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Quase 20 anos depois, Catalau emociona fãs do Golpe de Estado

Lendário vocalista fez participação especial em show da tour dos 30 anos da banda

por Edianez Parente em 24/10/2016

Citações a golpe de estado, troca de liderança e pastores evangélicos no foco. Você poderia estar lendo sobre o cenário político, mas...

Primeiramente, esse é um texto sobre o hard rock nacional. É que Catalau, lendário vocalista da formação original do Golpe de Estado e autor das letras de seus maiores hits, voltou – ao menos para uma participação especial com meia dúzia de músicas. E conseguiu matar um pouco da saudade que sua ausência de quase 20 anos deixou nos fãs da banda, emocionando a plateia que lotou a Clash Club na noite deste domingo (23/10). Ele foi um dos convidados especiais do show, ponto alto de uma sequência de apresentações que o grupo em nova formação vem promovendo desde março por ocasião do aniversário de 30 anos da banda.

Imagens do show do Golpe de Estado com o vocalista Catalau na Clash, dia 23 de outubro.

Pati Patah

Imagens do show do Golpe de Estado com o vocalista Catalau na Clash, dia 23 de outubro.

Pati Patah

Imagens do show do Golpe de Estado com o vocalista Catalau na Clash, dia 23 de outubro.

Pati Patah

Imagens do show do Golpe de Estado com o vocalista Catalau na Clash, dia 23 de outubro.

Pati Patah

Imagens do show do Golpe de Estado com o vocalista Catalau na Clash, dia 23 de outubro.

Pati Patah

Imagens do show do Golpe de Estado com o vocalista Catalau na Clash, dia 23 de outubro.

Pati Patah

Imagens do show do Golpe de Estado com o vocalista Catalau na Clash, dia 23 de outubro.

Pati Patah

Imagens do show do Golpe de Estado com o vocalista Catalau na Clash, dia 23 de outubro.

Pati Patah

Com conhecimento de causa, por alguns instantes André “Catalau” Marechal, atual pastor evangélico da igreja Bola de Neve, reviveu os tempos de “band leader”, interpretando verdadeiras pérolas do rock nacional cantadas por uma plateia que sabia as letras de cor. Musculoso, tatuado e com um bronzeado e cabeleira de quem mora à beira do mar, é até fácil imaginar o hoje cinquentão carregando um long board na praia. Mas ele empunhou o violão elétrico e mostrou que a pregação nos cultos têm feito um bem danado à sua voz, que segue potente e rasgada, entoando os versos fortes de algumas das canções mais emblemáticas do metal brasileiro. Sim, porque com o Golpe foi (e ainda é) possível cantar rock pesado em português.

O show do Golpe de Estado durou cerca de 1h40, com um set list previsto de 20 canções. Um minidocumentário com depoimentos sobre os 30 anos da banda antecedeu a apresentação. A largada foi dada com a atual formação do grupo: Nelson Brito (baixista e integrante da formação original), Rogério Fernandes (vocalista, também da banda Carro Bomba), Marcello Schevano (guitarrista e também das bandas Carro Bomba e Patrulha do Espaço), e Roby Pontes (baterista). No palco, a estampa de fundo foi tirada da linda capa do disco de estreia da banda, com uma foto da icônica Estação da Luz.

“Nem Polícia Nem Bandido” abriu a sucessão de canções de impacto da banda. A cada música do Golpe, uma cutucada na vida nacional, de um tempo em que o nosso rock também tinha voz de protesto. “Quantas Vão” tem breve referência à chacina da Candelária. “Paixão” é romance total, com os inspiradores versos “Estar apaixonado/é estar embriagado”, porque os roqueiros também amam. Veio “Zumbi”, do disco que teve nos estúdios a participação de Rita Lee nos backing vocals. E foi a deixa para a entrada do primeiro convidado, o guitarrista Luiz Carlini (Tutti-Frutti e Camisa de Vênus) com uma versão slide guitar para a blueseira “Moondog”.  

É quando entra Catalau, entoando toda a beleza de “Olhos de Guerra”: “Seus olhos pequenos/da cor da terra/me fazem lembrar a guerra”, onde ele oportunamente inclui uma referência ao que hoje acontece na Síria. Vieram ainda “Real Valor”, “Terra de Ninguém” e a indefectível “Velha Mistura” (A velha mistura/ te mata e te cura). Mas Catalau também é romance e tem “Caso Sério” antes da última “Mal Social”, em que ele encerra em dobradinha com o atual vocalista do Golpe, Rogério Fernandes.

A banda também rendeu homenagem a Hélcio Aguirra, o guitarrista da formação original, que morreu em 2014 aos 54 anos.  Mateus Schanoski (banda Tomada e StormSons) fez participação especial nos teclados em boa parte da apresentação.

Entre tantos discursos de emoção e tiradas de um Catalau muito bem-humorado, coube ao baixista Nelson o momento pura poesia, ao sacramentar em meio a tantas homenagens que aquela banda Golpe de Estado das origens não existe mais. “Mas ela nunca existiu. Era um sonho”.

Para fechar o show, que já tinha estourado o tempo da casa pra uma noite de domingo, quem subiu ao palco foi Ronaldo Giovaneli (Ronaldo e os Impedidos, ex-goleiro do Corinthians), com “Noite de Balada”. Ausência sentida no palco: o baterista da formação original, Paulo Zinner.

Enfim, agora o Golpe segue na estrada e Catalau volta para a praia e sua igreja. E a gente fica aqui torcendo pra que também um outro pastor faça uma participação especial.  Com a licença dos infiéis, fica o pedido: Se Deus quiser, que Rodolfo Abrantes também faça uma ponta num show do Raimundos!

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Quase 20 anos depois, Catalau emociona fãs do Golpe de Estado

Lendário vocalista fez participação especial em show da tour dos 30 anos da banda

por Edianez Parente em 24/10/2016

Citações a golpe de estado, troca de liderança e pastores evangélicos no foco. Você poderia estar lendo sobre o cenário político, mas...

Primeiramente, esse é um texto sobre o hard rock nacional. É que Catalau, lendário vocalista da formação original do Golpe de Estado e autor das letras de seus maiores hits, voltou – ao menos para uma participação especial com meia dúzia de músicas. E conseguiu matar um pouco da saudade que sua ausência de quase 20 anos deixou nos fãs da banda, emocionando a plateia que lotou a Clash Club na noite deste domingo (23/10). Ele foi um dos convidados especiais do show, ponto alto de uma sequência de apresentações que o grupo em nova formação vem promovendo desde março por ocasião do aniversário de 30 anos da banda.

Imagens do show do Golpe de Estado com o vocalista Catalau na Clash, dia 23 de outubro.

Pati Patah

Imagens do show do Golpe de Estado com o vocalista Catalau na Clash, dia 23 de outubro.

Pati Patah

Imagens do show do Golpe de Estado com o vocalista Catalau na Clash, dia 23 de outubro.

Pati Patah

Imagens do show do Golpe de Estado com o vocalista Catalau na Clash, dia 23 de outubro.

Pati Patah

Imagens do show do Golpe de Estado com o vocalista Catalau na Clash, dia 23 de outubro.

Pati Patah

Imagens do show do Golpe de Estado com o vocalista Catalau na Clash, dia 23 de outubro.

Pati Patah

Imagens do show do Golpe de Estado com o vocalista Catalau na Clash, dia 23 de outubro.

Pati Patah

Imagens do show do Golpe de Estado com o vocalista Catalau na Clash, dia 23 de outubro.

Pati Patah

Com conhecimento de causa, por alguns instantes André “Catalau” Marechal, atual pastor evangélico da igreja Bola de Neve, reviveu os tempos de “band leader”, interpretando verdadeiras pérolas do rock nacional cantadas por uma plateia que sabia as letras de cor. Musculoso, tatuado e com um bronzeado e cabeleira de quem mora à beira do mar, é até fácil imaginar o hoje cinquentão carregando um long board na praia. Mas ele empunhou o violão elétrico e mostrou que a pregação nos cultos têm feito um bem danado à sua voz, que segue potente e rasgada, entoando os versos fortes de algumas das canções mais emblemáticas do metal brasileiro. Sim, porque com o Golpe foi (e ainda é) possível cantar rock pesado em português.

O show do Golpe de Estado durou cerca de 1h40, com um set list previsto de 20 canções. Um minidocumentário com depoimentos sobre os 30 anos da banda antecedeu a apresentação. A largada foi dada com a atual formação do grupo: Nelson Brito (baixista e integrante da formação original), Rogério Fernandes (vocalista, também da banda Carro Bomba), Marcello Schevano (guitarrista e também das bandas Carro Bomba e Patrulha do Espaço), e Roby Pontes (baterista). No palco, a estampa de fundo foi tirada da linda capa do disco de estreia da banda, com uma foto da icônica Estação da Luz.

“Nem Polícia Nem Bandido” abriu a sucessão de canções de impacto da banda. A cada música do Golpe, uma cutucada na vida nacional, de um tempo em que o nosso rock também tinha voz de protesto. “Quantas Vão” tem breve referência à chacina da Candelária. “Paixão” é romance total, com os inspiradores versos “Estar apaixonado/é estar embriagado”, porque os roqueiros também amam. Veio “Zumbi”, do disco que teve nos estúdios a participação de Rita Lee nos backing vocals. E foi a deixa para a entrada do primeiro convidado, o guitarrista Luiz Carlini (Tutti-Frutti e Camisa de Vênus) com uma versão slide guitar para a blueseira “Moondog”.  

É quando entra Catalau, entoando toda a beleza de “Olhos de Guerra”: “Seus olhos pequenos/da cor da terra/me fazem lembrar a guerra”, onde ele oportunamente inclui uma referência ao que hoje acontece na Síria. Vieram ainda “Real Valor”, “Terra de Ninguém” e a indefectível “Velha Mistura” (A velha mistura/ te mata e te cura). Mas Catalau também é romance e tem “Caso Sério” antes da última “Mal Social”, em que ele encerra em dobradinha com o atual vocalista do Golpe, Rogério Fernandes.

A banda também rendeu homenagem a Hélcio Aguirra, o guitarrista da formação original, que morreu em 2014 aos 54 anos.  Mateus Schanoski (banda Tomada e StormSons) fez participação especial nos teclados em boa parte da apresentação.

Entre tantos discursos de emoção e tiradas de um Catalau muito bem-humorado, coube ao baixista Nelson o momento pura poesia, ao sacramentar em meio a tantas homenagens que aquela banda Golpe de Estado das origens não existe mais. “Mas ela nunca existiu. Era um sonho”.

Para fechar o show, que já tinha estourado o tempo da casa pra uma noite de domingo, quem subiu ao palco foi Ronaldo Giovaneli (Ronaldo e os Impedidos, ex-goleiro do Corinthians), com “Noite de Balada”. Ausência sentida no palco: o baterista da formação original, Paulo Zinner.

Enfim, agora o Golpe segue na estrada e Catalau volta para a praia e sua igreja. E a gente fica aqui torcendo pra que também um outro pastor faça uma participação especial.  Com a licença dos infiéis, fica o pedido: Se Deus quiser, que Rodolfo Abrantes também faça uma ponta num show do Raimundos!