pessoa
Henrique & Juliano
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“Quando toco, tento surpreender a pista e a mim mesmo”, diz DJ Marky

por em 27/04/2015
P
or Marcos Lauro
DJ Marky é uma das atrações do TomorrowLand Brasil, festival de música eletrônica que será realizado pela primeira vez no país entre os dias 1º e 3 de maio. “DJ Marky & Friends” é o nome de uma das tendas do evento, destinado, claro, ao drum ‘n’ bass. Nela estarão, além do próprio Marky, nomes como DJ Patife e Ed Rush. A Billboard Brasil conversou com DJ Marky sobre a expectativa para o festival, o disco que está por vir e as pessoas que “atacam de DJ”. Seu disco novo já está pronto, não? Tem data de lançamento? O disco novo, My Heroes, sai no dia 15 de maio lá fora, um dia depois do meu aniversário. A festa vai ser no fabric, em Londres, casa onde costumo tocar por lá. O drum ‘n’ bass já viveu um momento de sucesso popular, principalmente quando rolou o chamado drum ‘n’ bossa e o gênero se misturou à MPB e à bossa nova entre os anos 1990 e 2000. Como está o drum ‘n’ bass hoje? No Brasil a gente tem mania de falar que tal estilo musical “acabou” logo depois de que ele sai dos holofotes. Na época do drum ‘n’ bossa eu não achava o sucesso ruim. Eu só ficava desconfiado. Porque lá fora o estilo bomba e depois se solidifica, tem base, as festas continuam. Se você pegar o jazz... o jazz não é mainstream, mas as pessoas continuam ouvindo e falando sobre ele. O drum ‘n’ bass não morreu. Eu mesmo tenho minha agenda sempre lotada, estou no rádio, tenho noites fixas em São Paulo... a música esta aí. E você nem ficou muito tempo no drum ‘n’ bossa... Eu não gosto de ficar na mesma por muito tempo. Então me cansei rápido do drum ‘n’ bossa e fui fazer outras coisas. A gente tem que explorar outras coisas. Quando eu toco house, eu toco house diferente de um DJ que sempre toca house. Com tecno é a mesma coisa. E por aí vai... Você já tocou no TomorrowLand fora do Brasil. Acha que vai ser diferente aqui? É diferente saber que vou tocar na edição brasileira do festival. Já toquei em outras no exterior. Eles sabem o valor do meu trabalho e o TomorrowLand é super importante porque mostra uma diversidade que é difícil de encontrar por aqui. Tem festivais que só tocam house, muitas casas noturnas no Brasil só tocam house... Antigamente cada noite de uma casa noturna tinha um estilo musical diferente. A nova geração precisa conhecer essa diversidade. Me lembro de uma vez em que você abriu o show do Prodigy, em 2009, e encerrou o set com “Smells Like Teen Spirit”, do Nirvana. Você sempre apronta dessas? Esse dia foi engraçado! Eu morava ali perto, fui, toquei e fui embora. Eu abri pra eles duas vezes. Nesse dia e em 1999, quando eles vieram num festival. E foi importante porque foi ali que eu me consagrei. Agora, sobre o Nirvana: quando toco eu tento surpreender a pista e a mim mesmo. Eu não consigo tocar com set marcado, com as músicas já listadas, na ordem... Eu vou construindo a pista. Tudo pode acontecer. E as pessoas que “atacam de DJ” por aí? Existe isso no drum ‘n’ bass também? É tecnicamente mais difícil atacar de DJ no drum ‘n’ bass? Não, no drum ‘n’ bass também tem. Ô se tem [risos]! O lance é que um DJ das antigas tinha que samplear, estudar música, entender de jazz. Os moleques de hoje entendem de computador, dos programas, dos plugins. E aí se um deles bomba com uma música, o empresário logo manda ele ir pro ao vivo, pra faturar mais. Assim é que muito cara vira DJ e a gente sabe que alguns usam artifícios como montar a sequência e já levar pronta, tocar com CD mixado etc. Porque ali no palco eles não vão ter as ferramentas que têm no estúdio. Já aqui no Brasil, quando “atacam de DJ” vão por um caminho que é mais fácil mesmo, não usam o drum ‘n’ bass. E quem é o público de drum ‘n’ bass hoje? Vai muita gente jovem nas minhas noites. Mas a música não vem mais em primeiro lugar pra quem sai na noite. Há um tempo você ia ver um DJ tocar porque só ele tinha tal música e só ele tocava. Hoje não tem mais como fazer isso. Mas já vi uns DJs de tecno que prensam discos com suas músicas em edições limitadíssimas e vendem. Quem comprou, comprou. Você tem feito alguns reedits (algo próximo do remix, mas sem mexer tanto na estrutura da música) de MPB e soul. Pensa em lançar algo desse gênero? Eu faço isso pra passar o tempo [risos]! Eu pego músicas que eu sempre quis ouvir na noite e nunca rolou. Eu tenho mais de 30 mil discos em casa e lá tem um pouco de tudo. Peguei Djavan e fiz a música “Nereci” [do disco Djavan, de 1978]. Mandei pra ele e ele pirou, compartilhou. Agora estou terminando um reedit de Carole King, “I Feel The Earth Move”.